Chegamos à parte da balística que mais nos interessa neste estudo. Os efeitos dos projéteis no alvo pertencem à balística terminal, e são influenciados por fatores referentes ao projétil e pelos efeitos provocados por este projétil no alvo, que são responsáveis em grande parte pelo mecanismo da incapacitação imediata do oponente.
O primeiro destes fatores, que diz respeito ao projétil, é a deformação sofrida pelo mesmo, antes de tocar o alvo e após a penetração. Entre o disparo e o final do movimento do projétil, ele irá sofrer várias deformações, mais ou menos consideráveis, que vão determinar, antes mesmo de atingir o alvo, algum efeito sobre ele.
Estas deformações sofridas pelo projétil podem ser normais (aquelas provocadas no projétil pelo raiamento do interior do cano, como as marcas deixadas no projétil pelo raiamento do cano), periódicas (resultantes, por exemplo, nos revólveres, pela má apresentação de uma ou mais câmaras para o cano, com o choque do mesmo com o início do cone de forçamento, quando então este se deforma; são as deformações ocorridas após o projétil deixar o cano da arma, e antes de tocar no alvo) e acidentais (provocadas nos projéteis, por ricochetes e pelo impacto contra o alvo; são também aquelas que ocorrem nos projéteis do tipo expansivo).
Deformações sofridas por um balote calibre 12 disparado contra um alvo. Conforme aumenta a velocidade da qual o projétil é disparado, aumentam também as deformações sofridas.
Deformações sofridas por projétil de fuzil (.308 WCF) retirados de alvos de teste. Além das deformações normais provocadas pelo raiamento do cano da arma, é possível ver as deformações acidentais causadas pelo impacto contra o alvo. O mesmo projétil apresenta deformações diferentes conforme a velocidade na qual é disparado.
O leitor deve ter em mente estes três tipos de deformações: mais adiante veremos como eles influenciam o oponente atingido pelos disparos.