direcção de fotografia Rui Poças
“Inventário de Natal”
A premissa do “Inventário
de Natal” assenta, como o próprio título sugere, numa certa enumeração
iconográfica e num olhar afectivo relativamente ao Natal. A par de
acontecimentos “banais”, e numa lógica de sobreposição, o filme tem
momentos que apelam a uma memória cultural e intemporal de Natal em forte
contraste (ou não) com essa recriação de momentos de felicidade mágica no
seio familiar natalício. Pretendia-se um certo ar “naturalista” no
tratamento visual, um lado quase documental de registo de acontecimentos, em
forte contraste com o caracter evocativo das cenas do presépio que apelam a
essa noção intemporal e mitíficada do Natal, onde tentei apelar à memória
dos filmes épicos e baseados em histórias bíblicas da época de ouro do
Technicolor. Embora
ambas as representações da família pertençam ao imaginário judaico-cristão,
uma, a imagem contemporânea da família burguesa e citadina (no filme, dos anos
80), e a outra, a representação mitológica da sagrada família, elas
pertencem inequivocamente a dois mundos diferentes, ainda que convivam no mesmo.
O início do filme, aliás, introduz
muito cedo esse conceito de intercessão, com a introdução do homem-aranha no
presépio.
Rui Poças
“Inventário de Natal”
realizador : Miguel Gomes; df : Rui Poças; assistantes de cam. : Pedro Cardeira, Maria João Shreck; electricistas : Mário Soares, Jorge Mergulhão; maquinista Manuel (dos Cavalos) Ramos; etalonagem : Dora Rolim.

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