direcção de fotografia Rui Poças
“Entretanto”
A história de “Entretanto” desenvolve-se como num tríptico, em três momentos distintos. A ideia do Miguel era a de fazer atravessar a ideia de suspensão através duma história sem climax. A adolescência, neste filme é assumida como um momento de choque entre a infância e a idade adulta, o que provoca uma espécie de paralisia. A contenção de gestos e palavras, que de alguma maneira acentuam a ideia de inacção, é acompanhada nesse filme duma rigidez de movimentos de camara e enquadramentos, choques de matérias em contraste (fogo/àgua, noite/dia, exterior/interior, etc.), e duma forte geometrização espacial.
A sequência da festa (central no filme) divide-se em 3 cenas, sendo que as 2 primeiras preparam em ritmo crescente um choque violento para a terceira cena. Dum plano de elementos cromáticos mínimos (negro e laranja) - uma multidão de chamas de isqueiros no escuro - passamos, em corte, a outro, picado, sobre uma piscina azul onde flutuam os três protagonistas deitados numa bóia de cores garridas com uma palmeira insuflável. O choque de elementos visuais é fortíssimo e, para mais, reforçado pelo tratamento sonoro (que muitas vezes exponencializa discretamente aquilo que só visualmente parece evidente).Rui Poças
“Entretanto”
realizador : Miguel Gomes; df : Rui Poças; assistantes de cam. : Iana Ferreira, André Szankowski, Djanira Oliveira; electricistas : "Musga"; maquinista: Manuel (dos Cavalos) Ramos, etalonage : Teresa Ferreira.

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