Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Localização

A    jazida paleontológica de pegadas de dinossários da Pedreira do Galinha, descoberta a 4 de Julho de 1994 por João Carvalho de STEA (Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia), localiza-se na vertente oriental da Serra d’Aire, a cerca de 10 quilómetros de Fátima e a 16 de Torres Novas.

O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire fica situado no extremo oriental da Serra de Aire na povoação de Bairro, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros;

Mapa Indicativo de Localização

Monumento Natural

Esta notável jazida do Jurássico médio (com cerca de 175 milhões de anos de idade) contém não só o mais antigo e o mais longo registo mundial de pegadas saurópodes, como, também, os testemunhos – excepcionalmente bem conservados – de alguns dos maiores animais terrestres jamais existentes.

Um importante registo fóssil do período Jurássico, as pegadas de alguns dos maiores seres que alguma vez povoaram o planeta Terra: os dinossáurios saurópodes;

Mapa em perspectiva

 

Monumento Natural


Nesta jazida encontram-se alguns dos melhores exemplos de trilhos de saurópodes do mundo. Este facto resulta não apenas da considerável extensão das pistas, mas também da excelente conservação das impressões, o que lhe confere um invulgar valor científico e pedagógico.

A jazida paleontológica de pegadas de dinossáurios da Pedreira do Galinha foi classificada como Monumento Natural em Outubro de 1996. Presentemente, está a ser elaborado um projecto de valorização que prevê a sua musealização e transformação num importante centro de educação ambiental e num pólo científico de divulgação da Geologia e da Paleontologia.

Na laje calcária onde as pegadas de dinossáurios se conservaram ao longo de 175 milhões de anos, podem ser observados cerca de 20 trilhos ou pistas, uma delas com 147m e outra com 142m de comprimento.


No período Jurássico, durante a separação da grande massa continental – Pangea – que levou à formação dos actuais continentes, numa altura em que o clima da Terra se tornou mais quente, existiam extensos mares pouco profundos e a vida era abundante;

Era um clima tropical, quente e húmido com densas florestas. A quantidade de vegetação permitiu a proliferação de dinossáurios herbívoros, como os saurópodes.

Sedimentos
Sedimentos

Nas suas deslocações, estes animais deixaram as suas pegadas nas camadas finas de lama calcária existente nas lagunas marinhas de baixa profundidade.


Depois a lama secou e foi soterrada por sedimentos calcários que acabaram por se transformar em rocha.

Passados cerca de 175 milhões de anos os trabalhos de exploração da pedra permitiram pôr a descoberto os vários trilhos visíveis na laje

Dinossáurios

Os saurópodes eram dinossáurios herbívoros, quadrúpedes, possuidores de cabeça pequena e pescoço e cauda muito longos. O seu corpo maciço era suportado por membros grossos e possantes (semelhantes aos dos elefantes), cauda muito comprida e membros posteriores normalmente maiores do que os anteriores, ostentando, em cada polegar das mãos e dos pés, uma unha afilada ou garra.

A cauda serviria possivelmente para se defender dos predadores; o pescoço, tal como a cauda, ajudariam estes animais a manter o equilíbrio, permitindo-lhes chegar à vegetação mais alta e torná-los mais, competitivos em relação a animais de menor porte.

Os saurópodes atingiram dimensões consideráveis: Brachiosaurus, do Jurássico superior da América do Norte, África e Portugal (27m de comprimento e 70 toneladas); Diplodocus, do Jurássico superior da América do norte (27m de comprimento e 10 toneladas) ; Mamenchisaurus, do Jurássico médio a superior da China (25m de comprimento e 15 toneladas).

Tidos no passado como animais de deficiente mobilidade, sabe-se hoje, através dos seus ossos e pegadas, que uma tal interpretação é incorrecta. Os saurópodes eram animais activos que, inclusivé, podiam adoptar comportamentos gregários, vivendo em manadas.

Diplodoco

Pistas de Dinossáurios / Pegadas de Dinossauros

As pegadas que podemos observar na jazida da Pedreira do Galinha foram originalmente impressas numa lama calcária, muito fina e de grande plasticidade, depositada em meio marinho marginal e lagunar, muito pouco profundo (1 a 2 metros). Os sedimentos representados nos estratos visíveis na pedreira, depositados durante milhões de anos, foram posteriormente transformados em calcário, originando as espessas camadas de rocha que, até há pouco tempo, eram exploradas na pedreira.

Vinte Rastros

Na jazida, constituída pela superfície rochosa de uma destas camadas calcárias, com cerca de 60.000 m², podem observar-se várias centenas de pegadas organizadas em cerca de duas dezenas de pistas.   De entre estas, pela sua grande extensão, excelente estado de conservação e espectacularidade, destaca-se uma com 147 metros de comprimento, que corresponde à mais longa pista de dinossáurio saurópode conhecida no mundo.

Os 20 rastros existentes são todos diferentes uns dos outros, o que nos faz acreditar que passaram por aqui pelo menos 20 dinossáurios saurópodes diferentes.

Os trilhos são constituídos por impressões das extremidades dos membros anteriores e posteriores (“mãos” e “pés”), reflectindo nitidamente a passagem de grandes animais quadrúpedes. As impressões elípticas de maiores dimensões correspondem às marcas dos pés. Estas são imediatamente seguidas por impressões mais pequenas, em forma de meia-lua, que correspondem às mãos.

Esquema da Vista Geral

Panorama das Pegadas

 

As pegadas de dinossáurio são estudadas pela Paleoicnologia, o ramo da Paleontologia que estuda os vestígios de actividade orgânica (galerias, pegadas, ovos fósseis, etc.) dos seres vivos do passado geológico. O estudo paleoicnológico das pegadas fornece valiosas informações sobre a morfologia dos pés e das mãos dos animais que as produziram, o modo de deslocação e a velocidade.

Par de Pegadas

Pegadas de Dinossáurios

 

Permite, ainda, determinar certas características anatómicas dos seus produtores, nomeadamente, o comprimento da perna, que é igual a cerca de quatro vezes o comprimento da pegada do pé, e a partir deste, tendo em consideração os esqueletos completos conhecidos, as dimensões aproximadas do animal. Desta forma, foi possível identificar na Pedreira do Galinha a passagem de animais de diferente porte, entre os quais um que poderia atingir cerca de 30 metros de comprimento.

Mediante o estudo das pegadas, é também possível conhecer o comportamento individual e social destes animais. No caso da jazida da Pedreira do Galinha, até ao momento, não foram encontradas evidências de comportamento gregário (deslocação em manadas). O conjunto das pistas sugere que se tratava de indivíduos deslocando-se isoladamente. 

As impressões que podemos observar neste Monumento Natural, produzidas por saurópodes, datam do período Jurássico Médio, Bajociano-Batoniano; os saurópodes eram animais possantes, herbívoros, quadrúpedes, de cabeça pequena, e cauda e pescoço compridos.

Esquema das pegadas

Após o reconhecimento da existência de pegadas fossilizadas num determinado local, a primeira tarefa a realizar é a limpeza de toda a laje onde elas se encontram, de modo a colocar claramente a descoberto todas as impressões aí existentes.

Seguidamente, elabora-se um mapa da superfície da laje com a localização exacta das pegadas e a orientação das pistas.

Paralelamente à realização do mapa registam-se os parâmetros que caracterizam as pegadas individuais tais como comprimento, largura, profundidade, e das pistas: comprimento da passada, largura da pista, etc, bem como as respectivas descrições.

São também registadas outras informações relevantes:
- o estado geral de conservação das pegadas;
- em que tipo de rocha estão preservadas e que tipo de sedimento as preenche;
- se se trata de impressões, subimpressões ou contramoldes;
- se há marcas dos dedos, das garras e/ou das almofadas plantares e qual o seu detalhe; etc.

O estudo das pistas dos dinossáurios é de extrema importância para a correcta interpretação e reconstituição dos seus esqueletos e para a compreensão da sua postura corporal, da sua movimentação/locomoção e, sobretudo, do seu comportamento.

Os fósseis de ossos, de dentes e até de esqueletos completos de dinossáurios são registos estáticos que reflectem, por um lado, a estruturação do animal e, por outro, as circunstâncias que rodearam a sua morte e, sobretudo, as condições post-mortem.

As pegadas, pelo contrário, são registos dinâmicos, produzidos em vida do animal. Assim, só mediante o estudo das pistas dos dinossáurios é possível conhecer certos aspectos da sua motricidade, como a postura corporal; modo e velocidade de deslocação; do seu comportamento gregário, da estruturação das manadas, e ambientes que frequentavam.

 

Visitas

A visita começa pela visualização de um vídeo de enquadramento, seguida de um percuso pedestre circular com cerca de 1000 metros.

Todo o circuito foi concebido de maneira a ser visitável autonomamente pois é apoiado por quatro painéis informativos onde se disponibiliza alguma informação sobre a história da Terra e a formação das pegadas, e dois leitores de paisagem.

Depois de observar as pegadas de dinossáurios existentes na laje, o visitante poderá ainda visitar o Jardim Jurássico, um espaço projectado com o objectivo de mostrar e fazer a reconstituição da fascinante vegetação existente no período Jurássico, com exemplares que são hoje considerados fósseis vivos;

São plantas que coexistiram na Terra com os saurópodes e que ao longo destes milhões de anos não se extinguiram nem sofreram qualquer alteração; são exemplo disso as cicas, as araucárias, as gingkos, os fetos arbóreos e não arbóreos que o visitante pode observar neste local.

Pode ainda ser apreciado um painel de grandes dimensões que apresenta de uma forma simples a evolução da vida na Terra ao longo do tempo geológico.

Na recepção dispomos de diverso material informativo que poderá ser adquirido pelo visitante, e que ajuda a aprofundar o conhecimento sobre as pegadas, em particular, e sobre dinossáurios, em geral.

Contactos

PNSAC - Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire

Estrada de Fátima
Bairro - 2490-216 OURÉM
GPS: 39°34'94'' N 8°35'19.30'' W

Marcações de Visitas em Grupo(Group Visits Scheduling, please call to:)

Tel.:(+351) 249-530-160
Fax.:(+351) 249-530-169
Tlm.:(+351) 937 064 740
email: [email protected]

Horários:
- Terça-feira à Domingo das 10:00h às 12:30h e das 14:00h às 18:00h
- No período de 21 de Março a 22 de Setembro, aos Sábados, Domingos e feriados
o horário de funcionamento prolonga-se até às 20:00h.
- Encerra à Segunda-Feira.

Tipos de visitas ao Monumento Natural:
    visitas autónomas
    visitas guiadas
    visitas para grupos

As visitas autónomas realizam-se de Terça-feira à Domingo, incluindo feriados;
o visitante, após adquirir o bilhete de acesso na recepção e ver o vídeo,
faz o percurso que conduz à laje onde se encontram as pegadas fossilizadas.
Este percurso é apoiado por vários painéis informativos, onde se
disponibiliza alguma informação sobre a jazida e a formação das pegadas.
Em alternativa, os visitantes que queiram efectuar uma visita mais rápida,
dispõem de um circuito mais curto que também possibilita a visita ao Jardim Jurássico.

As visitas guiadas efectuam-se aos Sábados, Domingos e feriados, de hora a hora,
durante o horário de visitação; não necessitam de marcação e destinam-se aos visitantes que,
após a observação do vídeo, pretendam uma visita enquadrada e acompanhada por um guia.
Nesta opção, a visita efectuar-se-á pelo circuito mais curto, de modo a que numa hora se possam
visitar as Pegadas dos Dinossáurios e o Jardim Jurássico.

As visitas guiadas destinadas a grupos (escolares ou outros), devem ser
previamente marcadas (com pelo menos 15 dias de antecedência) junto do Monumento Natural.
Estas visitas iniciam-se com a observação do vídeo sobre o Monumento e a história
da descoberta e preservação das pegadas de dinossáurios seguidamente o grupo faz o
circuito pedestre de interpretação que conduz à laje onde se encontram as pegadas, enquadrado por
fichas pedagógicas diferenciadas (1º ciclo, 2º e 3º ciclos e Secundário) que
são distribuídas no início do percurso. Estas visitas são dinamizadas por um
guia que acompanha o grupo. De referir que o auditório só tem capacidade
para 40 lugares sentados, pelo que grupos maiores deverão ser divididos.
A duração destas visitas é de 1h 30m a 2h.



ICNB ICNB
Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade

SITE OFICIAL
SÍTIO OFICIAL - Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire

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Última actualização em Março/2024
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