Botticelli

                               ( 1445 - 1510 )

Ao longo de quase 65 anos de vida, Alessandro Di Mariano Filipepi conheceu o auge da glória  - foi o mais celebrado pintor de Florência e o próprio Papa Sisto IV convidou-o a participar da decoração  da Capela sistina  - e experimentou o doloroso esquecimento, ignorado pelos ricos clientes que já apreciavam seu estilo . Quando morreu, em maio de 1510, sua passada  fama foi enterrada junto, numa sepultura que ficou sem lápide. Mais de trezentos anos depois, os artistas ingleses do movimento Pré-Rafaelista redescobriram-lhe a obra : cenas religiosas, episódios mitológicos, retratos que nunca  mais deixaram de encantar especialistas  e leigos pela suave beleza de suas madonas e deusas, pela magistral precisão de sua pincelada, pela atmosfera de sonho que em geral transmitem.

       Botticelli pintou várias cenas de inspiração mitológica  ( que hoje são as suas mais famosas produções ). Homem profundamente religioso, transformou , entretanto, a mitologia para adequá-la a seus princípios cristãos, dando-lhe um valor de sua alegoria e despojando-a de sensualidade. Sua deusa do amor, em “O nascimento de Vênus”é tão frágil e delicada que nada sugere de erótico; há mesmo quem a veja como um símbolo da humanidade desamparada à espera do renascimento em Deus por meio do batismo.

       Qualquer que seja o tratamento que Botticelli deu aos temas mitológicos, o fato concreto é que ele foi o primeiro artista desde a Antigüidade, a valoriza, a mitologia e a utilizá-la como inspiração para larga série de trabalhos.

       A característica mais marcante do estilo de Botticelli é a composição linear . Os contornos das formas são os principais responsáveis pelos efeitos de volume , profundidade e movimento , sobre as quais pouco atua a distribuição das massas de tom e cor .

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