7. O Salário – Sua Importância no desenvolvimento Nacional

7.1 Um preço de venda não é composto apenas de salário, por este motivo é difícil entender porque o pensamento econômico brasileiro estigmatizou a indexação salarial, que tanta utilidade teve na neutralização do índice inflacionário, quando da implantação do Plano Real.

Em setembro de 1993 enviei um plano ao Presidente Itamar Franco que versava sobre indexação plena e que foi útil na elaboração do Plano Real, conforme explicação ao final deste trabalho onde anexarei cópia daquela carta. Naquela oportunidade sugeri uma indexação linear, que servia apenas para neutralizar a evolução do índice inflacionário. Este tipo de indexação salarial pelo preço de venda afeta grandemente as correções de preços vindouros e apenas serve em cenários altamente inflacionários.

Sugerirei agora um ajuste na pirâmide salarial de tal maneira a aumentar a capacidade de consumo dos salários menores em direção aos maiores para reduzir a relação destes, de forma a atingir uma justiça social mais equânime.

Atualmente a relação de salários é de 1(R$ 136,00) para 100 (R$13.600,00), vamos ajustar a pirâmide salarial de tal maneira a alterar a relação acima de 1 (R$ 3000,00) para 7 (R$21.000,00).

7.2 Ajuste concomitante de salários, lucros e tributos, em função do preço de venda e sua influencia no incremento da expansão do consumo.

7.2.1 Composição do preço de venda, abaixo uma composição típica:

7.2.2 Desembolso do empresário

Depreciação

1%

Matéria prima

30%

Insumos

14%

Gastos Gerais

3%

Total

48%

 

7.2.3 Divisão da Riqueza produzida entre os agentes econômicos:

Lucro

7%

Salário

15%

Carga Tributária

30%

Total

52%

7.2.4 Ao concluir o faturamento o empresário terá 55% do valor da Fatura, (48% de desembolso, mais7% de lucro). Consideremos ainda que o percentual de 7%, sobre o preço de venda é na realidade de (7/48*100)=14,583% sobre seu desembolso.

O trabalhador receberá sua parte (salário) no montante médio de 15% sobre a fatura a titulo de repasse.

O Estado, através das receitas (Federal, Estadual e Municipal), terá o repasse médio de 30%, correspondente à carga tributária em geral.

7.3 Coeficientes

7.3.1 Coeficiente percentual de incremento da carga tributária
(base 30%) = 1,4285

7.3.2 Coeficiente Percentual de incremento do lucro:
(base 7%) = 1,0752

7.3.3 Coeficiente Percentual de incremento do salário
(base 15%) =1.1764

7.4 Exemplo prático:

Consideremos três fábricas de bacias de alumínio. Os três têm um faturamento mensal de R$100.000,00. As três fábricas repassam R$15.000,00 em salários , R$30.000,00 em tributos, e tem um lucro de R$7000,00 (sobre o preço de venda). As fábricas têm diferenças no numero de trabalhadores e nas tecnologias, conforme abaixo:

7.4.1 Fabrica 1 :Tem tecnologia antiquada produz bacias em tornos de repuxo e emprega um total de 100 trabalhadores, remunerados com salário de (R$150,00), o que corresponde a uma folha de pagamento de R$15.000,00. Para quanto teremos que aumentar o faturamento para dobrar os salários dos trabalhadores?

(100.000,00 fat. – 30.000,00 imp. + 15.000,00)
* 1,4285 = R$ 121422,50

R. devemos aumentar o faturamento para R$ 121.422,50

Conclusão:

I Dobramos os salários dos trabalhadores.

II A diferença entre o aumento do faturamento ( R$ 21422,50 ) e o aumento salarial ( R$ 15.000,00 ) resulta em R$ 6.422,50, que corresponde ao incremento do tributo e lucro sobre o preço anterior.

III O aumento da capacidade de consumo não duplicará, mas será resultante da equação :

( 30 *100 ) :( 15*121,42 ) = 1,6471%

7.4.2 Fábrica 2: Utiliza prensas excêntricas de baixa tonelagem e emprega o seguinte quadro funcional:

( 60 trab. * R$ 150,00 ) + ( 10 trab. * R$ 300,00 ) + ( 2 trab.*1500,00 ) = total da folha R$ 15000,00 para 72 trabalhadores .

Dobrando os menores salários ( R$ 150,00 * 2 =R$ 300,00 ), e concedendo o mesmo ajuste de mais R$ 150,00 aos demais trabalhadores das outras faixas superiores, teremos:

( 60 trab. * R$ 300,00 ) + ( 10 trab. * R$ 450,00 ) + (2 trab.*1650,00 ) = total da folha R$ 25800,00

Então, para quanto teremos que aumentar o faturamento que era de R$ 100.000,00?

25.800,00 – 15.000,00 = 10.800,00

Excluindo o tributo do faturamento : 100.000,00 - 30.000,00 =70.000,00

Somando o ajuste teremos: 70.000,00+10.800,00 = 80.800,00

Utilizando o coeficiente % do tributo temos R$ 80.800,00 * 1,4285 = 115.422.80

Então o novo faturamento será de R$ 115.422.80, o que representará um reajuste no preço de 15,42 %.

Conclusão:

I Dobramos os salários menores, e a ajustamos os maiores.

II A diferença entre o aumento do faturamento ( R$ 15422,80 ) e o aumento salarial ( R$ 10.800,00 ) resulta em R$ 4622,80, que corresponde ao incremento do tributo e lucro sobre o preço anterior.

III O aumento da capacidade de consumo não duplicará, mas será resultante da equação :

( 25.8 *100 ) : ( 15*115,42 ) = 1,4902%

7.4.3 Fábrica 3: Utiliza prensas de alta tonelagem de ação rápida com matrizes progressivas e emprega apenas 10 trabalhadores especializados que percebem o salário de R$ 1.500,00

( 10 trab. * R$ 1.500,00 ) = uma folha de R$ 15.000,00

O ajuste para cada trabalhador será de R$ 150,00 resultando uma folha de pagamento de R$ 16500,00

Então, para quanto teremos que aumentar o faturamento que era de R$ 100.000,00?

16.500,00 – 15.000,00 = 1.500,00

Excluindo o tributo do faturamento : 100.000,00 - 30.000,00 =70.000,00

Somando o ajuste teremos: 70.000,00 + 1.500,00
= 71.500,00

Utilizando o coeficiente % do tributo temos R$ 71.500,00 * 1,4285 = 102.137,75

Então o novo faturamento será de R$ 102.137.75, o que representará um reajuste no preço de 2,13%.

Conclusão:

I Ajustamos os salários em R$ 150,00

II A diferença entre o aumento do faturamento ( R$ 2137.75 ) e o aumento salarial ( R$ 1500,00 ) resulta em R$ 637,75, que corresponde ao incremento do tributo e lucro sobre o preço anterior.

III O aumento da capacidade consumo será resultante da equação:

( 16.5 *100 ) : ( 15*102,13 ) = 1.0770%

7.4.4 Consideração Finais

Como vemos acima os ajustes salariais, em diferentes condições de processos,. De composições salariais podem ser equacionados com grande facilidade.

Verificamos ainda que a capacidade de consumo na fabrica 1 aumentou grandemente, quando os salários eram baixos, mas o numero de trabalhadores era grande. Na fabrica 3 o aumento da capacidade de consumo foi pequeno, embora os salários fossem altos, pois o numero de trabalhadores era muito menor.

Com isso concluímos que a automação poderá se voltar contra o capital, pois se tudo for automatizado os trabalhadores serão desempregados e não haverá consumo, o capital estará afogado na própria produção.

Muitas conclusões poderão ser tiradas analisando-se os muitos aspectos que aquela simples demonstração de variantes de custeio apresentadas acima. Deixamos, no entanto outras conclusões e analises a cargo de especialistas que eventualmente lerem este trabalho.

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