10.
Considerações Finais
A sociedade tem pressa. Este plano
demanda ainda uma quantidade muito grande de cálculos para consolidar sua aplicação.
Necessita ainda de uma estrutura jurídica e uma instrumentalização institucional para
poder ser aplicado.
Se for apresentado ao poder Legislativo,
Executivo e Judiciário, para que eles organizem sua formatação definitiva para
aplicação, certamente criaremos uma polemica interminável, por isto sugiro ao
executivo, que instrumentalize o plano, sob a égide do Sr. Presidente de tal maneira que
ele seja simplesmente aprovado no Legislativo. Se Executivo, Judiciário e Legislativo
face ao plano acabado, não chegarem a um acordo, o Sr. Presidente deverá recorrer ao
poder emanante plebiscitario do POVO, que o aprovará ou não, de tal forma que o povo
dirá se quer continuar pagando os desmandos político administrativos dos quais é
vítima, se quer se manter jungido a uma ordem econômica, que vela pela riqueza e ignora
a pobreza, se quer continuar vendo suas crianças se matando entre 15 e 25 anos, em troca
de drogas, vícios promiscuidades e miséria, se não quiser que se aprove o plano pois
que nenhum outro foi apresentado tão abrangente e tão isento de qualquer intenção
espúria de qualquer desejo inconfessável.
Com a palavra Sr. Presidente,
e todos aqueles que se consideram brasileiros sérios e Nacionalistas.
Adendo 1
A neutralização da Inflação
Em 1993 enviei ao Presidente Itamar Franco, um plano que visava
neutralizar a inflação, iniciar a resolução do problema fiscal e retomar o
desenvolvimento.
Tenho certeza que a equipe econômica, utilizou parte dessas idéias e
outras foram consideradas exóticas, e outras ainda foram introduzidas pela equipe
econômica.
1. As idéias utilizadas:
A escolha de um indexador único em minha carta item numero 6, no
plano Real (implantado em fevereiro de 1994), decreto numero 1066 de 27 de Fevereiro de
1994.
2. A indexação das contas de todos agentes
econômicos, incluindo preços no varejo.
Em minha carta item 7 , na medida provisória que instituiu a URV
(Unidade Real de Valor) numero 434 de 27 de Fevereiro de 1994. Artigos 4º introdução ,
artigo 7º preços , Artigo 8º indexação da URV, Artigo 18 salários, artigo 33 e 34
tarifas públicas , Art.10 contas a pagar.
3. A Campanha de doutrinação, para fazer com que os
consumidores tivessem uma forte resistência aos preços, brilhantemente levada a efeito
pelo Ministro Ricupero.
Em minha carta item 7, A e B.
O elenco de medidas acima sugeridas serviram para alinhar os preços na
cadeia produtiva, atacado e varejo e por isto o Plano Real, que não fazia parte de minha
carta, conseguiu sucesso.
4. As idéias não utilizadas
Algumas idéias foram consideradas exóticas, segundo a jornalista
Míriam Leitão, "o Presidente Itamar Franco , convocava a equipe econômica para
discutir" idéias exóticas ", e quem discutia com o Presidente Itamar Franco,
era o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique". Estas idéias, com certeza, se
referiam aos itens "7f" de "a" até "e". que versavam sobre
um método para iniciar a solução do problema fiscal, que certamente surgiria com a
ausência da inflação. Por outro lado colocaria o congresso na linha de discussão para
resolver aquele problema. A outra (idéia exótica) se referia ao item 10 da minha carta,
que se referia à retomada do crescimento econômico. Se a equipe econômica considerava
esta idéia exótica, é porque certamente não leram a história do desenvolvimento
econômico da América do Norte e Europa Ocidental, onde o progresso foi conseguido
através dos fortes incentivos salariais levados a efeito até a década de 1970, acredito
que não conhecem Fredrick Taylor (1920), Ralph M. Barnes (1930), Maynard and Keines
(1950) e tantos institutos desses países que engendravam a divisão de riqueza
comissionada aos empregados em geral. O método que apresentei é perfeitamente viável e
serviria até para transformar o conjunto de trabalhadores em fiscais da Receita.
5. Em meu plano não existia a média salarial dos quatro meses
anteriores a implantação do plano, pois se eu pensava em retomar o desenvolvimento,
nunca congelaria os salários num patamar tão baixo, impedindo-os de consumir mais. O
anuncio da troca da moeda que seria paritária ao dólar, não poderia fazer parte do meu
plano, pois isto provocaria a recidiva inflacionária, como aconteceu , entre os meses de
março a junho de 1994. Meu plano propunha as medidas de "7f" de "a"
até "e", e o item 10 exatamente para reduzir a dependência de empréstimo do
governo, afim de reduzir as taxas de juros, a equipe econômica, fez exatamente o
contrário, patrocinou a evolução dos juros para taxas altíssimas. Trocou a moeda
extemporaneamente, por exigência do Presidente Itamar Franco, que desejava, com certeza
ver como este plano alterado, de minha indexação plena se comportaria.
6. A moeda foi trocada a equipe econômica nos colocou na
terrível armadilha de patamares mínimos de capacidade de consumo, gerada pelos baixos
salários, arrecadação tributária baixa, em razão da produção não poder reagir por
falta de encomendas, financiou a estabilidade cambial a custa de um forte endividamento do
Estado. Em suma, nos criaram muitos problemas, por conhecerem tudo de macroeconomia e nada
da microeconomia, no rés da fabrica onde se cria a verdadeira riqueza.
Cumpre-me ainda estranhar o verdadeiro linchamento que tentam levar a
efeito contra o Presidente Itamar Franco, pois ressalvada sua truculência, a mim parece
que ele é uma das ultimas lideranças do Nacionalismo brasileiro, pois nossos
administradores públicos, entram no esquema da "globalização" na qualidade de
"globalizados", e poderiam se esforçar para também sermos
"globalizadores".
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