1. Nosso rosto, nosso jeito,
nossos traços. Somos jovens, "libertos, doados, na causa da lida
e do amor empenhados, abertos, conscientes, bem esclarecidos, juntando nossas
mãos, caminhando mais unidos" (CF/92). Não nos acomodamos com a mediocridade
que nos cerca. Queremos viver o presente dando nossa contribuição ao mundo no
qual nos inserimos. Sonhamos com um hoje que possibilite um amanhã melhor.
"Sonho que se sonha sozinho, pode ser pura ilusão; sonho que sonhamos
juntos é sinal de solução". Temos garra e tesão para não fugir da luta,
para vencer obstáculos e para traçar caminhos novos. Teimosamente edificando
nossa latino-americaneidade! 2. Somos cristãos.
Descobrimos em Jesus Cristo e na sua prática de vida o sentido de nossa vida.
A possibilidade de viver diferente. Inseridos nele, por nosso batismo,
sabemos que podemos dar frutos para a vida do mundo. Somos Igreja.
Peregrinos, buscamos a construção do Reino de Deus neste nosso mundo.
Sentimos o grito e a dor de tantos irmãos sem teto e sem pão, sem beleza e
sem educação. Somos igreja e, por isso, nos
organizamos para que nossa ação não seja dispersa. Queremos somar nossas
forças com tantos outros irmãos e irmãs que buscam um mundo solidário, justo
e fraterno. 3. Somos estudantes.
Apropriando-nos do saber acumulado da cultura letrada queremos reparti-la no
compromisso do serviço aos excluídos do saber. Descobrindo que o saber
acadêmico é complementado pela cultura popular com seus encantamentos e sua
sabedoria. Por isso nos apresentamos: SOMOS PASTORAL
DA JUVENTUDE... 4. Articulados e organizados,
somos ação da Igreja no mundo em vista do Reino de Deus. Inseridos
organicamente na Igreja do Brasil e da América Latina, somando esforços com
todos os que, a partir da fé, colocam sua vida a serviço da vida, no
seguimento de Jesus Cristo libertador. "Experimentamos a opção pelos
pobres", como diz D. Pedro Casaldáliga, bispo de Conceição do
Araguaia, de coração latinoamericano, comprometido com os pobres de sua
diocese e do mundo, "como uma prática do seguimento de Jesus: fazer o
que Ele fez. Assumir o seu PROJETO. Continuar sua luta. Prolongar sua mesma
solidariedade com os pobres e marginalizados. Realizar sua missão na missão
da Igreja: anunciar a Boa Notícia aos pobres, procurando acelerar a chegada
do Reino para os pobres e a partir deles para todos". 5. Somos e queremos ser os
protagonistas da nossa história. Somos e queremos ser os responsáveis por
nossa vida e por nossa sociedade. Toda presença e ajuda dos adultos que queiram
caminhar conosco será bem-vinda desde que não nos sufoquem e que não nos
substituam. Não ocupem nosso lugar. "Deixa-me ser jovem, ser livre
para sonhar, não reprima, não reprove o meu jeito de amar. Fazer também a
história e não ser ignorado, preservar os meus valores e não ser massificado". 6. Estamos despertando para a
vida, fazendo nossas descobertas e opções. Não sabemos tudo, é verdade. Mas
já temos alguma experiência e história e, na medida em que nos relacionamos
com os outros vamo-nos descobrindo. Vamo-nos educando. Vamo-nos tornando
educadores. ESTUDANTIL... 7. A educação, a escola e a
vida dos estudantes são nosso chão. É nosso sonho. É nossa utopia. Na
educação e na escola buscamos encontrar, ao mesmo tempo, o prolongamento e a
superação de nossa casa. Somos jovens estudantes de 1º e
2º graus, atuando em nosso meio específico. Abrimos nossos olhares para o
mundo a partir do nosso "coração de estudante". Como diz o canto,
"há que se cuidar da vida, há que se cuidar do mundo, tomar conta da
amizade... Alegria e muito sonho, espalhados no caminho, verdes plantas,
sentimentos, folhas, coração, juventude e fé". SOMOS PASTORAL
DA JUVENTUDE ESTUDANTIL 8. Enfrentando um sistema
educacional adverso, autoritário e alienante. A partir da nossa
realidade de jovens estudantes e de tudo quanto nos influencia.
(Capítulos 1 e 2) Já temos história.
Bonita e suada. Com lágrimas e com cantos. Com generosidade e ternura. Com
utopias e com frutos concretos. Como diz o canto, ela é "tão meiga,
cor bonita, feminina, mulher dessa nova Igreja que se faz... Teu canto é o
amor, teu segredo é a fé... é lindo ver tua luta: no campo, na cidade, na
favela...Onde estás!" E, claro, luta e canto, ginga e alento, na
escola e na educação! (Capítulo 3) 9. Temos uma pedagogia,
um jeito de ser e uma cara. Temos um espírito transmitido por nossa espiritualidade
vivida no cotidiano e celebrada na fé. Relacionamo-nos fraternalmente
com nossos assessores e assessoras que fazem de suas vidas uma missão
a partir de sua opção de servir os jovens estudantes. Assessores e
assessoras: tantos que não sabiam o caminho, mas descobriram quando se
puseram a caminhar! (Capítulos 4, 5 e 6) 10. Temos uma prática
que busca ser transformadora, eficaz e conseqüente, abarcando o mundo grande
e desafiante da política estudantil e do Movimento Estudantil (ME).
Buscando, como diz D. Pedro Casaldáliga a "santidade política",
que é a "santidade das grandes causas: a justiça, a paz, a igualdade,
a fraternidade, o amor plenamente realizado e socialmente estruturado, a
libertação, o homem novo e a mulher nova, o mundo novo..." Quer
dizer, é a santidade daquele que procura viver e lutar pela causa de Jesus.
(Capítulos 7 e 8) Desafiando obstáculos de toda
ordem, já conseguimos articular-nos e já temos uma organização
que revela a nossa prática, que orienta a nossa ação e dá unidade mínima à
nossa luta e nossa esperança. (Capítulo 9) Quem somos? A
que viemos? 11. Nossa identidade está
espalhada por este "Marco Referencial" escrito em mutirão. Todos os
capítulos revelam aspectos de nossa cara. Espelham nossa luta e ativam nossa
esperança de ver todos e todas as jovens do Brasil crescerem em todas as
dimensões da vida e transformarem a educação, a escola e a cultura,
colocando-as real e verdadeiramente na busca de uma realidade terna,
fraterna, solidária e justa, edificando o "novo céu e a nova terra onde
habitará a justiça". (2 Pedro 3, 13) Do livro: QUEM SOMOS? A QUE
VIEMOS? Marco Referencial - Pastoral da Juventude Estudantil do
Brasil - Produzido na 8ª Assembléia Nacional da PJE - 1994.
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