Violão de A a Z
Henrique Pinto

O curso de violão, que agora apresento, se estenderá por 12 aulas/ Nele serão expostos os princípios da técnica que irão fundamentar a evolução natural e lógica para o conhecimento do instrumento. É estruturando para o desenvolvimento conjunto das várias memórias necessárias ao aprendizado, como a memória muscular (ou digital), a auditiva e visual, compondo o quadro total desta seqüência de aulas. Na primeira etapa, será demonstrada postura (onde e como sentar), colocação das mãos, lixamento das unhas, formas a serem usadas. Na seqüência, os primeiros exercícios, de forma pausada e progressiva, para um desenvolvimento sólido e consciente.

POSTURA: ONDE E COMO SENTAR

- Sentar para frente e do lado direito de uma cadeira normal.
- Colocar o pé esquerdo num banquinho de mais ou menos 14 cm de altura.
- A altura do banquinho é variável, conforme a constituição física do executante, para que haja um equilíbrio exato entre tronco, membros e instrumento.
- A coluna vertebral deve estar sempre numa posição que não venha forçá-la.
- Desde o início, o aluno deverá ter a sensação de relaxamento. 


MÃO DIREITA

- Antebraço colocado no aro do violão.
- Deixar que caia numa posição normal, sem esforço.
- Assim, haverá uma pequena distância entre o pulso e o tampo do violão.
- O polegar deverá ficar separado dos dedos indicador, médio e anular, para que todos tenham trabalhos independentes. 

Tipos de toque da mão direita: indicador, médio e anular.

a) Com apoio
b) Sem apoio

Toque com apoio: quando a corda é tocada, o dedo encosta ou descansa na seguinte. Ex.: quando tocada a primeira corda, o dedo apoia na segunda. 

Toque sem apoio: quando a corda é tocada, o dedo permanece solto, não apóia a seguinte. 

Na seqüência dos primeiros exercícios, deve-se usar o toque "com apoio". Desta forma, a postura da mão direita permanecerá correta, sem oscilar.

Todo exercício deve ser executado lentamente, até se obter uma seqüência regular de movimentos e a alternância dos dedos ser automática.

O andamento deve ser aumentado gradativamente, sempre com o controle consciente dos movimentos.

A semínima será tomada como modelo unitário dos tempos. 

REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA:

1=primeira corda.

Os valores das notas usadas inicialmente serão:

(semínima)=1 tempo
(mínima)=2 tempos

USO DAS UNHAS DOS DEDOS: polegar, indicador, médio e anular 

A utilização das unhas é necessário para se obter uma sonoridade mais clara e definida. Seu tamanho e formato, maneira de lixar, cortar, é parte integrante na ação de tocar.

O comprimento deve ser tal, que ao olharmos pela palma da mão, vamos enxergar o mínimo de unha. O formato é aquele para o qual o dedo, ao tomar contato com a corda, resvala com facilidade, não recebendo nenhuma resistência. A unha acompanha o formato do dedo.

O lixamento é o processo pelo qual se consegue o comprimento e formato, mas sua fase final, o polimento, é a que requer um cuidado especial. Para se obter este processo, precisamos de uma lixa de número 400 da 3M (fre0cut finishing paper) ou similar.

A unha deve ficar totalmente espelhada, pois no ato de lixar, deve-se conseguir que a parte anterior, posterior e frontal fiquem todas muito bem polidas. 

* Este espaço deve ser igual à largura da corda do violão.



DISPOSIÇÃO DOS DEDOS DA MÃO ESQUERDA NO BRAÇO DO VIOLÃO

Tendo como princípio sua colocação natural, ao aproximarmos os dedos 1, 2, 3 e 4 do braço do violão, devemos observar:

a) Os dedos 1, 2, 3 e 4 devem pousar sobre as cordas de uma forma aberta, mas sem forçar esta abertura. 

b) O polegar tem uma função tão importante quanto os outros dedos, pois ele servirá para orientá-los e para dar um perfeito equilíbrio de colocação. 

c) O cotovelo age de forma a dar equilíbrio entre o ombro e a mão. Devemos sentir a sensação de peso, ou melhor, o cotovelo terá um centro de gravidade. 

Assim sendo, teremos o ombro esquerdo relaxado e livre para deslocarmos a mão a qualquer região do braço do violão.