MEDIUNIDADE
Forma Inconsciente
"(...) Esta �ltima modalidade, como j� dissemos, deve ser desdobrada em: transe sonamb�lico e transe let�rgico; e o que a caracteriza � o fato de o Esp�rito do m�dium exteriorizar-se do corpo f�sico, temporariamente, passando ent�o este, mais ou menos inteiramente, � disposi��o e controle do Esp�rito comunicante.
       Corno facilmente se compreende, somente neste caso � que se d�  realmente, incorpora��o e � esta forma que maiores garantias oferece de fidelidade e seguran�a na comunica��o, porque o Esp�rito transmite suas id�ias e pensamentos diretamente, usando de suas pr�prias palavras, sem necessidade de interm�dio intelectual que, quase sempre, altera e deturpa as id�ias transmitidas telepaticamente.
       O transe � sonamb�lico quando o Esp�rito comunicante fala e tem liberdade ambulat�ria, podendo tomar objetos, levantar-se, sentar-se, locomover-se de um lugar para outro; e �  transe let�rgico quando, ao contr�rio, o Esp�rito fala mas o corpo do m�dium permanece im�vel, com ou sem rigidez.
       N�o me refiro, tamb�m neste caso, ao transe sonamb�lico  provocado por processos hipn�ticos, que � coisa diferente, porque, ent�o, o Esp�rito do m�dium nem sempre abandona o corpo f�sico que fica, por outro lado, inteiramente sujeito �  vontade do operador, ao passo que no transe de incorpora��o, sempre h� a exterioriza��o medi�nica, justamente para que o Esp�rito comunicante ocupe o corpo do m�dium.
       Al�m disso, e isto � o mais importante, no sonambulismo provocado pelo hipnotismo, o Esp�rito do pr�prio m�dium � quem fala, ao passo que no transe de incorpora��o, quem fala � o Esp�rito comunicante.
       Nesta forma de mediunidade inconsciente, o m�dium est� muito mais � vontade para enfrentar o rigor da cr�tica ou da observa��o porque, em nada intervindo e de nada sendo sabedor no momento, a manifesta��o � integral do Esp�rito comunicante e, conforme a maior ou menor perfei��o e extens�o da faculdade, pode ainda o esp�rito comunicante assumir o aspecto f�sico, o mesmo tom de voz, as mesmas maneiras e revelar outros detalhes da personalidade que encarnou em vidas anteriores, sob a qual, no momento, se manifesta.
       Quem promove o afastamento do Esp�rito do m�dium � o Esp�rito comunicante, utilizando processo magn�tico e o afastamento tanto mais suave e regular ser�, quanto mais afins e equilibradas sejam as vibra��es flu�dicas de ambos.
      Em grande n�mero de casos de exterioriza��o, o m�dium, enquanto fora do corpo f�sico, permanece consciente do que se passa nesse outro plano, por�m de nada se lembra quando regressa ao corpo carnal.
      Quando os fluidos do Esp�rito comunicante s�o mais apurados que os do m�dium, � necess�rio que aquele baixe as vibra��es dos seus, condensando-os; e, em todos os casos de fluidos pesados, inferiores, haver� sempre sobressaltos, mais ou menos violentos, para o lado do corpo f�sico do m�dium, no momento do transe, com reflexos secund�rios nos seus �rg�os  ps�quicos, ap�s a cessa��o deste.
       Nestes casos de incorpora��o inconsciente, quando o indiv�duo for mediunicamente bem educado e satisfatoriamente desenvolvida sua faculdade, durante o transe tanto pode ele permanecer ao lado do corpo f�sico, como mero assistente, como afastar-se temporariamente, com emprego do seu tempo em alguma recrea��o ou trabalho �til.
        Nos casos, por�m em que � deficiente ou viciosa a educa��o medi�nica, n�o h� esta liberdade e seguran�a; o m�dium n�o se afasta, dificulta o desligamento e quase sempre interv�m na comunica��o, criando embara�os ao Esp�rito comunicante, sendo algumas vezes necess�rio adormec�-lo com passes e afast�-lo para longe, a fim de que a tarefa do Esp�rito comunicante possa ser levada a termo.
         E excusado ser� dizer que o estado de ansiedade e inquieta��o em que permanece o m�dium durante o transe, n�o lhe facultar� um despertamento pac�fico, harmonioso, suave.
         Portanto, estando tudo em ordem e o ambiente merecendo confian�a, entregue-se o m�dium despreocupadamente ao transe, auto-sugestionando-se com o pensamento de "ficar de lado", n�o atrapalhar, mas, ao contr�rio, ajudar o Esp�rito comunicante a desempenhar sua tarefa, entregando-lhe o instrumento medi�nico com boa vontade e esp�rito de colabora��o.
          Incluem-se rigorosamente nesta forma de mediunidade, os casos de xenoglossia (o chamado dom das l�nguas) t�o interessantes e convincentes para os incr�dulos, bem como os das interven��es medi�nicas operat�rias, em que os Esp�ritos curadores operam os pacientes utilizando-se das m�os dos m�diuns.
          Desta falta de compreens�o e conhecimento detalhado do assunto, tem resultado muita cr�tica descabida e descr�dito injusto para os m�diuns e para a doutrina, na sua pr�tica.(...)"
Obra "Mediunidade", Cap. XI
de
Edgard Armond
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