A PARAPSICOLOGIA COMO CIÊNCIA
A Parapsicologia é uma ciência que tem por objeto o estudo e a pesquisa dos fenômenos paranormais. Os fenômenos paranormais são produzidos pela mente humana, geralmente à nível inconsciente, e são classificados em duas modalidades:
a) psi-gama, mais conhecido como percepção extra-sensorial;
b) psi-kapa ou pk.
Os fenômenos de psi-gama consistem num conhecimento decorrente de uma relação psíquica entre duas ou mais pessoas (telepatia), de um conhecimento obtido do mundo exterior sem utilização dos sentidos (clarividência) e de um conhecimento de fatos futuros (precognição). Entre as diversas formas em que se apresentam estes fenômenos podemos mencionar a psicografia, a psicometria, a psicopictografia, a personificação subjetiva, a projeção da consciência, a xenoglossia, e a memória extracerebral. Os fenômenos de psi-kapa consistem numa ação extraordinária da mente sobre o seu próprio organismo (tais como o dermografismo e a levitação) e sobre o mundo exterior, afetando os demais seres vivos e a matéria em geral (tais como a telecinesia, o metafanismo, as ideoplastias e o "poltergeist"). Em junho de 1985, por ocasião do IV Congresso de Parapsicologia e Psicotrônica, realizado em Brasília, Valter da Rosa Borges pronunciou uma conferência sob o título "A Demarcação da Parapsicologia", onde delimitou o universo fenomenológico desta ciência. Estabeleceu, ainda, as diferenças entre as chamadas ciências psíquicas assim definindo-as:
Psicologia - tem por objeto o estudo dos fenômenos comuns da mente humana;
Psiquiatria - tem por objeto o estudo dos fenômenos patológicos da mente humana;
Parapsicologia - tem por objeto o estudo dos fenômenos incomuns da mente humana.
A Parapsicologia estuda e pesquisa os fenômenos incomuns da mente humana e, portanto, não se pronuncia a respeito de questões transcendentais, como a sobrevivência do homem, a comunicação entre pessoas humanas e seres espirituais e a reencarnação. No entanto, admite que estes temas possam ser abordados numa área de interação com a Religião, visto que a Parapsicologia é uma ciência de extensa interdisciplinaridade. A Parapsicologia foi oficialmente aceita como ciência em 1969, quando a Parapsychological Association foi admitida como membro da Sociedade Norte-Americana para o Progresso da Ciência. A Parapsychological Association, atualmente a mais importante instituição de Parapsicologia do mundo, é constituída por parapsicólogos de 26 países:
Alemanha,
Argentina,
Austrália,
Áustria,
Brasil,
Canadá,
China,
Escócia,
Equador,
Espanha,
Estados
Unidos,
França,
Holanda,
Índia,
Inglaterra,
Islândia,
Israel,
Itália,
Jamaica,
Japão,
México,
Panamá,
Porto Rico,
Romênia,
Rússia
Suécia.
Os Estados Unidos é o país que reúne o maior número de parapsicólogos, seguido pelo Brasil. No Brasil, a Parapsicologia se desenvolveu principalmente em Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
A PARAPSICOLOGIA COMO PROFISSÃO
O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P. - foi a primeira instituição no Brasil a iniciar uma campanha para a regulamentação da profissão de parapsicólogo. Em 1990, Valter da Rosa Borges, nas Primeiras Conferências Eclipsy de Parapsicologia, em São Paulo, pronunciou uma conferência intitulada "Parapsicologia: Ciência e Profissão" na qual definiu as três áreas de atuação do parapsicólogo:
a) magistério;
b) pesquisa;
c) consultório.
Como professor de nível superior, o parapsicólogo pode lecionar Parapsicologia como disciplina eletiva de outros cursos de graduação, em cursos de extensão universitária, em cursos de Pós-Graduação (lato sensu) e de graduação em Parapsicologia. O I.P.P.P., com a orientação da Delegacia do MEC, em Pernambuco, iniciou, em 1988, o seu Curso de Pós-Graduação, lato sensu, Especialização em Parapsicologia, com a exigência de defesa pública de monografia para obtenção de certificado de conclusão do curso. Como pesquisador, o parapsicólogo pode trabalhar individualmente ou ligado a uma instituição científica, dedicando-se à pesquisa teórica, de laboratório ou de casos espontâneos, à preparação e aplicação de testes ou ensaios parapsicológicos, à orientação de pessoas dotadas de aptidões paranormais e à elaboração de estudos, projetos, análises, laudos técnicos e pareceres, assim como realização de vistorias e arbitramentos em assuntos de sua área. O parapsicólogo pode manter um consultório para atendimento e orientação de pessoas que, direta ou indiretamente, estejam passando por experiências paranormais, sendo-lhe, porém, vedado praticar qualquer tipo de psicoterapia. Segundo Valter da Rosa Borges, o parapsicólogo ideal deve apresentar as seguintes características:
a) sólida cultura geral, visto ser a Parapsicologia uma ciência de extensa interdisciplinaridade;
b) espírito aberto a concepções arrojadas, devidamente contrabalançado por uma atitude permanentemente crítica;
c) neutralidade operativa no trato dos fenômenos sem se deixar influenciar por suas convicções filosóficas ou crenças religiosas;
d) diálogo permanente com cientistas de outras áreas, visando o enriquecimento de temas pertinentes à investigação parapsicológica;
e) consciência lúcida dos problemas específicos da Parapsicologia e a busca incansável de estratégias para a sua solução;
f) orientação sempre centrada no homem para a compreensão e utilização, cada vez maior, de suas potencialidades.