Fogo Medo da Verdade Fogo
Muitos casos podem ser rejeitados por medo ou descrença, como o da idosa solteirona Wilhelmina Dewar, que se incendiou por volta da meia-noite no dia 22 de março de 1908, na cidadezinha de Whitley Bay, em Northumberland. Wilhelmina foi encontrada por sua irmã Margaret, que, em estado de choque, conseguiu chamar os vizinhos. O corpo terrivelmente carbonizada de Wilhelmina foi encontrado na cama em um dos quartos no andar superior. As roupas de cama estavam intactas e não havia nenhum sinal de incêndio em outros pontos da casa. Quando Margaret contou essa história no inquérito, as autoridades acharam-na inverídica, e disseram-lhe para pensar melhor. Ela reafirmou diversas vezes que estava dizendo a verdade e não mudaria seu depoimento - mesmo quando um policial declarou que ela estava tão bêbada que não poderia saber o que estava dizendo. Como observou Fort, o policial "não foi interrogado sobre qual o seu critério para distinguir entre um estado de excitação e terror, e o de intoxicação". O delegado adiou o inquérito para dar á mulher mais tempo para pensar. Quando foi retomado, alguns dias depois, ficou claro que Margaret havia sofrido grande pressão. As duas irmãs eram professoras primárias aposentadas, e sempre haviam vivido respeitavelmente. Mas naquele momento o delegado a estava chamando de mentirosa, os jornais chamavam-na de bêbada, e os amigos e vizinhos afastaram-se, deixando-a enfrentar sozinha um tribunal agressivo. Não é de surpreender que ela tenha dito que não havia sida precisa em suas declarações anteriores. Dessa vez, contou que encontrara sua irmã queimada, mas ainda viva, na parte inferior da casa, e que então a ajudara a subir as escadas e a colocara na cama, onde ela morrera. Isso soou aparentemente mais plausível, sendo aceito, e o processo foi prontamente encerrado. O tribunal não se interessou em saber como uma pessoa que pudera ser ajudada a subir escadas se transformara num cadáver incinerado, ou como, se ela havia continuado a arder depois de ser posta na cama, não havia qualquer sinal de incêndio na casa. "Mas o promotor ficou satisfeito", escreveu Fort sarcasticamente. "O depoimento adequado havia sido obtido." Foi o interesse médico legal que manteve viva a idéia da combustão humana espontânea; certos patologistas aceitaram o fenômeno, mas depois rejeitaram-no em favor da "combustibilidade preternatural". Além disso, sempre há a possibilidade de um assassino simular a CHE para ocultar seu crime. Um dos casos mais antigos que foi testado ocorreu em Reims, em 1725, quando uma taverneira, Jean Millet, foi acusado de ter um caso com sua bonita empregada, e por isso ter assassinado sua mulher. A mulher, que estava constantemente bêbada, foi encontrada uma manhã a uma distância de 30 centimetros da lareira. "Apenas uma parte da cabeça, restos das extremidades inferiores e algumas vértebras escaparam á combustão. Quarenta e cinco centimetros do assoalho sob o corpo haviam sido consumidos, mas uma cesta de costura e outros objetos perto do corpo não apresentavam qualquer dano." Um jovem médico assistente, chamado Le Cat, estava hospedado na estalagem e conseguiu convencer o tribunal de que aquela não havia sido uma morte comum por fogo, mas uma "manifestação de Deus" a respeito da mulher alcoólatra, e um resultado óbvio de se encharcar as entranhas com aperitivos. Millet foi justificada, e Le Cat distinguiu-se pela tese que elaborou sobre a CHE. A combustão humana espontânea recebeu sua mais severa critica do grande químico pioneira, barão Justus von Liebig, que escreveu uma inspirada refutação tanto da combustão espontânea como da preternatural, baseada no fato de que ninguém jamais a havia presenciado. Como cientista, ele via as pravas históricas da CHE como um registro infundado, e não como provas verdadeiras de mortes por combustão espontânea. Ele lamentava a ausência de testemunhas abalizadas, e geralmente refutava os relatos porque "eram provenientes de pessoas ignorantes, sem prática de observação, a própria imagem do descrédito". Os restos mortais do Dr. Bentley Apesar da afirmativa de Liebig, no entanto, há inúmeras provas, tanto de fontes médicas coma policiais. Muitas dessas atestam a violência do fenômeno, como no caso investigado por Merille, um cirurgião de Caen, registrado no Essay on drunkennesse ( Ensaio sobre o alcoolismo - 1804), de Trotter. A 3 de junho de 1782, os "oficiais do rei" da cidade pediram a Merille que atestasse a morte de Melle Thaurs, uma senhora de mais de sessenta anos que havia sido vista bebendo, naquele dia, três garrafas de vinho e uma de conhaque Merille escreveu: "O corpo estava com a parte superior da cabeça apoiada sobre um dos protetores de ferro da lareira, a 45 centímetros do fogo; os restos do corpo estavam obliquamente diante da lareira, não passando de um amontoado de cinzas. Mesmo os ossos mais sólidos haviam perdido sua forma e consistência. O pé direito foi encontrado inteiro e separado do corpo pela junta; a esquerdo estava mais queimado. O dia estava frio, mas não havia nada na lareira além de três pedacinhos de madeira de 3 centímetros de diâmetro, queimados no meio". O dr. Wilton Krogman, que investigou um caso famoso de CHE, e acostumado a lidar com sofisticado equipamento de cremação, disse: "Apenas a mais de 1500°C tenho visto ossos se fundirem a ponto de escorrer ou se tornar voláteis". Um tal calor certamente carbonizaria tudo dentro de um certo raio, incendiando a casa, mas o meticuloso Merille escreveu: "Nenhum objeto do mobiliário do apartamento estava queimado. A cadeira na qual ela estivera sentada encontrava-se a 30 centimetros do corpo, e absolutamente intacta... A combustão levara aproximadamente sete horas, mas, pelas aparências, nada em torno do cadáver estava queimada, a não ser as roupas". CORPO QUEIMADO
Restos do Dr. BENTLEY

Hosted by www.Geocities.ws

1