INCLUSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

PAULO C. GOULART 

Fonoaudiólogo Especialista em Voz Perito Psicopedagogo

 

1) INTRODUÇÃO

Segundo a Lei de Diretrizes e Base da Educação (Lei No. 9.394), assim o ponto referencial é implementar a Política de Educação Infantil no Brasil.

As ações estatais adotadas pelo governo brasileiro revelam a desvinculação entre o discurso presente no documento " Política Nacional de Educação Infantil" elaborado pelo MEC, e a implementação dessa política pela esfera estatal. Apesar da adoção da nomenclatura Educação Infantil da prioridade prevista constitucionalmente e da responsabilidade atribuída ao Estado, com essa etapa de educação básica, a concepção de Educação Infantil é permeada por uma divisão estrutural entre a pré-escola e a creche.

Deste modo a Lei de Diretrizes Básica (LDB) institui a Década da Educação (art.87, caput) a iniciar-se um ano a partir de sua publicação, o que ocorreu no Diário Oficial de 23 de dezembro de 1996, atribuindo o prazo de um ano para o encaminhamento no Plano Nacional de Educação ao Congresso Nacional, com diretrizes para dez anos seguintes (art.87 § 1º) Assim o período de dez anos previsto na LDB para as metas do Plano Nacional de Educação estaria definido no prazo de 1998 a 2008. No entanto o atual projeto prevê dez anos após suja aprovação final, a qual até abril do ano 2000 não ocorreu.

O documento do MEC " Política de Educação Infantil" (1994) apontava alguns princípios que deveriam nortear as ações a serem implementadas no interior das instituições de Educação infantil: ... as ações de educação, na creche e na pré-escola, devem ser complementadas pelas de saúde e assistência, realizadas de forma articulada com os setores competentes (...). a melhoria da qualidade da Educação Infantil requer a implementação de ações sistemáticas, garantindo que todas as relações construídas no interior da creche e da pré-escola sejam educativas. Disto decorre a necessidade de que estas instituições norteiem seu trabalho numa proposta pedagógica fundamentada na concepção de criança e de educação infantil e nos conhecimentos acumulados sobre os processos de desenvolvimento e aprendizagem na primeira etapa de vida humana (Brasil, 1994:15-16).

Bem como na Resolução do CFFa. No. 232, de 01/08/99 que dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo nas escolas.

A partir da década de 80, quando a Fonoaudiologia tornou-se reconhecida em todo Brasil como uma profissão estritamente entrelaçada nas áreas da Saúde e da Educação, muitos profissionais voltaram-se para uma ou outra área buscando sempre o bem estar do indivíduo, que seja na forma clínica terapêutica ou através de meios profiláticos, evitando o aparecimento e desenvolvimento de logopatias.

Em especial, na área Educacional, a estreita familiaridade com a Linguagem permite ao fonoaudiólogo prevenir, detectar e diagnosticar dificuldades que permeiam a Aprendizagem, além de desenvolver através de recursos clínicos ou educacionais atividades que favoreçam ao educando superar suas dificuldades.

2) PROPOSTA DE INCLUSÃO

Fundamentado no amparo legal acima exposto destacamos a importância da: "Linguagem simbólica é uma série de sons e de sinais que servem para substituir objetos e conceitos, podendo ser utilizados para transferir e transmitir idéias. A Linguagem é um sistema de comunicação que inclui a compreensão e o uso de gestos e de símbolos orais e escrito" . B. Saboya

A Linguagem traz o mundo à criança, permite que ela comunique seus sentimentos aos outros à medida que aprende as categorias impostas sobre a experiência através da linguagem adulta, assim o mundo se torna mais diferenciado e organizado.

O primeiro critério que deve satisfazer a linguagem é a intenção de comunicação. O indivíduo começa a aprender o uso da linguagem ou a representar as idéias quando forma um conceito mental.

Então, a linguagem desenvolve-se sobre um plano orgânico, " substrato" indispensável a um plano social, que comporta o poder de comunicação. O desenvolvimento normal da linguagem implica portanto, no desenvolvimento e no funcionamento adequado: 

Dos órgãos fonadores; a partir dos 8 meses e concluindo aos 4 anos e 6 meses; 
Dos órgãos sensoriais, em especial o da audição; que deve ter um nível perceptual em torno dos 18 dB, e reflexo estapédico entre 0,3 a 1 mm H2O; 
Das estruturas nervosas centrais; sem alterações; 
Das capacidades intelectuais eficientes, proporcional idade cronológica; 
De uma afetividade, sem traumas que possam interferir nas relações interpessoais.

Atingido esses objetivos podemos contar com as habilidades básicas, como: 

  1. Habilidades Verbais, 
  2. Habilidades Perceptivas espaciais e lateralidade 
  3. Habilidades Numéricas e Vocabulários Aritméticos 
  4. Habilidades do Raciocínio de Análise e Síntese 
  5. Habilidades Viso-motora (coordenação manual, viso-motora e psicomotora).

As quais estam implicitamente correlacionadas com o desempenho das Habilidades Psicolinguísticas.

3) PROPOSTA DE ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Prestar assessoria através de esclarecimentos, orientações, palestras e outros meios, aos professores, coordenadores, diretores e outros departamentos interessados.
Detectar distúrbios, alterações e/ou dificuldades relacionadas a Linguagem, Voz, Audição, Fala, Aprendizagem, Motricidade Oral, bem como das Habilidades Básicas através de triagem fonoaudiológica.
Identificar as crianças com dificuldades escolares através de parceria direta com os professores.
Promover através de palestra e boletins explicativos e informativos meios de orientação aos pais e professores de crianças com dificuldades escolares, visando auxiliar e direcionar em relação as atividade Linguagem oral e escrita, assim como da Habilidades Básicas praticadas em casa e em sala de aula.
Fornecer esclarecimentos aos pais, professores, orientadores educacionais e disciplinares (SOE e SOD), coordenação, direção e departamentos interessados quanto aos resultados obtidos na triagem fonoaudiológica.
Oferecer atendimento e assessoria sistemática através de frequência com horários diários , em local apropriado designado pela Escola, nas turnos da manhã e/ou a tarde, objetivando esclarecimentos e orientações gerais nas área da linguagem falada, audição, voz e motricidade oral aos alunos, pais, orientadores educacionais e outros interessados.
Orientar professores quanto a um melhor desempenho na qualidade vocal e das habilidades básicas de seus alunos.
Orientar professores quanto ao uso adequado da voz em sala de aula, desenvolvendo programas de prevenção e de treinamento vocal.

4) PLANEJAMENTO JUNTO AOS PROFESSORES

Promover palestras e encontros sobres o uso adequado da voz em sala de aula;
Promover encontros em sala de aula com propósitos alertando ao aluno quanto ao abuso vocal;
Fornecer esclarecimentos quanto a definição de dificuldades escolares, alterações da Linguagem, Aprendizagem, Voz, Motricidade Oral e sua principais manifestações;
Aprimorar as técnicas perceptuais, de expressão verbal, de percepção espacial, habilidade aritmética, de raciocínio lógico, leitura de símbolos e sinais, em grupo e individual para melhor entendimento dos conteúdos educacionais programados.
Visualizar através de observações diretas e específicas (testagens individuais e coletivas) nos alunos que apresentem alterações de Linguagem, Voz, Audição, Aprendizagem e Motricidade Oral encaminhado-os aos profissionais especializados, de preferência aqueles que já mantém cadastro.
Oferecer através do SOF (Serviço de Orientação Fonoaudiológico) um controle individual do aluno, onde os professores possam obter uma fonte de consulta quanto a assistência fonoaudiológica prestada aos alunos e aos pais.
Elaborar planos de atuação junto ao aluno que visem seu crescimento lingüístico;

5) JUNTO AOS ALUNOS

Detectar através de triagem apropriada, individual e em grupo, possíveis alterações ou dificuldades envolvendo as áreas da Linguagem Falada, Interpretada na Aprendizagem de Educação Infantil.
Promover estimulações individuais e em grupo que visem minimizar e corrigir as possíveis alterações detectadas na triagem fonoaudiológica.
Estimular através de orientações em grupo ou individual quanto ao uso vocal adequado em sala de aula ou em campo livre (recreio, atividades esportivas e outras) prevenindo disfunções vocais.
Conscientizar das fontes sonoras poluentes que podem colocar em risco a audição.
Promover encontros individuais em grupo que visem orientar quanto as formas mais pertinentes de se envolverem com a Aprendizagem de modo criativo e elucidativo, levando-os a autonomia e ao prazer como aprendentes.

6) PROPOSTA DE CONTINUIDADE FONOAUDIOLÓGICA

6.1) Trabalho individual e/ou em grupo no gabinete do SOF (Serviço de Orientação Fonoaudiológico).

6.2) Trabalho direto sistemático individual, em grupo e/ou em sala de aula, com enfoque em:

Expressão Verbal. 
Percepção espacial, lateralidade percepção auditiva. 
Raciocínio lógico e conceitos de absurdos com uso instrumentais. 
Noção de conceitos de matemática. 
Leitura de símbolos e sinais, entonação, ritmo, volume vocal, etc. 
Construção e apropriação do sistema de escrita. 
Fala. 
Voz e expressividade.

6.3) " Tira Dúvidas" para professores, membros da escola em geral.

6.4) Assessoria e Orientação direta para a família.

NOTA: Não objetivamos o atendimento clínico/terapêutico, individual ou em grupo, de forma sistemática dentro da escola.

 

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