| CANGURU | ||||||||||
| O CANGURU O canguru, o mais famoso e o maior dos marsupais (mamíferos que completam o seu crescimento, após o nascimento, numa bolsa situada na barriga da mãe), vive na Austrália e é o mais conhecido de todos; é no entanto apenas uma de entre mais de 150 espécies (grupo de animais muito semelhantes entre si e com a capacidade de se reproduzirem) diferentes. Todos os marsupiais se reproduzem por um processo especial em que os filhos nascem numa fase de desenvolvimento muito prematura e são criados com leite, fora do corpo materno, por vezes no interior de uma bolsa. É asim: o ovo desce do ovário para o útero. Uma vez lá, libertado, é fecundado e inicia o seu desenvolvimento. No caso do canguru vermelho (o maior de todos os marsupiais ora existentes), a cria emerge em apenas 33 dias. Geralmente nasce uma só de cada vez. É cega, um pequenino verme pelado de poucos centímetros de comprimento. As pernas traseiras são meras excrecências. Com as dianteiras, mais desenvolvidas, o recém-nascido arrasta-se através da pelagem espessa do ventre materno. A mãe não toma o menor conhecimento do filhote. A viagem até à bolsa dura cerca de três minutos. Uma vez lá, agarra-se a uma das quatro tetas e começa a mamar. Quase imediatamente o ciclo sexual da mãe recomeça. Outro ovo desce para o útero e ela torna-se sexualmente receptiva, acasala e o ovo é fecundado. Então uma coisa extraordinária acontece: o desenvolvimento do ovo cessa. Enquanto isso, o neonato na bolsa desenvolve-se prodigiosamente. Após 190 dias o filhote está suficientemente grande e independente para se aventurar fora da bolsa pela primeira vez. Daí em diante passa cada vez mais tempo no mundo exterior e finalmente, depois de 235 dias, abandona de vez a bolsa. Se é época de seca, tão frequente na Austrália Central, o ovo fecundado no útero continua dormente. Mas se houve chuvas e há boas pastagens, o ovo recomeça o seu desenvolvimento. Trinta e três dias mais tarde um novo neonato seguirá o caminho longo e arriscado até à bolsa. A fêmea acasalará de novo. Mas o primogénito não entrega a sua reserva de leite assim tão facilmente, voltando com regularidade para mamar na sua teta. Além disso, o leite que agora recebe é uma mistura diferente. A fêmea, portanto, tem 3 filhotes dependendo dela: um jovem activo, a pé, que já sabe pastar mas volta à mãe para mamar; um neonato, sugando uma teta na bolsa, e um terceiro, o ovo fecundado mas não desenvolvido, aguardando a sua vez no útero. Embora geralmente se pense serem os marsupais tipicamente australianos, existem cerca de 70 espécies fora desse continente. Os cangurus podem chegar a pesar 90 kg e atingir uma altura de 1,80 ou mais. O quarto traseiro, grande, pesado e musculado, e a cauda, equilibram o quarto dianteiro, que é leve, pequeno e móvel. Os membros anteriores ficam distantes do chão durante a locomoção bípede e enquanto o animal se alimenta. O salto, adoptado pelos cangurus como meio de locomoção (são capazes de dar saltos com 9 metros de comprimento e de pular cercas com mais de 3 metros de altura!) liberta-lhes as patas anteriores para outros fins. Usam-nas para arrancar vegetação e os machos para lutar entre si. Ninguém sabe porque motivo os cangurus utilizam o salto em vez de correrem nas quatro patas, como fazem praticamente todos os outros herbívoros que habitam as planícies no resto do mundo. Talvez o acto de saltar esteja vinculado ao problema de carregar filhotes grandes na bolsa, feito com maior facilidade e conveniência se o dorso for mantido em posição erecta, particularmente ao deslocar-se com grande rapidez sobre terreno acidentado e pedregoso. Seja qual for a razão, os cangurus aprefeiçoaram extraordinariamente a capacidade de saltar. As suas patas traseiras são muitíssimo poderosas, a longa cauda musculada pode ser esticada para contrabalançar o peso e dar-lhe equilíbrio, e o animal, aos saltos, consegue atingir uma velocidade de 60 km/hora. Os dentes e o sistema digestivo são adaptados para uma dieta herbívora. Os dentes também são diferentes dos dentes dos outros herbívoros. Existem 4 pares de cada lado da mandíbula. Só os anteriores são usados na mastigação das rijas gramíneas que hoje crescem nas terras ressequidas da Austrália Central. Quando se desgastam até à raíz, esses dentes caem e os posteriores deslocam-se para a frente para substituí-los. Quando o animal tem 15 ou 20 anos, os seus últimos molares estão em uso. Erva, água e um bom abrigo é tudo o que precisa este magnífico animal, e por isso é perseguido pelo Homem, que o acusa de roubar a melhor erva às ovelhas. |
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