O afundamento do campo marítimo pioneiro no Brasil, Dom João Mar,
em fins da década de 1990
"Em 1939 foi descoberta a primeira acumulação brasileira de petróleo, o Campo de Lobato, no Recôncavo Baiano (BA), que no entanto, foi considerado não comercial. Dois anos mais tarde, [1941] em Candeias, também no Recôncavo, foi descoberto o primeiro campo comercial de petróleo do Brasil." (Petrobrás, website, 2007)
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Perfuração no campo de D.João Mar, Bahia, na década de 1970.
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"A Petrobras iniciou a conquista do mar em 1954, quando entrou em produção o Campo de Dom João Mar, no estado da Bahia. A apenas 3 metros de profundidade, era, na verdade, a extensão de instalações onshore Dom João Terra. Modestos perto da meta de 3 mil metros perseguida atualmente pela Companhia, os primeiros passos oceano adentro mais tarde se transformariam numa trilha de sucessos e recordes históricos." Fonte: Petrobrás, pagina web, 2007
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"A Refinaria de Mataripe começou a ser construída em 1949 e está diretamente ligada à descoberta dos primeiros poços de petróleo no País, precisamente no Recôncavo Baiano. Sua construção formou uma classe operária egressa do trabalho com a pesca e a agricultura, e inaugurou um novo ciclo econômico, com a atividade industrial do refino virando a página da até então reinante agroindústria da cana-de-açúcar. Com a criação da Petrobras, em 1953, a refinaria foi incorporada ao patrimônio da companhia, passando a chamar-se Landulpho Alves-Mataripe, em homenagem ao engenheiro e político baiano que muito lutou pela causa do petróleo no País. Como interventor do Estado Novo na Bahia, Landulpho Alves pleiteava desde 1938 a construção de uma refinaria em território baiano, o que só foi autorizado pelo governo federal em 1946.
Em março de 2006, a RLAM alcançou um novo recorde de processamento de petróleo: foram 1.348.225 m3 de carga, o que equivale a uma média diária de 43.491 m3. Até então, o melhor desempenho mensal da Refinaria havia sido registrado em agosto de 2005, com a marca de 1.292.153 m3, equivalente a uma média de 41.682 m3/dia. "
Fonte: Petrobrás, pagina web, 2007
Estima-se que o Campo Dom João Mar tenha sido constituído por quase 600 poços de petróleo e gás natural e 7 plataformas que recolhiam o óleo e o gás extraídos. Posteriormente, balsas eram usadas para recolher e transportar o óleo e o gás para a refinaria de Mataripe.
Localizado em águas rasas da Baía de Todos os Santos, o campo foi pioneiro na exploração de óleo no mar. Nas primeiras décadas de exploração, até os anos 1990, pouca preocupação havia com impactos ambientais da exploração de óleo e gás. Um dos aspectos mais sensíveis era o uso de lamas para a lubrificação das perfuratrizes das sondas de exploração. Produtos agressivos para o ecossistema, como o óleo diesel, eram usados nas lamas de perfuração. Outros aspecto era o sistema de levantamentos sísmicos, que através de explosões buscava traçar o perfil das camadas geológicas da área em prospecção.
No final da década de 1990, o declínio da produção do campo e a descoberta de novas áreas economicamente mais rentáveis levou à desativação do campo Dom João Mar. A deterioração das estruturas dos poços era visível, segundo depoimentos de funcionários da Petrobrás e de pescadores. Aparentemente, essa foi uma das razões que levou a empresa a contratar o afundamento do campo, através do corte dos pilares de sustentação dos poços e a demolição das estacas de concreto que sustentavam as plataformas de recebimento de óleo e gás.
Os resultados para a atividade pesqueira foram desastrosos. Os poços e plataformas, após 20 anos de atividades, tinham se tornado atratores artificiais de peixes. Além de perderem essa função, as estruturas afundadas se tornaram obstáculos para as redes e embarcações usadas na pesca artesanal da região do recôncavo.
Por outro lado, nada indica que foram respeitadas as convenções da OMI-Organizão Marítima Internacional que regulam o afundamento de destroços e plataformas no mar. (Veja mais no link)
![]() Redes de pesca encontradas no fundo junto com as estruturas afundadas dos poços do campo Dom João Mar (outubro de 2007)
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![]() Redes de pesca e destroços dos poços afundados há cerca de 10 anos (outubro de 2007)
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Outra conseqüência danosa à pesca são os vazamentos de petróleo das tubulações remanescentes no manguezal e no fundo da baía.
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Manguezal manchado de petróleo próximo à São Francisco do Conde, às margens da baía de Todos os Santos (outubro de 2007)
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Petróleo bruto retirado do manguezal por pescadores de São Francisco do Conde (outubro de 2007)
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Além dos danos à atividade pesqueira, os pescadores e marisqueiras enfrentam hoje a dificuldade para receberem compensações pelas perdas de seus equipamentos e pela redução visível da produtividade pesqueira na região do recôncavo.
No caso das redes danificadas pelos destroços dos poços de petróleo, a Petrobrás tem levado em média 5 meses para ressarcir os danos aos equipamentos. Nenhuma compensação é oferecida pelos dias parados sem pescar, até a recuperação das redes. (Documento anexo)
Outros danos à pesca são resultantes de descasos e infrações ambientais cometidas pela indústria na região. Despejos industriais são direcionados aos manguezais sem qualquer tratamento, como demonstram esses tubos localizados junto à Colônia de Pesca de Madre de Deus.

Despejo da fábrica de asfalto no manguezal de Madre de Deus, próximo à RLAM. (Outubro de 2007)
Há denúncias também de que o lastro usado nos navios-tanque é normalmente despejado no mar junto ao Terminal de Madre de Deus.