Aspectos gerais e toxicologia

Os �steres organofosforados representam propor��o significativa da produ��o mundial de pesticidas. Al�m da sua utilidade na agricultura (inseticidas, fungicidas e parasiticidas) servem como aditivos de petr�leo, fluidos hidr�ulicos, anti-flamejantes e modificadores de pl�sticos.
Esses compostos lipof�licos s�o formulados a partir de solu��es destiladas do petr�leo, em concentrados emulsific�veis, suspens�es, resinas, aerodispers�ides etc.
A principal via de absor��o dos organofosforados � a cut�nea, embora tamb�m possam ser absorvidos pelas vias respirat�ria e digestiva. A mais importante forma de intoxica��o � atrav�s do uso de pesticidas agr�colas.
Os principais organofosforados produzidos no mundo s�o o paration e o malation. Basicamente atuam nos organismos vivos ligando-se ao s�tio este�rico da acetilcolinesterase, impedindo a sua liga��o � mol�cula de acetilcolina. A enzima ent�o, j� fosforilada, sofre um processo de envelhecimento, tornando-se refrat�ria � hidr�lise.
Desse modo, h� grande ac�mulo de acetilcolina no organismo, com aparecimento de uma s�ndrome parassimpaticomim�tica, muscar�nica ou colin�rgica. Esses inseticidas atuam tamb�m sobre as placas neuromusculares (s�ndrome nicot�nica) e sobre o sistema nervoso central (s�ndrome neurol�gica).
Os trabalhadores expostos s�o os manipuladores destas subst�ncias nas f�bricas e os que aplicam estes praguicidas na atividade agropecu�ria, principalmente quando n�o s�o usados EPI. Outras possibilidades de intoxica��o se d�o por falta de higiene, por contamina��o direta de alimentos e por ingest�o proposital, como tentativa de suic�dio.
Ap�s a absor��o, estes inseticidas s�o distribu�dos por todos os tecidos do organismo, atingindo altas concentra��es no f�gado e nos rins. A meia-vida destes inseticidas varia muito, dependendo da natureza do composto.
Os pesticidas podem causar efeitos adversos imediatos ou ap�s longos per�odos de exposi��o, o que requer conhecimento exato da dose e seus efeitos (dose-resposta) e a que doses o trabalhador que usa pesticida pode ser exposto (exposi��o-avalia��o).
H� tr�s maneiras b�sicas de avaliar exposi��o a pesticidas: an�lise do local exposto (n�veis na �gua, de beber, ou local de trabalho), mensurar o envolvimento (os n�veis de colinesterase no sangue e de metab�litos dos organofosforados na urina). Esses testes laboratoriais revelam o n�vel de contamina��o na �poca do teste e n�o podem ser usados para qualificar outro tipo de contamina��o no passado, porque o corpo normalmente atinge um ponto de equil�brio com o tempo e muitas subst�ncias qu�micas s�o excretadas e eliminadas do corpo ap�s parar a exposi��o.
Efeitos agudos ocorrem em minutos, horas ou dias, os efeitos cr�nicos ocorrem somente ap�s semanas, meses ou anos. Toxicidade cr�nica � muito dif�cil de avaliar, mas o acompanhamento de pacientes com c�ncer revelaram problemas inerentes � toxicidade a longo prazo pelos organofosforados.
Classifica��o dos organofosforados de acordo com o n�vel de toxicidade
| Muito t�xicos (DL50<50 mg/kg) |
Moderadamente t�xicos (DL50>50 mg/kg) | Pouco t�xicos (DL50>1000 mg/kg) |
| Azinphos-methyl | Bromophos-ethyl | Acephate |
| Bomyl | Chlorpyrifos | Bromophos |
| Carbophenothion | Crotoxyphos | Etrimfos |
| Chlorfenvinphos | Cyanophos | Iodofenphos |
| Chlormephos | Cythioate | Malathion |
| Chlorthiophos | DEF | Merphos |
| Coumaphos | Demeton-methyl+ | Phoxim |
| Cyanofenphos | Diazinon | Pirimiphosmethyl |
| Dialifor | Dichlofenthion | Propylthiopyrophosphate |
| Dicrotophos | Dichlorvos | Temephos |
| Dimeton+ | Dimethoate | Tetrachlorvinphos |
| Disulfoton+ | Dioxathion | |
| EPN | EPBP | |
| Ethyl parathion | Ethion | |
| Famphur | Ethoprop | |
| Fenamiphos | Fenitrothion | |
| Fenophosphon | Fenthion | |
| Fensulfothion | Formothion | |
| Fonofos | Heptenophos | |
| Isofenphos | Isoxathion | |
| Methamindophos | Leptophos | |
| Methidathion | Naled | |
| Methyl parathion | Phencapton | |
| Mevinphos | Phenthoate | |
| Monocrotophos | Phosalone | |
| Phorate | Phosmet | |
| Phosfolan | Profenofos | |
| Phosphamidon | Propetamphos | |
| Prothoate | Pyrazophos | |
| Schradan | Pyridaphenthion | |
| Sulfotepp | Quinalphos | |
| Terbufos | Sulprofos | |
| Tetraethyl pyrophosphate | Triazophos | |
| Triamiphos | Trichlorfon | |
| Thiometon |
Colinesterase:

A acetilcolina � um mediador qu�mico (neurorm�nio) do n�vel das sinapses nervosas do sistema parassimp�tico e das e das placas motoras (jun��es neuromusculares). Imediatamente ap�s sua a��o, a acetilcolina � decomposta pela enzima colinesterase.
Valores de refer�ncia da Acetil colinesterase eritrocit�ria: 7000 a 11.250 U/L
A acetil colinesterase � uma enzima muito importante e necess�ria para as fun��es do sistema nervoso do homem, outros vertebrados e insetos. A presen�a de agentes qu�micos que inibem a colinesterase causa um bloqueio no sistema nervoso. Nesse caso, o m�sculo pode continuar a se mover descontroladamente, causando paralisia, convuls�o e morte.
A exposi��o a organofosforados pode resultar em:
A determina��o no plasma e eritr�citos da atividade da colinesterase: depress�o que excede 50% (at� 90% em alguns casos) da atividade � relacionada com sintomas severos mas 30% j� pode ser considerado arriscado. Entretanto a correla��o entre n�veis de colinesterase e efeitos lesivos de um poss�vel envenenamento pode ser baixa.
A colinesterase no plasma � o �ndice mais sens�vel de exposi��o e a atividade da colinesterase no eritr�cito � melhor correla��o com efeitos cl�nicos. Usualmente esta manifesta��o bioqu�mica de toxicidade aparece em n�veis de mais baixa dose que os sinais e sintomas cl�nicos de import�ncia.
A severidade da inibi��o da colinesterase depende de:
Intoxica��es e envenenamentos humanos reportados pelos centros de controle de intoxica��es no Brasil (1991)*
| Classes | Casos reportados (%) |
�bitos (%) |
| Medicamentos | 24,4 |
15,0 |
| Animais pe�onhentos | 26,1 |
15,0 |
| Produtos qu�micos | 10,0 |
15,4 |
| Pesticidas agr�colas | 12,4 |
37,3 |
| Pesticidas de uso dom�stico | 4,4 |
3,6 |
| Produtos domissanit�rios | 5,6 |
2,5 |
| Produtos de toalete | 0,7 |
0 |
| Plantas t�xicas | 2,7 |
3,9 |
| Toxinfec��es alimentares | 1,5 |
0,4 |
| Outros | 12,2 |
6,9 |
| N�meros totais | 39.780 |
279 |
* Adaptado de Bortoletto ME e cols. 1991

