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- Ah, quer dizer que existe alguma coisa para saber, mas eu é que não sei o que é? - Não existe nada. - Olha que eu vou espalhar... - Pode espalhar que é mentira. - Como é que você sabe o que eu vou espalhar? - Qualquer coisa que você espalhar será mentira. - Está bem. Vou espalhar. Mas dali a pouco veio um telefonema. - Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre aquilo. - Aquilo o quê? - Você sabe. Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava: - Você contou para alguém? - Ainda não. - Puxa. Obrigado. Com o tempo, ganhou reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme. - Por que eu? - quis saber. - A posição é de muita responsabilidade - disse o amigo. Recomendei você. - Por quê? - Pela sua discrição. Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém. Além de bem informado era gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse: - Sei de tudo. - Co-como? - Sei de tudo. - Tudo o quê? - Você sabe. Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino. Investigaram. O que ele estava armando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que a voz que mais se ouvia era a dele, gritando: - Era brincadeira! Era brincadeira! Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo. Sabia demais. |