M�ES JUDIAS

 

 

Diz que quatro m�es judias se encontram no c�u. Como n�o podia deixar de ser, a conversa toda � sobre os filhos.

- N�o posso me queixar - diz a primeira. - Meu filho, at� hoje, s� me deu felicidade. Um santo. E na Terra, por causa dele, todo mundo s� fala em caridade, em virtude, em bons sentimentos.

- Seu filho �...? - pergunta a segunda.

- Jesus Cristo! - diz a primeira. E, inclinando-se para a frente, em tom confidencial e com um gesto que indica tudo em volta: - O dono disto aqui.

- N�o � do pai dele?

- Bem... � da familia.

- Agora, alegria, alegria, quem me d� � o meu filho - diz a segunda m�e - Ach, como eu me orgulho dele. Na Terra, por causa dele, todo mundo s� fala em justi�a, em mudan�as sociais, em solidariedade humano,

- Como � o nome dele?

- karl. Karl Marx.

- Mmmmm � fazem as outras, apertando a boca.

- O shnuga... � suspira a m�e de Marx, lembrando o seu apelido d e beb�.

     - E o meu filho? - diz a terceira. - Um professor. Este sim � para uma m�e se orgulhar. Inteligeeeeeente! Um cr�nio. Na Terra, por causa dele, todo mundo s�        fala no Universo, na relatividade, nos buracos negros.

- Quem � ele?

- O Beto;

- Beto?

- Einstein.

-Ah.

Falta falar a quarta m�e e as outras tr�s se viram para ela.

        - Eu nem quero falar porque voc�s v�o ficar com inveja de mim - diz ela.

- Fala.

- Que filho!

- Quem �?

- Um doutor.

- O que foi que ele fez?

- Por causa dele, na Terra, todo mundo s� fala na m�e.

        E a m�e de Freud fica sorrindo, deixando-se ad­mirar pelas outras tr�s.

        Filho era aquele!

 

 

 

AUTOR: Luis Fernando Ver�ssimo.

 

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