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| "Desvendando o misterioso c�digo natalino" (a descoberta da gravidez) |
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| Faltavam ainda duas semanas para o Natal. Mas desde o final de Setembro a cidade j� se enfeitava para esse dia. A mulher-parideira, at� ent�o totalmente desavisada de seus super-poderes de parir, esperou at� dezembro para montar sua �rvore de natal. Colocou uma guirlanda na porta. Chamou um pedreiro para ajeitar o muro da casa. Essas coisas t�picas de final de ano. Tudo parecia normal, mas havia algo de estranho no ar... O Homem-pai, at� ent�o amplamente convencido de seus poderes de super-pai, dormia tranquilamente quando sua esposa se levantou sorrateiramente e foi at� o banheiro levando o celular. Seria alguma liga��o secreta? Uma nova forma de distrair-se sentada no trono? Um plano maquiav�lico de jogar o celular velh�ssimo privada abaixo? Na verdade ele n�o cogitou nada disso porque ainda estava l�, dormindo de boca aberta... Enquanto isso, dentro do banheiro, um estranho ritual se realizava. E terminado, a Mulher-parideira segurava o celular olhando cada minuto passar lentamente... depois do quarto minuto, exatamente �s 6h50 do dia 12/10/2006, apareceram duas listrinhas vermelhas sobre uma pequena haste envolvida naquele ritual. Era um teste positivo de farm�cia. Ela estava gr�vida. Sem saber exatamente o que fazer, andando em c�rculos como barata tonta e ao mesmo tempo euf�rica e supinamente surpresa, a Mulher-parideira maquinou sair sem sequer olhar para o Homem-pai a fim de n�o correr o risco de lhe contar a not�cia sem ter certeza de que ela era real. Assim, saiu de fininho quando uma voz a fez parar no port�o: |
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| - Bissinhaaaaaaa!!! Era o Homem-Pai. E trazia algo escondido atr�s de si. "Oh, C�us, teria ele descoberto meu plano?" N�o. Era apenas o celular novo dele, no qual ele queria colocar uma foto dela com papel de parede... "ufa!". Ela tirou a foto. E aproveitou para tirar v�rias fotos, afinal aquele podia ser um momento hist�rico. Saiu atrasada para a faculdade, pernas meio bambas, sorriso besta no rosto. |
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| L� chegando, mostrou o teste e suas linhas vermelhas a dois colegas, perguntando se eles estavam mesmo enxergando aquilo. Sim, eles estavam! Isso exigia uma atitude dr�stica. Precisava fazer um exame de sangue com urg�ncia! Mas como? Onde? De que jeito? Esperou at� o outro dia. "Voc� n�o vai aguentar ficar calada sem dizer nada para Tib�rio", disseram seus amigos. Mas eles n�o contavam com os super poderes de interpreta��o da Mulher-parideira. Se n�o fosse uma atriz, como poderia futuramente convencer o Super Homem-Pai de que aquela lista enorme de enxoval continha apenas itens expressamente necess�rios ao beb�, tudo de utilidade inquestion�vel? Assim que o dia 13 raiou, A Mulher-parideira percorreu tr�s laborat�rios em busca de um que desse o resultado no mesmo dia. N�o fazia id�ia de quanto custava um exame particular (n�o havia tempo para ir na m�dica pedir requisi��o, a humanidade dependia daquele resultado urgente!). Levou ent�o todo dinehiro que encontrou em casa, R$ 120,00. S� usou R$ 20, mas estava disposta a dar tamb�m um rim e tr�s midinhos para receber o resultado do exame no mesmo dia. E �s 15h30 horas estava l�, o papel contundente em suas m�os: Beta HCG 52 mUI/ml. Era a primeira semana de gravidez. Ainda restava algo a fazer antes de chorar, pular e se descabelar: encontrar uma forma de dar a not�cia ao Homem-pai. Para isso, ela usou de toda a sua ast�cia feminina. Comprou uma caixinha onde p�s: um par de sapatinho de tric� com os dizeres bordados "Sou do Papai", um livrinho com frases de paternidade cuja capa dizia "Parab�ns, papai", um babador ("O babador � meu, papai, mas eu te empresto por nove meses"), um cart�o de felicita��es pelo beb�, cheio de declara��es de amor dignas da mais comovente das telemensagens e um raio paralisante (!). |
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| Mas seu instinto materno alertava: faltava algo ainda. Por isso ela bolou um plano mirabolante. Chegou em casa e disse ao Homem-pai que queria gravar uma mensagem natalina para a m�e (n�o especificou qual era a m�e, se a sua m�e ou ela pr�pria). E o pobre Homem-Pai achou uma boa a id�ia e empolgou-se a falar lindas palavras na frente da c�mera. Quando pensava ter terminado seu discurso recebeu dela duas folhas de papel e um pedido: "agora leia essa mensagem!". E ele, ainda empolgado, sem desconfiar de nada, come�ou a ler: "Voc� me mostrou a melhor parte de ter uma fam�lia, Voc� me ensinou tanto que hoje � grande parte de tudo que sou, Voc� me tornou uma pessoa melhor, mais bonita, mais feliz, Voc� alimentou e tornou reais meus melhores sonhos, E me apontou outros sonhos incr�veis, que eu n�o teria se n�o fosse voc�. Voc� caminhou comigo, me apoiando na tristeza e iluminando minha alegria. Voc� hoje � o meu motivo mais forte de agradecer a Deus porque..." E ao virar a folha para continuar a ler a mensagem, ele se deparou com uma folha estranha, com um c�digo estranho, que lhe era totalmente desconhecido e que dizia algo indecifr�vel, esquisito. Que c�digo seria aquele? Que tipo de mensagem natalina teria escondida ali por tr�s? |
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| Com toda a for�a dos seus super-poderes de Homem-pai ele usou sua vis�o alfa-gama-beta para perceber que em cima da folha havia um timbre de laborat�rio de an�lises cl�nicas. N�o quis crer que sua esposa escreveria uma mensagem de natal no pr�prio exame de fezes. Continuou lendo letra por letra e viu alguns n�meros e letras mais estranhas ainda, algo como HCG... ou era com J? Dosagem... eletroquimioluminisc�ncia (n�o, n�o podia ser exame de fezes), PCR, fetal... espere! Suas ondas cerebrais super-poderosas captaram uma frase escrita � caneta logo abaixo do estranho c�digo que podiam decifrar o mist�rio. "... N�s vamos ter um filho! Parab�ns!" E a boca leu: - N�s vamos... �n?????? Nesse instante a Mulher-parideira entregou a caixinha ao Homem-pai, que totalmente indefeso, a abriu. E sua boca caiu. E permaneceu ca�da por uns cinco minutos. O Homem-pai foi atingido pelo raio paralisante que lhe deixou sem sentir as pernas por um tempo indefinido. E a Mulher-parideira ria e chorava, filmando toda a rea��o rid�cula dele. Agora eram tr�s. Eles �am ter um beb�. Em breve, dominariam o mundo. Pelo menos o incr�vel mundo das fraldas descart�veis. E foi assim que a �rvore de natal ganhou uma decora��o especial naquele ano. |
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| A prova material do "crime": | ||||||||||||||||||||||||||||
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| NOTA DO ANJINHO DA GUARDA Estou feliz que essa Pequenina Luz tenha brilhado. Acho que vou ter trabalho. Essa � uma das m�es mais ansiosas que j� vi. Ela fez o teste de sangue no 12� dia ap�s a ovula��o, quando a maioria das mulheres s� faz esse teste na segunda ou terceira semana ap�s o atraso da menstrua��o. O anjo da guarda dela j� me passou umas dicas: "Tenha paci�ncia, n�o contrarie que � pior...". Ele me disse que at� a ajudou bastante dando "dicas" preciosas. Ela tentava engravidar h� quatro meses, e desde o segundo m�s apareceu-lhe a certeza no cora��o de que no quarto m�s de tentativa engravidaria. Al�m disso, com um aajudazinha dos C�us, ela soube exatamente o dia da concep��o, sentiu que havia algo diferente dentro dela logo ap�s a fecunda��o. Segundo suas pr�prias palavras "� como se o meu cora��o de m�e come�asse a bater naquele instante". Talvez voc� ache tudo isso esquisito ou rom�ntico demais. Mas � exatamente assim que a Lux �. |
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