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A UMA GOTA D'ÁGUA

 

 

 

Luiz Evandro Innocêncio

( Obra premiada nos países de língua portuguesa )

 

A gota d' água do fundo da terra ,

Surge na fonte dos altos da serra

Juntando-se a felizes companheiras...

Fiel ao seu destino ela obedece,

E entre roldão para a planície desce

Nas mais gentis e belas cachoeiras...

 

E a bela gota, cristalina e doce,

Como se a mensageira do amor fosse,

Vai fecundando a terra com frescores...

Correndo rios, brejeira, traquinas,

Passa nos campos varando colinas,

Criando colheitas e regando flores;

 

E a bela gota continua andando,

Com tantas outras ela vai formando

O seu processo de transformação...

Ela era pura e foi contaminada,

Ela era doce e se tornou salgada,

Formando os mares desta imensidão;

 

Ela fez flores e ora faz tormentos,

Criou colheitas, ora cria ventos,

Que diferença seu destino raia!

E a pobre gota por estranhas rondas

Forma-se em vagas, transformou-se em ondas

E tristemente vai morrer na praia!

 

Oh! homens que me ouvis! tristes esbulhos,

Tão cheios de vaidades e de orgulhos,

No peito meu não cabe tanta mágoa...

Todo este orgulho, toda esta arrogância

São os frutos de uma pobre ignorância,

Destino igual à da pobre gota d'água.

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