O
Tempo como dificultador relacional
“O tempo é a nossa vida” Tarthang Tulku
Na corrida do tempo, amplio o olhar. Percebo as suas diversas modalidades e os
cruzamentos destas no traçado da vida de cada ser humano.
No espaço do tempo do ciclo da vida, construímos os nossos tempos. Caminhamos no
tempo e nos encaminhamos aos diversos encontros que a vida nos proporciona.
O ciclo vital de cada pessoa é permeado pelo cruzamento das diversas demandas e
tarefas, que correspondem a cada etapa dos ciclos: do seu próprio, e de todos
com o quais se relaciona.
Ao pensarmos nos encontros e desencontros com o olhar voltado para o tempo,
constatamos a complexidade cada vez maior da construção de relacionamentos
íntimos e duradouros, principalmente entre pessoas na faixa etária mais
avançada. Os diversos tempos (interno e externo) aliados às influências dos
contextos passado e presente dificultam tecer uma nova história. Desta forma,
surge a questão: Como é possível avançar ao encontro da necessidade maior do ser
humano, que é se unir e compartilhar?
Quando os problemas surgem, geralmente se magnífica o momento presente ou se
reporta a um futuro que se anseia ou se teme, sem se tomar consciência de que a
vida é um contínuo movimento desde o passado e para o futuro.
Segundo Murray Bowen, 1971, " para se resolver um problema "aqui e agora" é
preciso ir lá e antes", pois a família permanece dentro de nós. Seja qual for o
caminho continua-se carregando uma relação emocional não resolvida com os pais."
Partindo de sua premissa é necessário que cada pessoa entre em contato com seu
próprio mundo emocional e aprenda a separar sua emoção antiga dos
relacionamentos primários, fonte de todos os outros relacionamentos.
As pessoas não têm como alterar o fato de pertencerem à determinada família.
Porém, muitos rompem relações, por conflitos ou por pensarem que nada têm em
comum. Assim, trazem repercussões no seu próprio senso de identidade e
distanciam - se do seu principal recurso emocional e social.
Portanto, para se poder compartilhar, primeiro é preciso encontrar a si próprio
e então construir uma nova história, na qual haja espaço para escolha e para uma
relação com vitalidade, sem estar congelado no tempo.
Norma Emiliano