NO CHORO DA DOR
A entrega é rápida e as cobranças intensas. Mas entre uma e outra há as
expectativas. Expectativas de ser correspondida em afeto e ações. Em
conseqüência vêm as frustrações, a angústia e o sentimento de incompetência.
Os relacionamentos íntimos denunciam a história de carências. Histórias vividas,
carregadas de dor. Os motivos ocultos mantêm o ser humano prisioneiro aos
comportamentos presentes. Poucos sabem que a maior parte do comportamento humano
nos relacionamentos é de autoproteção, ou seja, de evitar o sofrimento.
O envolvimento rápido tolhe a percepção de quem é o outro e da relação. Quando a
carência afetiva traz uma grande lacuna o ser humano vive em paradoxo. Não quer
sofrer, mas busca o sofrimento. Com a ânsia de relacionar-se, não escolhe, não
se criam vínculos saudáveis de afeto.
Por não ter coragem de ver o campo em que se encontra, ela vagueia pela
incerteza. Não quer perder e não percebe que não existe relacionamento.. Os
encontros são esporádicos, na possibilidade do outro. Sente-se abandonada e o
choro é constante. O pensamento é “sou incompetente”.
Em sua infância levou várias surras por motivos diversos, uma queda, troco
errado numa compra ou por até por outras razões que nem entendera. Sempre se
sentiu culpada por não conseguir corresponder. Perdeu o senso de auto-avaliação.
Por tudo se cobra e sente-se responsável.
Como estabelecer vínculos duradouros e espontâneos em um campo minado de
desafeto, incompreensão, e baixa auto-estima? No encontro relacional são
necessárias duas pessoas inteiras. A idéia de complemento, como o “outro lado da
maçã” é ilusória. Só se pode ser amado se houver amor próprio. Só se é
respeitado, se houver respeito próprio. Todavia, amor e respeito envolvem
limites claros a partir do autoconhecimento.
Amor, auto-estima e limites, trilogia apreendida nas interações primárias e que
vai permear todos os relacionamentos. Muitos são os encontros amorosos que estão
fadados a não dar certo por esses fatores.
Na atualidade, é comum a questão relacional. A impessoalidade, a insegurança e o
individualismo fazem parte do cotidiano das pessoas. Paradoxalmente, elas se
sentem infelizes por não construir vínculos sólidos. Assim, as dificuldades
humanas de convivência íntima se amplificam, pois se somam fatores internos e
externos levando os tantos des-encontros.
Será que vale mexer nas feridas e encontrar o amor?