NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
“A vida termina em morte, mas nem tudo está perdido. A alegria, a dor, a suavidade, o azul do céu. Acumulando amor, temendo a partida. Minha própria imortalidade me é mais segura...” Nancy A. Dahl
No desejo de ser acolhida, aproxima-se. Por medo do sentir, avisa que não
quer falar. Contudo, mesmo sem falar, no abraço a lágrima aflora.
A dor por estar doente e por sentir a fragilidade do Ser, para muitos, cria uma
muralha de sofrimento. É difícil encarar a finitude, e as doenças degenerativas
criam o solo fértil para esse confronto.
“Enquanto há vida, há esperança”, diz o ditado popular. Nessa esperança, quase
todos se agarram para viver cotidianamente os tratamentos dolorosos e
intermináveis.
No ouvir as histórias e no contar das histórias, encontramos os caminhos para o
acolhimento, para o fortalecimento emocional e a busca das alternativas para a
superação dos inevitáveis desconfortos que os sintomas das doenças acarretam.
Num desejo, num passeio realizado, a alegria por viver. A entrega à alegria
fortalece o ser e ajuda ao fortalecimento orgânico.
Ao vermos a pessoa como um todo (bio-psico-social) e não somente a doença,
podemos entender como age e reage a esta etapa da vida.
Fala da depressão, da desesperança. Fala da alegria de ver o resultado da sua
criação artística. Conta sobre o seu passeio. Observo a sua expressão e o brilho
dos olhos. Percebo a fala constrangida por ter se sentido criança e sua surpresa
de ser acolhida nesse sentir. Percebo no relato de um sonho a briga interna do
querer viver intensamente versus a culpa por ter se permitido viver.
A doença crônica exige nova forma de enfrentamento, mudanças na autodefinição do
doente e da própria família. Todavia, é importante que a doença “ocupe o seu
devido lugar”. Que haja espaço para vida enquanto houver vida.
Na saída, um outro abraço. Esse um pouco mais forte. Nos lábios, um leve
sorriso. Nos olhos, um novo brilho.