Dilemas e Soluções


 

 

A família chega ao consultório por orientação da escola, encaminhada por um médico e muito raramente por iniciativa própria.

Comumente, a queixa principal é um ou mais sintomas em um dos filhos (distúrbio de aprendizagem, de comportamento, alimentar, etc). O sofrimento e a impotência envolvem o clima emocional familiar.

As histórias são contadas e os padrões relacionais se expressam no decorrer das sessões. O foco da questão vai se redefinindo e a patologia familiar redistribuída entre os diversos membros, pois, nós, terapeutas de famílias vemos o individuo como produto de suas interações e a família um sistema de interações. Assim, consideramos o sintoma como o sinal que denuncia que, em algum momento, do ciclo evolutivo familiar houve uma paralisação.

Em suas etapas evolutivas, a família tem demandas e tarefas. A cada mudança de etapa, seja ela natural (infância, adolescência, etc) ou acidental (desemprego, morte prematura, etc) há necessidade de reorganização, o que algumas vezes não ocorre. De acordo com Andolfi, 2002, “a presença de determinados bloqueios evolutivos impedem o fluir da vida no tempo”. Exemplificando para um melhor entendimento: a família com filhos pequenos ao passar para a fase da adolescência necessita fazer uma série de mudanças de atitudes, que vão favorecer a independência e autonomia dos filhos. Isto vai desde o tempo que eles (filhos) se dedicam à família, a escolha de companhias até a escolha profissional. Os pais saem da esfera do controle e passam para a supervisão. No entanto, em algumas famílias isto se transforma numa intensa batalha que acaba gerando sintomas. Para Framo, 1992 “ajudar os filhos é ajudar os pais a reerguerem seu próprio Eu, suas prioridades e suas relações”.

Na perspectiva sistêmica quando um adolescente chega ao consultório chupando o dedo este comportamento é visto como uma série de movimentos e contramovimentos num círculo vicioso. Assim sendo, tanto a memória passada como a realidade presente das relações familiares vão estar influenciando a vida dos indivíduos.

O tratamento visa ajudar a família a se movimentar no tempo através da compreensão e mudanças dos padrões relacionais repetitivos disfuncionais.

 

Norma Emiliano

 

 

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