Bailando
com a vida
O homem e o tempo se influenciam mutuamente, produzindo profundas mudanças nas subjetividades e diferentes representações que lhe permitem lidar com a questão temporal (Goldfarb, 1998).
O número de pessoas
idosas alcança tamanha proporção que, hoje, caracteriza
o envelhecimento populacional. Os estudos apontam como expectativa de vida para
2020 uma média de 71 anos. No entanto, essa não ocorre de forma
uniforme, pois de acordo com estudos realizados, o aumento da longevidade para
a mulher foi mais significativo do que para o homem.
A forma de se pensar e viver o envelhecimento vêm mudando. As transformações
sociais trouxeram o prolongamento da vida humana e um estilo de vida muito diferente.
Há um tempo, considerar- se a velhice como sinônimo de doença
era o pensamento dominante. Na Gerontologia o envelhecimento não significa
decadência, mas a seqüência da vida, com suas peculiaridades
e características (Almeida & Lourenço, 2007).
Já é longínqua a representação da velhice
através da senhora sentada em sua cadeira de balanço fazendo tricô,
restrita ao lar e à família e através do homem, avô,
de bengala e inativo. Hoje, a maioria dos idosos é dinâmico, vaidoso
e com motivação para o viver. Assim sendo, observa-se um aumento
de sobrevida e de qualidade.
O estilo de vida é considerado fundamental na promoção
da saúde. Fomentam- se a prática de exercícios físicos
e a manutenção de atividade intelectual. Contudo, a qualidade
de vida dos idosos é estritamente ligada a sua integração
social e às suas atitudes positivas. Nas mulheres é muito visível
esta mudança.
O filme "Chega de saudade" traz uma boa representação
dessa etapa de vida, no momento atual. Traz como contexto um baile da terceira
idade. A história é um flash de tudo que faz parte da essência
do ser humano. Aborda o amor, a solidão, a traição e o
desejo que permeiam a vida do ser humano como um todo. As mulheres exibem seus
corpos através da vestimenta e da dança, no desejo de atrair os
homens, e eles, através da dança e dos cortejos, tentam obter
relacionamentos furtivos. Traz como mensagem a importância do viver o
aqui agora, do abandono dos fantasmas do passado e do seguir dançando
conforme a música. "O importante é bailar até que
a luz se apague". Aceitar-se sempre e reconhecer habilidades e limitações,
não importando qual idade seja.
Referências bibliográficas
GOLDFARB,C.D. Corpo e temporalidade:
Aporte para uma clínica do envelhecimento. IN: Revista Kairós,
Ano 1, Educ, S.P., 1998.
ALMEIDA, T., & LOURENÇO, M. L. (2007). Envelhecimento, amor e sexualidade:
utopia ou realidade? Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia,
Norma Emiliano