Aposentadoria. O Idoso e a Família
"A Família é
como uma moradia que oferece com suas paredes, portas e janelas, um lugar de
proteção segurança."
Moisés Groisman
De acordo com Giuillerman, a aposentadoria consiste na "brusca passagem
de um tempo contratado e preparado (organizado em torno do trabalho) para um
tempo livre e pode resultar em uma verdadeira desorientação temporal".
Ela requer um condicionamento mental e social, que a grande maioria das pessoas
não possui. Assim sendo, é uma etapa extremamente importante na
vida dos indivíduos, pois não só coincide, para muitos,
com a presença do envelhecimento bem como, é também um
marco de mudança na dinâmica da família, o que implica em
novos hábitos não só daquele que esta se aposentando. É
uma etapa que exige preparação.
Se partirmos do pressuposto que o ser humano é resultado das suas interações
é de vital importância o jogo das influências recíprocas
para se ultrapassar as diversas etapas do ciclo evolutivo. Assim, falarmos em
aposentadoria implica em nos contextualizarmos com o ciclo evolutivo familiar,
tendo em vista que os relacionamentos familiares, passados e presentes, desempenham
papel crucial para a qualidade de vida nesta etapa.
Comumente as pessoas não desenvolvem de maneira harmônica os diversos
papéis e no momento da aposentadoria este fato se torna um fator, de
certa forma, paralisante, pois para muitos a própria imagem está
ligada ao trabalho e ao abandonarem este papel passam a não se considerarem
mais necessário aos outros. Isto pode resultar no sentimento de inutilidade
e de frustração em relação à necessidade
de estima pessoal.
É notório que é mais fácil para a maioria das mulheres
seguir em frente, pois normalmente, aprendeu a diversificar seus papéis.
Assim, para o homem a redefinição do tempo é mais severa.
Este período pode ser caracterizado como grande fase da possibilidade
do lazer, da realização pessoal e do investimento em si próprio,
mas a maneira como cada um irá lidar com os novos acontecimentos vai
depender, entre outros aspectos, do seu autoconceito e de sua auto-estima que
estão ligados principalmente às suas interações
familiares passada e presente.
A solidão é uma grande ameaça para o aposentado. É
preciso que seja acolhido e valorizado. Para tanto, é importante valorizar
o significado de sua presença, pelo testemunho de vida realizadora que
apresentou, por tudo que viveu, pela família que criou e pelas atividades
que poderá vir a desempenhar.
Segundo Hillman, 2001, "na teia relacional, as velhas relações
têm uma vitalidade que apóia a vida; sem ela é mais difícil
ficarmos vivos". Portanto é na família que as pessoas podem
estar buscando recursos para poderem viver esta etapa de confronto dos sonhos,
perdas e realidade de forma mais afetiva e criativa.
Norma Emiliano
Assistente Social- CRESS-2846
Terapeuta Individual, Casal e Família, especialização em
Gerontologia Interdisciplinar