Cardiologista (a partir dos 15 anos, mais ou menos):
Quando meu pai sofreu um infarto do miocárdio por causa emocionais, além do remédio para o coração que meu pai teria que tomar para a vida toda, foi receitado um tanquilizante chamado Kiatrium. Existia versão mais branda chamada "Kiatrium Antidistônico" e após ler a bula, mamãe achou que eu devia tentar tomar um comprimido na véspera de alguma apresentação ou prova oral na escola. Vale dizer que, naquela época, auto-medicação era uma prática muito comum e não existiam remédios só vendidos "com prescrição médica". Nada de tarja vermelha, tarja preta, receita azul, essas coisas. A maioria das pessoas, quando tinha doenças menos graves, nem ia ao médico. O vendedor da farmácia, que nem era farmacêutico formado, mas que trabalhava no ramo há anos e sabia tudo sobre remédios sempre sugeria alguma coisa... e quase sempre acertava. E minha mãe, hipocondríaca, sempre pesquisava tudo sobre remédios e doenças. Devorava enciclopédias médicas, lia todas as bulas, pesquisava tudo. Creio que tenha nascido para ser médica, embora a vida não lhe tenha dado a oportunidade de obter um diploma. Até médicos "se consultavam" com ela. Na maior "cara de pau" sugeria remédios a médicos durante uma consulta, se detectava algum sintoma neles. De paciente, passava a "médica" sem cerimônias e os médicos riam muito disso.
Pois resolvi tentar o Kiatrium e realmente o nervoso melhorava um bocado. Não passava totalmente e ainda tinha que lidar com a ansiedade que se estendia por semanas ou meses antes da data "fatídica", pois não tomava o remédio todos os dias (pois aí só mesmo indo ao médico para ver se não tinha problema). Durante a maior parte da minha adolescência, o Kiatrium foi a "salvação", não só nessas ocasiões de me expor ao público, mas também quando me sentia deprimida, nervosa, aflita e tensa com relação à vida em geral.
Alguns anos depois, resolvi me consultar com esse mesmo médico pois meus pais confiavam muito nele e já tinha provado ser eficiente. Como eu vivia tendo palpitações (o coração batendo com tanta força que parece que vai arrebentar o peito), taquicardia (batimentos acelerados), suores, tremores e, de vez em quando, falta de ar, podia muito bem ser alguma doença cardíaca. Hoje em dia, após muito pesquisar sobre a FS, descobri que isso acontece com a maioria dos fóbicos... pensam que têm algum problema cardíaco e procuram especialistas dessa área, em vão.
Depois uma boa conversa, exames e eletrocardiograma, o médico garantiu que não havia nada de errado com meu coração... o problema era nervoso mesmo! Receitou-me Inderal. Tomei por uns meses, mas não me sentia muito bem, tinha tonturas, sentia a "cabeça pesada". O médico mandou suspender e, como eu me queixava também de insônia e depressão, receitou Lexotan, que passei a tomar por um bom tempo. Não melhorava muito o "nervoso", mas me ajudava a dormir, o que já era grande coisa pois já estava cansada de passar as noites em claro (e minha mãe afirma que eu já sofria de insônia desde bebê, que ficava no berço ouvindo disquinhos com cantigas de ninar por horas e horas... e nada de pegar no sono).