Branca de Neve

 

Ainda no assunto aparência física, a genética determinou que teria a mesma pele branco-leite-quase-transparente de mamãe (ela ainda mais branquinha ainda). O que há de errado nisso? Na Noruega, provavelmente nada de nada, mas no Rio de Janeiro, a "capital da morenice", ser assim pode acabar se tornando um estigma e, no caso dos fóbicos sociais, tão sensíveis à opinião alheira, motivo de muitos aborrecimentos.

Quando meu irmão era pequeno, meus pais frenquentávam praias com frequência. Visitavam primas de mamãe que viviam em Niterói e curtiam muito as praias de lá, principalmente Icaraí (que, pelo menos naquela época "remota", não era poluída, muito pelo contrário, considerada uma das melhores praias da região), há muitas fotos de meu irmão, ainda bebê, já curtindo um banhozinho de mar de mar. Mas sempre foram muito cedinho, pois mamãe, com pele tão clara, queimava-se facilmente com uma criança pequena, tem que ser assim de qualquer jeito. Um dia resolveram ir à praia de Ramos, mais perto de onde moravam, e já naquele tempo "pouco recomendável". Dias depois meu irmão, com dois anos de idade, ao ser retirado do berço, não conseguia manter-se de pé. Poliomielite, numa era onde ainda não havia vacinas. Meses e meses de sofrimento, desespero, incertezas. A doença podia matar, colocar a pessoa numa cadeira de rodas pelo resto da vida ou, na melhor das hipóteses, fazer com que o doente ficasse para sempre com uma perna mais curta do que a outra. Dos males o menor, meu irmão caiu nesta última categoria. Mas meus pais nunca se recuperaram do trauma terrível. Mamãe, que já sofria de ansiedade generalizada (assim como a mãe dela e a avó), ficou com verdadeira obcessão por "micróbios", pavor de doenças. É claro que não se pode afirmar ao certo como e onde ele pegou a doença, mas mamãe teve por certo (e coração de mãe geralmente não se engana) que ele foi contaminado na Praia de Ramos. Praia (em geral) ficou sendo, pelo menos para ela, sinônimo de sujeira, doença, enfim, perigo! Quando nasci, meu irmão já com 15 anos, o laser da família era completamente diferente. Mamãe, é claro, muito mais superprotetora e com pavor que eu pegasse uma doença (já existia a Sabin a essas alturas, mas, afinal de contas, existem muitas outras doenças graves por todos os lados e ela não queria correr riscos! Não suportaria a idéia de passar por aquela experiência terrível novamente). Até os meus 7 ou 8 anos mais ou menos, praia era só um lugar muito bonito que a gente via de passagem, não fazia parte da minha rotina e da minha realidade. Não cresci como a grande maioria das outras crianças cariocas (de de muitas outras partes do Brasil) achando que praia era praticamente coisa obrigatória nos fins de semana ensolarados. Só fui tomar banho de mar depois que nos mudamos para o "apartamento novo". Papai insistiu em me levar para conhecer a Praia da Urca. Mamãe aceitou a idéia, não sem alguma relutância. Por quê papai escolheu essa praia? Não sei. Disse que era muito bonita e pouco frequentada, entre os dois morros do Pão de Açúcar. Realmente a vista era linda, mas a areia não era fina, mais parecia um monte de minúsculas pedrinhas coloridas e, mesmo naquela época, já era um bocado poluída. Em toda a faixa onde o mar vinha beijar a areia, havia um rastro de lixo, via-se até gazes e outros objetos de uso hospitalar. A água, parada, mas traiçoeira. A pessoa entrava, ia avançando com a areia praticamente plana e, de repente, sem nenhum aviso ou sinal, havia um despenhadeiro e os pés não tocavam mais nada. Quem não sabia nadar não podia se arriscar desse jeito. Meu pai, exímio nadador, não teve problemas em dar umas braçadas mas eu não pude me arriscar, e o que mais me fascinava na praia era justamente poder ficar dentro d´água! Além de nós, algumas pessoas idosas tomando banho de sol por "razões medicinais" (muitas com a perna inchada, estirada ao sol). Estranho, mamãe tinha tanto medo de que eu fosse contaminada na praia e acabei fazendo minha estréia em uma das praias que consideraria a mais arriscada... De qualquer jeito, gostei de experiência, mas não me animava a repetí-la com frequência visto que a viagem de ônibus até a Urca (e só havia uma linha que fazia o trajeto - com poucos carros) era um bocado demorada e cansativa. Na volta então, fazer uma verdadeira "turnê" pelo Rio de Janeiro inteiro com roupas molhadas e areia pelo corpo não era o que eu chamaria de divertimento agradável. 

Depois que fizemos amizade com uma família de japoneses muito amável e que tinha dois filhos pequenos, insistiram em me levar várias vezes à praia da Barra da Tijuca (naquela época, praticamente só se via mato por lá, nada desses luxuosos condomínios de hoje em dia). Por conta das crianças, ainda bem pequenas, íamos muito cedo, o que era ideal para mim pois não queria me queimar muito e ficar com o corpo todo ardendo. Era divertido mas, mesmo sendo de carro, era ainda mais longe, demorado, cansativo. E eu era fascinada pelas praias de Copacabana e Ipanema (nunca tinha visto o Leblon!). Aquela mistura de mar, calçadão de pedras portuguesas e os prédios - natureza de um lado - obra do homem do outro - num casamento, a meu ver, perfeito. O melhor de Deus e o melhor do Homem ali, frente a frente! Além de tudo, Copacabana estava toda envolta no ideal romantizado que tanto me fascinava: era a "Princesinha do Mar", cantada em prosa, verso e música! Mas nenhum dos meus conhecidos parecia gostar de frequentar Copacabana: muito cheia - alegavam. Eu não via graça nenhuma na Barra e, além de tudo, o mar era muito agitado e tinha que ficar molhando o corpo com um balde que enchia de água (quer dizer, mais areia do que água) entre uma onda e outra, simplesmente frustrante! Mas os amigos insistiam e, no final das contas, gostava muito de brincar com as crianças e fazer castelos de areia. Engraçado: eu que sou sempre vagarosa e pouco ativa, na praia nunca consegui ficar parada um segundo sequer. Deitar numa esteira (naquele tempo se usava esteira de palha, não toalhas) e ficar lá parada, de olhos fechados, só pegando sol era coisa que simplesmente não conseguia fazer, chegava a me dar nervoso. Tinha que ficar brincando com a areia, molhando os pés na água, tomando meus "banhos de balde", correndo, uma hiperatividade pouco usual no meu caso. Depois, a família amiga se mudou para longe e continuei indo uma vez ou outra com minha amiga de colégio Márcia, mais uma vez na Barra da Tijuca (ou, mais precisamente, no Recreio dos Bandeirantes). 

Certa feita, devia ter uns 11 anos, uma das tias e tio resolveram me levar, juntamente com minha "prima de Ipanema" para um passeio na Ilha de Paquetá. Fiquei encantada!!! O mar não era muito agitado e assim podia ficar mais tempo na água e tinha a Pedra da Moreninha bem ao lado de onde estávamos! A prima, bastante bronzeada e acostumada a idas quase diárias a praia (morando quase em frente!), foi pedindo para ficarmos mais e mais. Os tios insistindo que estava ficando tarde. Mas estávamos nos divertindo um bocado e, quando nos demos conta, já era quase meio-dia. Não senti muito desconforto, só uma ligeira ardência. O resto do dia foi muito agradável: lanche, passeio de bicicleta (como não sabia andar de bicicleta, alugamos duas que se juntavam no meio com barras de ferro, assim pedalávamos juntas e não havia perigo de cair). Realmente um passeio muito agradável e a praia lindíssima.

No dia seguinte, acordei mais vermelha do que um camarão e com febre alta. Meu corpo todo ardia, e mal conseguia me mexer sem sentir dores e desconforto atroz, uma agonia só! A febre continuou por alguns dias e tive também crises de sinusite, o rosto todo doía terrivelmente. Noites sem dormir, dias difíceis, sem poder nem me sentar direito pois qualquer coisa que encostasse em minha pele causava desconforto, até as roupas! Quando a agonia foi passando e a febre cedendo, a pele começou a descascar toda, até o couro cabeludo descascava! Foi muita sorte não ter tido uma insolação! O problema é que na hora do banho de sol a gente geralmente não sente queimar tanto, depois que se chega em casa e se toma um banho é que se tem noção exata da imprudência cometida. Para minha prima, não havia problema, pois estava acostumada, mas os tios esqueceram que eu nunca havia permanecido numa praia além das 9 da manhã e tinha a pele totalmente branca! A experiência me deixou um pouco traumatizada, mas não me impediu de ir a praias.

No verão de 1976, outro dos irmãos de papai nos cedeu sua casa de praia na Ilha do Governador para passarmos um mês. Foi muito divertido. A casa era ótima, com jardim e quintal imensos, repletos de árvores de diferentes espécies e flores de todos os tipos. O melhor de tudo era colher goiaba para fazer doce! A casa só tinha um problema: era cheia de lagartixas e sempre tive verdadeiro pavor e esses bichinhos, a meu ver, totalmente repugnantes. Por conta disso pouco dormia e não conseguia relaxar, sempre "alerta" vasculhando as paredes e o teto para ficar o mais longe possível delas. Neste perído íamos praticamente todos os dias à praia e até consegui ficar um pouquinho bronzeada. Preferia o final da tarde quando a praia estava praticamente vazia, o sol bem mais ameno, a água morninha. Divertia-me muito na água quase parada. Ficava imersa até a cintura por horas e horas, imaginando ser a Sereiazinha da história e cantando baixinho a música-tema do disquinho. Um dia, estávamos eu e meu irmão (pois ele também foi com a família) na água, num fim de semana pela manhã, com a praia bem cheia, e notei que todos começaram a se afastar de onde eu estava, formando um "claro". Não percebia o porquê até que meu irmão apontou para umas coisas boiando a meu redor. Era cocô!!! Saí correndo aterrorizada e totalmente enojada, corri para a casa e tomei um banho de álcool. Meu irmão fez piadas sobre o episódio durante um bom tempo, ainda mais que naquela época estava na moda o filme "Tubarão" (ao qual não tinha assistido ainda) e no jornal (creio que o Pasquim) apareceu uma tirinha com um grupo de banhistas fugindo da água, apontando  e gritando "Tubarão, tubarão!!!". No outro quadrinho, o personagem da história corria do mesmo jeito e apontava gritando "cocô!!! cocô!!!". Meu irmão até recortou a tirinha e colocou meu nome num balãozinho indicando o personagem. Realmente, foi tragicômico. Depois disso fiquei mais "desconfiada" e nunca consegui tomar outro banho de mar por aquelas bandas descontraidamente.

Alguns anos depois, quando meus sobrinhos eram ainda pequenos, ia acompanhá-los novamente no Recreio, que era a praia favorita também de meu irmão! 

Mas continuava obcecada por tomar um banho de mar em Copacabana. Fui uma vez, de ônibus, com Julia e uma parenta dela mas, como no caso de minha prima, elas estavam acostumadas a ficar até tarde e acabei me queimando muito (apesar de não tanto quanto em Paquetá). 

Isso tudo para dizer que, fora uma vez ou outra, praia não fazia parte da minha rotina. Realmente, não tinha fascinação por ir e essa quase verdadeira obcessão que assola a maioria dos cariocas de não passar um dia de sol de verão sem ir a uma praia. Ia quando me convidavam, mas se não fosse, tanto fazia, não sofria por causa disso e continuava achando a viagem de ia e volta bastante cansativa e desconfortável. 

Mas, como sempre nesta narrativa, acabo me perdendo em reminiscências do passado e me desvio do ponto principal que é falar sobre os episódios que, segundo o meu ponto de vista, têm a ver com a condição de fóbica social. Ir á praia com uns poucos amigos e parentes não era problema nenhum e não foi por causa disso que me perdi em pensamentos sobre as praias. O problema não era a praia, o problema era justamente não frequentá-las com frequência e, consequentemente, ser muito branquinha. No colégio, costumavam me chamar de Branca de Neve, não só por causa da pele, mas também do cabelo pretíssimo. Bem, antes chamarem disso (afinal, ela era uma bonita princesa!) do que de múmia ou santinha... Uma vez, uma professora estava com idéias de montar uma peça de teatro com os alunos e o tema seria personagens de contos de fadas. Quando se falou em Branca de Neve, todos apontaram para mim, o papel só podia ser meu. Mas a peça acabou sendo esquecida e, desta vez, eu nem estava nervosa de ter que desempenhar o papel! Achei que ficaria bem vestida de Branca de Neve! Parecia mais um elogio do que outra coisa.

Com o tempo, fui percebendo que não era bem assim... Se saía na rua usando shorts ou saia razoavelmente curta, todos os homens faziam gracinhas do tipo "puxa, como você é branca!!! Precisa de uma praia, heim!!!". As gracinhas em geral já me irritavam profundamente, esta então me deixava com muita raiva e geralmente fazia uma cara muito feia (e, mais tarde, até saía fazendo um gesto obsceno) para o trabalhador de construção ou o frequentador de bar que tinha ousado me dirigir a palavra. Ser branca chamava muito a atenção!!! Por conta disso, passei evitar shots e saias ao máximo e a sair quase sempre de calça comprida. 

Quando fiz faculdade, a coisa piorou ainda mais! "Ai!!! como você é branquela!!!", falava um rapaz fazendo cara de nojo (como se ser branca fosse a coisa mais repugnante desse mundo). Tive que ouvir mais de mil vezes a pergunta "Por quê você não vai à praia?" e tinha que ficar me explicando o tempo todo (como se devesse satisfação a alguém do que sou ou do que não sou, do que faço ou do que não faço!). Mas, que fazer, fóbicos sociais são hipersensíveis à opinião alheia e a observações desse tipo. A sociedade não perdoava: Era preciso ser morena!!!! Ser branco era coisa de turista pateta, carioca branquela só podia ser por causa de alguma doença! Nunca me livrei desse verdadeiro estigma. Houve uma ocasião que estava na moda umas meia-calças brancas e as usava muito (era bom para esconder as pernas!), mas a emenda acabava sendo pior do que o soneto. Um dia que eu aparecia sem as meias, com as pernas de fora, alguém sempre perguntava "Está de meia ou não?". Não importa onde eu fosse, era sempre discriminada e invariavalmente tinha que ouvir a pergunta "Por quê não vai à praia?". No início da primeira faculdade, já cansada de tanto me chatearem, comecei a frequentar a piscina de um clube do qual meu irmão era sócio (e me colocou como dependente) no Grajaú. Piscina era mais confortável pois, sem nunca ter aprendido a nadar e ao mesmo tempo adorando ficar dentro d´água, era a melhor opção. Passei a ir quase todas as manhãs pois era uma viagem de ônibus relativamente curta e, no final das contas, a gente podia trocar trocar de roupa e tomar banho no clube, sem ter que voltar para casa com a roupa molhada colando no corpo e molhando o assento do ônibus. Cheguei até a fazer amizade com uma senhora e esta de vez em quando me ensinava a boiar. Como ia cedo, não me queimava a ponto de ficar vermelha, descascar e voltar a ser "branquela". Aos pouquinhos, fui ficando bronzeada e os colegas se desmancharam em elogios: "Puxa, você está PRETA!!!". Falavam isso com um sorriso nos lábios e sem "sentir nojo". Mas, algum tempo depois, meu irmão se mudou para outro bairro e acabou desistindo de ser sócio do clube (ainda mais que havia piscina no prédio onde foi morar). Acabou-se o que era doce. De qualquer jeito, já estava ficando cansada da rotina e mais ocupada com os estudos e depois o estágio. Também nos estágios que fiz era sempre a mesma coisa, sempre discriminada por ser branca. Além do desconforto de ter que pegar ônibus ou, mesmo de carro, viagens demoradas, com engarrafamentos, etc, havia também algo que me fazia desanimar: sendo assim tão branca, só podia frequentar praia ou piscina muito cedo e sempre tive horror a acordar cedo! Aliás, creio que seja uma tendência do meu organismo, sempre fui uma pessoa mais noctivaga. Se não tiver nenhum compromisso e deixar o "corpo fazer o que quiser" (e já fiz a experiência várias vezes), a tendência é acabar dormindo o dia inteiro e ficar acordada (e me sentindo ativa e alerta) a noite inteira. Na parte da manhã sou sempre vagarosa e improdutiva, mesmo que vá dormir muito cedo na véspera. Antes das 11 da manhã não sou nada. Um dos irmãos de papai era igualzinho e, quando se aposentou, seguiu a rotina que o corpo mandava: trocava o dia pela noite. Era sempre chamado para acompanhar, durante a noite, parentes internados em hospitais pois todos sabiam que ele não iria tirar nem um cochilo e o doente poderia contar com ele a noite inteira sem problemas.

Isso me fazia tomar uma "atitude política". Engraçado,  discriminação racial era crime inafiançável, mas todos me chamavam de branca e até faziam cara de nojo, e isso em todos os lugares, seja nas ruas, seja em família, seja na escola ou no trabalho e o "crime" ficava impune. Realmente uma questão puramente cultural. Espera-se que o carioca seja bronzeado. A sociedade sempre se choca com o que é diferente, com os que "nadam contra a maré", com quem não segue as regras estabelecidas. É a ditadura da aparência: ou você segue a moda (ou, nesse caso, os costumes) ou é massacrada, discriminada, torturada por perguntas, apontada nas ruas, enfim, considerada uma aberração e quase que uma ameaça ao "status quo". O que é diferente sempre parece ser uma ameaça à sociedade, um desafio às suas regras. O que fazer?

Nesta, como em muitas outras ocasiões em minha vida, sentia que estava vivendo no lugar e/ou na época errada. Lia os livros de Machado de Assis e outros do século XIX (ambientados no Brasil ou não) e era justamente o contrário. As moças só saíam na rua se sombrinha ou chapéu, os homens eram fascinados pela pele branca, quanto mais branquinha e transparente, mais atraente e delicada, uma bonequinha de porcelana! Ficar morena de sol era uma vergonha a ser evitada a todo custo! Mas os tempos mudaram e eu insistindo em permanecer com o "visual do passado". O que era lindo, passou a ser considerado repugnante e até doentio. E como a sociedade vive mudando os padrões de beleza e de comportamento, coitado de quem não adota logo os novos costumes. A sociedade não perdoa, é a mais cruel das ditadoras. Liberdade? Democracia? Lindas palavras nos livros. A sociedade nunca foi (e creio que nunca será) democrata. Ou você se encaixa no molde imposto ou tem que arcar com as consequências, pagar o preço! Nunca tive preconceito contra pessoas morenas, mas, preferia meu visual assim, branquinho, achava bonito! Só queria que as pessoas encarassem isso com naturalidade e fossem menos preconceituosas, enfim, me deixassem em paz! Era sempre mais um motivo para me afastar das pessoas, a fim de evitar comentários e perguntas dessa natureza! Se vou ou não à praia, isso é problema meu! 

Quando tiver oportunidade de fazer uma excursão aos EUA, como era verão no hemisfério norte, comprei vários shorts e saia-calças para usar na viagem. Sabia que nos EUA não seria discriminada por ser "branquinha" e, assim sendo, teria a liberdade de mostrar as pernas à vontade. Ledo engano pois esquecera do pessoal da excursão. Se os americanos não estranhavam minha brancura, os brasileiros viajando comigo não eram diferentes dos outros (nem mesmo os que moravam no sul e, alguns deles, pelo menos na minha opinião, até muito mais brancos do que eu!). Pois mesmo nos EUA tive que ouvir "ad nauseam" os mesmo comentários, responder às mesmas perguntas de sempre...

 

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