"Vaidade das vaidades... tudo é vaidade...":

Era gostoso viver assim "rodeada de rapazes", e comecei a perceber que, com eles, o papo fluía com muito mais naturalidade do que com as mulheres. Embora sempre fora vaidosa, nunca me agradou conversar sobre maquiagens, moda, namorados (mesmo porque não tinha nenhum!), assuntos sempre preferidos das mulheres. Com os rapazes, podia passar horas papeando sobre meus assuntos preferidos: música, arte, filosofia, política, história, aliás, todos os assuntos me interessavam pois tinha uma sede enorme de aprender coisas novas. Mais tarde, essa minha atitude iria fazer com que muitas mulheres me achassem "estranha" e até suspeitassem que eu era lésbica. Quantas mulheres a gente costuma ver passando horas numa loja de discos? Creio que quase todas preferem passar horas nos salões de beleza ou lendo revistas voltadas para o público feminino, com artigos bem água-com-açúcar. Mas eu também tinha o meu lado bem feminino, e por que não dizer, meio "perua". Ouve uma época que simplesmente devorava revistas tipo "Sabrina" e outras, romances voltados geralmente para o público adolescente, com histórias bem simples... sempre uma mocinha indefesa que caía nos braços de um homem lindo e impetuoso. Fiquei por muito tempo viciada em tais romances e, confesso, me deixavam bastante excitada. 

Quando era adolescente e também nessa época da faculdade, mudava de penteado e de cor de cabelo com muita frequência. Comecei com um corte à lá Lady Diana (na época do casamento de conto de fadas...), com reflexos dourados. Depois resolvi deixar o cabelo longuíssimo e fazer permanente, depois curto e com permanente, mas não gostei desse visual e mudei logo. Alguns anos depois resolvi ser loira por um tempo... mas com os cabelos pretíssimos, as raízes começavam a aparecer em menos de quinze dias e ficava bastante caro - e cansativo, ficar todo mês descolorando e pintando o cabelo... horas no salão... e ainda por cima isso tudo estragava muito o cabelo, que ficava totalmente seco e quebradiço... e toma de massagens de óleo... Quando adolescente, ia quase sempre ao salão com minha mãe e, desse jeito, não me sentia muito acanhada pois ela se encarregava de tagarelar com o cabeleireiro o tempo todo e eu não precisava me preocupar em ficar arranjando papo e respondendo a mil perguntas, o que me deixava pouco à vontade. A minha vontade era entrar no salão muda e sair calada, mas não ficava bem... todo mundo tagarela em salão de beleza, é quase como uma tradição. Mais tarde, indo sozinha, comecei a me sentir muito tensa... meu pescoço doía e minha cabeça chegava a tremer... e fazer as unhas uma verdadeira tortura (e por isso mesmo fiz muito poucas vezes na vida com profissionais, preferindo fazer eu mesma) pois minhas mãos tremiam e não me sentia à vontade com a manicure segurando meus dedos... e depois colocar os pés nos joelhos dela, minhas pernas tremiam... e ainda por cima, com a minha cutícula sempre finíssima, ficava morrendo de medo de que "tirassem bife", o que, aliás, sempre acabava acontecendo. Eu queria ser uma mulher atraente... uma mulher como as outras (mesmo não gostando de falar sobre assuntos banais e fofocas). As mulheres famosas com quem me identificava eram Lady Dina e Madonna, queria ser tão bonita quanto elas. Tinha meu lado "santinha" reprimida e tímida, como Lady Di, mas dentro de mim também morava uma "Madonna", um furacão sexual, uma mulher sem medo de assumir seus desejos sexuais, de assumir sua sexualidade, numa época em que ainda se pensava que as mulheres não tinham tanto desejo quanto os homens...ou que pelo menos podiam "viver" sem extravasar esses desejos. Meu lado "Madonna" era o vulcão, só esperando o momento de entrar em erupção, todos os desejos reprimidos vindo à tona num verdadeiro turbilhão. Madonna não era "escolhida" como Lady Di, ela escolhia os homens que queria, a seu bel prazer! Também detestava a idéia de um homem "me escolher" e eu ter que aceitar passivamente o seu assédio (como se fosse um grande privilégio ser assediada por um homem qualquer), queria "ter as rédeas da situação", escolher o homem que mais me atraía e, ele sim, deveria se curvar aos meus desejos.... Já deu para perceber o quanto era ingênua e o quanto ainda teria que aprender sobre a vida em geral e principalmente sobre os relacionamentos com o sexo oposto.

 

Hosted by www.Geocities.ws

1