FOBIA SOCIAL

"ARQUIVO X - A VERDADE ESTÁ LÁ FORA!"

OU... "A Lei de Lucia"

 

("Trust no One": "Não Confie em Ninguém")

Lá pelos meados dos anos 70, papai comprou um livro chamado "A Terra Oca", de Raymond Bernard. Não se falava tanto em "Teoria da Conspiração" naquela época, pelo menos não que me lembre, mas existia, é claro. Haja vista o enorme sucesso do livro de Erik Von Daniken: "Eram os Deuses Astronautas" ( meu pai era fascinado pelas teorias do Daniken e tinha vários de seus livros). Bernard tinha uma tese muito singular - e procurava defendê-la por meio de inúmeras ilustrações, fotos de satélites, isso e aquilo - de que a terra era oca e que havia até um pequeno sol em seu centro. A teoria parece inacreditável, a princípio, mas o autor quase consegue nos convencer com seus argumentos aparentemente irrefutáveis. De onde viria então a lava, o fogo que os vulcões cospem por todos os lados? De camadas intermediárias da terra. Segundo ele, nós subestimamos a profundidade do núcleo terrestre. O que pensamos ser o centro inteiro, é apenas uma "borda". A teoria vai se desenvolvendo e o autor até acredita que os alienígenas são, na verdade, habitantes do centro da terra pois, afinal de contas, os OVNIs sempre parecem desaparecer no horizonte (dirigindo-se às aberturas nos pólos da terra) ao invés de voarem verticalmente em direção ao céu. Quase trinta anos depois, pensei que, com o progresso da ciência e da tecnologia com satélites, sondas espaciais, telescópios, etc, etc, essa teoria já estivesse morta e enterrada, mas me surpreendi outro dia ao constatar em comunidades da internet que a mesma ainda tem milhares de adeptos. O autor, entretanto, afirma que a NASA e os cientistas do mundo todo sabem que a terra é oca, mas escondem o fato "para não causar pânico na população" (como fizeram quando os supostos OVNIs cairam em Roswell, etc). E aí, acreditar em quem? Há mesmo tanto a se perder quando se descobre algo novo? A Teoria da Conspiração existe mesmo ou é só um subterfúgio para tentar conseguir credibilidade (pois, assim, sempre podemos dizer que uma descoberta não é divulgada porque não interessa a certo grupo, seja por razões de segurança nacional, ou mundial, seja por razões políticas ou seja lá por que). E ficamos nos movendo em círculos.

Mas o que mais me impressionou no livro foi seu prefácio. Neste, Bernard "jurava de pés juntos" que os cientistas já haviam descoberto a cura do câncer há mais de 50 anos, mas que não interessava divulgar pois se ganha muito dinheiro com os tratamentos caríssimos. Quase caí da cadeira quando li tal coisa, será que era verdade mesmo? De vez em quando ainda ouço tais "rumores" aqui e ali, geralmente ligados a ervas da Amazônia que, supostamente, curariam mesmo todos os tipos de câncer (ou quase todos, não sei dizer). Isso me fez pensar muito. Realmente existe "algo estranho no ar" além dos OVNIs... No século XIX, descobriu-se cura para muitas doenças tais como a tuberculose e a hanseníase (principalmente devido à descoberta da penicilina). Mas, e agora? Quando foi a última vez que se ouviu falar na descoberta da cura de alguma doença? Onde estão os "Oswaldo Cruzes", os "Albert Sabins", os "Flemings" ou os "Pasteurs" dos dias de hoje? A medicina parece avançar mais e mais a cada dia e, ao mesmo tempo, estranhamente, não se consegue mais encontrar cura para doenças que vêm dizimando o mundo como o câncer e a AIDS. Reparem que a AIDS era mortal quando iniciou (e seu surgimento também dá margem a muitas especulações, sabemos disso...), depois, passou a ser doença crônica. Temos centenas de doenças crônicas hoje em dia, tais como a diabetes, a pressão alta e até mesmo a AIDS. Onde estão as curas? Será que as doenças se tornaram mais complexas e incontroláveis na proporção inversa ao avanço da medicina? Seria isso um processo natural de seleção, decidido pela natureza, para manter estável o nível de população do planeta, seguindo teorias "à la Darwin"? E quanto às doenças nervosas? Estas então.... nem se fala!!! A ciência nem sequer sabe ainda o que as causa e nem como os medicamentos desenvolvidos agem sobre as mesmas!!! (leia qualquer site sobre um medicamento para tratamento de fobias ou depressão e você vai ver essas duas afirmativas lá, com certeza).

Sabemos que a sociedade moderna não é nem um pouco filantrópica ou altruísta. Toda vez que resolvia fazer um curso qualquer, todos, invariavelmente, me  perguntavam: "Mas pra quê serve o curso? Ganha-se dinheiro com isso?". Ou seja, não se estuda mais pelo prazer do conhecimento, mas sim pensando no lucro que vai ser gerado por este. É o capitalismo selvagem (não que eu seja comunista, muito pelo contrário, sou totalmente contra o comunismo pois é só uma fraude... mas isso é outra longa história...) mostrando seu lado mais frio e calculista. Hoje em dia tudo é "contado, pesado, dividido": o que não pode ser transformado em dinheiro, não interessa, é perda de tempo ou até mesmo loucura. Mas, se é assim, será que vale a pena mesmo descobrir uma cura barata para uma doença terrível, ao invés de gerar milhões e milhões com tratamentos que podem prolongar a vida mais um pouquinho sem curar? Vejo muito aqui nos EUA "caminhadas" pelo câncer, pela Doença de Parkinson, pelo Mal de Alzheimer, é "caminhada" para tudo. Um dia, tomada de total humor negro, comentei com meu marido: "Mas que diachos de caminhadas são essas? Alguém vai descobrir a cura do câncer caminhando?". A resposta é óbvia: Claro que não se vai encontrar nenhuma cura ao longo do caminho, a "caminhada" é para angariar fundos para pesquisas na busca de melhores tratamentos e/ou uma possível cura. Mas aí começa a me vir "caraminholas na cabeça", como se dizia antigamente... Os pesquisadores estão recebendo milhões para continuarem com suas pesquisas. O que vai acontecer se uma cura for descoberta e eles não precisarem mais pesquisar? Vão abrir mão de todos esses bilhões de dólares? De que vão viver? O que vão fazer? Assim, a coisa se torna um bocado complexa, não é verdade? Ando até fazendo a minha "campanha pessoal" (faço muitas "campanhas" desse gênero, claro que não saio pelas ruas com cartazes e gritando palavras de ordem, e nem sou entrevistada pelos jornais, fico falando aqui com meus botões ou então azucrinando os ouvidos pacientíssimos de meu marido): É melhor não "caminhar" por doença alguma! Quem sabe, cortando a "fonte de onde jorra rios e rios de dinheiro" os pesquisadores resolvam então descobrir logo uma cura e "partir pra outra", já que as pesquisas não estão mais dando lucro? Tem também as "fitinhas" de lapela... mas aí vão reclamar que eu estou sendo politicamente incorreta em demasia, não é! E desde quando fóbico social é politicamente correto??? Aliás, falando nisso, onde estão as "caminhadas" e as "fitinhas" em prol da cura da Fobia Social? Quem nos defende? Quem chora por nós? Quem caminha, marcha ou corre pelos fóbicos sociais? E somos os mais desamparados de todos, pois não podemos caminhar por nós mesmos (qual fóbico iria sair pela rua usando fitinhas e se exibindo para multidões de curiosos e câmeras de TV?) Também temos o direito, não é? (se bem que tenho minhas sérias dúvidas de que valha a pena ter esse tipo de "direito"... direito de rechear os bolsos dos pesquisadores?)

Vamos imaginar, por um momento, que algum cientista descubra um comprimido que, tomado uma única vez, cure todos os tipos de câncer na mesma hora (sei que é algo muito difícil de acontecer, ainda mais em se tratando de uma doença tão complexa e com tantas variantes, mas, só à título de especulação, vamos supor que é possível). Obviamente, o laboratório que fabricar e vender esses comprimidos vai ficar bilionário. Mas vamos pensar em algumas das milhares de ramificações, em progressão geométrica, acredito, que envolvem o tratamento e a prevenção do câncer. Em matéria de prevenção, vamos pensar apenas num exame de mamografia, que todas as mulheres devem fazer anualmente para detecção o mais cedo possível da doença. Há o aparelho especial de Raio X, que deve custar uma fortuna. Este aparelho é fabricado em algum lugar, e isso movimenta uma indústria imensa. Milhares de funcionários, provavelmente, trabalham nas fábricas, que pertencem a alguém ou a um grupo. Há os materiais usados na fabricação (metais, plásticos, acrílicos, etc)  que são vendidos à fábrica por outros fabricantes e fornecedores (que, por sua vez, também têm suas fábricas, funcionários, acionistas, diretores, proprietários, etc, etc, só para se ter uma idéia das milhares de ramificações...). Há até o transporte do aparelho e instalação no hospital ou clínica. Há uma empresa de manutenção com funcionários que precisam ser treinados, e para isso tem que haver quem os treine, cursos especializados, etc. Então, já imaginou quantos milhões de pessoas e bilhões de dólares estão envolvidos só nesse aparelho? Agora vamos ver a parte de tratamentos: Existem médicos especializados em tratamento de câncer, os oncologistas, muitos até só em uma ou outra forma da doença. Esses oncologistas, obviamente, cursaram faculdade de medicina com especialização. Uma faculdade necessita de um prédio, edificado por uma construtora, com milhões de funcionários, administradores e dinheiro. E precisa de manutenção, limpeza, segurança, etc, etc. É necessário que haja professores que ensinem a matéria, milhares e milhares deles no mundo inteiro. Uma vez formado, o médico investe num consultório, enfermeiras, secretárias, instalações diversas (mesas, cadeiras, macas...) ou vai trabalhar num hospital. Existem hospitais específicos para tratamento de câncer, onde trabalham milhões de funcionários, desde o responsável pela limpeza até o presidente. Há os inúmeros remédios usados nos tratamentos, todos caríssimos, há as quimioterapias e radioterapias que envolvem milhares de aparelhos, pessoal especializado, etc, etc, etc. Só dei alguns exemplos, a coisa é de uma complexidade tão grande que levaria anos aqui escrevendo sem parar se quisesse listar tudo o que está envolvido na prevenção e tratamento do câncer. Descoberto o tal comprimidinho, tudo isso iria perder a razão de ser,  ficar obsoleto, desaparecer por falta de demanda. Bilhões de pessoas iriam perder seus empregos e bilhões ou trilhões de dólares seriam perdidos, levando a economia provavelmente a um colapso, pelo pouco que conheço do assunto. É possível parar algo que chegou a tais proporções? Tenho minhas sérias dúvidas...

Outro exemplo, este sem relação com doenças (quer dizer, há uma relação sim, ou parece haver...): os telefones celulares. Começaram de forma discreta, só alguns ricos privilegiados possuíam um aparelho desses há menos de 15 anos atrás. Todo mundo vivia sem eles, ou seja, não eram assim totalmente essenciais. Para emergências, médicos, advogados e outros profissionais que precisavam estar ao alcance dos clientes 24 horas por dia, usavam o "Bip" (que nem sei se ainda existe! Era um aparelhinho que "bipava" e a pessoa então procurava um telefone e ligava para a central do Bip, que recebia recados e os retransmitia). Hoje em dia parece que ninguém vive sem um celular, estão por toda parte! Aqui nos EUA não é proibido dirigir falando ao celular, é raro ver alguém que não esteja falando o tempo todo. Tornou-se algo essencial (creio que é mais uma necessidade psicológica do que qualquer outra coisa, mas, mesmo assim...) não só para usuários, mas também para os fabricantes, companhias que se tornaram multimilionárias (empregando milhões de funcionários na fabricação dos aparelhos, e tem, de novo, a história dos materiais usados na fabricação, vendedores e até lojas especializadas na venda de celulares). Aí, começa-se a ouvir "rumores" aqui e ali que o uso prolongado do celular pode causar tumor cerebral nos usuários... rumores esses logo rebatidos e negados pelas indústrias. Até hoje não fico provado nada, ainda paira a dúvida no ar e volta e meia o assunto vêm à baila novamente. Mas, fico aqui pensando.... e se os grandes fabricantes de celulares descobrissem que é mesmo verdade que o aparelho causa tumor celebral? Será que a "máquina" poderia ser parada agora, nas proporções que já tomou? E será que os usuários pefeririam arriscar a vida, estando já tão dependentes do aparelho, como fazem os fumantes (que sabem perfeitamente dos riscos envolvidos)?. Será que a poderosíssima "indústria" não faria calar todos os rumores, ou pelo menos desacreditá-los? Será que seria altruísta a ponto de desistir de tudo? E no que implicaria parar de produzir celulares? Mais uma vez, até um colapso econômico que poderia até derrubar governos, quem sabe.... E tem também um exemplo ainda mais simples, o das lâmpadas. Já perceberam que elas agora vivem queimando, que não duram quase nada? Antigamente você trocava uma lâmpada e podia levar anos e anos sem precisar trocar, agora é um tal de trocar lâmpadas quase todos os meses. Pensei que era a má qualidade das lâmpadas fabricadas no Brasil, mas aqui nos EUA é a mesma coisa (a não ser que o fabricante seja o mesmo para os dois países, realmente ignoro), vivemos comprando lâmpadas e mais lâmpadas, quase toda semana a gente liga um interruptor e "puf!!", a lâmpada emite um clarão enorme e lá estamos nós na escuridão. É preciso sempre ter um bom estoque, que logo se acaba. Há quem comente que isso é de propósito, pois se as lâmpadas durassem muitos e muitos anos, as fábricas de lâmpadas acabariam fechando ou seu número seria um bocado reduziro. E aí já caímos de novo naquele círculo vicioso de milhões de pessoas desempregadas, etc, etc, etc...

Assim, inspirada na "Lei de Murphy", resolvi enunciar minha própria "lei", já que ninguém ainda a enunciou e nomeou formalmente, a "Lei de Lucia": "VIROU INDÚSTRIA, ESTAMOS FERRADOS" (estou sendo elegante... a princípio, pensei usar um termo mais chulo...). Trocando em miúdos, se algo chegou a proporções industriais, teremos que sofrer e arcar com as consequências, pois não há volta e não há como enfrentar a sempre poderosíssima indústria.

Poderia continuar listando inúmeros exemplos. Costumava usar muito o dos dentistas, pois conheci vários cujos filhos nunca sofreram de uma cárie sequer. Quando indagava o porquê disso, sempre desconversavam... "sorte", diziam alguns, "coincidência", afirmavam outros, "predisposição genética", "profilaxia", diziam outros tantos. Aí fiquei pensando se eles não escondiam algum "segredo", algo que realmente prevenisse as cáries e que fosse 100% eficaz. No medo de perder seu "ganha-pão", dentistas e toda a indústria odontológica se calavam.... mas, muito discreta e sigilosamente, favoreciam seus filhos, poupando-os da miséria de ter que viver fazendo tratamentos dentários caros e dolorosos e, depois, ir perdendo os dentes, um a um, e aí vem a "indústria das dentaduras", obviamente...

No caso da Fobia Social e dos vários distúrbios de ansiedade e depressão, poderia ser diferente? Também já se criou uma indústria poderosa, pois a percentagem de pessoas que sofrem desses males é mais do que considerável, creio que mais de 2/3 da população, em alguns países. Será que preciso dar exemplos novamente? Faculdades de psiquiatria e psicologia, com prédios, professores, funcionários, etc, e depois os profissionais da saúde mental com seus consultórios e os pesquisadores (ah, quase havia me esquecido de citar os pesquisadores nos casos anteriores! Justo eu que reclamo das "caminhadas e fitinhas"!). Vamos imaginar que você seja um psiquiatra. Conheço muita gente que faz psicoterapia, as seções são de, NO MÍNIMO, uma vez por semana (os psiquiatras sempre dizem que isso é muito pouco, sempre insistem muito que quanto mais vezes por semana melhor, o número ideal de seções seria diária) e cada seção custa em média 200 reais (isso em 2006). Assim, com cada paciente, você ganha 800 reais por mês (o que é um salário bem acima do padrão até da classe média no Brasil!) Mas é claro que você não tem só um paciente, a não ser que esteja iniciando carreira. Então, vamos dizer que você tenha 5 pacientes, o que é bem pouco, não é mesmo? Você ganha 4 mil reais por mês. É o seu salário. O custo de vida está altíssimo, a vida não está fácil para ninguém. Você tem filhos, vive em apartamento alugado, tem contas a pagar, escola e cursinhos dos filhos, despesas com alimentação, vestuário, etc. Cada centavo conta! Imagine se um paciente desiste do tratamento, que baque não significa um "rombo" de 400 reais no seu salário! Um dos filhos vai ter que desistir do judô ou do curso de inglês! Outro filho vai ter que ir para a escola pública pois não dá mais para pagar a particular! A esposa vai ter que desistir de ter seu próprio carro, pois não tem como pagar a gasolina. É mais do que natural que qualquer ser humano nesse mundo queira ter um salário fixo, pois, afinal de contas, nossas despesas são fixas, ninguém paga a conta de luz "só de vez em quando"... Será que um psiquiatra vai querer dar alta a um paciente e deixar de ganhar 400 reais por mês? Será que filantropia ainda existe hoje em dia? Será que ainda existe altruísmo? Será que ainda existem "homens de boa vontade"? E a ética, será que ainda existe? (pelo que vejo na internet, tenho sérias dúvidas! Textos são copiados sem citar autor ou fonte, o que no meu tempo de colégio era um crime... baixa-se álbuns de música inteiros de graça, infringindo os direitos autorais dos artistas... costumo até dizer que a internet se tornou uma "terra de ninguém", uma "terra de Malboro", onde tudo é permitido, onde não há lei, nem ética, nem respeito...). E, afinal de contas, psicoterapia cura alguém? Até hoje não ouvi falar de nenhum caso... Agora, "PELAMORDEDEUS"!!!! Sei que vão me dizer que existem profissionais sérios e éticos, sim, que existem até psiquiatras que não cobram nada quando o paciente está sem emprego e que deixam até ligar a cobrar, com pena do paciente e em nome da ciência acima de tudo. Sei disso perfeitamente, existem profissionais bons e honestos na área da saúde mental, como em qualquer outra área... Mas são uma exceção à regra, uma pequena e inexpressiva minoria e, sabemos muito bem que uma andorinha (ou duas) não faz verão... É muito fácil "jogar" com algo tão subjetivo quanto doença psíquica... se um tratamento não está dando resultado, basta culpar o paciente: ele não está se esforçando, ou não acredita no tratamento... já vi até slogans tais como "Se você não quer se curar, o problema é seu, mas se você quer se curar, o problema é nosso". Que coisa mais revoltante!!! Vi um anúncio com esse mesmo slogan aqui nos EUA, mas era de mecânica de carros! Não me consta que a mente do ser humano esteja ao nível de um carburador... A coisa não é tão simples assim, e os profissionais da saúde mental sabem disso perfeitamente. Mas, a saída mais fácil é sempre culpar o paciente e, como não se pode ver ou tocar uma doença psíquica, não se pode acompanhar o progresso da cura com um raio X ou com uma biópsia, não é mesmo?

Vamos agora falar um pouco da indústria farmacêutica (creio que seja uma das mais poderosas no mundo hoje em dia!). Lembro-me de, ainda pequena, estar na sala de espera de consultórios médicos com mamãe, aquelas revistas "do século passado", horas e horas de espera. Sempre ríamos muito por causa dos propagandistas, aquelas pessoas que chegam, muito bem vestidas, com aquela maleta preta e "furam a fila": entram no consultório na nossa frente, nos fazendo esperar ainda mais (e, obedecendo, nesse caso, a Lei de Murphy, sempre aparece um propagandista justamente quando somos os próximos a ser chamados pelo médico!). Eles representam os laboratórios e informam os médicos sobre os novos medicamentos, deixam amostras e também dão muitos "brindes", desde canetas e calendários até passagens aéreas e pacotes de férias em praias (li nos jornais que isso estava acontecendo aqui nos EUA mas agora é proibido os laboratórios oferecerem jantares, viagens, etc, aos médicos, pois isso cheirava a suborno...). Mas o que nos fazia rir não era o propagandista, até porque nos fazia esperar mais ainda. O engraçado era que, segundo passamos a perceber (e minha mãe sempre foi muito "ligada" quando se trata de assuntos médicos), depois do propagandista sair do consultório e deixar as amostras com o médico, automaticamente todos os pacientes passavam a sofrer do mal para o qual aquele remédio era a solução, e até ganhávamos as amostras! Coincidência??? (Pode ser, não podemos acusar ninguém sem provas, é leviandade, sabemos disso, mas que era esquisito e acontecia com uma frequência suspeita, lá isso era!). Aliás, mamãe sempre teve uma um hábito que provou ser dos mais salutares: bater muito papo com outros pacientes na sala de espera de consultórios. A gente aprende muita coisas nesses bate papos, pena que fóbicos sociais não sejam chegados a tais práticas. Há inúmeros fatos hilários, como por exemplo o ortopedista que declarou, alarmado, depois de um raio X, que mamãe tinha uma perna mais curta do que a outra. Que horror!!! Seria genético? Algum acidente na infância? Era preciso usar um "calço" dentro do sapato, do lado da perna mais curta, ou então até mandar fazer sapatos com sola especial mais alta no lado afetado pela "deficiência". Mas, conversando na sala de espera, mamãe descobriu que todos os pacientes do tal médico tinham o mesmo problema... e, depois, conversando com inúmeras pessoas, acabamos chegando à conclusão de que a maioria tem uma perna mais curta do que a outra, vai ver é algo natural. Fico pensando se aquele médico não tinha algum com a indústria de calçados! E depois o caso do otorrino que era também cirurgião e quase matou mamãe de susto ao afirmar que ela tinha que operar o ouvido com toda urgência, por conta de uma otite crônica que já estava para afetar até o crânio, e que mesmo a cirurgia não garantia nada, pois ela poderia contrair uma meningite sem operar, ou então uma infecção pós-operatória. "Se corresse, o bicho pegava, se ficasse, o bicho comia". Imagine minha mãe, que sofre de ansiedade generalizada, receber um diagnóstico desses! Passou até a "andar devagarinho" com medo dos ossos internos do ouvido se quebrarem ainda mais e perfurarem o crânio, já tão fino naquela parte, corroído por infecções. Foi um pânico só. Operação já marcada e tudo, o que a salvou foi a velho hábito de papear na sala de espera: TODOS os pacientes do tal otorrino estavam com operação marcada, pelos mesmos motivos! Mamãe nunca mais apareceu no médico e está viva até hoje, passando muito bem, obrigada, mais de 20 anos depois de tal incidente!

Com relação às doenças psíquicas e mentais, tais como os transtornos de anxiedade e depressão, etc, temos percebido uma "evolução" nos medicamentos (não sei bem se é na qualidade... mas, com certeza, nos preços, que estão cada vez mais proibitivos!). Nos anos setenta, havia os "benzodiazepínicos" (como o Rivotril e o Valium, por exemplo), nos anos oitenta, os "tricíclicos" (Olcadil, Pamelor, Anafranil etc), os "Beta Bloqueadores" (como o Propanolol/Inderal), os "inibidores da MAO - não sei praticamente nada sobre esses medicamentos, a não o fato de que são fortíssimos e que o seu uso faz com que a pessoa não possa comer certos alimento e que interagem de maneira perigosa com praticamente todos os outros medicamentos, sei que os remédios contra Doença de Parkinson fazem parte desta "família"-, até surgir, na década de 90, se não me engano, a "droga da felicidade" ("droga" no sentido de medicamento, obviamente), o Prozac, da família dos "inibidores de recaptação da serotonina". Segundo os laboratórios, a mídia e os médicos, era o fim da depressão e da ansiedade! Todos passaram a receitar Prozac! Depois de uns 10 anos, descobriu-se que não curava nada, no final das contas, e que ia perdendo a eficácia com o passar do tempo (aliás, tanto laboratórios quanto médicos afirmam que todos esses remédios são para uso "a curto prazo"... mas então para que servem se a grande maioria dos casos de depressão e ansiedade são crônicos? Provavelmente alguns poucos que estão sofrendo de uma depressão passageira obtenham bons resultados como, por exemplo, alguém que perdeu um ente querido, ou foi despedido de um emprego que tinha há anos, ou passou por um divórcio e está numa fase difícil da vida, sem que tenha um distúrbio qualquer no cérebro que tenha como efeito a depressão ou ansiedade, sendo esta apenas circunstancial). Aí os pesquisadores descobriram outros, da mesma família, mas supostamente ainda mais eficazes,  tais como o  Aropax, o Luvox e o Efexor, e toma de Aropax, parece que quase todo mundo está tomando (e já me vem à mente o propagandista, com a malinha, deixando na mesa do médico um pacote cheio de amostras de Aropax, juntamente com um calendário, uma caneta, um porta-lápis e um ímã de geladeia - e acabo rindo aqui sozinha, lembrando de mamãe nos consultórios. Quase consigo vê-la piscando discretamente um olho para mim)!!!! (receitaram-me "à força", tive tantos efeitos colaterais que nem gosto de lembrar dos dois anos que tomei essa verdadeira "droga" - agora no sentido de "porcaria" - leia mais na parte intitulada Tentativas de Tratamento). (Obs: não tenho NENHUMA formação em farmacologia ou medicina e não entendo nada de medicamentos, estou só fazendo uma abordagem totalmente leiga e superficial (e nem sei se listei as "famílias" certo, a lista é só a título de exemplo) pois não é meu objetivo aqui escrever um tratado técnico sobre medicamentos para ansiedade e depressão. Só posso falar mesmo dos medicamentos que tomei e do que senti - ou não senti - ao tomá-los. Mais nada. Não dou informações nem orientações a ninguém com relação a medicamentos).

Quando vim aqui para os EUA, foi um custo conseguir que continuassem me receitando o Rivotril, alguns médicos foram até muito grossos comigo, como relato nas "Tentativas de Tratamento". Queriam porque queriam que eu tomasse o Aropax, pois este era o novo "medicamento maravilhoso". Alegavam que o Rivotril não cura depressão e eu estava muito deprimida. Além disso, Rivotril causava dependência. Concordo que estava mesmo deprimida (e estou, pois tenho depressão crônica) e que o Rivotril causa uma dependência terrível (mas eu já estou dependente de qualquer jeito!). Está certo que ele já não faz o mesmo efeito "milagroso" do início, mas sei muito bem como é o processo de começar a tomar um novo medicamento: temos que começar com uma dose pequena, ir ao médico quase toda semana para controle, ir aumentando a dose, monitorar se está havendo efeitos colaterais indesejados, se está havendo melhora significativa, e isso tudo leva tempo - até se encontrar o remédio e a dose eficaz. Só que eu sou aqui sozinha para cuidar de uma casa (cozinhar, lavar, limpar - não se tem empregadas, faxineiras e nem cozinheiras aqui nos EUA, a não ser que você seja milionário) e de um filhinho de 3 anos, o que não é tarefa pouca (muito pelo contrário!). Como posso "arriscar" sentir efeitos colaterais, que podem ser horríveis, tais como tontura, desorientação, irritabilidade, etc, se tenho que interagir com uma criança desde que acordo até a hora que vou dormir (pois não temos grana para creche)? E, pelos mesmos motivos, não é prático ter que ir a médico com frequência, pois aí meu marido teria que tirar dias de folga para me levar e cuidar de nosso filho enquanto estou no consultório, etc, etc. Os médicos insistem também em psicoterapia, mas aí estou fora mesmo! Prefiro ir "tocando o barco" com o Rivotril, pelo menos me ajuda a ter uma boa noite de sono, a ficar UM POUCO menos nervosa, a ter menos sintomas de síndrome das pernas inquietas e, embora diminua minha libido, não a suprime por completo, como aconteceu quando estava tomando o Aropax! Dos males, o menor!

Francamente, já estou cansada desses "medicamentos revolucionários e milagrosos" que prometem maravilhas e, depois, "se transformam em sapos". Lembro de como tínhamos esperanças com relação ao Prozac e todo o "carnaval" que a mídia fez em torno dele. Iria solucionar todos os nossos problemas, era o fim da depressão e da ansiedade... Algumas pessoas ficam revoltadas com esse meu atual ceticismo, a ponto de me insultarem em foruns e comunidades da internet. Não estou pedindo a ninguém para fazer o que faço ou pensar como penso. "Mas se não pudermos acreditar nos medicamentos e tratamentos, o que será da nossa vida?", muitos dizem. "É preferível morrer!", alegam alguns. Eu estou tentando é ACEITAR minhas limitações.... ajuda de remédios, sim, mas não ir logo "pulando" e me entusiasmando por tudo quanto é medicamento novo que aparece no mercado. Além do mais, nunca se sabe quais serão os efeitos a longo prazo, simplesmente porque os remédios são novos, só o tempo dirá! Vejam o que aconteceu com o tratamento da menopausa. Por muitos anos as mulheres tomaram hormônios para "suprir a falta" causada por esse processo totalmente natural do corpo feminino, com o qual mulheres vêm convivendo sem precisarem de suprimentos hormonais por milhares de anos. Agora descobriram que a reposição hormonal pode ter sérios efeitos colaterais, tais como tromboses e acidentes vasculares cerebrais (derrames, como se chamava antigamente). Aí é um alarme geral, nega aqui, atenua ali, exagera acolá, médicos se dividem, controvérsias pululam.... E tem sido assim com todos os novos medicamentos, e é até natural que seja. Sempre somos cobaias em se tratando de novos remédios ou tratamentos! Só quero é ter o direito de escolher se quero ou não ser uma cobaia! Ah, e também quero saber TUDO o que se refere ao remédio que o médico está me receitando, que não escondam os efeitos colaterais ou me enganem com relação a eles. Quando me receitaram o Rivotril, só disseram que estava apresentando ótimos resultados em tratamento de fobias e síndrome de pânico, mas "esqueceram" de me dizer que diminuía a libido e que provocava dependência. Na caixa desse tipo de medicamento sempre diz "PODE causar dependência".... isso é muito vago! Ou causa ou não causa!!! Alguns fatores variam de pessoa para pessoa, mas outros não!  Na bula (e também nos anúncios), diz que o Aropax PODE causar problemas de libido EM ALGUNS CASOS. Isso NÃO É VERDADE, pois já conversei com dezenas e dezenas de pessoas em todos os lugares, tanto pessoalmente quanto pela internet, e TODOS relataram o mesmo problema de supressão total da libido ao usar medicamentos dessa "família". O negócio então deveria ser trocar a frase para "Em alguns casos pode ser que não cause problemas de libido". Só peço SINCERIDADE! Temos o direito de saber! Mas sei que os médicos vão alegar que, se falarem sobre possíveis efeitos colaterais, a pessoa vai ficar influenciada e vai começar a sentir todos. Conheço médicos que orientam os pacientes a nunca lerem as bulas dos medicamentos. É um risco que se corre, mas não se pode é fazer o paciente dar "um mergulho no escuro". Toda vez que comento com algum médico que perdi por completo a libido com o uso do Aropax, ele faz cara de espanto, como se fosse só comigo que acontecesse. Por que esse comportamento??? Será mesmo que eles não sabem o que os remédios podem causar? Se não sabem, deveriam saber! (mas sei que eles sabem muito bem...). Comecei então a achar que os médicos faziam tanta questão de receitar os novos medicamentos porque estes são muito caros, enquanto que o Rivotril é um remédio bem baratinho... Será que é pressão da poderosa indústria farmacêutica? Lei de Lucia: Virou indústria, estamos ferrados! Nunca mais saberemos se algo é bom ou não, pois a pergunta é se algo dá lucro ou não dá... Será que um dia vão encontrar a cura para a ansiedade? E, se encontrarem, será que vão ter a coragem de divulgá-la? Será que valemos mais do que canetinhas, calendários, ímãs de geladeira e, em alguns casos, jantares em restaurantes finos ou viagens com tudo pago para ilhas caribenhas? Tomara que sim!

E, por falar em cobaia, estou com uma tremenda impressão de que somos todos ratinhos de laboratório nos países de terceiro mundo.... tratamentos, remédios e vacinas são usados primeiro nesses países, para então, depois, serem usados nos EUA e na Europa, caso sejam eficazes. Nunca ouvi falar de vacinas contra alergias aqui nos EUA.... e tomei inúmeras vacinas no Brasil, e posso dizer que melhorei bastante com elas. Será que ainda estão em "fase de teste"? Aliás, os americanos são muito desconfiados com relação a vacinas. Muitos têm pavor a elas. Há rumores de que a vacina tríplice causa autismo. Cientistas negam, dizem que foi coincidência começarem a aparecer milhares de casos de autismo justamente quando se começou a usar a vacina. Mas ainda paira uma duvidazinha no ar, isso eu posso constatar. Todo mundo da minha geração (e anteriores) foi vacinado contra varíola, e tem a marca característica no braço para provar. Aqui nos EUA os cientistas dizem que a vacina é perigosíssima e só deve ser aplicada em casos extremos, pois tem efeitos colaterais que podem até levar à morte. Alguém já ouviu falar disso no Brasil? Também só fiquei sabendo aqui, quando fui vacinar meu filho, que a vacina SABIN pode, ela própria, causar a pólio (mesmo que isso só aconteça raríssimamente) pois contém o vírus ativo. Aqui nos EUA usa-se a SALK, que contém o vírus inativo. Alegam que não usam a SABIN aqui porque a pólio já está irradicada, enquanto que no Brasil ainda não está, então o ínfimo risco é justificável para evitar um mal maior. Outra coisa que me causou muito espanto foi um novo tipo de biópsia que está sendo usado no Brasil já há alguns anos. Descobri sobre isso quando um ginecologista, com base numa mamografia mal tirada, detectou que eu estava com um nódulo no seio esquerdo e que precisava fazer uma "punção" ou "biópsia", encaminhando-me para a clínica especializada. Foi explicado que era uma técnica de se inserir uma longa agulha (a área é anestesiada), guiada por um ultrassom, até o lugar do nódulo e "sugá-lo" com uma seringa. Graças a Deus não precisei fazer, pois foram tiradas novas mamografias na clínica especializada e não havia nódulo algum. Para meu total espanto, assistindo ao noticiário aqui nos EUA há uns 2 anos atrás, estavam falando sobre uma "nova técnica de se fazer biópsia, ainda em fase experimental, que parece ser mais eficaz pois menos invasiva do que uma cirurgia, mas que, como ainda estava em fase de testes, só estava sendo aplicada em um único hospital nos EUA inteiros!!! Quando descreveram e mostraram o vídeo, tratava-se daquela técnica de agulha guiada com ultrassom que, ao que parece, já vem sendo usada no Brasil faz um bom tempo! Será que o Brasil está mais adiantado do que os EUA em termos de medicina? Acho pouco provável... Então só me resta pensar que os brasileiros (e também africanos e asiáticos) estão servindo de cobaias... Ainda sobre as vacinas contra alergias, conforme comentei, nunca ouvi falar delas aqui nos EUA, mas, em compensação, existem dezenas de medicamentos (uns que exigem receita médica, outros não) antialérgicos, o principal deles: Benadryl, que é receitado também para casos de insônia... Agora mesmo, chegada a primavera, somos verdadeiramente bombardeados na TV com anúncios de antialérgicos. Mais uma vez me pergunto... será que não interessa aos fabricantes de antialérgicos que as pessoas melhorem ou até mesmo fiquem curadas de certas alergias tomando vacinas? Será que preferem que a pessoa sofra de alergia crônica e continue tomando os antialérgicos pela vida toda. Pelo que já pude perceber, antialérgicos aqui são um negócio e tanto, pois americanos adoram flores e, por conta disso, o índice de pólem é muito alto na primavera (o noticiário dá até índice de pólem no ar todos os dias), o que causa uma verdadeira epidemia de alergias respiratórias.... e uma avalanche de propagandas de remédios para combatê-las. Será que mais uma vez está valendo a "Lei de Lucia"?

E voltando aos nossos queridos pesquisadores... eu vivia sempre fazendo graça de papai por não acreditar em "pesquisas". Explico: um dia dizia no jornal que manteiga fazia muito mal à saúde, pelo alto nível de colesterol e não sei mais o quê. Margarina era a opção saudável. Mas, anos depois, vinham dizer exatamento o contrário, que a margarina é que fazia muito mal, que a manteiga era melhor. Agora existem os "transfats" os "ômegas 3" e um monte de outras coisas que só confundem a cabeça da gente. Reclamava com papai: "você está gagá, está falando bobagem!!! Eles são especialistas, eles é que sabem, fazem pesquisas e descobrem coisas, temos que confiar neles." Papai dava um muchocho e dizia que eram todos uns idiotas e que não sabiam de nada. Resolvia, então, deixá-lo com "suas esquisitices". Aqui nos EUA, quase todos os dias vejo no noticiário os "pesquisadores" descobrirem coisas totalmente opostas com relação a tudo. Um dia, o chocolate é excelente para a saúde, e inclusive ajuda muito nos casos de ansiedade.... Dias depois, o chocolate é um verdadeiro veneno. A mesma coisa com o café, com as verduras que estão cheias de pesticidas (e, por isso, temos que comprar as "orgânicas", que são muito mais caras), o leite que está entupido de hormônios, etc, etc, etc. No dia seguinte dizem tudo ao contrário. No início, estava acreditando em tudo que os pesquisadores descobriam, até meu marido começar a rir de mim e a se comportar do mesmo jeito que meu pai... e aí comecei a ler cronistas respeitados de jornais de grande circulação fazenco comentários parecidos com os de papai... então, ele não estava "gagá" como eu pensava? Eu é que estava sendo ingênua? Isso sem falar nas pesquisas totalmente inúteis ou hilárias e totalmente sem sentido. A explicação que parece fazer mais sentido? Bom, os pesquisadores são pagos para pesquisar, não é mesmo? Então, mesmo que não haja nenhum objeto de pesquisa, têm que inventar alguma coisa para justificarem sua existência e seu salário, não é! E lá vai a população sair em marcha, usando fitinhas, para angariar fundos para mais pesquisas...

ATENÇÃO! Como já dizia o Richard Bach, no livro "Ilusões", tudo o que escrevi aqui pode estar errado. São só especulações de alguém que gosta de "pensar na vida"... A Teoria da Conspiração também é uma faca de dois gumes, pode muito bem ser usada "ao inverso", para manipular a população, causar medo, desacreditar instituições, etc. Baseando-se em teorias de conspirações, muitas religiões são fundadas e se tenta desacreditar tantas outras, só para dar um exemplo prático... Isso me faz lembrar a Homeopatia. Já conversei com muitos médicos homeopatas (a minha cachorrinha se trata com homeopatia - e se dá bem com o tratamento!) que juram existir medicamentos homeopáticos para curar ansiedade, fobias, depressão e até câncer... e muitos adeptos da homeopatia me dizem o mesmo. Por que então não é mais divulgada e ultilizada? Segundo os adeptos desses tratamentos alternativos, a indústria farmacêutica e os médicos alopatas "sabotam" a homeopatia, desacreditando-a, é a Teoria da Conspiração e a "Lei de Lucia": Virou indústria, estamos ferrados". Mas... e se for o contrário? E se os homeopatas estiverem justamente dizendo isso para que acreditemos na homeopatia e passemos a desconfiar da alopatia? Coisas da Teoria da Conspiração. Quem está dizendo a verdade, quem está mentindo, quem está se omitindo?

 

("I Want to Believe" "Eu Quero Acreditar")

 

Esta página foi inspirada numa série para TV que ficou muito famosa nos anos 90, chamada Arquivo X. É justamente sobre Teoria da Conspiração, em todos os níveis, mas com enfoque em OVNIs e alienígenas. Fiquei fã da série, e não podia deixar se ser assim, não é, tendo sido exposta a teorias de conspiração desde a adolescência. A série me impressionou um bocado e me identifiquei muito (em "reverso") com a personagem Dana Scully, agente do FBI que trabalhava com o outro agente, o Fox Mulder. Ela, mais cética, ele, mais crédulo e mais propenso a acreditar nas conspirações. Comecei a assistir a série justamente quando estava descobrindo a internet e as salas de chat, em 1997. Nas salas de chat, como também em comunidades e listas, escolhemos um "nickname", um "pseudômino", como se falava antigamente, ou seja, um apelido. Sem saber o que escolher, resolvi adotar o "nick" de Dana Scully. Parecia uma escolha totalmente aleatória, coincidência por estar procurando um apelido e estar assistindo a um episódio da série. Mas, será que existem coincidências? Quando adotamos um apelido, passamos a nos identificar muito com o personagem do qual pedimos emprestados, no final da contas, não só o nome, mas também a personalidade, e até mesmo a aparência. Dana Scully era, em praticamente tudo, o meu oposto - e era tudo o que queria ser e não podia. Uma mulher lindíssima, charmosa, uma agente do FBI, ou seja, medo não fazia parte do seu vocabulário. Enfrentava todas as situações, tinha um emprego de alto nível, enfim, uma pessoa totalmente "bem resolvida". E, ainda por cima, trabalhava com um parceiro muito charmoso também, seu complemento. Ou seja, uma vencedora - em todos os aspectos. A "mulher que vai à luta". E eu? A perdedora, a medrosa, que nunca conseguiu ter um emprego e, consequentemente, estabilidade financeira, que vivia dependendo dos outros para quase tudo, que não lutava por nada e que não tinha um companheiro lutando a meu lado. Como queria ser a Dana Scully! E, de certa forma, consegui ser um pouquinho nos chats... mas isso cria uma verdadeira "comédia de erros", você pensa ser outra pessoa, e se comporta como tal (e no mundo virtual, onde a outra pessoa só pode ver o que você escreve, isso é muito fácil de se fazer) e os outros também associam o personagem a você. Muitos usuários de chat me perguntavam se eu era bonita e charmosa como a Scully! É preciso ter cuidado! Mas isso é papo para outra página, quando avançar na História da Minha Vida.

Mas... conforme falei, como nas moedas, há sempre o outro lado. Será que sou tão assim o oposto da Dana Scully? Está certo que não sou nenhuma agente do FBI, nem poderia ser, mas venho enfrentando cada situação, desde pequena, que exige muito dos fóbicos sociais. Muitos dizem que tive muita coragem de deixar tudo para trás e vir morar numa terra estranha para casar, ter filhos e cuidar de tudo praticamente sozinha, sem contar com amigos ou parentes. Será que, para nós, fóbicos sociais, apresentar um seminário na frente da turma não é tanto ou até mais assustador do que prender um "serial killer", quem sabe, trocar tiros com ele e outros bandidos? Será que não exige a mesma coragem, ou talvez até mais? Muitos dizem que sou uma batalhadora, e tenho que concordar. Estou envolvida em batalhas praticamente 24 horas por dia, a única diferença é que as batalhas estão na minha mente, são invisíveis aos olhos dos outros. Até ir a um cabeleireiro fazer um corte no cabelo é uma batalha... só de pensar, posso ficar noites em claro, ter ataques de pânico, vou adiando, adiando, até não conseguir mais me olhar no espelho e sentir a auto-estima ainda mais baixa por me sentir feia, sem um corte no cabelo descuidado... Ir ao cabeleireiro, para mim, exige uma coragem incrível, maior do que a de qualquer agente do FBI ou da CIA...

  Enfim... esta página, assim como a série de TV, não oferece nenhuma resposta aos enigmas, somos deixados, no final, com mil interrogações... A conclusão é que, pelo menos por enquanto, não há conclusão...

 

 

Será que a terra é mesmo oca????

 

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