A Marca dos Comensais

 

- Kitty seu irmão lhe enviou outra carta? – perguntou Malfoy sentado do lado dela à beira do lago.

- Sim Draco!

- Ele continua preocupado?

- Sim, pede para que eu não saia de Hogwarts em hipótese alguma.

- Acha mesmo que os Comensais podem vir atrás de você?

- Sinceramente, acho que não. Não faço idéia do que querem, até um mês atrás eu nem sabia quem eram esses malditos Comensais da Morte. Sinto tanta raiva por meu pai ter feito o que fez e de ter me escondido tudo.

- Imagine eu então. Sempre soube o que meu pai era e continua sendo. Ele nunca me escondeu e sempre tentou fazer com que eu me tornasse como ele.

- Sinto muito Draco. – Kitty o abraçou – Eu fui criada na total ignorância e você cresceu dentro deste mundo de horror e crueldade.

- Kitty, eu... – tentou dizer Malfoy, ela se afastou e o encarou – Você sabe o que sinto por você e...

- Sim Draco, eu sei, mas... você sabe que eu nunca lhe deu esperanças neste sentido.

- Eu sei! Mas gostaria que soubesse que pode contar comigo. Para qualquer coisa. Depois que a conheci eu mudei muito, acho que me tornei uma pessoa melhor.

- Sim Draco, todos dizem isso. Fico contente de ter contribuído para essa sua mudança, mas quero que continue assim, independente de mim. – Kitty falava sorrindo para Malfoy que percebeu que mesmo não a tendo para si, havia encontrado uma grande amiga.

- Kitty! – era Harry que chegava ao lago – Oh! Desculpe-me, não queria inço...

- Venha aqui Harry! – Kitty o sentou ao seu lado.

Harry e Draco não se suportavam, mas adoravam Kitty. Engoliram o orgulho e ficaram lá, juntos, sentados um do lado do outro, enquanto ela falava.

- E então Donavan correu de meu pai e eu o defendi, fiquei entre os dois e encarei meu pai decididamente, ele olhou nos meus olhos e não fez nada a meu irmão... que absurdo querer bater nele por que ele não respondeu às provocações de daqueles garotos?

- Seu irmão é muito mais novo que você Kitty?

- Não, Harry. Donavan é quatro anos mais velho que eu.

- Mais velho? – espantou-se Draco – E você tem que defende-lo?

- É que Donavan é muito sensível, bondoso e pacato, como minha mãe... meu pai parecia sempre persegui-lo por isso. Mas a mim não... eu nunca me curvei à ele... parece que ele até gostava disso, embora ainda sim me torturasse psicologicamente, me fazendo ver coisas horríveis... mas isso já passou, meu pai morreu e Donavan agora é Auror. Eu quase não acreditei quando ele se formou...Ai! – ela exclamou levando a mão nas costas.

- O que foi? – perguntaram os dois juntos.

- Minha marca, está doendo... e bastante.

- Que marca? – perguntou Draco aflito.

- É uma marca de nascença que tenho nas costas, de vez em quando ela dói um pouco e fica visível. Normalmente não dá para ver, para falar a verdade ela desapareceu desde que meu pai morreu, mas agora... com certeza deve dar para ver.

- Estranho! Foi ao médico?

- Não! Meu pai nunca permitiu, disse que era de família e que não havia problema algum. Nunca dei muita importância, não é nada de mais. Ela até já parou de doer. O pior de tudo é que quando aparece é horrível.

- Como assim? Ela se parece com quê?

- Parece não Harry! Ela é! Uma caveira horrorosa com uma serpente saindo pela boca.

Harry e Draco ficaram atônitos, aquela era a marca dos Comensais.

- Você tem alguma coisa a ver com isso Malfoy?

- Claro que não Potter, ela é minha amiga!

- Então é aquele canalha de seu pai. O que fizeram a ela? – Harry gritava empurrando Draco.

- Não me toque Potter. Você que é o grande herói salvador do mundo é que devia saber. – e retribuiu o empurrão.

- Parem!!! – gritou Kitty assustada com a atitude dos dois.

- O que deu em vocês? Enlouqueceram? Será que não podem conversar civilizadamente? Será que eu... que eu... – Kitty não pôde continuar e começou a chorar.

Os dois se olharam arrependidos, nunca a viram chorar e tentavam acalmar Kitty.

- Perdoe-nos Kitty!

- Nós não queríamos magoá-la.

Ela não parava de chorar, soluçava e tremia toda, estava totalmente descontrolada. Elas tentavam, em vão, fazê-la para de chorar. A crise durou alguns minutos e ela, enfim, foi aos poucos se acalmando.

- Está melhor agora, Kitty? – perguntou Harry.

- Sim, estou! Obrigada!

- Perdoe-nos, por favor!

- Sim! Eu... já estou bem e... A culpa não é de vocês, é que... ultimamente tenho me sentido tão sensível. Qualquer coisa que acontece me dá vontade de chorar. Estou agindo como uma boba. – ela enxugou as lágrimas e se levantou.

- Desculpem-me garotos, não quis preocupa-los. Agora se comportem, não quero que briguem.

Kitty deu um beijo no rosto de cada um e entrou no castelo. Os dois ficaram olhando para ela até que sumisse.

- Essa é a Kitty! – afirmou Harry.

- É mesmo, ela é surpreendente! – completou Draco.

Os dois se olharam, não gostavam de estar juntos e menos ainda de conversar, mas...

- O que faremos a respeito do que Kitty nos disse? – perguntou Draco.

- Devemos contar a Dumbledore. – afirmou Harry.

- E se ele não acreditar?

- Claro que acreditará!

- Ela disse que a marca só fica visível às vezes.

- Então vamos esperar e observar, não contaremos a ninguém.

- Combinado!

Os dois apertaram as mãos, olhando nos olhos um do outro, deram-se as costas e foram cada um para seu lado.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Hermione, como está? – disse Kitty entrando na biblioteca logo cedo.

- Bem Kitty, que bom que está aqui, não a vejo desde sexta na aula de Poções.

- Desculpe-me Hermione, acho que estou tão envolvida com meu amor que esqueci dos amigos.

- Tudo bem! Eu entendo!

- E seu irmão?

- Tome! Leia a carta que ele me enviou esta semana. – Kitty deu a carta a Hermione que a leu atentamente.

- Ele continua preocupado, tem razão de lhe pedir para que não saia de Hogwarts. Ainda bem que você tem alguém aqui, senão acho que não o atenderia e sairia.

- É verdade, só fico aqui porquê quero, aliás, porquê aqui tem alguém a quem quero. – disse Kitty sorrindo. – Mas Hermione, você que é a chefe-dos-monitores, me diga, por que Dumbledore chamou Snape ontem à noite? Ficaram muito tempo conversando, esperei, mas nem o vi voltar às masmorras, estava com tanto sono que adormeci na Sala Comunal.

- Eu... não sei o por quê Kitty, mas... como você sabia que Dumbledore o chamou e por que o ficou esperando? – Kitty empalideceu.

- É que... eu tinha uma dúvida sobre a matéria, fui até a sala dele e o elfo que o chamou me disse. Quero saber tudo muito bem Hermione para assim poder ajudar melhor Neville. Sabe como é... basta ele errar qualquer coisinha que o professor ralha, lhe tira pontos e lhe dá detenção. – Kitty ficou encabulada com a mentira, aliás, meia mentira, pois ela realmente queria ajudar Neville, mas não havia ido até Snape na noite anterior para aquilo. Hermione pareceu acreditar.

- Neville tem sorte por ter uma amiga como você Kitty. – disse Hermione sorrindo e  Kitty o retribuiu.

- Senhorita Wilson? – disse um elfo entrando na biblioteca – O diretor a chama em sua sala.

- Dumbledore? O que será que ele quer? Hermione venha comigo!

- Mas Kitty, ele só chamou...

- Por favor! Tenho uma sensação estranha. Estou me sentindo tão insegura.

- Tudo bem! Irei com você.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Kitty, entre, por favor, vejo que veio acompanhada por Hermione.

- Diretor eu...

- Tudo bem, entrem vamos. Sentem-se aqui.

As garotas obedeceram e ficaram olhando para Dumbledore que lhes sorria.

- Peçam ao rapaz que entre. – disse finalmente o diretor, o elfo obedeceu e foi chamar, na outra sala, quem ele pedira.

Então elas viram um rapaz muito bonito entrando na sala, ele era bastante alto, possuía cabelos negros e olhos castanhos. Quem conheceu seu pai no passado diria que era ele mesmo, remoçado.

- Donavan!!! – exclamou Kitty levantando-se e correndo até ele. Ele deu um grande e forte abraço.

- Que saudades meu irmão! Senti tanto sua falta! – Kitty sorri e beijava seu irmão e nem percebeu que ele estava meio apático.

- Olá Kitty! Como está?

- Agora que chegou estou ótima!

- Diretor, na carta que Kitty recebeu ontem, seu irmão disse que estaria fazendo uma busca importante na Alemanha e que não poderia vir antes de três dias. Como pode estar aqui então?

- Ele mudou de idéia Hermione. – respondeu Dumbledore – Senhor Wilson, ficará em Hogwarts por algum tempo, não é mesmo?

- Sim, senhor diretor, ficarei se permitir. – Kitty vibrou.

- É claro que sim! Ficará hospedado aqui o tempo que quiser, acredito que irá querer ficar na antiga casa de seu pai e a atual casa de sua irmã. Sonserina.

- Sim senhor, é lá mesmo que quero ficar. – respondeu Donavan sorrindo para Kitty.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Kitty, é verdade que seu irmão está em Hogwarts?

- Sim Rony. Ele acabou de comer e está no quarto descansando.

- Onde vai agora?

- Contar a novidade à “alguém”!

- Já sei quem é esse “alguém”. Então vá, não o deixe esperando.

Kitty foi sorrateiramente às masmorras contar a Snape que seu irmão chegara a Hogwarts. Ela tinha que ter cuidado, pois era dia e eles haviam combinado se encontrar mais tarde. Ela bateu a porta como se fosse apenas mais uma aluna em busca de explicação da matéria com o professor, mas por sorte, não havia nenhum aluno lá.

 

- Que bom minha querida! Assim você fica menos preocupada.

- Sim, estou aliviada. Tenho meu irmão perto de mim e tenho você. Meu amor. – Kitty o beijou.

 

Snape olhava sua amada dormir. Ela parecia tão pequena e frágil, mas ele sabia que ela era forte. Snape conheceu Thomas Wilson no passado e sabia o quanto ele era cruel. Kitty contou a ele algumas maldades que seu pai fizera a ela e a seu irmão. Mesmo Kitty sendo mulher e mais nova defendia seu irmão que era a maior vítima de Thomas ou pelo menos o que mais sofria com os maltratos. Snape imaginava o quanto ela havia sofrido e ainda mais com os boatos de que Thomas havia sido o causador da morte de sua esposa logo após o nascimento de Kitty.

Snape prometeu a si mesmo que a protegeria e que não a deixaria sofrer mais. Ele acariciava o lindo rosto dela, então Kitty se virou de bruços e ele ode ver a marca de que ela já havia lhe falado. Ele ficou espantado.

- A marca dos Comensais! – ele exclamou alto, a garota acordou.

- Severo, o que disse? – ela lhe perguntou sorrindo.

- Nada meu amor. – ele tentou disfarçar – Nada!

Anoiteceu e Kitty, a muito custo foi para seu dormitório em Sonserina. Ela estava com muito sono e não queria sair de lá, mas enfim teve que ir, pois havia aula no dia seguinte. Snape ficou pensando um pouco sobre o que vira e resolver contar a Dumbledore. Ele ia saindo, mas ao abrir a porta deu de cara com Harry e Draco. Ele estranhou. Os dois? Juntos?

- Senhor Potter, senhor Malfoy. O que fazem aqui?

- Precisamos lhe falar professor. – se adiantou Harry.

- Agora estou ocupado e com pressa. – e foi saindo da masmorra.

- É urgente! É sobre os Comensais. – disse Harry.

- E Kitty! – completou Draco.

Snape se voltou para os dois.

- Tudo bem! Entrem, vamos conversar.

 

- Então é isso professor Snape. E ela nos disse que tinha uma marca. – disse Harry.

- Que doía muito. – completou Draco.

- Mas só às vezes.

- E então dava ela parecia.

- Snape ouviu tudo aquilo e achou muito estranho. Aqueles dois, confirmando e completando o que o outro dizia.

- Vocês estão parecendo os gêmeos Weasley. – disse Snape deixando os dois encabulados.

- Soubemos ontem à noite, íamos observar primeiro antes de contar a alguém. – tornou Harry

- Mas eu perguntei a ela pela manhã da marca e ela disse que ainda estava visível. - completou Draco.

- Então resolvemos contar a alguém que...

- Entendesse bem de Comensais.

- A marca dela é igual a dos Comensais professor Snape.

- Não a vimos, mas ela descreveu.

- Eu sei, eu vi. – disse Snape.

- Viu? – perguntaram os dois alunos estranhando. A marca ficava bem no meio das costas, além do limite que a decência permitia que Snape a visse.

- Quero dizer, ela me contou, me descreveu com detalhes e até a desenhou. – Snape estava constrangido. – Eu ia contar a Dumbledore quando chegaram.

- Ah! Então é por isso que ela acabou de sair daqui. – afirmou Draco.

- O quê? – surpreendeu-se Snape – Como sabe?

- Pelo perfume! – respondeu Draco com um sorriso sem graça – É inconfundível!

Harry também notou o perfume, viu que no quarto ao lado, havia uma cama toda desfeita, com vários travesseiros espalhados e lençóis derrubados. Estava bagunçada demais para a cama de uma só pessoa. E o perfume de Kitty... estava por toda a masmorra. Ela devia ter ficado muito tempo por lá. Snape também estava com o cheiro dela.

- “Será que é ele?” – perguntou Harry a si mesmo – “Será que é de Snape que Kitty gosta? Não! Não pode ser. Deve ser impressão minha. Ela jamais gostaria dele.”

- Senhor Potter! – exclamou Snape.

- Sim senhor! – ele respondeu aturdido.

- Venha! Vocês dois me acompanharão a sala de Dumbledore, contarão os detalhes que sabem.

Draco e Harry seguiram Snape até a sala de Dumbledore, lá contaram tudo que sabiam. Dumbledore mandou chamar Kitty e Donavan, pediu que Rony e Hermione viessem também, teria que fazer uma terrível revelação sobre Snape e queria que ela tivesse seus melhores amigos presentes.
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