Pazes, Revelações, Segredos e mais Paixão

 

Kitty e Draco entraram na masmorra, Snape os fitou de maneira casual. Durante toda a semana Kitty o evitou, não dizia nada na aula, não se oferecia para responder suas perguntas, apenas se limitava a fazer as poções junto com Neville.

- Formem seus pares e preparem a poção. – Snape ordenou, todos obedeceram e começaram a usar os ingredientes que ele lhes dera.

Kitty, como sempre, formou seu par com Neville. Desde que se juntaram ele ficou mais calmo e menos desastrado na aula. Kitty lhe dizia calmamente o que fazer, lhe passava os ingredientes e ele fazia. Não tinha erro.

- Mais dois rabos de rato Neville... isso... uma pitadinha de pó de escama de serpente marinha... agora coloque três gotas de sangue de dragão.

- Neville obedeceu, acrescentou o sangue na medida exata, mas ao invés da poção tornar-se vermelha como de costume e ficar quietinha, ela ficou negra e começou a borbulhar incontrolavelmente no caldeirão.

Kitty e Neville se assustaram, nunca haviam errado juntos. A poção borbulhou, borbulhou e explodiu, lambuzando o coitado do Neville.

- Longbottom! – bradou Snape furioso – Seu estupor. Garoto imbecil. Sabia que aprontaria uma, mais cedo ou mais tarde. Paspalhão. Veja só o que fez. Dez pontos a menos para Grifinória. – Snape lhe deu as costas.

- Professor! Ele não teve culpa, eu devo ter passado algum ingrediente errado e... – Snape se voltou a Kitty com um pequeno e mau sorriso.

Ela então compreendeu, ele havia trocado os ingredientes. Assim a poção daria errado, ele humilharia Neville e ela o defenderia, ganhando uma bela detenção.

- Então senhorita Wilson, confessa seu erro. Muito bem! Pela sua... honestidade não lhe tirarei pontos, mas... cumprirá detenção esta noite, às oito horas, nas masmorras.

Kitty ficou furiosa, mas se conteve, apenas se limitou a dizer sorrindo falsamente:

- Bem professor, já que a culpa não é de Neville, vai lhe devolver os pontos. Não vai? – todos os observaram curiosos. Snape não teve opção. Ela era a culpada e não perdera os pontos e então... a contra gosto...

- Sim... devolvo os pontos a Grifinória.

Kitty sorriu para Neville e o ajudou a limpar a sujeira.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

Kitty voltou ao seu quarto após o jantar. Ela estava furiosa, Snape a enganara direitinho. Ela tentou fugir dele, mas não conseguiu, agora teria que vê-lo. Ela revirava seu armário, cada hora colocava uma roupa diferente e se fitava no espelho. Estava ansiosa, não queria admitir, mas estava.

- Droga! Ele já me viu com quase todas essas roupas. Eu devia ter ido a Hogsmeade comprar outras, mas não... fiquei aqui... em Hogwarts... trancada...indo às masmorras escondida visitá-lo... ia... ia... aaaiiiii. – gemeu Kitty - Que saudade! – Kitty ficava lembrando dos momentos deliciosos que viveu com ele, quando a sua imagem do espelho a encarou desafiando.

- Ande logo! Arrume-se bem bonita, vá até ele e diga-lhe que você o quer de volta. Mas terá que ser do seu jeito! E olhe... esclareça tudo e... faça-se de difícil!

Kitty convenceu a si mesma, se arrumou e foi para as masmorras.

 

- Professor Snape, vim cumprir minha detenção.

Snape a olhou entrando na masmorra, sentiu um frio no estômago, um medo. O mesmo medo que sentia quando ela ia até lá no início, para cumprir suas tarefas e ficava o provocando.

- Esta noite irá arrancar a pele de sapos verruguentos senhorita. Venha, estão aqui.

Snape lhe indicou a mesa cheia de sapos verruguentos, mortos e estripados. Só faltava tirar a pele deles. Kitty foi até a mesa e começou sua nojenta tarefa. Snape ficou a observando. Kitty cortava e puxava a horrível pele dos animais sem fazer ao menos uma expressão de nojo. Suas mãos pareciam mais finas e delicadas ainda perto daqueles horríveis animais.

Após algumas poucas horas ela terminou e começou a limpar a mesa. Lavava suas mãos com a Poção Limpa-Tudo e então perguntou a Snape.

- Foi sangue de morcego, não foi?

Snape a fitou sorrindo.

- Você trocou o frasco de sangue de dragão por um de sangue de morcego.

- Exatamente! Vejo que continua uma aluna aplicada.

Kitty teve que se segurar. Estava furiosa, com Snape e com ela mesma. Ela queria abraçá-lo e beijá-lo, mas seu orgulho a impedia. Ela ficou quieta, então ele se aproximou e acariciou os cabelos dela.

- Kitty, quero que me perdoe.

- Perdoar o quê?

- Por eu ser assim. Por detestar seus amigos... eu...

- Eu não tenho que perdoa-lo por isso Severo. Quando vim até você já sabia que era assim, não sabia ainda o por quê era, mas sabia que era.

- Não sabia “ainda”. Então agora sabe? – perguntou Snape assustado.

- Sim, sei. Você persegue Harry e de quebra seus amigos, porquê Tiago Potter, pai de Harry se casou com Lílian, a mulher que você amava... a mulher que você ainda ama.

- Não Kitty! – Snape se aproximou mais ainda dela e segurou seu lindo rosto – Eu não sinto mais nada em relação a ela, há muito tempo.

- Claro! Ela está morta, se estivesse viva...

- Se ela estivesse viva eu já não a amaria mais. Eu mudei Kitty. Muito. Você, para minha sorte, não faz idéia do quanto mudei e meus sentimentos também mudaram.

- Então por que ainda persegue Harry?

- Deixar de amar é fácil, mas deixar de odiar... Isso acabou se tornando um hábito, mas se você quiser eu posso...

- Severo! – interrompeu Kitty – Não me importa se vocês se odeiam ou não.

- Então por que...

- Por quê? Porque não admito que queiram mandar em mim. Sou dona de minha própria vida. Gosto de você assim mesmo, odiando Harry e os outros, sendo injusto e mau para com eles. Mas ninguém manda em mim!

- Kitty, então é isso? Só isso? Você gosta de mim mesmo sabendo que odeio seus amigos, os humilho e persigo? Mesmo eu sendo... fora do padrão que as pessoas determinam como sendo certo?

- Sim, Severo. Gosto de você do jeito que você é! É fácil amar o que é belo e agradável. Eu já lhe disse isso, lembra? Amar o que é diferente ou até... errado, é mais difícil.

- Amar? Kitty você...

- Severo! – ela o abraçou fortemente – Eu vim até você por um impulso, um desejo, mas depois, eu fui te conhecendo melhor. Vi que tinha muitas qualidades, que apesar de se mostrar aos outros sempre frio e cheio de ódio, você é capaz de ser gentil e amável. Você é capaz de me fazer sentir a mais querida das mulheres. – os olhos de Kitty brilhavam para ele.

- Kitty! Você parece tão frágil, como uma pequena bonequinha. Linda, delicada, suave, mas você é muito forte, tem uma vontade inabalável e não se deixa dominar. Vejo agora que nem mesmo eu conseguiria mudá-la.

Snape se ajoelhou e se abraçou a pequena moça.

- Kitty, eu nunca conheci mulher alguma que me desconcertasse como você. Faria qualquer coisa por você. Qualquer coisa. Até deixaria de odiar Potter.

- Não quero que faça isso pr mim, mas se o fizer faça por você mesmo. Eu te amo Severo! Eu te amo do jeito que você é.

- Kitty, eu te amo!

Ela deu um sorriso maravilhoso que aqueceu o coração dele.

- Venha! – ela segurou na mão dele indo a direção ao quarto – Tenho saudades!

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Kitty, tudo bem? Você está com uma cara...

- Não é nada  Hermione. Só estou pensando em uma coisa.

- Em quê?

- Recebi uma carta de meu irmão, Donavan, ele diz estar muito preocupado comigo, está recebendo ameaças de uns sujeitos esquisitos.

- Que sujeitos?

- Deixa para lá! Vamos conversar sobre outras coisas mais animadas.

- Tudo bem! Então me diga, como vai com Timperly e Malfoy?

- Na mesma! Fugir de Timperly é fácil, mas de Draco... além de estarmos na mesma casa, ele é tão gentil, tão solícito... tenho vergonha de magoá-lo. Acho que ele é um bom amigo.

- E seu amor?

- Ah! Estamos muito bem, ele é maravilhoso! Os últimos meses têm sido formidáveis.

 

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- Severo! Chamei-o aqui por um motivo muito importante.

- Qual Alvo?

- Conhece Donavan Wilson?

- Pessoalmente não. Mas sei que ele é filho de Thomas Wilson, com quem estudei aqui em Hogwarts e conseqüentemente irmão de Kitty Wilson minha aluna.

- Sim. Ele se tornou Auror, logo depois que o pai desapareceu.

- Desapareceu? Thomas não havia morrido?

- Ao que tudo indica sim, mas seu corpo nunca foi encontrado. Na época ele fugia de outros Comensais.

- Como assim? Ele também foi um Comensal, nós... – Snape se calou, só a lembrança do que ele foi um dia o deixava triste.

- Parece que ele tinha algo que os Comensais queriam. Ninguém sabe ao certo, mas parece que ele descobriu um modo de trazer Voldemort de volta com todo seu poder.

- Então eles o perseguiram e o mataram por não revelar.

- Sabemos que o perseguiram, mas nunca soubemos de fato se ele morreu. Sabe algo a respeito? De como eles pretendiam trazer seu mestre de volta a vida se precisassem?

- Não Dumbledore, eles devem ter descoberto depois que os desertei. Mas o que Donavan Wilson tem a ver com isso?

- Como Auror e como filho, ele investigou o passado de Thomas e procurou encontrá-lo. Começou a receber ameaças dos Comensais restantes. Eles querem o que seu pai deixou. Ameaçaram matar a ele e... a sua irmã também.

Snape se assustou, levantou-se da cadeira e não se conteve.

- Ameaçaram matar Kitty? – ele percebeu que se exaltara e se sentou novamente.

- Severo... sei que Kitty Wilson o visita todas as noites. – Dumbledore surpreendeu Snape – Não disse nada, pois você é adulto e ela embora jovem é muito determinada. Quero que a proteja.

- Nem precisava pedir Alvo.

- Severo, Kitty Wilson não sabe ainda que seu pai foi um Comensal, nem sabe quem foram. Seu irmão mandou uma carta alertando-a, mas não lhe contou quem de fato são. Acho que você deveria contar a ela sobre ele... e sobre você.

Snape empalideceu, ele não teria coragem de contar a ela tudo o que fez no passado, se ela soubesse, aí sim o rejeitaria.

- Severo! – disse Dumbledore adivinhando os pensamentos dele – A senhorita Wilson o ama do jeito que você é. Conte-lhe tudo. Ela entenderá.

- Alvo... eu... – Snape estava receoso.

- Espere o momento certo e aí conte.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Kitty! – exclamou Snape entrando na masmorra e encontrando sua amada o aguardando.

- Severo! – Kitty foi ao encontro dele, o abraçou e o beijou.

- Aconteceu algo minha querida? – ele perguntou notando a expressão de preocupação dela.

- Sim! Meu irmão me enviou uma carta, ele está preocupado comigo, diz que uns tais de Comensais da Morte estão o ameaçando. Quem são eles Severo? Por que meu irmão os teme?

Snape ouviu a pergunta com tristeza. Teria que lhe contar sobre os Comensais, mais cedo ou mais tarde. Então foi direto ao assunto e contou tudo sobre eles, o que eram e o que faziam. Quando terminou Kitty abaixou a cabeça.

- Meu pai era um Comensal. Não era?

- Kitty!

- Diga-me a verdade Severo. Eu sei que ele era. Certa vez ouvi ele discutindo com um homem estranho, ele bradava que não admitiria ser ameaçado, pois era um Comensal. Diga-me a verdade, por favor.

- Kitty... seu pai era um Comensal da Morte. – concluiu Snape tristemente.

A garota ficou aturdida e abraçou Snape. Ele estava totalmente envergonhado. Contara sobre os Comensais e sobre Thomas, mas escondera que ele também fora um.

- Como ele pôde fazer aquelas coisas terríveis Severo? Como ele pôde? Ele era nosso pai... apesar dele sempre ter sido mau mim e Donavan, eu o amava. Estou tão decepcionada.

- A cada palavra de Kitty ele se sentia o pior dos homens.

- Severo! Severo! – Kitty olhou bem dentro dos olhos dele – Eu te amo! Eu te amo muito, jamais me deixe, por favor.

- Eu também te amo Kitty. Ficarei sempre com você e não deixarei que nada de mau te aconteça.

- Faça amor comigo! – ela pediu docemente e ele não pôde e nem quis evitar.

Snape a tomou para si com uma intensidade muito maior do que todas as outras vezes. Ele a possuiu com muita vontade e volúpia, como se aquela fosse a última vez e demonstrou todo o amor e desejo que sentia por ela.

Kitty recebeu seu amado e toda sua paixão. Ela percebeu que aquele momento era especial para ele e se entregou totalmente às mais quentes sensações que já sentiu. Ela deixou que seus desejos e suas fantasias mais íntimas aflorassem e as realizou com ele.

Sentiram-se total e completamente unidos. Eles eram um só, pensavam como um só e sentiam como um só.

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