Ciúmes, Ciúmes e Ciúmes

 

- Severo? – chamava Kitty acordando – Onde está?

- Aqui, minha querida! – disse entrando no quarto.

- Vem aqui! – Kitty pediu sorrindo e estendendo os braços, ele prontamente atendeu.

- Foi tão bom. Tão gostoso! Adorei te sentir assim, dentro de mim. Foi melhor que ontem. – sussurrava Kitty ao ouvido de Snape.

- Eu também gostei muito. Não imaginei que um dia poderia voltar a gostar tanto de estar com alguém. Você é encantadora.

- E você é ma-ra-vi-lho-so! – Kitty disse isso se descobrindo, deitou-o na cama e o beijou.

- Calma Kitty! Devagar! – Snape sorria enquanto ela se deitava sobre ele e o cobria de beijos e mordidinhas. – Sabe que horas são? – ele a afastou se levantando.

- Não! – disse ela ligeiramente contrariada, queria Snape novamente.

- São cinco horas!

- Já?

- Já. Não sei quanto a você, mas estou faminto, venha. – Snape a puxou da cama – Preparei um chá para nós.

- Que bom! Devo confessar que também estou com fome. – ela se levantou,  colocou sua camisa e foi com Snape para a sala ao lado.

- Que delícia! Estava com mais fome que imaginei. – dizia ela mordendo seus biscoitinhos de chocolate preferidos. – Aqui tem tudo que mais gosto. Como adivinhou?

- Não adivinhei. Eu a observei durante as refeições, percebi que é bastante seletiva.

- Que amor! Severo você é surpreendente.

- Deve se alimentar bem. Quero vê-la bem saudável. – Snape se aproximou, ia beijá-la, mas alguém bateu a porta.

- Quem será?

- Fique aqui. Vou verificar. – Snape colocou sua camisa, ajeitou-se, fechou a porta da sala onde estava Kitty e  atendeu aporta.

- Com licença professor Snape, a Kitty está? – era Draco Malfoy.

- Por que ela estaria aqui? – perguntou Snape assustado.

- Ela me disse que tinha que terminar as tarefas da detenção de ontem.

- Sim! Sim é verdade, ela veio, mas já se foi.

- Puxa! Não a encontro em lugar algum, será que ela saiu de Hogwarts.

- Procure novamente, ela deve ter voltado para Sonserina.

- É, pode ser. Vejo que ela acabou de sair. – afirmou Draco.

- Por que diz isso? – Snape intrigado.

- Pelo perfume dela, ainda está forte. É inebriante! – disse Draco respirando fundo e de olhos fechados – Aliás, tudo nela é assim, o cheiro, os olhos, a boca, os cabelos, o corpo...

- Senhor Malfoy! – disse Snape irritado.

- Desculpe-me professor, mas é que ela anda me deixando louco. Cada vez que a vejo, sinto o coração disparar, mas ela mal olha para mim. Acho que tem alguém. O senhor sabe quem é? – perguntou Draco com uma ingenuidade tremenda, Snape sempre o protegera e auxiliara, quem sabe agora também poderia ajudá-lo?

- Senhor Malfoy, não estou aqui para ficar me metendo na vida amorosa dos alunos.

- Perdoe-me professor, mas eu...

- Com licença! – disse Snape, batendo a porta na cara de Malfoy, que ficara surpreso com a atitude do professor.

Snape caminhou furioso até Kitty.

- Onde já se viu! Aquele fedelho intrometido!

- O que houve? Era o Draco, não era?

- Era! – disse sentando-se ao lado dela.

- O que ele queria?

- Queria saber de você. Veio com uma conversinha sobre seu cheiro, seus olhos,... disse que você o deixava louco e aquelas coisas de quem está apaixonado.

- Draco Malfoy? Apaixonado por mim? Então é por isso que ele veio com aquela conversa de sermos amigos e de irmos tomar chá em Hogsmeade.

- Quando foi isso?

- Hoje pela manhã. Ele quase me pegou entrando no quarto, mas pensou que eu saía dele. – Kitty se lembrou da cena e de tudo o que Draco lhe dissera, começou a rir e Snape ficou indignado.

- Por que ri?

- É engraçado!

- O quê? Você estar aqui com um velho, enquanto um rapaz de sua idade a procura ansioso? – Severo estava magoado.

- Não meu querido. – disse Kitty docemente se levantando e acariciando os cabelos dele – Engraçado é eu estar aqui com o homem mais charmoso e encantador que já conheci, enquanto aquele garoto sem graça fica me procurando.

Snape sorriu, percebeu que ela falava a verdade e a beijou.

Kitty foi, durante as semanas seguintes, cumprir sua detenção e ver Snape. Na verdade ela já deixava tudo preparado pára que ambos pudessem aproveitar a noite. Além de namorarem eles conversavam muito, Snape a encantava com tudo o que conhecia, o envolvimento deles foi ficando cada vez mais forte e os sentimentos também.

- Que interessante Severo!  - dizia Kitty lendo um livro, sentada no colo de Snape – Você deveria ensinar esta matéria, o Moody é... esquisito. Aquele olho dele me deixa nervosa. E lá em Durmstrang DCAT era levada mais a sério. Quero dizer... tinha mais Trevas, sabe?

- Bem que eu queria Kitty, mas Dumbledore acha melhor eu... continuar a me dedicar somente a Poções.

- E este? Quem é? – ela apontou para uma fotografia.

- Este é Quirell, foi professor da matéria aqui, há seis anos atrás.

- Não acredito! Como pode? Ele tem cara de paspalhão e esse turbante ridículo então.

- É minha querida, mas ele, era um servo de Voldemort e quase conseguiu reviver seu mestre, que estava escondido por trás do turbante. – Kitty o olhou intrigada - Eu desconfiei dele e o vigiei, mas foi o Potter que conseguiu dar um “jeitinho” nele.

- Por que desconfiou dele? – Snape ficou constrangido.

- Experiência querida, com a minha idade a gente acumula muita. – brincou disfarçando, ela riu e lhe deu um beijo.

- Aí o Moody o substituiu desde então?

- Não! Veja! – Snape mostrou outras fotos a Kitty. – No ano seguinte foi Gilderoy Lockhart.

- O que é isso? – exclamou espantada - Por que ele andava fantasiado? Era travesti?

- Era o quê?

- Um travesti. Um homem que se veste de mulher e só namora outros homens. – explicou ela. Snape fez uma cara de nojo.

- Bem... apesar de tudo...acho que não era bem isso.

- Ele tinha algum problema?

- Deixe-me ver, um ego do tamanho do mundo, vaidade excessiva, convencimento acentuado, um senso de estética extravagante e falta de caráter. É acho que não tinha problema nenhum. Novamente, Potter o tirou daqui. Coitado, uma pessoa tão boa. – Kitty ria do bom humor que Snape demonstrava ter, só para ela. Isso a deixava encantada e mais apaixonada ainda.

- Depois foi a vez de Remo Lupin, tivemos um desentendimento e eu... revelei a todos que ele era um lobisomem. Errei é verdade, mas ele achou melhor ir embora para não constranger ninguém.

- Coitado, parece tão acabadinho, e essas roupas então... mas até que é bem simpático e bonitinho. – Snape mexeu-se na poltrona, tomou o livro dela e o fechou, estava com ciúmes, ela percebeu.

- Mas, todos esses aí, como professores, incluindo Moody, não chegam nem a seus pés querido. – Kitty o beijou docemente – E imagino que nas “outras coisas” também não. – o sorriso malicioso dela já dizia o que eram as “outras coisas”.

 

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- Kitty! A procuramos o dia todo. Onde esteve? – perguntava Hermione ao vê-la chegar nos jardins.

- Por aí! – respondeu sorridente.

- Vai sair esta noite? É sábado!

- Não, Gina, estou um pouco cansada.

- E o Timperly, te encontrou? – perguntou Harry.

- Não! Estava procurando por mim?

- Estava, que nem doido. – respondeu Rony.

- Que coisa! Ele e o Malfoy, me procurando por toda Hogwarts. Eu mereço!

- Malfoy? Ele também?

- Parece que sim. Desde a semana retrasada.

- Não é dele que gosta, é?

- Claro que não Rony, já disse!

- Vamos ao lago Kitty. Neville nos aguarda.

- Tudo bem. Vamos!

- Ei, deixe-nos escoltá-la. Assim eles nem se aproximarão.

Harry e Rony ofereceram os braços a Kitty, que acho a idéia muito divertida e foi toda sorridente para o lago.

 

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- Severo! Está com uma expressão estranha! Aconteceu algo? – disse Kitty fechando o livro de poesias que lia para ele.

- Sim Kitty, aconteceu.

- O quê? – ela tentou abraçá-lo, mas ele se esquivou.

- Você Kitty, eu a vi, com aqueles dois.

- Eu? Que dois?

- Com o Potter e o Weasley, ontem à noite, indo para o lago.

- Sim é verdade. Estive no lago com eles, Neville e Hermione. O que tem isso demais?

- O que tem de mais? Kitty, você só pode estar brincando comigo. – Snape se levantou da cama furioso – Sabe perfeitamente que eu não os suporto.

- Mas eles são meus amigos. – disse Kitty zangada.

- Não me importa! Não a quero perto deles.

- O quê? – Kitty se levantou também, olhou no fundo dos olhos de Snape – Severo, gosto de você e estou feliz por estarmos juntos, mas não permitirei que queira mandar em mim. Ninguém manda em mim!

Snape a segurou pelos ombros.

- Kitty! Como pode? Como consegue? É amiga deles e se envolve comigo mesmo sabendo que nos odiamos.

- Eles são meus amigos e eu... estou com você. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Respeito suas opiniões e quero que respeitem a minha. – ela se zangara demais, olhou triste para Snape, se vestiu e deixou o quarto.

- Aonde vai? – perguntou Snape a seguindo.

- Para os jardins, fiquei de encontrar Hermione lá mais tarde.

- Espere Kitty! Espere! – Snape a segurou firmemente pelo braço.

- Solte-me Severo!

- Não! Você vai ficar aqui comigo. Você é minha!

- Eu não pertenço a ninguém! – disse soltando seu braço da mão dele – Acho melhor pararmos por aqui!

Kitty deu as costas a Snape e saiu das masmorras.

 

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- Kitty? Aconteceu alguma coisa? Você esteve estranha a semana toda.

- Aconteceu Draco, mas não se preocupe, não é nada.

- Qualquer coisa que faz você ficar assim me preocupa Kitty. – Draco a olhou tristemente – Você... brigou com seu namorado, não foi?

- Nossa! Está tão na cara assim?

- Eu andei te observando Kitty. Sou monitor-chefe de Sonserina e... sei que o encontra todas as noites.

Kitty o olhou espantada. – “Ele sabe sobre Severo e eu!” – pensou.

- Draco, eu ia para a detenção e...

- Kitty, não precisa mentir para mim, sou seu amigo, de verdade. Sei que ia para a detenção e... depois que cumpria ia se encontrar com ele.

Kitty respirou aliviada. Ele não sabia que era com Snape que ela ficava.

- Draco eu...

- Não se preocupe Kitty, não contarei a ninguém.

- Obrigada Draco! Você é realmente um bom amigo.

- Infelizmente, só um bom amigo. – respondeu Draco abaixando os olhos –Mas sei que você não está feliz, essas noites não tem saído, por isso descobri que brigaram.

- É verdade! Brigamos e eu estou me sentindo muito infeliz. Gosto muito dele e sinto tanta falta.

- Por que não vai falar com ele e resolve tudo de uma vez?

- Eu? De modo algum! Brigamos por que ele quis me dizer o que fazer e eu não admito isso. Ninguém manda em mim!

- Se é assim é melhor deixar o tempo passar. Quem sabe ele não te procura.

- É Draco, quem sabe.

- Bem, agora vamos para a aula? Snape não gosta de atrasos e ultimamente ele anda estranho. Está descontando pontos a torto e a direito por aí, até eu estou com medo. Vamos?

- Sim... Vamos!

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