Hogsmeade sem ele...

 

- A que horas acha que vai sair Kitty?

- Não sei. Hoje deverei estripar coelhos siameses, talvez demore um pouco. Acho que entre dez e onze horas sairei. Se quiserem ir sem mim, tudo bem, saímos juntos amanhã.

- De modo algum. – afirmou Harry – A esperaremos.

- Obrigada! Vamos para o refeitório então.

- Kitty Wilson! Espere, espere!

- Olá, Timperly, como vai? – perguntou Kitty sem entusiasmo algum.

- Muito bem agora que a vejo. Tome! Isto é para você. – Timperly lhe estendeu uma pequena caixa de presente e olhou com um certo desprezo para Harry e Rony.

- Obrigada, não precisava ter se incomodado.

- Não vai abrir?

- Claro! – Kitty abriu a caixa e viu uma gargantilha com um pingente, nele havia gravado a letra  F.

- F? É lindo Timperly, mas meu nome começa com K. – Harry e Rony levaram as mãos às bocas tentando segurar o riso.

- Mas o meu começa com F. Quero que o use quando eu a levar para sair.

- Sair? Nós?

- Sim! Algumas garotas me disseram que esta noite será ótima em Hogsmeade, parece que alguém vai cantar em algum bar de lá. Gostaria que fosse comigo.

- E porque não vai com elas?

- Elas bem que queriam. Aliás, todas sempre querem Mas prefiro ir com você. – Timperly disse isso convencidamente, fazendo Harry e Rony o encararem com cara de nojo.

 Kitty olhou bem para ele pensando: “Como é convencido esse garoto”.

- Sinto muito Timperly. – ela pegou a mão dele e lhe devolveu o presente – Harry e Rony já me convidaram. - Kitty pegou nas mãos de Harry e Rony e foi para o refeitório.

- Kitty, você é demais! – exclamou Rony.

- Além de eu não querer sair com ele, detesto que me digam o que fazer. Já imaginaram que ridículo eu saindo com ele coma a letra do nome dele pendurada no pescoço? Louco!

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Senhorita Wilson! Veio mais cedo.

- Sim! Hoje irei a Hogsmeade e não quero sair muito tarde, meu amigos me aguardam.

- Então comecemos logo, coloque estas luvas e pegue esta faca, mas cuidado, é bastante afiada, abra a barriga dos coelhos-siameses, estripe-os  e coloque tudo neste balde.

- Sim senhor! – Kitty despiu sua capa e Snape viu que ela havia conseguido o milagre de usar uma roupa mais decotada e provocante que as outras.

- Eca! O que este bicho comeu? – disse Kitty abrindo o primeiro coelho-siamês.

- Eles costumam cheirar mal assim mesmo senhorita.

E Kitty os estripava, além do cheiro sua tarefa parecia não causar repugnância. Ela falava o tempo todo, contava de sua vida, de seu pai e seu irmão. Fazia perguntas a Snape, às vezes maliciosamente o deixando constrangido.

- Veja só este! É um bebê ainda, nem teve a oportunidade de crescer. Pobrezinho! - Kitty pegou o horrível coelho-siamês e o segurou nos braços como se fosse realmente um bebê. Snape viu a cena e achou estranho, os coelhos-siameses eram horrorosos. Eles têm duas cabeças e oito patas, parecem dois coelhos destorcidos, grudados um no outro.

- Tem pena deste animal tão horrível?

- Claro! É só um bebê! E além do mais, não é porque ele é feio que não pode ser amado, ele também é... ou era um ser vivo. Amar o que é belo é fácil.

- Feio! Realmente, é difícil amar o que é feio. As pessoas sempre procuram a beleza,  cordialidade, simpatia, coisas assim.

- Nem todos as pessoas.

- A maioria então. – corrigiu Snape.

- Não eu! - Snape a olhou surpreso, o que ela estava tentando lhe dizer?

- Mas como a maioria sempre vence...

- Junta-se a ela!

- Não! Apenas não entro em conflito, deixo que façam o que querem e assim eles me deixam fazer o que eu quero.

- Não gosta de ser mandada senhorita?

- Não! Em hipótese alguma. Ninguém manda em mim!

- Mas obedece as regras do colégio.

- Eu me submeto a elas por que quero, decidi vir a Hogwarts, gostei do lugar e quero viver bem aqui.

- E se houvesse alguma regra que  não gostasse?

- Iria embora!

- Decidida e determinada como seu pai.

- Por favor, não me compare a ele.

- Não gosta?

- Meu pai era um tirano. Trancava a mim e meu irmão, nos impediu de ver o mundo e nos mandou a Durmstrang contra nossa vontade. Ele sempre nos oprimiu e torturou. Embora eu o amasse quando estava vivo nunca gostei de ser comparada a ele.

- São motivos para não gostar da comparação.

- Realmente não gosto. Mas, também pareço com minha mãe.

- É verdade! Fisicamente são muito parecidas.

- Estudou com ela também. Não é mesmo?

- Sim. Ela era de Corvinal, mas foi na mesma época.

- Como ela era? – perguntou Kitty se aproximando.

- Bem, eu... não tive muito contato com ela, mas as pessoas diziam que ela era muito afável e... bondosa.

- Ela era bonita? - Kitty sabia que se parecia muito com sua mãe e quem a conheceu no passado dizia que Kitty era mais bonita ainda.Mas ela queria saber a opinião se Snape.

- Eu... – hesitou Snape.

- Diga-me, ela era bonita. Não era?

- S-sim... era muito bonita. – respondeu finalmente.

Kitty lhe sorriu e se aproximou mais ainda.

- Eu sou muito parecida com ela. – disse quase sussurrando – Então também devo ser bonita.

Snape se assustou com a aproximação dela, se afastou e foi até a mesa verificar o trabalho da garota.

- Só faltam três! É melhor terminar logo, ou não poderá sair.

Kitty voltou a sua tarefa, estripou todos os coelhos, limpou toda a sujeira e deixou tudo ajeitado. Alguém bateu a porta da masmorra, Snape foi atender.

- Senhor, perdoe-me. – era um elfo doméstico – Pediram para que eu trouxesse isso à senhorita Wilson. - o elfo estendeu um grande buquê de flores e uma caixa de presentes. Snape normalmente não toleraria esse tipo de coisa, mas eram para Kitty e ele estava curiosíssimo para saber quem as enviara.

- Senhorita Wilson, mandaram-lhe... isso. – Snape entregou as flores e a caixa para Kitty, que pareceu contrariada.

- Não acredito! Aquele fedelho, idiota, intrometido, convencido. - Snape estranhou a atitude dela. As mulheres adoravam receber flores e presentes, mas Kitty estava furiosa.

- Não gosta de receber flores, senhorita?

- Gosto! Adoro! Mas gosto de receber de quem me interessa e não desse pirralho. Que ousadia a dele, mandar-me flores e presente, aqui, na detenção. – Kitty começou a jogar as flores uma a uma na lareira – Não saio com criança.

Snape deu um pequeno sorriso de satisfação. Ela olhou para a caixa e notou um cartão, abriu-o e leu em voz alta.

- Querida Kitty, espero que mude de idéia. Se mudar, estarei a esperando no Três-Vassouras. Dispensei todas as outras só para ficar com você. Use meu presente.Sinceramente, Frank Timperly.

- Moleque abusado! – exclamou Kitty jogando a caixa e o bilhete ao fogo.

- Moleque, senhorita Wilson? – disse Snape se aproximando dela – O senhor Timperly tem a sua idade.

- O que para um homem, é ainda ser moleque. – ela lhe abriu um largo sorriso e disse maliciosamente – Sabe professor Snape, prefiro os mais velhos, já disse isso a ele, mas não adianta, ele não larga de meu pé.

Snape se afastou de Kitty, ela foi atrás dele, ia tocar seu ombro, mas recuou e apenas lhe falou.

- Será que eu posso me arrumar na sala ao lado? Trouxe minhas coisas, não quero ter subir a Sonserina e depois descer novamente.

- Claro! – respondeu Snape, ele queria ver o que ela iria fazer.

- “Mas ela já está linda”. – pensou o professor – “Pensei que já estivesse pronta, o que será que vai fazer?” - em alguns minutos Kitty se aprontou e saiu da sala.

- Que tal? Fiquei bem? – perguntou a bela moça, dando voltinhas para Snape admirá-la. - Kitty colocou um vestido curto e coladíssimo, que marcava todas as suas curvas, o decote era generoso e modelava seus maravilhosos seios. As alcinhas do vestido eram tão fininhas que parecia que iriam arrebentar. Ela usou uma maquiagem suave, apenas para realçar seus belos traços e caprichou mais ainda no perfume que deixava Snape inebriado. Kitty ria e rodopiava em frente do embasbacado professor.

- Então, me diga. O que achou? – insistiu ela.

- Está muito bem senhorita, fará sucesso em Hogsmeade, com certeza ganhará muitos admiradores.

- Mas quem eu quero não estará lá! – disse Kitty com um ar de insatisfação.

Snape se admirou. “Então ela gosta de alguém! Mas porquê então fica fazendo e dizendo aquelas coisas? O que ela pretende?”

- Gostaria de vir professor Snape? Harry, Rony e Hermione me aguardam, mas podem esperar mais um pouco.

Snape ficou espantado. Aquela garota estava convidando-o para sair? Em Hogsmeade? Com seus amigos?

- Não senhorita Wilson. Obrigado!

- Não quer vir mesmo ou é pelos meus amigos?

- É melhor não senhorita. Tenho muito que fazer... não fica bem nós... eu... eu sou muito velho para esse tipo de coisa. – ele estava totalmente constrangido.

- Ah! Que pena! Então vou indo, amanhã pego minhas coisas, sim? Obrigada professor e... Boa noite!

- Boa noite senhorita Wilson!

 

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- Kitty! Até que não demorou em sair e já está pronta!

- Sim Hermione, foi rápido.

- Uau!!! Você está um estouro e que perfume!

- Obrigada Rony! Gina não pode vir mesmo?

- Não! Só o último ano tem permissão para sair todos os fins de semana.

- Então vamos! Aqui em Hogwarts faz mais frio que em Hogsmeade.

- Também! Com este vestidinho! – observou Harry – Tome, use minha capa.

- Obrigada Harry!

 

Snape ficou em sua masmorra pensando. Queria entender aquela garota. Ele não compreendia o porque dela fazer aquelas coisas tão... tão provocantes, que o deixavam sem ação. E o que ela dizia então?

- “Se ela gostava de alguém, não deveria dizer aquelas coisas. Dava a impressão que ela...”

Snape não conseguia tirá-la da cabeça. Ficava lembrando de seus olhos azuis e de sua boca. Aquele sorriso o tirava do sério e os olhos dela então? Eram tão sedutores. Ele ficou pensando nela por um bom tempo, até que adormeceu na poltrona em frente à lareira.

 

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- Hoje isso aqui está muito chato! – exclamou Kitty.

- Acha mesmo? Não está muito cheio, mas está animado.

- É que quem ela quer, não está aqui Harry. – observou Rony – Nós não somos suficientes.

- Desculpem-me, adoro a companhia de vocês. Mas... é que hoje eu queria estar com ele.

- Diga-nos quem é Kitty. Quem sabe não podemos ajudá-la?

- Não Hermione, não posso! Nem mesmo ele sabe o que sinto.

- Diga a ele então! Convide-o para sair.

- Eu o convidei hoje, mas ele não quis vir.

- Hoje? Você não saiu e nem mandou uma coruja, então só pode ser de Hogwarts. Quem é?

- Não digo Rony.

- É alguém se Sonserina? – perguntou Harry.

- Bem... não adianta. Não digo!

- É de Sonserina! – exclamou Rony – Quem é Kitty? Só pode ser o Malfoy!

- Malfoy? Aquele pó de arroz metido? Gosto dos canalhinhas Rony. Mas ele? Não tem nada a ver.

- Gosta de canalhas? – perguntou Hermione espantada.

- Não é bem assim. É que os certinhos às vezes são tão irritantes, gosto dos mais fortes e decididos.

- Kitty, Kitty! A cada dia que passa, eu a acho mais louca ainda. – todos riram do comentário de Rony.

- Ai!!! – exclamou Kitty.

- O que foi?

- Nada não! É uma marca que tenho nas costas, às vezes ela dói.

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