Simpatia Sonserina
- Depois de terminarem a poção, coloquem-na no frasco e guardem-na até a próxima aula. Ela deve ser descansar por três dias para fazer efeito. - Kitty ficou quietinha a aula toda, se limitou a prestar atenção na aula e a observar o professor.
- Vamos Kitty? – perguntou Harry vendo que a amiga não se levantava.
- Ficarei aqui, preciso falar com o professor.
- O quê? Enlouqueceu?
- Podem ir, ficarei bem.
- De modo algum, ele vai acabar com você, ficaremos aqui.
- Harry Potter não preciso que ninguém me proteja. Vão, sei cuidar de mim mesma. - Harry, Rony e Hermione saíram a contra gosto.
-
Professor Snape? – chamou Kitty.
- Senhorita Wilson, se pretende tentar me convencer a não lhe subtrair os pontos e a não lhe aplicar detenção, esqueça.
- Não é isso professor. Só vim lhe trazer este... livro
Kitty colocou sobre a mesa um grande livro.
- O quê? – exclamou Snape surpreso - Como conseguiu? É um livro extremamente raro!
- Era de meu pai, professor.
- Thomas Wilson.
- O senhor o conheceu?
- Estudei com ele, mas o que quer?
- Quero lhe mostrar isto.
Kitty abriu na página onde falava sobre cérebros de Mus e lá dizia que poderiam substituir sempre e em qualquer hipótese o cérebro de Macaco-Louco da Birmânia, bastava diminuir a quantidade pela metade.
- Viu só? Eu li todo o livro, sabia que estava certa.
- E agora vem me esfregar na cara? – perguntou Snape bravo.
- Não! Só quis esclarecer, achei que o senhor poderia ter se enganado, afinal é humano e como qualquer um pode errar. - Snape se conteve, realmente a garota estava certa e ele errado.
- Não se preocupe professor, não quero saber dos pontos e cumprirei a detenção, afinal o desrespeitei.
- Senhorita eu... – Snape ficou envergonhado.
- Olha, eu queria lhe dizer também para não se preocupar com as provocações dos alunos. Principalmente quando falam de seus cabelos, eles são oleosos e pronto. O senhor os lava duas vezes por dia e eles continuam assim, eles têm que aceitar.
- Como sabe que os lavo duas vezes por dia? – Severo estava admirado.
- Pelo cheiro!
Kitty se aproximou dele sorrindo, colocou a mão esquerda no ombro dele, se ergueu nas pontas dos pés e cheirou os cabelos de Snape.
- Pela manhã e logo depois ao almoço, fica mais forte.
A garota estava tão perto de Snape que se ele virasse o rosto, seus lábios se tocariam, ele sentiu os seios dela roçarem nele e ficou sem ação. Ela se abaixou e se afastou um pouco.
- Conheço o cheiro desta poção para os cabelos. E o senhor ainda acrescenta cardamomo, fica mais gostoso ainda.
Severo Snape estava desconcertado. Nunca ninguém estivera tão próximo assim dele, nunca ninguém havia notado que ele lavava os cabelos duas vezes por dia com poção para limpar cabelos e ainda mais que ele acrescentava cardamomo. Aquela garota o olhava sorrindo, seus olhos azuis eram tão belos que o hipnotizaram.
- Professor? – ela chamou o acordando do transe.
- Sim senhorita... é... eu...
- Olha! Vou deixar o livro com o senhor, sim? Não tenho onde guardá-lo em meu dormitório, quando eu quiser lê-lo posso vir aqui. Não posso?
- Claro! Pode vir quando quiser. – respondeu sem jeito.
- Ótimo! Assim posso conhecê-lo melhor.
Kitty subiu as escadas correndo e na porta se voltou para Snape.
- Ah! Professor troque o cardamomo por pó de acinom, ficará melhor ainda. – ela deu uma piscadela e saiu deixando para trás um Severo Snape confuso e constrangido.
- Kitty, tudo bem?
- Tudo bem Harry! Eu não disse que podia me virar sozinha?
- Veja se não falta nenhum pedaço dela Hermione, ele pode ter arrancado.
- Rony, pare com isso!
- O que falou com ele?
- Era sobre minha detenção, bobagem. Vamos?
- Vamos, mas o Timperly está atrás de você. Veja o que ele lhe mandou.
- Não! Eu disse que não vou sair com ele. – Kitty pegou o envelope da mão de Rony e tirou uma fotografia de Timperly, que sorria com ares de superior. Kitty pegou sua varinha e apontou para a foto.
- Incendio! – a foto se reduziu as cinzas.
- Ele está inconformado. Basta ele estalar os dedos que as garotas correm atrás dele. – contou Rony.
- Mas esta garota aqui não. – disse Kitty com as mãos na cintura.
- É, mas ele não vai desistir.
- Ah, Rony! Deixe. Vamos tratar de um assunto mais importante.
- Qual?
- O fim de semana! O que faremos? Vamos sair?
- Você é doida mesmo Kitty. Disse ao Timperly que iria ficar estudando e agora quer sair, ele a verá.
- Que veja! Só queria me livrar dele e além do mais não devo satisfação a ninguém.
* * * * * * * * * * * * * * * * *
- Venha Hermione. Vamos nos sentar aqui! – disse Kitty arrumando uma bela mesa no Três-Vassouras.
- Cinco coquetéis de fruta e champagne, por favor. – pediu Rony.
- Não! Só quatro, quero suco de asa de fada, com bastante canela.
- Você não bebe Kitty?
- Não. Não gosto de nada que me altere os sentidos. Não gosto que ninguém mande em mim, muito menos uma bebida.
- Oh-oh... Vejam quem acabou de chegar. – Rony apontou para a porta.
-
Frank Timperly. – disse Hermione.
- E ele está vindo para cá. – observou Harry.
- Kitty! Você não ia estudar com Hermione e Gina?
- Sim Timperly. Já terminamos e os rapazes nos convidaram para sair.
- Por que não me chamou? Nós poderíamos ter saído todos juntos e... – Kitty o olhou com uma cara de tédio.
O rapaz parou, percebeu que a bela moça não queria sair com ele.
- Bem, desculpem-me, com licença. – Harry e Rony sorriram um para o outro.
- Não acredito! Eu definitivamente não acredito Kitty! Você dispensou o garoto mais assediado de Hogwarts. – exclamou Hermione.
- Deve ser por causa do tal sujeito que a interessou.
- Isso mesmo Harry. Ele vale por mil Frank´s Timperly.
- Uau! Que deus é esse?
- Ah, Hermione, desculpe-me, mas é segredo meu.
O restante da noite foi bem animada e agradável. Rony tentara arrancar de qualquer maneira o nome do rapaz que encantara Kitty, não obteve sucesso.
- Kitty, você acha que vai ficar em qual casa?
- Acho não, Harry. Eu sei em qual ficarei.
- Qual? Nos diga.
- Rony, a única coisa que lhes direi agora é que não é Grifinória.
- Não? Por quê? Não gostou de ficar conosco?
- Não é isso Hermione. Adoro vocês, mas devo ficar na casa que combina mais com meu jeito. Não importa para onde vou, continuarei sendo amiga de vocês.
- Bem, pelo menos não perderemos todos aqueles pontos. – observou Harry.
- É, são quinhentos pontos que você conseguiu fazer o Snape arrancar de sua casa. Acho que não será muito bem recebida Kitty.
- Não importa Rony. Já tenho os melhores amigos que poderia encontrar. Vocês!
- Senhorita Wilson. – falou McGonagall – aproxime-se, será selecionada agora.
Kitty se levantou, se despediu de seus amigos e caminhou até a frente do chapéu-seletor. Ela parou, colocou as mãos na cintura e o encarou com um sorriso. Ele lhe falou, surpreendendo a todos, antes mesmo de ser colocado na cabeça dela.
-
Vejo que sabe o que quer,
ninguém lhe diz o que fazer. É a dona de seu coração e traça seu próprio
caminho. Sem sombra de dúvida é totalmente, completamente, definitivamente... Sonserina!
Kitty se limitou a olhar para Snape e sorrir-lhe. Acenou para os Grifinórios e caminhou para a mesa de Sonserina.
Todos ficaram surpresos, achavam que ela iria para Grifinória. Os Sonserinos ficaram abismados, além da presença da moça amiga de Grifinórios iriam perder quinhentos pontos, que o próprio Snape, diretor de Sonserina lhe tirou.
- Com licença! – disse Kitty se sentando ao lado de Malfoy.
- Preste bastante atenção garota. Nós temos nossas próprias regras aqui, a mais importante delas é não confraternizar com Grifinórios, as outras você vai aprender com o tempo.
- Olha aqui Malfoy, preste bastante atenção você. Ninguém manda em mim! Muito menos um pó-de-arroz feito você.
- O quê? Pó-de-arroz? Eu?
- Isso mesmo, agora fique quietinho que estou morrendo de fome. – ela pegou um belo copo de leite e um pedaço de brownie de chocolate.
Malfoy bufou, não podia discutir com ela na frente de todos os professores, contrariado calou-se.
- Hermione, Harry, Rony. Esperem! – gritava Kitty correndo atrás de seus amigos.
- Kitty! Virá conosco então! Como foi com os Sonserinos? – perguntou Hermione
- Foi bem! São um pouco secos, mas me trataram bem. Vamos para a aula de Poções, não quero deixar o professor esperando.
- Nem eu. – afirmou Rony esfregando as mãos – Quero ver a cara do Snape, ele nunca desconta pontos de seus alunos e agora perdeu quinhentos.
- Ele deve estar tiririca, aposto que está todo descabelado.
- Harry, Rony. Não sejam bobos. Aposto que ele já esperava por isso.
- O quê? Você é doida Kitty, definitivamente doida. – concluiu Rony.
- Realmente, achar que o Snape esperaria que você fosse para Sonserina, se ele esperasse por isso, não lhes tiraria tantos pontos. O Snape é...
- Senhor Potter! Eu sou o quê? – era Snape que chegava silenciosamente e surpreendera os alunos.
- Professor Snape! Eu estava dizendo que... que...
- Ele estava dizendo que o senhor é um professor muito competente. – cortou Kitty – Austero, mas competente!
Kitty falou olhando para ele, seus olhos azuis o deixavam tonto e apenas se limitou a dizer.
- Vão para a sala, começarei a aula em breve.
- Sim, professor. – respondeu Harry - Mas... que cheiro é esse?
- É mesmo. – concordou Hermione, cheirando o ar – Que gostoso!
- É de semente de acinom, bom não? – respondeu Kitty, puxando seus amigos – Vamos, lhes contarei para que ela serve e como pode ser utilizada.
Kitty sorriu para Snape e foi para a sala de aula com seus amigos Grifinórios.
A aula transcorreu muito bem. Snape não tirou pontos de ninguém, apenas ralhou. A sala ficou satisfeita, aproveitou a aula e saiu. Somente Kitty ficou, para saber de sua detenção.
- Professor?
- Senhorita Wilson. Pois não, o que deseja?
- Saber o horário de minha detenção. O senhor me deu duas semanas interiras. Com o senhor.
- Bem, eu andei pensando e... acho que...
- O que é isto? – perguntou Kitty pegando um pergaminho que caíra da mesa – Ah! É o horário da detenção, deixe-me ver, hum... hum...
Snape ficou sem jeito, pensou em retirar a detenção da garota, não por ela ser da Sonserina agora. Mas pelo modo amistoso com o qual ela o tratara na última aula. Os pontos ele não poderia retirar, não ficaria bem, mas a detenção sim. E além do mais a presença dela o deixava nervoso.
- Argh! Estripar coelhos siameses na sexta e degolar verme de narina de dragão na outra quarta. O senhor vai fazer o que com esses ingredientes? Poção Contra o Veneno do Basílico?
- Sim! Exatamente! Como a conhece?
- O livro, se lembra? Eu o li de fora a fora.
- Sim, é verdade. Aquele livro é excelente.
- Então professor Snape, a que horas devo vir para a detenção? – ela falava com as mãos na cintura, o que a deixava bastante sensual.
- Bem... às... às...
- Assim que terminar o jantar. Que tal? Descascar bulbo de lírio selvagem não é ruim, mas vai demorar, o senhor pediu trinta quilos.
- Sim. Depois do jantar está bom.
- Ótimo! Se eu terminar logo ainda poderemos conversar um pouco. Então até mais à noite professor.
Kitty subiu as escadas e foi ao encontro de seus amigos.