Meu filho não!

 

- Kitty, sabemos sobre sua marca, mas nem mesmo seu irmão soube nos dizer como a conseguiu. Esta é uma marca exclusiva dos Comensais da Morte, saberia nos dizer algo mais a respeito do surgimento dela?

- Não, diretor. Meu pai sempre me disse que eu havia nascido com ela. Ela sempre esteve presente comigo, às vezes doía, mas desde que meu pai morreu que eu não a via mais. Somente quando vim para Hogwarts que pude senti-la novamente de vez em quando. Mas... desde ontem à noite que ela surgiu e não desapareceu mais.

- Bem, quero que conte tudo, absolutamente tudo o que sabe sobre essa marca, todas as vezes que a sentiu doer e quando ela apareceu e desapareceu ao professor Snape. Ele talvez possa descobrir algo, pois entende muito de Comensais. – determinou Dumbledore.

- Sim, diretor. – concordou Kitty e deu um pequeno sorriso a Snape.

- Agora eu gostaria de ouvir novamente seu irmão. Senhor Wilson pode nos contar com mais detalhes o que sabe?

- Hermione, - sussurrou Kitty sorrindo – por que Dumbledore pediu para que eu contasse tudo a Snape? O que o faz um especialista em Comensais? Já foi Auror?

- Não, Kitty! Você não sabe? – respondeu Hermione – Snape foi um Comensal, o maior deles.

Kitty não conseguia acreditar. Severo? Comensal? Era terrível, ele a enganara. Ela se voltou para ele, então sentiu o chão faltar sob seus pés, sua vista ficou turva e ela desabou no chão, desacordada.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Como ela está Papoula? – perguntou Dumbledore a enfermeira de Hogwarts. Assim que ela desmaiara eles a levaram a enfermaria.

- Está bem diretor. Quando ela acordar saberemos ao certo o que tem. – Madame Pomfrey voltou a cama de Kitty. Dumbledore puxou Hermione para perto de Snape e lhe perguntou:

- Hermione, sabe o que aconteceu com ela?

- Não, diretor, ela me fez uma pergunta eu apenas lhe respondi, era  sobre o professor Snape. Eu disse que ele fora um Comensal, ela se virou e desmaiou.

Snape recebeu essa notícia com uma profunda tristeza. Dumbledore disse:

- Senhor Wilson, por favor, vire sua irmã e mostre-nos a marca.

- Mas diretor, a garota está desacordada.

- Oras, Papoula, o irmão dela está aqui, ela está com professores e amigos e é urgente.

Donavan obedeceu, virou Kitty de lado, suspendeu sua camisa e mostrou a todos a marca. Harry e Draco perceberam um certo sorriso de satisfação em Donavan.

- Você viu, Potter, o irmão de Kitty? – cochichou Draco.

- Sim, Malfoy. Estranho, não?

- Não fui com a cara dele desde o início!

- O que será que ele esconde?

- Não sei, mas vou tentar descobrir algo com meu pai.

- Vai lhe contar sobre Kitty e a marca?

- Não exatamente. Sei como obter o que quero, Potter. Assim que eu tiver a resposta o chamarei. – Draco Malfoy saiu da ala hospitalar e foi para Sonserina. Lá escreveu a seu pai, perguntando a ele o que sabia sobre Thomas Wilson e seu filho, pois havia um reboliço em Hogsmeade sobre o assunto e ninguém lhe dava uma resposta convincente.

- Papoula, acorde-a, por favor. – pediu Dumbledore, a enfermeira passou um pouco da Poção da Consciência em Kitty e ela acordou.

- Calma senhorita Wilson, deixe-me ver o que tem. – disse Madame Pomfrey se aproximando dela.

- Não! – gritou Kitty, saltando da cama e espantando a todos – Estou bem! Não foi nada! – disse sorrindo – Apenas um mal estar.

- Tem certeza? A senhorita desmaiou e ficou desacordada por um bom tempo.

- Estou bem, Madame Pomfrey, apenas... não almocei e me senti fraca. Estou bem agora, garanto. Sou assim mesmo. Não é, Donavan? – ela se apoiou no irmão.

- Realmente. Kitty, às vezes, nos surpreende com algo... estranho.

Madame Pomfrey se conformou e Dumbledore disse:

- Vamos sair todos. Deixemos que Kitty converse com Severo, ela precisa contar-lhe... sobre a marca. – todos saíram deixando Kitty e Snape juntos.

- Kitty, eu...

- Você me enganou. – disse ela o interrompendo – Conotou-me sobre os Comensais e sobre meu pai, mas “esqueceu” de me contar sobre você. Por quê?

- Kitty, eu sempre me envergonhei disso. Vivo martirizado pelas lembranças do que fiz e me culpo até hoje pelo mal que causei aos outros. Como poderia lhe contar?

- Eu não entendo. Por quê?

- A sua reação quando soube sobre seu pai, quando lhe contei tudo o que os Comensais eram e que Thomas era um deles. Kitty, eu tive medo.

- Por quê? – ela insistiu.

- Tive medo de perde-la. Tive medo que você deixasse de me amar, que ficasse decepcionada comigo e não me quisesse mais.

- Severo, eu te disse uma vez que era fácil amar o que era belo, mas amar o que era diferente e talvez até errado era mais difícil. Quando eu lhe disse que o amava do jeito que você era, eu falei a verdade. Eu me apaixonei por você assim que o conheci. O seu modo rude e às vezes até cruel de tratar os alunos nunca me importou, gostei de você assim mesmo. Você me conquistou sendo o que é e não é o passado que vai interferir agora no que você é. Ele já interferiu e não há nada a ser feito. Não me importo com o que fez, não acho bonito ou certo, mas não vou julga-lo. Eu te amo do jeito que você é.

- Kitty...

- Mas, por favor, não me esconda mais nada. – Kitty se aproximou dele e o beijou. Snape se sentiu muito bem. Kitty o amava e não se importava com seu passado.

- Eu te amo, eu te amo, eu te amo. – dizia ela sorrindo.

- Eu também te amo, minha querida, muito. Mas me diga. Você está bem?

- Sim. Estou só um pouco tonta ainda.

- Deveria ter deixado a Papoula a examinar. Por que não quis?

Kitty abriu um imenso sorriso, seus olhos brilharam para Snape e ela disse:

- Como eu ia explicar a todos quando a enfermeira me examinasse e descobrisse que eu estava grávida? O que meu irmão diria? Ele ia querer saber quem é o pai.

- Grávida? Você está grávida? Vai ter um filho meu? – Snape estava contente, pulava de alegria. Amava Kitty, era amado por ela e ainda teriam um filho. Ele a beijava e a abraçava, ambos choravam, mas estavam felizes.

- Descobri hoje, ia lhe contar pela manhã, mas com a chegada de meu irmão fiquei tão desconcertada. Fui até você e... você sabe, fizemos amor a tarde toda. Quando acordamos já era tarde e deixei para contar amanhã.

- Estou tão feliz, minha querida! Jamais pensei que pudesse ser tão feliz assim.

- Eu também, meu amor.

- Assim que resolvermos esta questão de sua marca, falarei com seu irmão, pedirei sua mão em casamento, você se forma em alguns poucos meses, não farão mais escândalo e então seremos mais felizes ainda.

- Oh, Severo! – Kitty abraçou seu amado fortemente.

- Agora temos que nos conter, senão todos saberão.

- Sim! Mas todos perceberão nossa felicidade.

- Então devemos ter calma. – Snape a sentou na cama – Vamos conversar sobre a marca, me diga tudo o que sabe e depois conversaremos sobre nós nas masmorras.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Já terminaram? – perguntou Dumbledore quando viu Snape entrar em sua sala.

- Sim, a senhorita Wilson me esclareceu algumas coisas sobre a marca.

- Como ela a adquiriu?

- Bem, para ter a marca do Comensal da Morte, a pessoa deve se submeter a Voldemort per vontade própria. Como a senhorita Wilson era apenas um bebê, não tinha como saber ou querer isso. Seus pais a entregaram a Voldemort, mais precisamente Thomas, que era seguidor do Lord das Trevas. Provavelmente depois da morte de Tessa ele foi forçado pelos outros Comensais e a entregou a ele.

- Mas por quê?

- Não sei! Talvez para dar continuidade à maldade, às trevas. Talvez Voldemort quisesse perpetuar as trevas através dos filhos de seus seguidores.

- Draco escreveu a seu pai perguntando discretamente sobre o assunto. Provavelmente pela manhã teremos alguma resposta. Agora vamos descansar, amanhã nos reuniremos novamente.

- Sim, Alvo.

- Parece contente, Severo. Kitty está bem?

- Sim! Ela está muito bem! – respondeu Snape com um sorriso de felicidade no rosto.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Potter! – era Draco que chamava Harry no corredor.

- Malfoy! Seu pai lhe respondeu? Descobriu algo sobre Kitty?

- Mais ou menos. Tome, leia a carta.

Harry pegou a carta da mão de Draco e começou a lê-la.

- O quê? Thomas Wilson descobriu uma maneira de trazer Voldemort de volta através de uma criança consagrada com seu sangue?

- Sim. Thomas consagrou um bebê com o sangue de Voldemort. Ele e o Mestre das Trevas descobriram isso e procuraram por uma criança poderosa e forte o bastante para carregar o sangue dele, mas os pais dela deveriam aceitar fazer isso. Ninguém sabe quem é a criança, Thomas não revelou a ninguém se conseguiu consagra-la, mas há pouco tempo os Comensais descobriram que ele havia conseguido. Quando esta criança for adulta e tiver um filho... este filho poderá ser a reencarnação de Voldemort.

- Que incrível! Temos que contar a Dumbledore imediatamente.

- Sim, vamos.

- Harry, Draco. Não deveriam estar na aula agora? Perguntou o diretor assim que os garotos entraram em sua sala apressados.

- Perdoe-nos! Mas é urgente! – Draco estendeu a carta a Dumbledore e ele a leu.

- Então é isso! Thomas Wilson  conseguiu seu intento, conseguiu achar uma criança forte o bastante para receber a maldição de Voldemort. Por isso os Comensais o perseguiram e agora ameaçam seus filhos.

- Diretor... nós achamos que... – disse Harry hesitando.

- Que a senhorita Wilson é esta criança?

- Sim! – respondeu Draco – Achamos diretor.

- Pois eu tenho certeza que é ela. Severo me contou tudo o que ela sabia sobre a marca. Seu pai a entregou a Voldemort.

- Mas e a mãe dela? Dizem que era tão boa. Como permitiu? – indagou Harry.

- Ela não permitiu! – respondeu Dumbledore soturnamente.

Os garotos entenderam o que ele queria dizer.

 

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *   *

 

- Kitty, como está? Ontem ficamos preocupados.

- Estou ótima, Hermione. Nunca me senti tão bem.

- Estou vendo – observou Rony – Parece tão feliz. O que aconteceu?

- Bem... – hesitou a garota – Meu irmão! Ele está aqui, perto de mim.

- É verdade, havia me esquecido.

- Onde está Harry? Não vem à aula hoje?

- Não o encontramos em parte alguma. – respondeu Hermione – Parece que o Malfoy também não veio. O que será que aconteceu?

- Não sei, mas se estiverem juntos, espero que não estejam brigando ou eu irei passar-lhe um belo de um sermão.

- Kitty, eu acho bem improvável que estejam juntos, mas se estiverem, com certeza estão brigando. – afirmou Rony

- Quem sabe não estão se dando bem, Rony? Quem sabe?

- Ah, Kitty. Louquinha como sempre.

Os três entraram na sala de aula e se acomodaram. Todos perceberam que Kitty estava mais contente que o habitual. Snape entrou na sala e começou a aula.

- Hermione. – sussurrou bem baixinho Rony – Você reparou que o Snape está diferente?

- Sim, está mesmo1 Está com uma expressão de felicidade. O que será que aconteceu com ele?

- Sei lá! Acho que torturou alguém antes de vir para cá.

- Rony! Que coisa feia. – repreendeu Kitty fazendo-o se calar.

A aula transcorreu bem, os alunos notaram que Snape estava diferente. Continuava rígido, ralhou um pouco com Neville e com outros alunos, mas estava menos mal-humorado. Ele notou a ausência de Draco e Harry, mas não disse nada. Deixou para verificar depois.

Quase no fim da aula ele recebeu um bilhete de Dumbledore, que lhe pedia para que fosse a sua sala com Kitty, Hermione e Rony.

- Estão dispensados, menos as senhoritas Wilson e Granger e o senhor Weasley. – todos saíram da sala e Snape ficou sozinho com os três – Dumbledore nos chama a sua sala. Parece que Malfoy e Potter descobriram algo. Vamos até lá.

Os quatro partiram até a sala de Dumbledore, lá ficaram sabendo sobre o plano de Thomas Wilson e seu mestre.

- Meu pai fez isso? Ele teve coragem de oferecer uma criança a Voldemort? Isso é horrível, mas... o que tem a ver comigo?

- Suspeitamos, Kitty, que essa criança seja você. – esclareceu Dumbledore. Snape e Kitty ficaram horrorizados.

- O quê? Eu? – Kitty não podia acreditar, seu pai a entregara a seu mestre, a amaldiçoara e seu filho seria a reencarnação do mal.

- Não! Não! Não! – Kitty se abraçou a seu irmão que estava próximo dela – Meu filho Não!

Snape queria consolá-la, mas não podia. Dumbledore percebeu sua aflição e falou a ela:

- Kitty, acho que tem algo a dizer a seu irmão. Não é mesmo?

- Donavan, eu... – Kitty estava confusa, queria contar também que o filho era de Snape, mas não podia ainda – Meu irmão, eu estou grávida.

Todos se surpreenderam, menos Snape e Dumbledore. Hermione e Rony ficaram totalmente espantados. Harry nem tanto, já havia percebido que sua amiga estava mudada, andava sensível, um pouco tonta e enjoada. Draco abaixou a cabeça, ficou entristecido, amava Kitty e não era correspondido. Sabia que ela não o amava, amas se contentava com sua amizade. Só que um bebê? Realmente, ela amava outro e estava perdida para ele.

- Grávida? – repetiu Donavan Wilson furioso – De quem? Diga! – bradava ele e começou a sacudir a irmã. Kitty ficou chocada, seu irmão sempre fora tão gentil, bom e tranqüilo. Snape se descontrolou e o afastou dela bruscamente.

- Senhor Wilson! – Snape usou sua voz e letal e o fitou friamente – Controle-se, Está machucando-a. – Donavan recuou, parecia ter medo de Snape.

- Está bem! Ficarei calmo, mas ela terá que me dizer quem é o pai. Quero saber! Eu exijo saber! Quem é?

- Senhor Wilson, isso não vem ao caso agora. – disse Dumbledore – Devemos proteger sua irmã. Parece que falta mais alguma coisa para que o filho que ela espera receba o espírito de Voldemort. Temos que descobrir o que é e impedir que aconteça.

Donavan se calou, não se atrevia a desobedecer Dumbledore e Snape ainda o fitava de maneira ameaçadora.

- Kitty, por favor, aguarde na sala ao lado, gostaria de falar com seu irmão. – Kitty estranhou  o pedido, mas o atendeu, não queria olhar para seu irmão.

- Todos nós estamos aqui por motivos diferentes. Não quero saber quais são. Mas acho que todos concordamos que a prioridade é proteger Kitty dos Comensais. Eles não sabem que ela é a criança que seu pai escolheu e muito menos que está grávida. Aqui em Hogwarts ela estará segura, mas de qualquer forma devemos guardar segredo.

Todos concordaram. Não exporiam Kitty a um perigo como aquele. Ela era forte e corajosa, mas contra os Comensais, nada podia. Dumbledore pediu que fossem para suas casas. Harry, Rony e Hermione foram para Grifinória. Draco, Kitty e Donavan para Sonserina, Snape os acompanhou, queria ficar de olho no irmão de sua amada. Kitty ia à frente afastada, estava magoada com seu irmão e não queria falar com ele.

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