Coração de Gelo   Por: Vanessa SnapeLupin

Capítulo 9 - Os cabeças da Ordem


- Então é isso mesmo, diretor Dumbledore? 
- Isso mesmo, Johantan. Snape foi preso há duas semanas, e o ministério recusa-se e me dar qualquer notícia a respeito dele. Dizem que ainda estão investigando sua ficha, e que ele está detido num departamento privado. 
- Mas o senhor não acredita que a história seja realmente essa, não é, diretor?
- Não, não acredito, Taylor. Todos vocês aqui sabem que os pedaços dessa história não se encaixam. Guiando-se pelas formas de investigação do ministério, e pela dispensável dedicação ao caso de Snape...parece que alguém ali está tornando praticamente impossível a soltura dele...
- O senhor está querendo dizer que alguém no ministério quer manter Snape preso propositalmente? Mas quem faria isso, e por quê?
- Bom, agora eu só posso dar palpites, mas..creio que essa pessoa tenha muitíssimos interesses pessoais em ter Snape inativo..
- Inativo, o senhor quer dizer..
- Em todos os sentidos que você puder pensar, Yori...
- Certo, senhor. E o que o senhor quer que nós façamos em relação a isso?
- Bom, eu não posso lhes pedir mais do que muita atenção. Estejam sempre alertas, que os pedaços desta história mal-contada estão espalhados pelo ministério, e vocês devem encontrá-los. Eu me encarregarei de tirar informações do Conselho..
- E se não encontrarmos nada, senhor? Se esse caso estiver oculto, e não haver forma de libertar Snape através de argumentos..o que o senhor pretende fazer?
- Se eu não conseguir libertá-lo com argumentos, Madison..terei que fazê-lo com minhas próprias mãos..



- Senhor Malfoy, o prisioneiro já foi torturado de todas as formas possíveis, como você ordenou. Mas ele não nos diz nada, apenas alega não ser um Comensal, não estar trabalhando para Voldemort..
- O que definitivamente é uma mentira, comparando-se às investigações do ministério, que provam que Snape está dentro do círculo íntimo de Voldemort. - interrompeu rispidamente Lúcio Malfoy. 
- Isso mesmo, senhor..e o conselho já está impaciente. A toda hora chegam corujas de membros querendo saber como está o caso, se ele confessou alguma coisa.. Dizer-lhes que ainda não conseguimos nada e que estamos tentando está sendo cada vez mais difícil, assim como esconder do ministério as formas que estamos usando para fazer Snape falar a verdade..
- O que o ministério aprovaria como forma de fazê-lo falar algo? 
- Bom..o ministério aprova o uso do Veritasserum, senhor Malfoy.
- Então é o que faremos. Vá agora mesmo até a cela com os outros e dê-lhe a poção. Veremos agora se ele continuará calado.
- Sim senhor, mas..
- OBRIGUEM-NO A FALAR, NEM QUE TENHAM QUE TIRAR-LHE TODO O SANGUE, OU EU AMALDIÇOAREI TODOS VOCÊS!!!
- Sim..senhor..Malfoy..

Afastando-se rapidamente, o homem foi até o depósito de materiais, escuro, empoeirado e cheio de correntes, armas e objetos de tortura. 
Logo já estava se dirigindo à uma das celas no fundo de um dos enormes corredores da prisão de Azkaban, levando na mão um grande vidro contendo um líquido limpido, transparente, e de aparência enganosamente inofensiva.

- Boa noite, senhor Snape! Como vai?
Cumprimentando-o ironicamente, o homem entrou na cela imunda e gelada, onde predominava a escuridão, acompanhado de seus quatro capangas.
Na parede à frente das grades, estava acorrentado Severo Snape. Descalço, com as calças rasgadas, a camisa branca - já negra de sujeira - em farrapos, Snape nada se assemelhava à imagem sempre elegante que apresentava em Hogwarts.
Seu corpo estava coberto de feridas sangrentas, cortes e hematomas, provas da violência e da tortura praticadas contra ele.
Os cabelos, imundos, mais longos e engordurados ao extremo, caíam em mechas escorridas pelo rosto e ombros. Sua pele, maltratada e mais pálida que o habitual, completava a horrível imagem que lhe fazia parecer um fantasma surrado.
- Então você quer mostrar que é forte demais para nós, não é? 
Quase inconsciente, Snape não encontrou forças para responder. Pendia molemente na parede de pedra, onde estava acorrentado em pé pelos pulsos, pescoço e pés.
O homem agarrou Snape furiosamente pelos cabelos e levantou sua cabeça bruscamente. 
- Agora vamos ver por quanto tempo você consegue manter essa mentira deslavada que está contando.
Com a outra mão, o homem virou metade do conteúdo cristalino do vidrinho por entre os lábios trêmulos e avermelhados de sangue. 
Soltando a cabeça de Snape, o comparsa de Malfoy agora apontava a varinha para ele, sussurrando:
- Enervate.


Snape abriu os olhos inchados lentamente, tentando se lembrar de onde estava, e o que estava acontecendo. Reconheceu imediatamente o homem cruel e de olhar assassino à sua frente: Walden MacNair, o carrasco, amigo de Lúcio Malfoy.
Agora entendia. Tudo começava a fazer sentido.

- Severo Snape! - rosnou MacNair raivosamente - Você agora está sob efeito da poção Veritasserum, portanto não poderá mais dizer nenhuma mentira ou ocultar a verdade de nós. Ah, é claro, os dementadores já estão esperando..depois da nossa conversinha, eles virão até aqui para cumprimentá-lo..então, seja educado com as visitas.
O horrível carrasco - que nem merecia ser chamado de homem - soltou uma gargalhada estrondosa e medonha, acompanhado de seus quatro ajudantes. Dando um violento chute nas costelas de Snape, MacNair aproximou seu rosto do dele, ameaçadoramente.
- Agora você vai me dizer, seu imundo, se você é ou não um Comensal da Morte.
O silêncio que se formou na cela só era quebrado pela respiração pesada e irregular de Snape. 
- DIGA! É UM COMENSAL OU NÃO?
- Não.. - Snape dizia com a voz rouca e fraca, quase um suspiro.
- Ah, não é? Mas você esteve frequentando as reuniões do círculo negro de Voldemort, não esteve? 
- Sim...
- ENTÃO COMO EXPLICA ISSO?
- Eu..estou no círculo...- Snape falava como se lutasse consigo mesmo, tentando impedir as palavras que saíam livres por sua boca. - Não sou..um Comensal..eu...espiono..para..Dmbledore..
- O QUÊ??? - MacNair bradou furiosamente. - Espia para Dumbledore?
- Sim..
- Triplu Cruccio! 
O corpo de Snape, em convulsão, sacudia violentamente, batendo com força na parede. Seus olhos negros se reviravam, cheios de dor e desespero, as retinas embaçadas. O sangue escorria livremente de seus lábios, assim como o suor misturado à sujeira que manchava o rosto pálido e vazio de expressão.





- Então o que o mestre desconfiava era verdade! Aquele desgraçado nos enganou..
- Sim, senhor..ele confirmou estar entre os Comensais, mas não ser um deles. Então ele esteve conosco todo esse tempo nos espionando, passando todas os nossos planos e táticas para Dumbledore..
- AQUELE VELHO DEMENTE E MISERÁVEL!!!
- Senhor..o que pretende fazer agora em relação a isso? Informar ao conselho?
- Claro que não, seu estúpido! O que aconteceria se disséssemos ao conselho? Snape seria inocentado e libertado! E uma vez de volta à Hogwarts, ele diria tudo à Dumbledore, e aquele desgraçado arranjaria uma forma de protegê-lo da ira de nosso mestre!
- Então, senhor..
- Então, caro colega..faremos o seguinte: diremos ao ministério que Snape continua dizendo coisas sem sentido, e que aparentemente enlouqueceu com a convivência com os dementadores..mas que, porém, no último interrogatório, ele deixou escapar algo sobre ele ser um Comensal..Assim, o ministério vai querer mantê-lo preso por precaução.
- E quanto ao mestre? 
- Eu vou dizer tudo a ele. Ele saberá o que fazer com o traidor. Vai ser como unir o útil ao agradável para mim, já que Snape ocupa um lugar muito cobiçado entre nós, que com certeza será meu depois que o mestre ouvir o que descobrimos..
- E o que faremos com Snape enquanto isso?
- Deixe que dele eu me encarrego...vá mandar uma carta ao conselho, MacNair, rápido..
- Sim, senhor Malfoy..



- Diretor Dumbledore! Senhor!
- Sim, Madison? - Alvo Dumbledore virava-se para encarar o homem que entrava correndo em seu escritório.
- Acalme-se, você está muito nervoso. Recupere o fôlego..
- Senhor! Descobri algo a respeito da prisão de Snape!
Os olhos azuis e tranqüilos de Dumbledore cintilaram ansiosamente na direção de Charles Madison.
- E o que é, meu caro?
- O conselho foi avisado que Snape está em Azkaban! Parece que ele foi preso permanentemente numa solitária, guardado pelos dementadores! 
Dumbledore estava assustado demais para dizer qualquer coisa, então Madison continuou:
- Dizem que, ao ser interrogado, Snape dizia coisas sem sentido, mas numa das entrevistas, ele deixou escapar algo relacionado à ele ser um Comensal...Os membros do ministério preferem mantê-lo preso por ele ter mencionado sua integração no círculo de Voldemort, mas, pelos boatos que correm, eles acham que provavelmente ele enlouqueceu na prisão...
Agora incapaz de falar, Dumbledore jogou-se numa cadeira, totalmente sem fôlego.


- Ah! Então o que eu desconfiava era verdade!! - um sibilo ríspido quebrou o silêncio da sala escura e deserta.
- Sim, Lorde, suas suspeitas estavam corretas. E agora.. o que o senhor pretende com ele, Lorde?
- Não se preocupe, Malfoy, eu me encarregarei de puní-lo da pior forma possível..mas agora precisamos cuidar do outro traidor, antes que ele resolva seguir os passos deste...enquanto isso, você vai cuidar de Snape para mim..Faça o que eu vou lhe dizer...


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