Coração de Gelo   Por: Vanessa SnapeLupin

Capítulo 5- Sobe e Desce

Capítulo 6 - Conflitos perigosos


- Sim, infelizmente essa é a decisão do ministério, Severo. Quando fui informado, a notícia já estava sendo espalhada e eu nada pude fazer. Você sabe como o ministério anda contra mim ultimamente. Pensam que sou louco, e querem tomar suas próprias decisões. E isso acaba prejudicando..
- Mas, Alvo, o que é que eu posso fazer agora? O ministério estará aqui em pouco tempo, querendo me levar para interrogatório! E eu continuo no círculo dos Comensais! Eles sabem disso! Lúcio sabe! Malfoy não gosta de me ver entre os Comensais, ele tem inveja por eu ser o preferido de Voldemort! Ele quer que eu seja pego, ele deve estar colocando espiões do ministério para confirmar a minha presença entre os bruxos das trevas!
- Sim, Severo, mas..você só está entre os Comensais a meu serviço, espionando Voldemort. O ministério não pode prendê-lo por estar prestando um serviço pelo bem!
- Mas o ministro não acredita em você, diretor! Se você disser a eles que eu estou entre os Comensais a seu serviço, eles não vão querer acreditar! Vão achar que eu estou enganando o senhor! Fudge sabe que eu fui um Comensal! Você se lembra que eu lhe mostrei a marca negra em meu braço? Ele deve pensar que eu sou um bruxo das trevas, e que o senhor está sendo ingenuamente enganado por mim!
- É verdade, você tem razão.. mas o que podemos fazer? Se eu testemunhar a seu favor, o ministério não se convençerá, já que os espiões viram você entre o Círculo Negro.. E aqui no jornal diz que não serão aceitos apenas testemunhos..
- Droga! E agora? Só falta eu ser capturado e preso por falta de provas! Lúcio ficaria encantado em me ver em Azkaban..o lugar de melhor Comensal seria dele..
- Bem, o que podemos fazer é aguardar. Se chegar a sua intimação do ministério, me avise, temos que preparar sua defesa. Enquanto isso, não divulgue o assunto a ninguém, vamos manter isso em segredo.
- Certo. Muito obrigado, Alvo.
- E, Severo..não fique preocupado, vai dar tudo certo. 
- Ah..claro, tudo bem. Obrigado.

Despedindo-se assim de Alvo Dumbledore, Snape saiu do escritório do diretor. Havia recebido no dia anterior a notícia de que o ministério estaria atrás de Comensais da Morte, passando um "pente fino" no mundo dos bruxos. Temendo ser preso, já que era suspeito, Snape passou a noite em claro refletindo como seria a sua situação. Nervoso com a espectativa, Snape desejava muito conversar com Amy, e lhe contar tudo que o deixava aflito naquele momento. Mas a garota não sabia que ele tinha sido um comensal. Ela havia sido muito simpática e amigável com ele, mas qual seria sua reação ao saber que seu querido amigo fora um comensal? O que mais preocupava Snape era que o pai e o irmão de Amy eram Aurores, e por isso havia mais chances de a menina sentir raiva e nojo de Snape. E o que ele não precisava naquela hora era perder sua única e melhor amiga.


Amy ia correndo para as masmorras. Estava um pouco preocupada com Snape. Àquela manhã, sorrira alegremente para ele no Salão Comunal, e ao invés de acenar discretamente para ela, o professor baixou o olhar, com o rosto apoiado em uma das mãos, parecendo preocupado e deprimido. Morrendo de curiosidade para saber o motivo de Snape estar tão "jururu" (foi assim que ela disse à Hermione), ela decidiu chegar mais cedo à aula, para ter tempo de conversar com o professor. 
Ia chegando à sala de aula, quando bateu à porta. Ouviu Snape perguntar em voz baixa:
- Quem é?
- Sou eu, Severo. Amy.
- Entre.
Abrindo a porta devagar, a garota encontra Snape sentado à sua escrivaninha, com o mesmo ar desanimado da manhã.
- Severo, eu queria conversar com você. Posso?
- Claro, sente aqui.
Sentando-se na cadeira indicada por Snape, à sua frente, Amy começou:
- Severo, está tudo bem com o senhor..quer dizer, com você?
- Como sempre, Amy, por quê?
- É que você me pareceu tão triste hoje de manhã. Eu fiquei preocupada, achei que havia algum problema..
- Problema há, mas..
- E qual é?
- Mais uma vez eu vou ter que lhe dizer que não posso contar. Talvez mais tarde, mas agora não é o momento certo.
- Mas..será que eu posso ajudar em alguma coisa?
- Não, Amy. É um problema particular, e no momento me parece até sem solução.
- Por quê? É tão grave assim?
- Talvez seja, Amy..
- Como assim, talvez? Você está me escondendo coisa demais, não acha que isso está errado?
- Amy, eu..
- Eu achei que nós fôssemos amigos, Severo! Ou pelo que estivéssemos nos tornando! Mas se você não me diz nada, como eu posso ajudá-lo nos seus problemas? E se eu não posso ajudá-lo, como estarei sendo sua amiga?
- Não se preocupe, Amy..Eu tenho certeza que você não pode me ajudar, e mesmo que pudesse, é melhor você não ficar sabendo de tudo..
- De tudo? De tudo o quê?
- Do meu passado, da minha vida, Amy! Eu lhe disse que havia coisas na minha vida que a estragaram completamente! E ainda existem as consequências, mas eu não posso e nem quero lhe contar agora! Por favor, entenda!
- Eu não consigo entender...eu não entendo como você não pode me contar algo que se eu souber como ajudar pode melhorar a sua vida! Você por acaso não quer isso?
- É claro que eu quero, Amy! Mas não é fácil assim! Você nem sabe do que se trata e pensa que é uma coisa muito fácil de resolver, e que eu não quero lhe contar de maldade, não é?
- Não é isso, você não entende..
- Você é que não entende, Amy! Eu não posso falar e ponto final! Se veio aqui para me atormentar mais ainda, saiba que já tenho problemas demais! E você não pode me ajudar com nenhum deles, entendeu?
- Você é um idiota! É por isso que todo mundo te odeia! Se quer continuar sendo infeliz, por mim, que continue! Morra de tristeza, se é isso que você precisa! Mas fique sozinho nessa! Você não precisa e nem quer a minha amizade, então continue solitário como sempre, é esse o jeito que você gosta!
Saindo da sala a passos pesados, Amy bateu a porta com força. Sentia o sangue ferver de ódio. Por quê Snape não queria lhe contar nada? Se ele rejeita-a como amiga, ela também não o queria. 
Ofegando, sentou numa escada próxima à sala e ficou esperando o sinal bater, indicando o início da aula.
Dentro da masmorra, Snape se sentia pior ainda do que antes de falar com Amy. Não tivera coragem para lhe dizer de seu passado negro, e que isso poderia levá-lo à Azkaban. Se sentia mal por Amy ter se ofendido e ficado com raiva dele. As palavras da garota doíam em seu peito, que agora se apertava de aflição. Amy poderia ser uma garota frágil, mas suas palavras eram mais fortes e destrutivas que qualquer arma ou maldição. Palavras que ele nunca teria moral e força para rebater. Mas o que ele poderia fazer? Só lhe restava abaixar a cabeça e esperar. 


A sineta finalmente tocou. Pouco a pouco os alunos foram entrando na sala de Snape. Amy esperou até Harry e seus amigos chegarem, e só então entrou na sala junto com eles. Sem olhar para o professor, a menina sentou-se no fundo com os amigos e procurou fazer a cara mais relaxada possível, ignorando Snape completamente. 
A aula começou. À todos os alunos, Snape parecia mais distraído e pensativo, e a um simples erro de um aluno, reagia com mais raiva e mau humor. Todos estavam atentos, temerosos de enfurecer o professor. 
Mais tarde, ao avaliar as poções prontas dos alunos, Snape criticou, como sempre, a cada um deles, mas ao olhar a de Amy, notou que a garota havia feito tudo ao contrário apenas para irritá-lo. Sentiu a raiva de ter sido incompreendido pela única pessoa em quem confiava, além de Dumbledore, aumentar mais ainda. 
Percebendo a raiva do professor, Amy encarou-o desafiadoramente.
- Posso saber, senhorita Lawnder, que diabos é essa poção?
- A que o senhor pediu, professor. Poção contra maldições físicas de primeiro grau.
- Eu sei disso garota atrevida!.. - Snape esbravejou, e ia continuar falando quando Amy o interrompeu.
- Então por quê perguntou? 
- Ora, sua impertinente, não ouse falar comigo assim! Menos dez pontos da Grifinória!
- Como menos dez pontos? Agora deu pra tirar pontos de quem responde as suas perguntas, é? Só pode estar ficando louco!
Com as risadas dos alunos que vieram, Snape sentia seu corpo tremer de nervoso.
- Cale a boca, menina imbecil! Eu quis dizer que a sua poção está completamente errada! E mais dez pontos da sua casa por sua estupidez!
- Se está errada podia ter falado de uma vez! Não precisa ser grosso com ninguém, viu? E pode parar de me xingar, você não tem direito nenhum de fazer isso.
- Detenção e menos dez pontos! E fique quieta!
Amy se levantou, furiosa.
- Você pode tirar pontos e dar quantas detenções quiser. Mas eu não vou aceitar que o senhor me desrespeite dessa maneira! O senhor não é o meu pai!
- Cale a boca e saia daqui agora! Direto para a sala do diretor!
- Eu não vou sair daqui! O senhor só mostra ser fraco abusando dos castigos e humilhando os alunos para mostrar autoridade. Mas eu não tenho medo de um covarde como o senhor!
- MAIS UMA PALAVRA, E A SENHORITA É EXPULSA DESTE COLÉGIO! - Snape berrava, vermelho de cólera.
- VOCÊ É QUEM DEVERIA IR EMBORA DAQUI! SERÁ QUE NÃO PERCEBE QUE TODO MUNDO TE ODEIA? 
Sem conseguir responder, Snape continuou parado na frente de Amy, o rosto demonstrando surpresa e tensão. Amy continuou:
- O COLÉGIO INTEIRO DETESTA VOCÊ, VOCÊ É UM IDIOTA, DESPREZÍVEL! EU NÃO SEI COMO AINDA DEIXAM UM CANALHA CONTINUAR TRABALHANDO AQUI! VOCÊ É COVARDE, CRETINO E TIRANO! É POR ISSO QUE NINGUÉM AGUENTA VOCÊ! NINGUÉM!
A sala mergulhou num intenso silêncio. Snape não se mexia. Seus lábios tremiam e seu rosto estava pálido. Amy ofegava, vermelha, enquanto esperava o castigo do professor. Sabia que seria expulsa, mas não poderia suportar mais aquele homem tão ignorante por nem mais um minuto.
De repente, Snape se dirigiu rápido à sua mesa. Sentou-se e mergulhou uma mão nos cabelos oleosos, apoiando o rosto. Ainda tremia muito, respirando com dificuldade.
Os alunos aguardaram em completo silêncio, esperando que o professor tivesse um acesso ou um ataque cardíaco. Porém, passados alguns minutos, Snape apenas sussurrou:
- Estão todos dispensados. Agora.
A sala se levantou quieta, e todos saíram rápido da masmorra. Amy também saiu, andando lentamente, sob os olhares assustados de seus amigos. Encostou a porta de leve, sentou-se num degrau da escada e disse à Harry, Rony e Hermione, que ainda estavam mudos de susto:
- Vão indo na frente. Eu vou recuperar o folêgo um pouquinho.
- T-tem certeza? É..perigoso.. - Rony ofegou.
- Não, tudo bem..eu já vou indo, só estou um pouco nervosa demais.
- Quer que eu fique com você?
- Não, Mione, obrigada. Eu já vou indo mesmo, podem ir, não se preocupem.
- Está bem, mas não demore.
Os três amigos foram para o salão comunal, e Amy continuou sentada quieta na escada. Pouco tempo depois se levantou e foi se aproximando na ponta dos pés da sala de Snape. Atrás da porta encostada, ela ficou parada ouvindo o que acontecia lá dentro. 
Por um tempo ela ouviu apenas a respiração pesada de Snape, que aos poucos foram se transformando em soluços baixinhos.
Cuidadosamente ela tentou olhar dentro da sala. Observando pela porta entreaberta, ela encontrou o professor, ainda sentado, com a cabeça encostada na mesa, o rosto escondido nos braços. 
Logo Amy percebeu que Snape chorava sentido, os soluços carregados de mágoa e até de desespero.
A garota continuou olhando o professor, que chorava com tanta tristeza que a fez se arrepender de ter agido daquela forma com ele.
Afastando-se da porta, Amy saiu pelas escadas, andando lentamente. Sentia-se horrível por ter xingado Snape daquela forma. E lembrou-se que ele já estava triste antes, por causa do problema, que não queria lhe falar.
Sentia-se uma burra. Havia magoado o professor por causa de um problema que ele não queria lhe falar, por uma estúpida briga, que foi causada por culpa dela. Ela percebeu que não tinha o direito de fazer aquilo apenas por suas próprias opiniões. Se ela tivesse respeitado a vontade de Snape, tudo teria dado certo, e ele estaria mais feliz. 
E ela também, já que ainda teria o mestre de Poções como seu melhor amigo.

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