Coração de Gelo Por: Vanessa SnapeLupin
Capítulo 2- A aula de Poções
Logo ao acordar, e enquanto se vestia, Amy se lembrava: sua primeira aula seria de Poções. Pelo que Harry havia dito, essa aula devia ser um inferno. Estava com medo. Começar seu ano letivo com uma aula macabra não era nada animador.
Mas também, Harry deve estar exagerando. Nenhum professor poderia lecionar em Hogwarts se fosse assim tão assustador. Ele deve ser só rígido, mais nada. Os alunos é que aumentam um pouco. Pensou ela. Mas ela não imaginava que logo seria provado o contrário do que ela pensava...
Depois de tomarem café, Harry, Rony e Mione iam em direção à masmorra de Snape, acompanhados de Amy. Iam desanimados, o mais devagar que podiam andar. Não tinham vontade alguma de entrar naquela sala escura e fria, e ter aula com o professor mais chato que já pisou em Hogwarts.
- Deviam colocar isso em Hogwarts, uma História. - Rony falou - Severo Snape, o professor mais insuportável que a escola já teve em toda em sua existência.
Todos riram, até que Amy sentiu uma mão fria e pesada em seu ombro. Virou-se e deu de cara com o protagonista da piada. Muda de susto, ela nem se mexeu, quando ouviu uma voz fria e baixa dirigida a ela.
- Mal pisou na escola e já quer se exibir ao lado de Potter, dando risadinhas por aí?
- E-eu.. eu...aaa. - Amy estava tão assustada que não conseguia falar.
- Dez pontos a menos para a Grifinória, Senhorita Exibida. Todos pra dentro, nesse minuto.
Os garotos entraram sem uma palavra. Perderam pontos para sua casa antes mesmo das aulas começarem. Amy estava chocada. Acabara de chegar e já perdera pontos, levara uma bronca e descobrira que o professor de Poções não era o que ela tinha esperança de ser. Não mesmo.
Snape entrou logo atrás deles, e foi logo começando a falar sobre a matéria que começariam, sem nem ao menos fazer a chamada.
- Agora faremos misturas de ingredientes em pó, como uma poção solúvel em água, que agirá como uma poção normal. Peguem seus vidros, e veremos como a poção em pó é útil para se transportar... - Sua voz foi interrompida por um baque de vidro se quebrando.
- Longbottom! - o professor se virou para encarar o garoto que tremia amedrontado. Sob seus pés, cacos de vidro se espalhavam pelo chão de pedra fria. - Será que você não sabe nem respirar sem destruir algo! Você não passa de um estúpido aborto! - gritava Snape fazendo Neville tremer da cabeça aos pés.
- Pro..professor...eu...eu.ajudo ele..a limpar.. -A vozinha trêmula de Amy soou pela sala. Furioso, Snape virou-se para ela, limpando os cacos com um aceno da varinha e se aproximando da mesa da garota.
- Como você se chama mesmo, menina atrevida?
- Ahn..A...Amy..Lawnder..p-professor..
- Então, senhorita Lawder, você quer se mostrar de qualquer forma, não é?
- Não, professor. - Amy ganhava um pouco de coragem tentando mostrar ao professor que não fazia as coisas pra se exibir. - Eu só queria ajudá-lo.
- Pois saiba, senhorita, que não preciso de mais uma boa samaritana por aqui. Já temos a Senhorita Sabe-Tudo Granger, que adora ajudar os amiguinhos burros e estúpidos, como Longbottom.
A Sonserina ria, deliciando-se com o ódio grifinório. Mione estava pálida de cólera. Antes que pudesse fazer alguma coisa, Amy se antecipou.
- O Neville não é burro, e nem estúpido, professor. - falou alto, levantando-se da cadeira. - o senhor é que deve assustá-lo tratando a todos assim. O senhor não tem o direito de fazer isso.
- NÃO ME DIGA O QUE TENHO OU NÃO DIREITO, MENININHA METIDA!!! - Snape berrou a plenos pulmões, louco de fúria. Ninguém nunca o havia desafiado assim antes. - Menos quarenta pontos para a Grifinória! E detenção para a senhorita! Essa noite!
Amy empalideceu. Havia ido longe demais. Achava que iria conscientizar o professor apontando seus erros como educador. Mas não foi como ela queria. Ele não admitia seus erros. Era um tirano. Com certeza.
Sem poder dizer nada, Amy se sentou, segurando o choro. Se sentia imensamente envergonhada, por passar por aquilo no primeiro dia de aula, tudo porque tentou acreditar que o professor de poções não era quem os alunos diziam.
Snape, ainda bufando de raiva, prosseguiu rispidamente a aula, sob o som das risadinhas dos sonserinos. Quando a aula terminou, e todos os alunos iam se retirando da masmorra, Snape se aproximou de Amy.
- Esteja aqui esta noite, depois do jantar. Veremos se você vai ter vontade de me enfrentar de novo.
Amy estava ardendo de vontade de dizer que o enfrentaria milhões de vezes, se preciso. Mas não poderia correr o risco de perder mais pontos para a Grifinória. Abaixou a cabeça e se afastou, encontrando Harry e os outros no corredor.
- Amy... - começou Harry - Não fique assim, eu te disse que o Snape era assim mesmo.. Não ligue pra ele, ele faz isso quase todo dia..
- Mas...eu não achei que ele fosse assim... como um professor pode ser tão horrível?
- Não ligue..você vai ver como ele vai agir assim toda hora.. - Hermione consolou-a passando um braço pelos seus ombros, quando Neville se aproximou dela.
- Amy..er..obrigado por me defender do Snape. E me desculpe por você ter tomado detenção por minha causa.
- Tudo bem, Neville. Eu não podia deixar ele te tratar assim.
Amy sorriu levemente, e ainda arrasada, foi com seus amigos para a próxima aula.
O dia transcorreu normalmente, e a professora McGonnagall ainda acalmou Amy, dizendo que ficara sabendo da detenção, e que isso era de praxe vindo de Snape.
Depois do jantar, os alunos foram para seus dormitórios, e Amy, apavorada, foi com Filch para a masmorra de Snape, cumprir sua detenção.
Qunado entrou, viu o quanto a sala era escura e fria vazia. A incrível quantidade de vidros, caldeirões e outros objetos e ingredientes estranhos a fez lembrar de um trem fantasma, que havia visitado num parque de trouxas.
Ainda absorta em pensamentos macabros, não reparou que Snape estava sentando numa cadeira, na penumbra. E levou um susto quando ele a chamou, pedindo para se aproximar.
- Senhorita Lawder, você terá que preparar uma poção em pó, que ensinei nesta aula, para ser diluída em saliva de dragão (Amy sentiu asco quando ouviu aquilo), com o efeito de abrir feridas e criar fungos na pele. E ela será testada em você.
Amy se apavorou. Ela teria que criar feridas e fungos em si mesma? Teria que ir a ala hospitalar depois? Como Snape podia ser tão cruel?
Sem poder argumentar, ela começou a preparar a poção. Ralou várias pedras de rim de hipogrifo, separou pêlos de ratazana, misturou com pó de folhas de visgo do diabo, e estava descascando raízes de plantas carnívoras quando pensou que talvez não conseguisse preparar a poção corretamente, e qual seria o castigo que o professor lhe daria.
Nervosa, deixou a faca escorregar da raíz, e cortou a mão, com um talho que atravessou a sua palma.
Com um grito de dor, largou a faca, e Snape, que estava observando-a, levantou-se e foi até ela.
- Você é muito descuidada. Deixe-me ver.
Segurando as lágrimas, Amy lhe mostrou a mão, trêmula. O corte era profundo, e o sangue pingava na mesa e no chão.
Com uma expressão de gastura, Snape retirou um vidrinho de uma das prateleiras e voltou para perto de Amy.
- Me dê sua mão.
Com medo do que o conteúdo daquele vidrinho poderia lhe fazer, Amy se levantou e se afastou, trêmula de medo. Snape percebeu o seu medo e se aproximou alguns passos dela.
- Essa poção vai curar o seu corte. Venha aqui.
Mesmo assim Amy duvidava. Se Snape queria criar fungos e feridas nela, porque iria ajudá-la agora? Sem se aproximar, Lawnder olhou para a própria mão, que não parava de sangrar. O corte doía terrivelmente, e ela começava a sentir tontura em olhar pra tanto sangue. Apoiou-se e uma cadeira e ficou parada, tremendo, sem saber o que fazer. Deveria entregar seu dolorido ferimento para o maléfico mestre de poções? Ou ir embora correndo de lá, direto pra ala hospitalar?
Mas agora seu corte doia tanto que ela não tinha certeza se conseguiria chegar à enfermaria. O sangue não parava de encorrer, manchando tudo que estava no caminho.
Chegando mais perto de Amy, e segurando seu braço, Snape tentou uma última vez.
- Não tenha medo, eu não te machucar. Deixe-me ajudá-la.
Estranhando o jeito calmo com que o professor lhe ofereceu ajuda, Amy pensou que talvez não tivesse outra escolha, e se sentou na cadeira, estendendo o braço.
Snape sentou-se à sua frente e pegou sua mão examinando melhor o corte. Abrindo o vidrinho pingou três gotas no machucado.
Amy sentiu com aquelas gotas uma queimação e um ardor insuportável entrando em sua pele. Tentou tirar a mão, mas Snape a segurava firmemente.
A dor aumentava cada vez mais, e ia se espalhando pelo corpo de Amy. Ela não tinha consciência do que estava acontecendo, só sentia uma vertigem forte e as mãos de Snape apertando firmemente as suas, como se ele quisesse ajudá-la a suportar a dor horrível.
De repente a dor sumiu, trazendo Amy de volta à realidade. Ela sentia como se tivesse voltado de um longo desmaio, como se pudesse flutuar de alívio.
Sem sentir mais nenhuma dor, e tendo suas forças recuperadas, Amy olhou para sua mão e viu que não havia mais nenhum corte. A poção de Snape havia restaurado seu ferimento.
Aliviada pela poção ter tido efeito positivo, apesar de dolorido, Lawnder nem reparou que Snape continuava segurando suas mãos, fortemente. Nem ele parecia ter notado que o corte se curara.
Quando percebeu que estava segurando as mãos de Amy por tempo demais, largou-as rapidamente, corando um pouco.
- Você está melhor? A poção te ajudou?
- Sim, me curou totalmente..
- Bem, acho que por hoje é o suficiente, pode ir embora, já está tarde.
- Mas....professor, eu ainda não acabei minha poção..
- Pode deixar, eu sei que você iria fazê-la corretamente. Pode ir..
Amy recolheu vagarosamente seu material e arrumou a bagunça dos ingredientes que havia feito. Passando pela porta da sala, antes de ir embora, ela virou-se para Snape outra vez.
- Pro..professor..
- Sim?
- Er..professor, obrigada por me ajudar. Acho que julguei você mal. Me desculpe pelo que eu te disse..
Snape não respondeu de imediato. E Amy não falou nada mais. Os dois ficaram parados, se olhando nos olhos, por vários silenciosos minutos. Até que Snape, nervoso, quebrou-o.
- Tudo bem, todos fazem isso mesmo..
- Como assim, todos?
- Deixa prá lá, é uma história muito longa. Mais tarde você saberá. Agora vá.
Amy sorriu para Snape, e este não lhe deu um sorriso de volta, mas acenou com a cabeça.
Depois que ela foi para o dormitório, Snape foi para o seu quarto e passou quase toda a noite debruçado na janela, pensando no que estava acontecendo com ele. O que havia nela de tão especial que o deixara mudo, paralisado, enquanto segurava suas mãos?
Seriam os seus olhos, tão parecidos com os olhos de quem era seu primeiro e único amor?
Pensando assim, lembrou-se de Lílian, tão bonita e vivaz, que perdera da noite pro dia, e como ainda não conseguira se recuperar da perda.
Fechando os olhos com força, viu o rosto belo e delicado de Amy comparado ao de Lílian.
As duas, tão lindas, pensou.
Talvez fosse hora de parar de viver o passado, de jogá-lo para trás. Mas era tão difícil abandonar a memória de Lílian, à qual Snape havia se agarrado, da qual havia se tornado um escravo durante todos aqueles anos sombrios.
Sim, era hora de deixar o passado. Ele sabia que era. Mas ele tinha medo.