Coração de Gelo Por: Vanessa SnapeLupin
Capítulo 10 - Matar ou Morrer
Os passos apressados de Amy, Hermione, Gina, Harry e Rony cortavam a tranqüilidade dos corredores de Hogwarts. Eles se dirigiam para a sala de Dumbledore, convocados por um bilhete de emergência.
Nas últimas duas semanas, Amy esteve vivendo um constante pesadelo. Mal conseguindo prestar atenção às aulas, ela estava sempre bombardeando Dumbledore de perguntas a respeito de Snape. Mas o diretor nunca lhe dera uma informação sólida do caso, e isso a deixava cada vez mais preocupada e triste.
Seus maus pressentimentos a deixavam abatida e desanimada, causando inquietação entre seus colegas da Grifinória.
Durante todo o tempo em que Snape se encontrava longe, Amy contava com a ajuda e a compreensão dos amigos, que eram os únicos que entendiam o que ela estava sentindo.
Muitas noites, eles se reuniam no salão Comunal da Grifinória, enquanto todos dormiam, para conversar sobre o assunto. Amy sempre insitia que Snape não era mais um Comensal, e que era uma boa pessoa no fundo, o que era confirmado por Dumbledore, já que algumas vezes a reunião era feita na sala do diretor, da qual ele participava e dava suas opiniões e informações a respeito do mestre de Poções.
Enquanto subiam na escada da gárgula de pedra, o coração de Amy palpitava de aflição. Ela adorava ir ver o diretor, já havia criado o hábito de ir sempre visitá-lo, lhe fazer compania, ajudar a organizar livros e papéis, comer biscoitos com suco de abóbora, e conversar muito.
Eram sempre visitas agradáveis e relaxantes, já que Dumbledore tinha o cuidado de estar sempre animando-a e consolando-a das saudades de Snape, que ela tanto sentia.
Com seu sentimento de culpa aliviado, e suas preocupações apaziguadas pelos pequenos momentos de paz dentro da sala do diretor, Amy sempre saía de lá com um sorriso esperançoso no rosto.
Porém, desta vez, ela sentia que não sairia de lá animada nem sorridente. Entrando na sala temerosamente, Amy se sentou, junto com seus amigos, nas poltronas no fundo do recinto.
O lugar estava mergulhado num profundo silêncio, o que aumentava mais a angútia da menina.
Notando a aflição de Amy, Hermione colocou uma das mãos em seu ombro, amigavelmente. Naquele mesmo momento, Dumbledore apareceu ao lado dos garotos, e sentou-se perto de Amy.
- Bom, meninos, o motivo pelo qual eu chamei vocês aqui é..que eu...consegui notícias de Severo..
- O QUÊ? - exclamou Amy extasiada - Ele está bem? Vai sair da prisão?
- Não, Amy, eu receio que ele não possa sair da prisão tão cedo..
- Porquê? O que que está acontecendo? Me fala, diretor!!
- Amy..em primeiro lugar..Snape está em Azkaban..
- NÃO!! ELE NÃO PODE ESTAR LÁ! ELE É INOCENTE!!
- Acalme-se Amy..o ministério diz que Severo..bom, que ele provavelmente enlouqueceu na prisão..
Amy estava muda de susto.
- Porém.. -continuou Dumbledore - eles dizem também que, durante um dos interrogatórios, Severo mencionou algo a respeito do fato dele ser um Comensal da Morte..e por isso.o ministério quer mantê-lo preso. Talvez para o resto da vida dele..já que um bruxo louco e supostamente um Comensal deixado em liberdade traria muitos problemas ao ministério..
- Eu não acredito! - Hermione também parecia muito assustada com a notícia, porém mais calma do que Amy, que nem conseguia dizer nada, em choque. - Snape ficou louco?
- Sim, é o que dizem, senhorita Granger.
- E por quê ele diria que é um Comensal? Será que foi por causa da loucura, ou...
- Talvez, não, Weasley.
- COMO ASSIM? ESTÁ INSINUANDO QUE ELE AINDA É UM COMENSAL, DIRETOR? MAS VOCÊ ME JUROU QUE ELE NÃO TINHA MAIS NADA COM VOLDEMORT!!
Rony estremeceu na poltrona, ao ouvir Amy gritar o nome de Voldemort. Dumbledore ia dizer algo, mas Harry o interrompeu.
- Desculpe, senhor, mas..eu não acho que o senhor esteja concordando com isso..está? Quer dizer..essa história..
- Potter, você realmente tem habilidades para se tornar um Auror, sabia? - Harry corou ligeiramente - É verdade, eu..recebi essa notícia hoje mesmo, mas..eu acho quase impossível que Severo tenha enlouquecido em Azkaban..
- Por quê? - Gina perguntou rapidamente, encolhida de susto em seu lugar.
- Por que..Severo já esteve preso em Azkaban três vezes.
Os cinco garotos ficaram em silêncio extasiado. Dumbledore prosseguiu, segurando o ombro de Amy com firmeza.
- Como todos vocês sabem, Severo foi um Comensal da Morte. Ele se uniu à Voldemort aos dezesseis anos. - diante do silêncio mortal em que se encontrava a sala, ouviu-se um "oh!" de Gina. - Porém, aos vinte, alguns meses antes da morte e Lílian e Tiago Potter - Dumbledore lançou um olhar penetrante à Harry - , Snape começou a me procurar. Ele conversou comigo, disse que não queria mais ser um Comensal, que não podia aguentar mais a vida no círculo negro, e que estava arrependido. Eu me senti aliviado e satisfeito com a confissão de Snape, pois esperei e desejei muito o dia em que ele voltaria para nós. Mas eu não podia confiar nele completamente, pois podia ser uma cilada. Não lhe dei informação alguma sobre os Aurores, ou a Ordem da Fênix, apenas disse que, se ele realmente estava arrependido, eu lhe daria todo o meu apoio. Ele foi embora, mas voltou várias vezes depois. Em todas as conversas que tivemos durante a sua deserção do grupo dos Comensais, ele nunca me perguntou nada a meu respeito, ou a respeito dos meus assuntos. Ele me implorou por ajuda, eu notava que ele estava cada dia mais perturbado, distante e deprimido. Ele precisou muito da minha ajuda, o coitado estava com a mente despedaçada. Eu lhe dei instruções de como agir diante de Voldemort e dos Comensais, pois ele não poderia abandoná-los de uma vez só. Se ele simplesmente tivesse desaparecido do círculo negro, Voldemort o teria encontrado e matado. Com a minha ajuda, ele disfarçou suas intenções de deixar o grupo, enquanto nós planejávamos uma forma de enganar Voldemort. Porém, não foi necessário o uso de um plano. Voldemort foi derrotado por Harry Potter, numa ocasião terrível para você, Harry, para todos nós.. Para Severo também, já que nessa ocasião ele foi preso pela segunda vez. A primeira foi quando ele foi flagrado com outros Comensais torturando trouxas. Mas Voldemort convocou uma legião de Comensais, que invadiram Azkaban e libertaram Severo, assim como outros de seu grupo. Mas, nessa segunda vez, eu depus a seu favor, e depois de muito tempo e brigas no tribunal, Severo foi solto. Assim, ele pôs-se ao meu lado inteiramente. Quando algum Comensal perguntava a Snape se ele ainda era um Comensal..ele dizia que sim..isso porque ele tinha que continuar sendo visto como um Comensal..
- Mas por quê, se ele não é?
- Porque..bem, porque agora que Voldemort voltou, Snape continua indo à reuniões do círculo, senhorita Granger..
- Por que ele ainda vai às reuniões dos Comensais? Isso não faz sentido, diretor! - Amy protestou com a voz embargada.
- Porque Severo trabalha para mim como um espião, Amy. Ele finge ser um Comensal para se infiltrar nas reuniões e trazer informações importantes sobre os planos de Voldemort. Foi espionando numa dessas reuniões que Snape foi preso pela terceira vez, há oito anos. Mas depois de algumas explicações, ele foi solto novamente..
- O QUÊ? NÃO PODE SER! Era isso que você queria que Snape me contasse mais tarde?
- Sim, Amy..é isso mesmo. Eu não sabia que a situação chegaria a esse ponto, e creio que, você sendo de uma família de Aurores, seria mais difícil compreender. Por isso ele disse naquele interrogatório que ainda era um Comensal. Suponho que os interrogadores tenham lhe dado Veritasserum...
- Meu Deus.. - Hermione estava escandalizada, e agora abraçava Amy que começava a chorar. A menina protestou.
- Então por que o senhor deixou o ministério prender ele, diretor? O senhor sabia que isso ia acontecer!
- Sim, Amy, eu sabia que lhe dariam a poção da verdade, mas..eu não pude fazer nada. O ministro da magia pensa que sou louco, e não acredita na volta de Voldemort. Por isso ele tem tanto interesse em Severo..
- Ele viu a marca negra no braço de Snape! - Harry interrompeu.
- Sim, Harry, exatamente. Fudge sabe que Snape foi um Comensal, mas sua mente limitada não acredita que alguém possa se arrepender de seus erros. Ele pensa que Severo ainda é um Comensal e que está me enganando, fingindo que está do meu lado.
- Mas..então o senhor não acha que Snape tenha enlouquecido..
- Não, Harry. Sendo a quarta vez que Severo é preso em Azkaban, creio que ele já tenha adquirido certa imunidade contra o poder dos dementadores. É claro que eles o afetam terrivelmente, eu via o estado em que ele ficava quando saía de lá, mas..não a ponto de enlouquecer, como diz o ministério..
- Que coisa..mas então, o que o senhor pretende fazer?
- Eu não sei, Weasley..por isso chamei vocês aqui..para lhes contar tudo isso e para tentarmos achar uma solução para isso. Severo não pode continuar preso, ele é inocente, e não merece isso..Amy, querida, acalme-se... - Dumbledore puxou Amy pela mão até a sua poltrona e a abraçou carinhosamente - Vai ficar tudo bem..
- Mas agora não está tudo bem! Snape está naquela prisão horrível, acusado de algo que ele não fez! Ele é meu melhor amigo, diretor! Eu estou tão preocupada com ele...
Harry viu que os olhos do diretor não tinham aquele brilho caloroso de sempre, pareciam tristemente apagados.
- Ele também é meu melhor amigo, Amy.. e eu me preocupo com ele..mas não sei o que vamos fazer..eu coloquei os cabeças da Ordem da Fênix para investigar no ministério..foi inclusive um deles que veio hoje me dar a última notícia de Snape..
- Cabeças da Ordem? O que é exatamente essa Ordem, diretor?
- A Ordem da Fênix, Harry, é formada por um grupo de Aurores que lutam contra os Comensais da Morte e Voldemort. Os cabeças são a inteligência da Ordem. É seleção de bruxos que investigam os Comensais e seus planos. Algum dia, se vocês se tornarem Aurores, farão parte dessa ordem. O seu pai e seu irmão, Amy, são da Ordem também. Os dois foram mandados, com outros Aurores, para destruir um foco de agrupamentos de Comensais na França que estava crescendo perigosamente..
- Em falar nisso, diretor, o senhor acha que meu pai e meu irmão ainda estão me batalha?
- Provavelmente sim, Amy, por quê?
- Porque..desde que eles viajaram, eu tenho mandado cartas a eles, contando tudo que está acontecendo, mas..eu não recebi nenhuma resposta até hoje.
- Bom, talvez eles estejam protegendo o local onde estão com um feitiço anti-coruja..
- Anti-coruja? O que é isso?
- Um feitiço anti-coruja é feito para impedir que uma coruja entre num determinado local. É para prevenir que as cartas sejam interceptadas, e assim, impedir que informações que podem ser importantes caiam em mãos erradas.
- Exatamente, senhorita Granger. Eles podem ter usado esse feitiço para que os Comensais não percebam sua presença na área, ou para que eles não peguem as corujas e leiam as cartas, que podem conter informações secretas.
- Ah...será que eles vão voltar a tempo para o Natal? Eu queria tanto que o Snape fosse solto e que meu pai e meu irmão voltassem..eu estou com muita saudade deles..
Dumbledore reforçou o abraço na menina, que recomeçara a chorar.
Amy sentia seu coração doer com tanta tristeza. Agora ela não tinha certeza de que veria Snape novamente. E o que ela mais queria naquele momento era abraçá-lo e pedir desculpas pela briga e por tê-lo magoado. Ela também queria abraçar o irmão e o pai..queria dizer a todos eles o quanto sentia sua falta.. o que doía também era ver o quanto os alunos de Hogwarts não se importavam com a falta de Snape. Todos pareciam felizes. Madame Pomfrey dava as aulas de Snape agora, ensinando poções de cura. Ela não era tão boa quanto ele, mas para os alunos era o paraíso.
Dumbledore havia dito aos alunos que Snape estava fora resolvendo problemas com o ministério. Os professores sabiam de tudo, mas não comentavam o assunto com os alunos, e na verdade, nem pareciam preocupados com o colega.
Como Snape dissera na detenção do seu primeiro dia de aula, todos cometiam o mesmo erro de julgá-lo mal. Amy se sentia revoltada pelo desprezo dos professores e pela alegria dos alunos.
Harry também estranhava a indiferença de todos. Justo ele, que odiava Snape, estava participando das reuniões com Dumbledore para tentar ajudar o profesor. Até os sonserinos pareciam não se importar com a ausência do diretor de sua casa. Draco Malfoy até dava risadinhas sarcásticas com seus colegas quando alguém comentava sobre Snape nas aulas. Harry começou a pensar, naquela noite, que talvez Draco soubesse alguma coisa sobre Snape, já que seu pai, Lúcio, trabalha no ministério e faz parte do conselho. Mas, como estava com sono demais para ficar pensando, guardou a questão para conversar com Dumbledore, no dia seguinte,
já que pretendia visitá-lo sozinho.