Capítulo 1 – A proteção das rosas

 

         Naquele domingo de manhã ensolarada, a maioria dos estudantes haviam ido para Hogsmeade. O castelo estava solitário, mas aconchegante com a luz do sol banhando as grandes janelas. Descia as escadas lentamente deixando um sorriso escapar-lhe os lábios. Onde estaria ela? Seria possível sentir tanta felicidade? Precisava dividí-la. Abriu a porta da sala de poções. Estupidez pensou, ela jamais estaria ali numa manhã como esta.

-          Bom dia, Severo...

-          Bom dia, Alvo. – disse ele fechando a porta atrás de si.

-          Bela manhã hoje...

-          É...

-          Soube que a Profª Sprout está plantando algumas espécies novas nas estufas...

-          Mas, o q... – Alvo Dumbledore cantarolava enquanto ia embora.

Cada vez mais ele compreendia o que as palavras de Dumbledore significavam. Ela estava nas estufas, ajudando Sprout. Decidiu então ir até lá, nem que fosse só pra olhá-la de longe. Atravessou então os jardins a caminho das estufas. Observou que o roseiral nunca estivera tão lindo, apesar do frio que fazia naqueles dias que antecediam o inverno. As rosas pareciam brilhar conforme o sol atravessava suas pétalas. Viu alguns alunos mais novos sentados à beira do lago, estes riam e conversavam animadamente.

Mal chegou à porta da estufa, ele a avistou. Ela vinha caminhando em sua direção linda, radiante com várias flores brancas seguradas contra o peito. O leve vestido de lese azul com que estava dava a impressão de que ela sentia muito calor ali.

-          Bom dia... – Ela lhe disse sorrindo. – Venha ver, estamos plantando tulipas do Sri Lanka. – Ela esticou a mão para guiá-lo, mas uma flor lhe escapou. Ele se abaixou pegando a flor junto ao solo. Fez menção de devolvê-la. – Acho que ela prefere ficar com você... – Ela beijou a flor e o puxou pela mão para dentro das estufas.

Ele descobriu então que dentro da estufa estava realmente quente. Ali o vento frio não entrava, somente a luz do sol, que fazia com que a temperatura local subisse. Dinah o guiava dentre os corredores da estufa, até que ela parou. Ele não avistou nem Sprout e nem o provável canteiro de tulipas. Então ela lhe roubou um beijo e pôs-se a andar novamente, ainda o guiando, parecia uma criança que acabara de ganhar um doce. Ele a seguiu e no final de um corredor ele avistou Sprout e o canteiro. A Profª Sprout olhou para ele admirada.

-          Bom dia, Severo, você aqui? – Ele abriu a boca para responder, mas Dinah o fez primeiro.

-          Na verdade, eu o encontrei na porta. Ele pareceu muito interessado nas qualidades desta planta.

-          Ah, então é isso?! – Ela perguntou o encarando e ele balançou a cabeça afirmando. – Bom, Severo, Dinah descobriu que as Tulipas do Sri Lanka tem a capacidade de demonstrar o humor das pessoas. Acho que Dinah deve estar de muito bom humor hoje, pois mal semeou as plantas e elas já afloraram. –Dinah sorriu para ele.

-          Ah, eu tenho um bom motivo. Diverti-me muito na festa ontem.

-          Sabe, Dinah, temos uma reuniãozinha familiar todos os dias das bruxas, então eu não estava na festa. Que bom que você gostou. Ajudei Hagrid a plantar aquelas abóboras. – Disse a Profª Sprout remexendo a terra.

-          Bom, eu estou indo preparar a poção agora. Quer ir comigo? – Ela perguntou a Snape.

-          Claro.

-          Até mais, se a poção der certo eu te trago. – Dinah disse a Profª Sprout.

-          Até mais, Dinah, se precisar de mais é só pedir.

Eles saíram, voltavam pelo mesmo caminho pelos corredores da estufa, quando Snape puxou Dinah pela mão e quando ela se virou ele lhe roubou um beijo.

-          Ei, safadinho...

-          Só estou pegando de volta o beijo que você me roubou. – Ele disse desdenhando o que a fez sorrir.

Eles seguiram caminho para saírem da estufa. Ele não entendia como Dinah agüentaria o vento frio com aquele simples vestido.

-          Espere, Dinah, use minha capa, está muito frio lá...

-          Talvez você me alcance com ela. – Ela falou, então saiu correndo em direção ao roseiral. No caminho ela dava voltas sorrindo, com os cabelos sendo levados pelo vento frio, qual ela parecia não sentir.

Ele não deixou de sorrir ao ver tal cena, pensou que ela devia estar tão feliz quanto ele. Ela então entrou em meio ao roseiral e ele caminhou para a mesma direção. Ao chegar lá, viu que Dinah sem problemas estava abrigada pelas rosas, sentada sobre um largo banco de madeira.

-          Você não sente frio? – Ele perguntou.

Dinah deixou as tulipas sobre o banco e levantou-se para abraçá-lo.

-          Seu amor me aquece. – Disse ela abraçando-o.

-          Você pode se resfriar. – Ele levantou o rosto dela de seus ombros e ela viu que ele a olhava seriamente.

-          Você não se sente aquecido aqui, não é mesmo? – Ela se soltou e o puxou pelas mãos. – Sente aqui, que eu quero falar com você.

Ele pegou as tulipas depositando-as no canto do banco e sentou-se, ela sentou ao seu lado. Ele a abraçou querendo protegê-la do frio.

-          Não se preocupe, eu não sinto frio aqui. Fui eu quem plantou estas rosas, elas me protegerão. – Ele a olhou duvidando. – Você não está acreditando em mim, não é? É, eu também não acreditei quando Dumbledore disse para eu plantá-las, mas agora eu acredito.

-          Elas a protegem?

-          Sim, elas sabem o que eu sinto... Por isso não sinto frio aqui, elas criam um tipo de barreira contra o frio. – Ela se ajeitou nos braços dele. – Se bem que eu prefiro mil vezes que você me proteja.

-          Então lá fora você estava com frio.

-          Por que você acha que eu corri?

-          Os alunos podem entrar aqui?

-          Claro que podem, principalmente os que estiverem alegres, os que estiverem amando...

-          Então...

-          Não eles não poderão chegar até aqui, provavelmente eles pegarão outro caminho nos corredores, isto aqui é um labirinto...

-          Você adivinha os meus pensamentos?

-          Não Sr. Diretor da Sonserina, eu somente deduzo... – Ela riu. – Você é tão previsível... Tão durão e malvado, os alunos morrem de medo de você.

-          Nã...

-          Claro que é verdade, os coitadinhos do primeiro ano então... – Ela colocou o dedo no queixo debochando. – Hum, Grifinória e Lufa-Lufa, são seu principal alvo, não é mesmo? – Ele a olhou questionando. – Não... Para mim você muda se quiser, não vou te pedir para dar aulas deste jeito ou daquele. Não é por isso que eu te amo.

-          Definitivamente você adivinha meus pensamentos.

-          Já sei, você quer saber, por que eu te amo então? – Ela disse sorrindo marotamente. Ia responder, mas ele a calou beijando-a docemente. - Ainda bem que eu não adivinho todos os seus pensamentos... – Dinah disse suspirando.

-          Diga-me então, como eu consegui te achar ontem aqui?

-          Provavelmente eu não queria ficar... Bem... Escondida... – disse sorrindo timidamente.

Ele sentia que o vento conseguia passar dentre os ramos de rosa, mas, Dinah realmente parecia não sentir frio. Adorava a maneira como seus cabelos, presos apenas por um laço azul, balançavam levados pelo vento. Viu que alguns fios escapavam da fita e pôs se a arrumá-los, Dinah por sua vez sentia o sensível toque de suas mãos em seus cabelos. Encostou sua cabeça no ombro dele e ambos ficaram por um longo tempo naquele ambiente de ternura. As tulipas pareciam se voltar para eles pareciam até querer assistir aquela cena de carinho. Ambos calados, nada que os olhos não expressassem. Alguns beijos eram trocados e outros roubados. Era um momento de paz, assim sentiam os corações.

-          Dinah, você está febril novamente... – Snape disse passando a mão o rosto dela.

-          Não é nada, meu amor, já vai passar. – Ele deitara a cabeça em seu colo e a olhava preocupado.

-          Você não quer ir para dentro, para a ala hospitalar?

-          Não... Prefiro ficar aqui com você.

-          Você não quer me contar o que está acontecendo?

-          Um dia... Um dia...

Ele se viu novamente mergulhado em seus pensamentos. Pensou que não poderia cobrar nada dela, pois também tinha seus próprios segredos. E não se sentia corajoso o suficiente para contar a Dinah sobre seu passado. Não que ele não quisesse.

         Dinah, percebeu este momento de reflexão dele, olhou para o céu a fim de esconder uma lágrima que brotava de seus olhos... Novamente era invadida por um sentimento ruim, se perguntava o motivo da vida dela ser tão difícil. Quando um ponto negro surgiu no céu, desejou do fundo do coração que aquilo parasse. Mas, isso era algo que as rosas não poderiam fazer. A coruja negra deixou uma carta, jogando nos seus pés. O que fez Snape levantar assustado. Ele pegou a carta e a entregou a Dinah, sem cobrá-la. Sabia que nem ela mesma lia aquelas cartas. Foi exatamente o que ela fez queimou a carta, sem nem mesmo abrí-la.

-          Severo, me entenda, volte para o castelo... – Ela disse se levantando e ficando em pé na frente dele.

-          Mas...

-          Eu preciso pensar um pouco. Vamos nos encontrar daqui a pouco, no almoço. – O vento continuava a bater nos cabelos dela, desarrumando-os. Ele passou a mão para ajeitá-los e a beijou. Ele a abraçava com medo de perdê-la. – Eu já vou, prometo.

-          Eu te amo. – Ele saiu vagarosamente dentre o roseiral.

Caminhava lentamente porque não queria sair dali. Voltou até o castelo, onde decidiu esperá-la. Seguiu até a sala de poções, para onde certamente ela traria as tulipas. A escrivaninha de Dinah, bem como seus armários eram organizadíssimos, como ele observou. Encontrou com um caderno que estava anotado os programas de aulas. Tudo em perfeita ordem. Ele se condenou por ficar olhando as coisas dela. Mas, não podia ir simplesmente para as masmorras, fazer outras coisas, sabendo que ela estaria remoendo problemas em meio aquele roseiral. Queria ajudá-la, o que ela parecia recusar terminantemente.

Quando começou a sentir muito frio, uma sensação que percorria sua nuca e tomava conta do cérebro. Novamente aquela sensação tomara conta dele. Suava e uma expressão de dor marcava o seu rosto. Quando por fim, lembrou-se de Dinah. Ela deveria estar sofrendo, como da última vez. Embalado pelos seus pensamentos, saiu correndo pelo corredor e sem nem perceber chegou ao roseiral. Corria por entre seus corredores, mas não encontrava Dinah.

-          Dinah! Por favor, deixe-me alcançá-la! – Ele pediu.

Mas, não conseguia encontrá-la, parecia dar voltas. O vento zunia nos ouvidos, mas ele não deixou de ouvir a ameaça da voz estridente: “Ninguém pode escapar de mim...”.

-          Dinah! Por favor,... – Seu corpo se esgotara, não suportaria mais correr. A dor finalmente passou. – Dinah! Onde você está? – Seus joelhos penderam e ele caiu.

Não suportava mais, ofegava com o rosto junto ao chão. Mas, algo naquele labirinto parecia se mover, bem a sua frente. Ele então levantou o rosto para ver. As paredes de rosas e galhos se estreitavam abrindo caminho. Ele tomou fôlego, levantou-se e seguiu por aquele caminho. Muitas pétalas de rosas voavam com o vento. Ao fim do caminho, ele a avistou. Muitas pétalas de rosas cobriam o chão onde ela estava deitada. Ele rapidamente aproximou-se, para olhá-la melhor. Mas, seu rosto, não tinha expressão de dor, nem estava febril, parecia na verdade, dormir tranqüilamente.

Ele precisou respirar profundamente para tentar se controlar, do desespero que o tomava minutos antes. Não conseguiu reter algumas lágrimas. Dinah estava estranhamente tranqüila. Ele estava ajoelhado ao lado dela, uma mão acariciava os cabelos dela cheio de pétalas e a outra estava repousada nas mãos dela. Abaixou a cabeça para beijá-la e algumas lágrimas a molharam.

-          Severo... – Acordara. – O que foi? O que aconteceu... – Ela passava a mão no rosto dele e enxugava as lágrimas.

-          Só fiquei preocupado...

-          Desculpe, acho que cochilei. Você devia ter esperado, eu te disse que o roseiral me protege.

-          Eu... – Ele mordeu os lábios, pensando no que ia dizer. – Eu quero lhe contar uma coisa.

 Ela se sentou e lhe segurou as mãos. Parecia muita atenta, pronta para escutar.  O que de certa maneira o acalmou. Ele então olhos para o próprio braço, e puxou a manga, mostrando a marca negra fortemente desenhada. A única reação que ela teve foi olhar tristemente para a marca.

-          Eu já fui um monstro, Dinah. – Suspirou. – Já fui como, o Lord das Trevas, cheio de presunção e ambição. Fiz coisas que me arrependerei por toda a vida. – Ele olhava firmemente para o chão. Dinah colocou a mão sob seu queixo e ergueu a cabeça dele obrigando a olhá-la.

-          Você foi muito corajoso ao me contar. Para mim, não importa o que você foi, ou o que você fez. Importa realmente que você tenha se arrependido... – Ele a abraçou.

-          Eu te amo, Dinah.

-          Eu também te amo, Severo. – Ele mirou os lábios dela, ia beijá-los, mas Dinah desviou. – Eu... Bem...

-          O que foi?

-          Eu também tenho segredos, Severo, mas temo muito por você para contá-los... Só espero que você entenda isso. Espero que você entenda que permanecer ao meu lado é viver em constante risco. – Ela disse seriamente. – Estou sobre a proteção de Dumbledore... Além das rosas...

-          O único risco que eu não quero correr, é te perder, Dinah. Eu também estou sobre a proteção de Dumbledore, afinal sou um traidor. – Ele parou quando ela repousou as mãos sobre as suas. – Você sabia que estas rosas, não queriam me deixar chegar até aqui?

-          Você sabe porquê elas deixaram? – Ele balançou a cabeça negando.- Elas perceberam que você é parte de mim... – Isto o fez sorrir.

-          Dinah... – Ele começou a falar, só que parecia não saber como. – Eu descobri que você tem alguma ligação com Voldemort e com os Comensais. Da vez anterior, eu estava junto de você e vi como você reagiu ao chamado dele. Eu sinto a minha pele queimar, além da tortura psicológica. Eu sei que ele te persegue assim como persegue a mim. Mas, desta vez...

-          As rosas me fizeram adormecer... – Dinah interrompeu. – Você tem razão, ele me persegue, assim como você e ao Harry. Mas, prefiro omitir esta história, está bem? – Ela encerrara a conversa.

-          Vamos! – Disse ele levantando-se. – Vamos almoçar! – Estendeu a mão para que ela se apoiasse. Dinah segurou a suas mãos e ele a puxou com tanta força que ela estava novamente em seus braços. Então ele a beijou novamente, o que a fez sorrir.

-          Eu não disse, que não adivinho os seus pensamentos... – Ela sorriu. – Bem, talvez alguns... Desta vez eu aceito o seu casaco.

 

 

 

Capítulo 10 – Acordos Silenciosos

 

         Ao saírem do roseiral eles soltaram as mãos, mas continuaram andar lado a lado. Dinah totalmente encoberta pelo casaco de Snape, ria balançando os braços pois o casaco era muito grande para o seu tamanho. Isto o fazia sorrir. Snape não era um homem de sorrisos largos, tão pouco gargalhadas. Mas percebia-se em seu olhar um brilho diferente de alegria. Dinah, no entanto agia como uma verdadeira marota, rindo sempre que podia. Isto o intrigava muito, pois ora ela estava triste, ora alegre. Teria que aprender a conviver com a volubilidade dela, enquanto que ela teria que aprender a viver com a seriedade dele.

         Estes fatores, no entanto, não pareciam influenciar.

-          Aqui já está mais quentinho... – Ela disse ao entrarem no castelo. – Tome o seu casaco. Pode ir, eu só vou buscar o meu casaco. – Ele a olhou demoradamente. – Ah, não. Acho que arrumei um guarda costas. Vai logo, Severo, todo mundo deve estar almoçando. Eu vou voando para o meu quarto e volto. Prometo.

-          Literalmente voando? – Ela se transformou em borboleta e saiu voando pela escada principal. Ele então caminhou até o salão principal.

Não acreditava naquela sensação morna que o invadia. Ao vestir o seu casaco, sentiu o cheiro de Dinah. Ele se sentia bem, sua alma parecia estar mais leve. Indiferente a todo peso que carregava. Estava feliz.

Dinah não cobrara nada dele. Por esta reação ele não esperava. Ao que parecia, o segredo dela o colocaria em risco, por este motivo que ela o repelia anteriormente. Mas, ele já corria riscos e correr mais este por Dinah, valeria a pena. Qualquer risco agora, parecia simplório, visto a sensação que sentia.

 

 

Algum tempo passou e o inverno chegou exibindo todo o seu brilho branco. A sensação no castelo era de paz e tranqüilidade apesar da ameaça constante de forças ocultas. Finalmente, houve uma manhã de sol depois de muitas nevascas. A maioria dos alunos queria aproveitar para brincar na neve, o que não foi permitido antes do término das aulas daquela manhã.

-          Por que, eu digo, por quê?

-          Ora, Rony, Dinah tem o direito de trazer quem ela quiser para a aula dela. – Hermione tentava argumentar.

-          Ah, Mione, mas, o Snape?! – Harry estava incrédulo. – Nós sempre soubemos que eles competem entre si... Há até uma aposta lá na torre, “QUEM IRÁ CEDER PRIMEIRO? DINAH OU SNAPE?”.

-          Que besteira!

-          Esta foi a pior aula de Poções que eu já tive desde que Dinah chegou aqui! – Rony disse.

-          Mas, ele nem se moveu! – Hermione afirmou.

-          Só o fato de ele estar lá, com aquele olhar inquisidor já é o bastante! Humf! – Rony cruzou os braços. – E você, hein, Mione! Fica defendendo aquele seboso!

-          Deixa, Rony, ultimamente ela deu pra defender o morcegão. Vai ver, foi alguma aposta entre Dinah e o narigudo. Lembra do que o Sírius falou pra gente, dela ser uma marota!

-          PSIU!!! Ele pediu pra gente não comentar isto! – Hermione fez com o indicador nos lábios.

-          Aí tem Mione! – Harry fez apoiando o queixo na mão. – Alguma coisa você tá escondendo... Ou pensa que eu não notei os seus cochichos com Dinah!

-          Ah, não é nada que eu deva ou queira te contar.

-          Deixar Harry... Mulheres... – Rony parecia não se importar com a desconfiança do amigo.

Harry olhou firmemente para Hermione, mas ela desviou o olhar.

-          Tenho que ir a biblioteca!

-          Mas, Mione!? – Rony foi interrompido.

-          Temos aulas à tarde, ou você esqueceu?

-          Fugindo pra biblioteca?!

-          Humf!? – Ela entrou no castelo batendo os pés.

Harry e Rony continuaram por um tempo do lado de fora. Chegaram a ensaiar uma guerra de bolas de neve, mas estavam desanimados.

 

 

-          Acho que você não deveria convidar o Profº Snape para te ajudar nas aulas... Dinah, será que vocês deviam mesmo esconder que...

-          Hermione, já te disse que...

-          Não devo questionar este assunto, sei... – Hermione fez uma pausa, demonstrou-se pensativa. – Mas...

-          Hermione!

-          Ok, não falarei disto. Mas, te digo uma coisa, Harry desconfia que algo está errado.

-          Pois, eu te digo Hermione, não há nada que eu deva ao Sr. Potter. Tome, este livro, tem o que você procura. – Dinah estendia o livro a Hermione, terminando a conversa. – Agora, acho que você deve ter alguma aula, não?!

-          Pôxa, isto é que encerrar o assunto.

-          Tchau, Hermione.

Alguns alunos começaram entrar na sala, Hermione olhou despedindo-se de Dinah, que sorriu para ela.

 

        

         Quando as aulas acabaram naquela tarde, Harry, Rony e Hermione se depararam com um aglomerado de alunos perto na entrada do Salão Principal. Rony, que era o mais alto, avisou aos outros que tinha um aviso colado na porta.

-          Aposto que sei o que é. – Disse Harry meio desanimado.

-          O aviso diz... – Começou Rony a ler por cima de algumas cabeças. – Como no ano passado, haverá neste Natal, um Baile de Inverno... Puxa, quantos bailes num ano só!

-          Continua Rony. – Pediu Hermione

-          Ah... É isso mesmo: Haverá um baile, cada aluno deverá convidar o seu par e os alunos mais novos não poderão participar a não ser que sejam convidados pelos mais velhos. Acho que é a mesma coisa do ano passado. Acho que vai ser muito bom...

-          Quê?! – Exclamou Harry indignado. – Bom pra você que vai com a Mione!

-          Deixa disso Harry, você consegue um par desta vez... – Disse Hermione um pouco ruborizada.

        

 

Snape subiu ao seu quarto a fim de tomar um banho antes do jantar. Pensava se fora uma boa idéia ir as aulas de Dinah naquele dia. Ao fechar o chuveiro, ouviu uma canção vindo quarto dela. Sentiu-se feliz em poder ir até lá. Vestiu-se. Aparatou na sala e o fato do feitiço da barreira estar desfeito lhe chamou a atenção. Era arriscar demais. Foi levado novamente pela canção que vinha do quarto. Começou a seguí-la perguntando-se se era prudente.

Entrou no quarto lembrando-se da primeira vez que a beijou. Quando a viu, sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo, ao mesmo tempo em que era invadido por uma sensação morna. Percebeu que a idéia de um banho não era somente dele. Dinah estava numa banheira, com muita espuma rosada. A banheira estava virada para a janela de modo que ele somente observava sua nuca.

-          Severo!? Acredito que não seja prudente você ficar aqui enquanto tomo banho. – Ela disse parando de cantar. Sem se virar. – Acho melhor você esperar na sala.

-          Desculpe... – Ele respondeu meio encabulado e saiu.

Ficou esperando ansiosamente na sala, contava os segundos. Quando ela apareceu na porta do quarto, com seus cabelos como sempre presos, ele suspirou aliviado. Levantou-se esperando que ela falasse alguma coisa. Mas ela nada disse. Seus olhar não parecia inquisidor, mas ela parecia esperar alguma explicação.

-          Vo-Você estava cantando, nunca tinha ouvido você cantar...

-          Engraçado, mas eu não costumo cantar. Deve ser efeito da espuma rosa.

-          Será? – Ambos pareciam com medo de falar, mas Dinah sabia o que dizer. Ela aproximou-se e lhe indicou o sofá. Após ele ter se sentado, ela sentou-se ao seu lado colocando a cabeça em seus ombros.

-          Severo, eu também não quero brigar com você e sei que você está arrependido. Aqui é meu cantinho, um lugar onde posso fugir do mundo por um instante. Eu...

-          Eu sei que não devia entrar aqui. Afinal, você nunca entrou no meu quarto, nem a meu convite. Eu entendo, não somos mais crianças...

-          Mas?

-          Mas, será não pode haver o NOSSO cantinho, como você diz? Não o meu ou o seu, mas o nosso!?

-          Acontece que... – Ela suspirou pensando se o que iria falar não iria magoá-lo.- Nós, não somos casados, nem namorados. Temos um acordo silencioso.

-          Um acordo...

-          Severo, quero que entenda muito bem. – Ela virou-se e o beijou. – Eu te amo, mais do que qualquer coisa. Nós temos um acordo silencioso, não somos namorados nem casados somos muito mais que apenas isso. Nós nos amamos... O resto é questão de burocracia e aceitação da sociedade. Nós sabemos muito bem o que somos e isto é que importa.

-          Mas somos limitados...

-          Por favor, entenda...É um risco muito grande, você me dá forças, mas ao mesmo tempo é a minha fraqueza. Por mim, você entra aqui a hora que quiser, mas...

-          Mas...

-          Temos que refazer o feitiço da barreira. Para que eu também possa ter privacidade quando quiser.

Um silêncio invadiu o quarto. Ele levantou-se e ela o esperou falar. Mas ele se ajoelhou em sua frente e debruçou-se sobre suas pernas.

-          Quando este pesadelo irá acabar, Dinah? – Dinah lembrou-se de si mesmo quando contou a Dumbledore seu mal-estar quando mais jovem. – Eu quero me casar com você Dinah. Quero dizer pra todos que a amo.

-          É o que mais quero... Ser livre pra te amar. – Ela disse acariciando-lhe os cabelos. Ele a olhou com os olhos marejados.

Aquilo a comoveu. Ele a segurou pelas mãos e os dois se levantaram.

-          Você aceita ser minha noiva Dinah? – Ele colocou a mão em seu rosto. – No nosso acordo silencioso? – Disse ironizando.

-          É o que eu mais quero. – Ela sorriu. – Aceito o seu acordo silencioso.

Eles se aproximaram e se beijaram. Era estranho de que como toda vez que se beijavam parecia ser a primeira. As respirações se tornavam ofegantes e eles sentiam o pulsar do coração do outros. Pensavam que o mundo era só eles e sentiam toda aquela quente energia do amor.

-          Será que preciso lhe convidar pro baile?

-          Baile?

-          É o de Natal...Não quero você dançando com aqueles dois capangas.

-          Ei, ei... Eles são meus amigos, lembra? E o nosso acordo é silencioso.

-          Droga de acordo...

-          Quê?

Ele sorria, estava muito feliz, poderia flutuar. Ela riu da graça dele e eles foram jantar.



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