Capítulo 8 - O Dia das Bruxas

Dinah até se sentiu aliviada quando Dumbledore lhe contou, no fundo sempre soube que Pedro era o traidor. Sírius podia ter agido insanamente naquele dia, mas jamais trairia qualquer maroto, até mesmo Tiago.
Suas divagações tiveram fim quando Dumbledore levantou-se.
- Alunos, como você sabem, teremos a festa do dia das bruxas nesta semana. Mas, neste ano será um tantinho diferente! Haverá um baile! - Houve um alvoroço total, alguns alunos festejavam, enquanto outros lamentavam. 
- Alvo, sempre inventando... - cochichou a Profª McGonagall para Dinah.
- E a segurança do castelo?
- Não se preocupe, Alvo sempre tem seus meios...
Depois do café, os alunos e os professores seguiram para as aulas.
Os dias seguiram tranqüilos, apesar da movimentação dos alunos a procura de seus pares. Para Dinah aquela era mais uma das semanas em que ela tentava se afastar de Snape, o que não era muito difícil. Snape estava completamente ocupado com as preparações de segurança de Dumbledore. Alvo Dumbledore também pedira ajuda a Moody, o Sr.Weasley e Lupin.
- Por favor classe... Será que alguém pode prestar atenção hoje? - Pedira Dinah, certa vez aos alunos. Mas, desistira, mais alguns dias e depois do baile estaria tudo de volta ao normal, pensou.


Finalmente o dia das bruxas chegou. A manhã fora um verdadeiro alvoroço, ouvia-se Pirraça pedindo doces a todos, mas como ninguém lhe dava atenção ele respondia com travessura. Isso, até a hora que encontrou com o Barão Sangrento, ninguém mais então foi perturbado por ele. Hermione, Harry e Rony caminhavam pelo roseiral perto do lago.
- Ano passado, este roseiral não estava aqui, estava? - Harry perguntou.
- Não, ouvi dizer que a Profª Sprout plantou pouco antes da gente chegar aqui.
- Ah, então elas crescem rápido, não? - Harry perguntou.
- Depende do humor da pessoa que as plantaram. - Disse Hermione apontando para Rony, ainda emburrado.
- Eu acho que... Acho que esqueci alguma coisa na sala comunal... - Harry saiu de fininho. 
- Imagine se fosse você a plantar esta rosa, Rony? - Rony apenas a olhou.
- O quê?
- Você não anda participando muito das conversas, não é mesmo?
- Bem... É que...
- Você ainda está bravo comigo.
- Não... É. - Disse ele depois de um tempo balançando a cabeça.
- Ah, Rony, me desculpa! Eu agi errado, foi um impulso infantil... - Começava a ventar fortemente, algumas pétalas voavam em redemoinhos de vento. Hermione olhava encantada para aquela cena. 
- Mione, você tem par pro baile? Gostaria de ir comigo? - Rony, simplesmente, não conseguia tirar os olhos dela, estava linda em meio aquelas pétalas. 
- Isso que dizer, que você não está chateado!
Mas, ele não respondeu, pôs-se a retirar as pétalas dos cabelos dela e os dois coravam.


A noite chegou e no salão principal alguns alunos já esperavam o começo do baile. O Salão estava a meia luz, com pontos de luz coloridos, as mesas compridas haviam desaparecido e várias mesas redondas com cerca de doze lugares cada uma foram colocadas, nestas, enfeites comemorativos. Morcegos voavam sossegadamente pelo teto encantado, o céu lá fora era límpido, cheio de estrelas. 
"Aqui estou eu, a 'celebridade', sozinho..." , pensava Harry, "Ainda bem, que desta vez não é obrigatório eu ter um par...".
- Ora, Harry... Você está sozinho, não me diga que não tem um par?
- É... - Por que Dinah tinha que perguntar justo aquilo? Estava tão linda, com um vestido de tafetá azul que fazia com que a cor em seus olhos sobressaísse ainda mais. O vestido era encorpado, delineava Dinah até os quadris, sem decotes, aliás era fechado até o pescoço, mas deixava os braços totalmente desprotegidos, fazia conjunto com uma seda azul que Dinah usava para cobrir os ombros. Os cabelos dela estavam presos sobre um coque trabalhado com adornos prateados semelhantes a fios de coração de dragão. Ele ficou um grande tempo olhando para ela e simplesmente não respondera.
- Então, talvez, você dance uma música comigo?
- Hum... - Ia dizer que não.
- Venha me chamar, estou na mesa dos professores. - Ela percebeu e não esperou a resposta negativa dele.
"Mas, eu não sei dançar...", ficou pensando.
Ao chegar na mesa dos professores, apenas Alvo Dumbledore estava ali.
- Você está muito bonita esta noite, Dinah...
- Obrigada, como está?
- Noite tranqüila...Fique sossegada... Como estão indo suas aulas?
- Muito bem, os alunos sempre atendem minhas expectativas. Tem até um que passou de atrapalhado para alquimista.
- Longbottom?
- É, e o Malfoy então, dizem que ele nunca foi tão amável.
- É, digamos que você tem seus encantos... Que eu saiba, ele não é o único sonserino que está caído por você. - Parecia que as conversas com Dumbledore sempre eram assim, cheias de mistério. Ao ouvir este comentário, Dinah corou.
- E quem é, hein?
- Ora, Dinah, você nunca foi hipócrita. Mas, eu sei também que você também gosta de alguém, não é mesmo? - Dinah corou violentamente. - Só não entendo, porque não corresponde?
- Não posso, só traria problemas a ele.
- Você não sabe, mas ambos tem muito em comum...
- É mesmo? - Será que ele tinha razão?
Dumbledore não respondeu, desviou o olhar para a porta, os convidados chegaram. Ao ver Remo, o coração de Dinah deu um salto, chegou a pensar que veria os marotos novamente. Mas, Remo estava um tanto diferente. Ela e Dumbledore andaram apressadamente até a porta.
- Remo! É muito bom vê-lo novamente! - Ela o abraçou. - Que saudades!
- Marotinha? É você mesmo? - Ele se afastou e pôs-se a encará-la. - Nossa!Que mulherão!!!
- Bobo... Assim você me deixa sem graça...
- Conheço alguém que gostaria de vê-la.
- Você tem contato com ele?
- Pra dizer a verdade ele está bem perto. Venha, venha comigo...
Ele puxou Dinah para fora e eles foram até atrás a cabana de Hagrid. Lá estava Sírius, sentado em um banco rústico de madeira. Ao vê-la, Sírius esfregou bem os olhos e levantou-se rapidamente ajeitando as vestes.
- Deixa de ser bobo, Sírius, como se eu nunca tivesse visto você sujo com a poeira das passagens secretas. - Ela caminhou até ele e o abraçou. Ele ficou paralisado e Lupin, ria muito da situação. Dinah não o soltava.
- Mas, eu pensei que...
- Eu te perdôo... - falou ela, então ele a abraçou. Depois ele a soltou e pôs-se a olhá-la, como fez Lupin.
- Uau! Que linda!!!
- Puxa, vocês dois me deixam encabulada...
- Eu só disse a verdade, prometo! - Lupin disse rindo.
- É tão bom ver vocês de novo.
- Mas, veja o que o tempo fez com a gente... Nós dois, trastes e você uma mulher linda! - Sírius disse olhando para si mesmo. - Mas, me diga, o que você está fazendo aqui?
- Ora, sou professora aqui, professora de Poções!
- O quê, Dinah Becker, a marotinha, uma carrasca? - Sírius disse ironicamente.
- Mas, esse não era o cargo de Snape? - Lupin perguntou pensativo.
- Era, era... Mas, o que vocês estão fazendo aqui.
- Nós somos "os caras" da segurança! - disse Sírius.
- Mas, este cara aqui é um foragido e tem que ficar escondido.
Ficaram conversando e rindo por um bom tempo. Até que Lupin disse que provavelmente Dumbledore estaria precisando dele e voltou para o castelo.
- Esse Remo... Bom, me enganar com desculpas nunca foi o forte de vocês mesmo... Nem percebi que ele só queria deixar a gente sozinhos. - Dinah sorriu e Sírius a achou mais linda do que nunca.
- Mas, acho Dinah, que ainda podemos ser amigos... - Disse meio sem graça.
- É, Sírius, amigos... - Dinah respirou fundo. - Fiquei muito tempo no mundo dos trouxas, mas sempre tive notícias...
- Você soube, do Pedro, de Azkaban...
- Soube, Sírius... - Os olhos de Dinah lacrimejaram. - Mas...eu nunca, jamais acreditei que você entregaria Tiago e Lílian. - Sírius também se mobilizou e a abraçou. - Não o Sírius meu amigo... - Dinah o apertava contra o corpo como se quisesse protegê-lo. - Mas, quando cheguei a Hogwarts, Dumbledore me contou a verdade, a verdade que eu sempre soube... Você é só mais uma vítima, assim como tantas outras...
- Mas, eu estou bem, não estou? Lupin e Dumbledore estão me ajudando... Eu estou bem Dinah, obrigado, por você acreditar em minha inocência. - Sírius respirou profundamente e sentiu o perfume dela. - Então a borboletinha anda voando pelo roseiral? - Dinah sorriu, os dois continuavam abraçados. - Pensei muito, fui muito estúpido. Não poderia querer obrigá-la a gostar de mim... Não é assim que se resolvem os problemas!
- Não vamos mais falar disso, está bem? Assunto encerrad...
- Tudo bem por aqui, Black? - Uma voz fria invadiu os ouvidos deles interrompendo Dinah. Ela se deu conta que ainda estava nos braços de Sírius e se soltou rapidamente.
- Tudo Ok, Snape! - Sírius respondeu com tom de desagrado.
- Creio que o vento está frio esta noite. - Disse mirando Dinah. O que a fez abraçar os ombros. - Acho melhor você entrar, Srta. Becker. - Dinah achou que ele tinha razão, queria falar mais com Sírius, mas aquilo não era hora, havia uma festa onde as pessoas procurariam por ela.
- Sírius acho que Severo tem razão... - Disse ela num meio sorriso. - Podemos conversar outra hora? - Ele balançou a cabeça afirmando. - Boa Noite.
- Boa Noite, Marotinha e cuidado por onde voa...
Sírius ficou ali pensando. Enquanto Dinah e Snape caminhavam até a entrada do castelo, calados. Até que subitamente Dinah parou.
- Não é justo, Severo... Não é justo, Sírius é inocente... - Ergueu os olhos para encará-lo. - Tudo isso está acontecendo por culpa de uma única pessoa.
- Não é uma pessoa, Dinah, é um monstro. Um monstro que destrói tudo por poder, inclusive a felicidade das pessoas.
- Severo, olha pra mim...
- Não posso, não consigo. - Respirou profundamente e algumas palavras, lhe escaparam. - Você deve gostar muito dele... o Sírius.
Dinah prontamente entendeu, o que Snape queria dizer com aquilo. Ele virou-se para continuar o caminho até o castelo. Quando Dinah o abraçou.
- Você não entende nada mesmo, não é?! - Ela disse e depois suspirou. Ele se soltou dos braços dela e virou-se.
- Eu não entendo nada? - Ele falou mirando-a. - Eu entendo tudo! Já lhe disse o que eu sinto por você e agora sei porque você fica me evitando.
- Mas...
- Não, Dinah, chega de brincar comigo... Eu vou entrar, se você quiser, volte pra ele.
- Eu vim com você, não vim? - Ela disse alto enquanto ele se afastava sem querer dar atenção e entrava no castelo.
Dinah entrou no salão principal já lotado pelos estudantes. A música soava alta era uma batida como daquelas trouxas, capazes de encantar. Via-se muitos dos estudantes dançando e rindo. Dinah reconheceu Rony e Hermione dançando muito felizes, estes acenaram para ela. Quando ela ouviu alguém dizer:
- Vamos dançar, senhorita?
- Claro, Harry... Mas, já vou avisando que com tal música, só se dança sozinho.
Os dois caminharam até Rony e Hermione e eles ficaram lá, dançando. Dinah sabia que era observada. Da mesa dos professores dois olhos negros estavam fixos nela.
"Por que ele pensou isso, de mim... E o Sírius... Acho que fui dura demais com ele... Acho que... Talvez eu possa... Não, não... Ele irá se ferir..." - pensava ela. Naqueles dias que antecederam ao baile, ela havia pensado muito em tudo o que estava acontecendo. Pelo menos, as corujas negras haviam cessado. E ela pensava cada vez mais que não precisaria se sacrificar, ou mesmo, não adiantaria em nada. Mas, continuava convicta que se deixasse que Severo continuasse a se aproximar dela, ela cederia. Como quase acabara de fazer nos jardins. O empecilho era o fato que ele poderia vir sofrer com os fatos da vida dela. A vida dele poderia ficar em risco. E ela não queria que isto acontecesse, tudo isso porque ela gostava dele, como nunca gostou de Sírius, ela o amava.
- Eu vou descansar um pouco, beber alguma coisa. - Disse aos garotos e se afastou. Caminhou até uma mesa ao canto com alguns comes e bebes. Ao canto ela observou que Neville, muito corado, conversava com Gina, irmã de Rony, ao que aparentava era que ela não queria dançar com ele. Isto fez Dinah dar uma pequena risada, Neville havia se tornado habilidoso com as poções, mas ainda parecia desajeitado com as garotas.
- Tem alguém que parece, está, te azarando.
- O quê? - Perguntou ela virando-se para ver quem era.
- Olha, eu já fui professor aqui e sei, que para se azarar alguém, não se pode tirar os olhos da pessoa. - Lupin sorria.
- Ah, Remo, para de pegar no meu pé... - Ela disse acenando com a mão. - Cerveja amanteigada?
- Ah, sim, obrigado. - Ele disse apanhando o frasco da mão dela. - Mas, eu acho que não precisa ser professor de DCAT para saber disso, ou precisa...
- Não, eu sei muito bem disso... Mas, ele não está me azarando...
- É eu sei... Você e ele... Bem, sempre conversavam quando estávamos no colégio... E ao que me parece era só com você, da Grifinória.
- Deixa disso, Remo, ele sempre quis é fazer parte do nosso grupinho.
- Ele tava é espionando.
- Por isso, vocês tentaram matar ele?
- Ah, isso é golpe baixo, você sabe muito bem que eu nunca tive intenção disso.
- Desculpe... - Neste momento começou uma música mais lenta.
- Vamos dançar? Aí eu te desculpo...
- Agora é você que está usando golpe baixo. - Disse ela, estendendo a mão para segurar a dele. - Vamos...
Enquanto dançavam eles conversaram muito, Lupin contava a Dinah tudo o que acontecera com ele nestes últimos anos. Lupin sempre fora muito irônico, sempre conseguia fazer Dinah rir, por pior que estivesse o seu humor e isto ela pode constatar nesta conversa. Ria muito da cara de coitadinho que ele fazia ao contar alguns fatos.
- Olhem, como ela ri... - Rony observou. - O que o Profº Lupin tem de tão engraçado? - Os três estavam sentados em uma mesa junto a alguns alunos da Grifinória.
- Ah, Rony, você sabe, eles já se conheciam... - Harry respondeu.
- É muito bom ver Dinah se divertir, parece que a um bom tempo ela não dava boas risadas. - Hermione disse dando um gole no suco de abóboras.
Todos observavam Dinah, que ria e nem se importava com os comentários.
- Já faz muito tempo que eu não dou tanta risada, Remo.
- Tá me achando com cara de palhaço, é?
- Você fica fazendo gracinhas e não quer que eu ria?
- É uma pena, Marotinha, mas agora eu tenho que me juntar ao meu amigo Almofadinhas.
- Tudo bem, mande meu boa noite a ele.
Os dois caminharam até a mesa dos professores. 
- Sinto dizer, amigos, mas tenho que ir. - Ele disse. - Dumbledore, talvez dance com Dinah? Ela não tem culpa de eu ter que ir embora, enfim, acho que ela gostaria de continuar dançando. - Dinah afirmou com a cabeça. - Bom, eu tenho que ir, até logo.
- É uma pena, Dinah, mas eu tinha combinado com Minerva de dançar com ela... Mas talvez... - Ele olhou para Snape que se assustou. - Talvez Severo a acompanhe. Vamos, Minerva, vamos dançar. - Foi muito engraçado, porque a Profª McGonagall saiu da mesa com a boca cheia de petiscos. O que fez Dinah levar a mão à boca e esconder o riso.
- Vamos, Srta. Becker, vamos dançar. - Snape levantou-se e estendeu a mão. Dinah aceitou e os dois caminharam até o centro do salão sob o olhar de muitos alunos curiosos, o temido Profº Snape jamais dançara em baile algum. Mas isso não incomodava.
Era diferente, dançar com Lupin e dançar com Snape. Quando Snape a enlaçou com um braço em sua cintura ela sentiu sua temperatura subir e seu rosto corar. Ele fazia com que ela deslizasse pelo salão. Dançava magnificamente. Ambos calados.
- Olha Harry, olha quem está dançando! - Rony estava de queixo caído, Harry seguiu o olhar de Rony e descobriu sobre o que ele falava.
- O que tem de mais? - Hermione perguntou como se não estivesse preocupada.
- Mione, você tá muito estranha mesmo! Como "o que é que tem de mais", é o Snape! E Dinah! - Rony estranhou.
- Se ele fizer alguma coisa vai se ver comigo! - Harry levantou-se.
- Senta, aí, Harry! Não vai acontecer nada, Dinah sabe se defender! - Algo no tom da voz de Hermione estava alterado e os garotos se calaram.
Os dois continuavam a dançar em silêncio, quando Dinah finalmente encarou Snape.
- Você dança muito bem.
- Obrigado.
- Quero conversar com você.
- Podemos apenas dançar? - Ele evitava olhar nos olhos dela agora que ela o encarava.
- Você tem que entender o que eu sinto sobre o Sírius.
- Acho que isso não é da minha conta. - A frieza recaia sobre ele novamente, mas ela decidiu não dar atenção.
- Quando estávamos juntos, sempre quis amar Sírius...
- Srta. Becker, a Srta. não me deve explicações!
- Severo, me chame de Dinah, de Dinah! 
- Dinah, vamos apenas dançar. - disse sombriamente.
- Eu quero te dizer... - Ele apenas a encarou como se quisesse calá-la. Mas, ela fechou os olhos e continuou a falar. - Sempre quis amar Sírius, ele realmente gostava de mim. Mas sempre gostei de Tiago e Sírius sempre foi para mim como um grande amigo. Acho que finalmente ele entendeu, o que eu sinto por ele.
- Por isso então que ele tentou me matar?
- Também, mas o que ele sempre achou é que você bisbilhotava demais e usava da minha fragilidade pra isso! Por isso, ele te desafiou.
- E como você sabe que ele me desafiou?
- Bem, fui eu quem avisou Tiago e...
- Então o tonto do Potter quis me salvar, tudo por você! - Snape parecia querer feri-la.
- Não foi TUDO POR MIM! - No calor da discussão eles nem perceberam que a música havia parado. Depois de um silêncio arrasador, Snape voltou a falar.
- A música acabou, Srta. Becker, tenha uma boa noite.
Ele se virou e saiu com suas vestes farfalhando pelo salão. Dinah abaixou a cabeça, era isso, quando ela percebeu que realmente o amava, ela o perdeu. Iria chorar novamente, mas não ali no salão com todos os alunos olhando. Fechou os olhos e correu, sabia qual era o melhor abrigo de Hogwarts naquele momento. Passou por ele que se assustou, abriu a porta e saiu.
Correria até Sírius, ele pensou, mas isso jamais passara pela cabeça de Dinah. Ele parou na mesa dos professores, mas não chegou a sentar-se, Dumbledore o encarava de modo que há muito tempo não fazia.
- Vá, Severo, vá para lá... 

Do outro lado do salão, Harry não se continha.
- Deixe-me Mione, eu vou lá! - Ele tentava se desvencilhar de Hermione que cravara as unhas em seu braço.
- De jeito nenhum, este, é um assunto dela. Nem, você e nem Rony vão lá está entendido? - Ela disse firmemente sob o olhar assustado de Rony.
- Olhe, Harry, acho que Dumbledore está passando um carão nele. - Ele conseguiu dizer.
- Ainda bem, é bem feito! - Harry sentou-se já mais calmo. - Eu já vi Dumbledore com aquela cara, e este é um sinal que a coisa está feia pro lado do Snape, aquele seboso.

Severo Snape não ousaria contrariar Dumbledore. Caminhou relutante para porta do salão e saiu. Ele pôs se a caminho da cabana de Hagrid, não queria mas tinha a absoluta certeza de que Dinah estaria ali. Mas o que Dumbledore queria que ele fizesse? Não agüentava mais ser o brinquedinho dela, se ela amasse Sírius, ficasse então com ele. Não queria mais sofrer. O seu coração queria mais do que tudo que suas conclusões estivesse erradas. Mas, não acreditaria tão facilmente em suas expectativas, não depois que vira Dinah nos braços de Sírius, não depois que ela se divertiu tanto com Lupin. "Era assim que Dinah tratava todos?" - ele pensava.
- Algo de errado? - Havia chegado a cabana de Hagrid, Sírius lhe dizia algo que ele nem se preocupara em saber. Seu coração deu um salto ao ver que ele estava acompanhado apenas de Lupin e Canino. - Algo errado, Snape? Ei! Será que você pode responder? Eu estou ficando preocupado!
- Na-não, não é nada... Só vim checar... Boa noite! - Saiu caminhando pela orla da floresta... - Depois que ele virou para ir embora, Sírius girou o indicador ao lado da cabeça.
- Maluco...
"Mas, para onde ela foi?" - Snape se perguntava. - "Mas, claro! Severo, seu estúpido!". 
Ele havia avistado o roseiral. Aquele lugar que Dinah tanto gostava, aquele lugar onde ela se misturava. Sentiu seu coração pulsar rapidamente quando pensou na possibilidade dela estar lá. Caminhou até lá.
Ao chegar, ele percebeu que as rosas formavam barreiras como grandes muros. Havia como um grande corredor entre o roseiral e corredores pequenos que se iniciavam a partir deste grande . Era um lugar interessante, parecia muito acolhedor, alguns locais chegavam a ser cobertos de rosas, estas formavam pequenos telhados capazes de abrigar pessoas de qualquer situação climática.
Snape achava interessante o fato de como aquelas rosas haviam crescido rapidamente. Parecia até que elas haviam vindo com Dinah. Foi quando ele viu um vulto correndo por um dos pequenos corredores. Era ela, ele tinha certeza.
- Dinah... - Ele chamou. - Dinah, por favor, me desculpe... Dinah, apareça!
Ele se decidiu em adentrar o pequeno corredor, uma luz foi vista. Então ele correu, sem encontrar nem vestígios dela. Quando se viu novamente no corredor maior. Aquilo era um labirinto.
- Dinah vamos conversar...
Quando ele viu uma coisa que realmente lhe chamou a atenção. Uma borboleta, mas não uma borboleta qualquer. Era aquela mesma borboleta da noite que ele passara a odiar Sírius e Tiago Potter mais do que nunca, era a mesma borboleta que lhe guiara. Então ele se lembrou das palavras de Sírius: "- Boa Noite, Marotinha e cuidado por onde voa...". Era ela, era Dinah. Ele caminhou até uma rosa branca, onde ela havia pousado.
- Então, Dinah, você vai me ouvir? - Ele disse para a borboleta.
Uma luz azul clara envolveu a borboleta. Depois de um tempo de ofuscação Snape pode ver Dinah, bem a sua frente. Seu rosto manchado de lágrimas. Sentiu o coração descompassar, aproximou-se dela e passou a mão pelo seu rosto. Ela estremeceu levemente e o abraçou. Pôs-se novamente a chorar.
- Não quero que você chore mais, Dinah porque eu te amo. - Ele disse ao seu ouvido. Ela deu um longo suspiro, tentava conter as lágrimas. Afastou-se dele para poder olhar em seus olhos.
- Eu tentei... eu tentei fugir de você... - Ela suspirou profundamente e ele tentava limpar as lágrimas que teimavam em rolar de seu rosto. - Eu não posso mais, não consigo mais fugir... Eu também te amo.
Ele sorriu enquanto Dinah parecia chorar mais, mas sorria também. Ela sentia que um peso se esvaía dos ombros. Ainda com a mão no rosto dela, ele deixava as lágrimas correrem, correu então os dedos acariciando-lhe os lábios para depois beijá-la. Ela se sentiu pequena nos braços dele, pequena e protegida. Saboreou o beijo como se sua vida dependesse disso. Parecia que aquela cálida sensação jamais fosse passar e se dependesse dos dois jamais acabaria. Ele a apertava cada vez mais contra o seu corpo desejando que ela jamais saísse dentre seus braços. Sentia nos lábios o toque das lágrimas dela, quentes como sentia seu ser.
As estrelas pareciam iluminá-los, enquanto que a tímida lua minguante se escondia dentre algumas nuvens. Algumas rosas pareciam ter acabado de desabrochar, enquanto aquele cheiro tomava conta do lugar junto da felicidade de amar.


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