Capítulo 6 – Marca que Queima
Snape havia deitado Dinah em sua antiga cama, no quarto das masmorras. Ela parecia dormir, mas ao mesmo tempo suava frio. Colocou a mão em sua testa que queimava febrilmente.
- Dinah... Dinah, por favor, me responda! – Ele pedia falando ao seu ouvido. Estava sentado ao seu lado na cama. – Por favor, Dinah, por favor... O que está acontecendo com você? – Ele começava se desesperar com aquilo. – A culpa é minha, Dinah? Não, não fique assim...
Ela semicerrou os olhos como se ciente do que acontecia, mas impossibilitada de se expressar. Ele se sentiu embargar por uma sensação que ultimamente lhe deixava muito alerta. Era a estranha sensação de que Voldemort estaria por perto. Então, quase que instantaneamente, a marca em seu braço queimou. Era a mesma sensação de sempre, parecia que uma brasa era obrigada a passar pela pele de seu braço, uma grande dor o invadia. Ouviu então a voz aguda e gélida: “Venham até mim...”.
Quis se afastar de Dinah, não queria que ela presenciasse aquilo, não queria que ela visse sua expressão de dor. Mas, quando olhou pra ela, viu que ela se remexia na cama, agarrara firmemente os lençóis e os comprimia entre os dedos. Ele sofria, mas conseguia agüentar a dor. Dinah gritava como se aquilo acontecesse com ela em graus maiores. Ele sentiu-se triste, pensou que como ele, ela também fora um Comensal da Morte. Olhou em seu braço mas nenhuma marca havia ali. Aquilo parecia uma seção de terror uma verdadeira provação para ele, Dinah sofria muito mais que ele, e ele não podia fazer nada. De repente tudo cessou.
Parecia ter durado uma eternidade.
Snape com a respiração muito ofegante, na ânsia de ajudar Dinah que parara de gritar e tinha a nítida expressão de dor em seu rosto, colocou sua mão debaixo do pescoço de Dinah e a levantou.
- Dinah, por favor, responda... – pediu num suspiro de voz.
- Severo... – ela sussurrou.
Ele percebeu que ela não tinha forças. Não sabia mais o que fazer quando Dumbledore apareceu na porta.
- O que houve aqui, Severo? – Perguntou num tom sério.
Ele apenas ergueu os olhos para Dumbledore, o pânico havia tomado conta de seu ser.
- Dinah... – conseguiu dizer.
Dumbledore pareceu entender tudo. Aproximou-se da cama onde ela estava. Colocou a mão em sua testa.
- Você está bem, Severo? – perguntou Dumbledore, observando- o. – Pode levá-la para a ala hospitalar?
- Si-sim. – Olhou novamente para Dinah, ainda não entendia o que estava acontecendo. – Alvo, eu... a marca...
- Você foi chamado?
- Sim.
- Depois falamos sobre isso, Dinah, precisa de uma daquelas poções para dormir sem sonhar. – Dumbledore olhou novamente para Severo, mas desta vez parecia sorrir com o olhar. – Vamos!
Ao saírem para o corredor encontraram uma turma de alunos do segundo ano da Lufa-Lufa que chegava para a próxima aula. Snape se deu conta que eles veriam Dinah, mas isto, fez com que ele a apertasse ainda mais contra o corpo, como se eles pudessem ferí-la. Ela parecia ser tão frágil agora para ele. Dumbledore acenou para os alunos.
- O Profº Snape precisou resolver alguns assuntos para mim, vocês estão dispensados.
Entre alguns gritos de vivas, eles passaram e seguiram para a ala hospitalar. Dumbledore havia lançado um feitiço para que nem Snape, nem Dinah fossem notados.
- Alvo o que aconteceu? Por favor Severo, coloque-a aqui... – indicou uma das camas, onde ele delicadamente colocou Dinah.
- Papoula, Dinah está bem, apenas dê a ela uma poção do sono para dormir sem sonhar.
- Mas, Alvo, devo examiná-la, ela não parece nada bem...
- Não Papoula! – Falou Dumbledore ativamente. – Não é necessário.
- Tudo bem. – Em outros casos Madame Pomfrey jamais teria recuado, porém Dumbledore havia dito que estava tudo bem e o tom em sua voz se alterara.
- Severo, quero falar com você, Dinah está bem, vamos...
Eles se encaminharam para uma pequena sala onde Madame Pomfrey guardava todo o tipo de coisa. Madame Pomfrey foi atrás deles a fim de pegar a poção para Dinah e depois saiu.
- Severo...
- Eu não fiz nada à Dinah... – Snape começou a explicar.
- Eu sei, você a ama, não?!
- Como...Quê?!
- Ora, não me negue, eu sei... Você a ama, conheço o brilho em seus olhos. Mas, o que eu quero saber, é o que aconteceu.
- Potter e os amiguinhos dele provocaram uma enorme confusão na saída da minha aula. Eu fui ver o que tinha acontecido. – Falava com uma voz embargada, como se o que viesse a seguir fosse muito desagradável. – Potter resistiu, mas a Srta. Granger pediu que eu ajudasse Dinah, que eles haviam escondido.
- Hermione também já sabe, não é? – Perguntou Dumbledore já sabendo a resposta. Snape confirmou com a cabeça.
- Eu levei Dinah para o meu quarto, ela queimava em febre. Pensei em tantas coisas, talvez daria uma poção a ela. Acho que pensei muito, porque sei que ela odeia tomar poções. Foi quando... – A respiração dele se alterara. Dumbledore não ousava interromper sabe que nessas horas é melhor deixar desabafar. – Recebi o chamado, o chamado dos comensais. Mas, enquanto eu sentia minha marca arder em meu braço, Dinah se contorcia e gritava, gritava muito. Tenho certeza de que ela sentia muita dor, a expressão em seu rosto. E eu inerte, sem saber o que fazer, já não me importava mais minha dor. Dinah, é tudo que importa.
Ele terminou de falar se sentindo muito melhor, o pânico dava lugar ao cansaço. Mas, ainda havia perguntas em sua mente. Ele fechou os olhos tentando esquecê-las, ficaria muito bem sem elas. Mas, elas se revoltaram e saíram da sua boca.
- Alvo, Dinah, não é, é...?
- Tenho certeza que não, mas ela é uma das pessoas que eu também protejo, assim como tantas outras. Agora, vamos, pedirei a Papoula para te dar um pouco da poção também. – Snape desistira, havia coisas que Dumbledore jamais responderia diretamente.
Ele tomou a poção e dormiu.
- Mione, como pode? Como pode deixar Dinah, nas mãos daquele, daquele... – Harry ainda discutia com Hermione saindo da sala comunal para a aula de Trato de Criaturas Mágicas.
- Harry, por favor, ele não vai fazer nada com ela...
- Como não?! Ele é um Comensal...
- SSSHHHH!! – Fez Hermione, com o indicador nos lábios, para silenciar Harry antes que outros alunos escutassem. – Harry, ele jamais faria nada à Dinah.
- Aé? E porque, hein?! O que te dá tanta certeza? – Ela pensou rápido.
- Dumbledore! Ele jamais faria nada aqui, além do mais, ele e Sirius estão trabalhando juntos, não estão?
- Que isso tem a ver?
- Ora, pense! Ele mudou para o nosso lado, sabe?
- Ora, Hermione, todo mundo sabe, ele odeia Dinah, ela pegou o seu cargo de professor de poções. Snape, sempre almejou poder, ele é um sonserino...
- Não acredito... Dê um crédito a ele.
- Eu é que não acredito, Mione... Só não volto lá porque Dumbledore saiu rápido da sala quando pedimos ajuda à ele.
Harry e Hermione bufaram ao mesmo tempo, um não acreditava que o outro podia ser tão tapado. Houve um tempo de silêncio, os dois pararam para pensar.
- Harry, e o Rony, hein?!
- Não sei, Mione, você o tratou tão mal...
- É que eu estava nervosa...
- E desconta no coitado?
- De qualquer jeito, como posso pedir desculpa se não sei onde ele está?
Harry balançou os ombros.
Na manhã seguinte Snape acordou na ala hospitalar com um farfalhar de asas. Decidiu levantar e verificar o que estava acontecendo. Sabia que apenas ele e Dinah estavam ali. Vestiu-se. Foi até onde Dinah estava, onde uma coruja negra saía.
Dinah ainda dormia tranqüilamente. Seu rosto tinha uma expressão tão serena que nem parecia ser a mesma pessoa do dia anterior. Ele sentiu-se angustiado ao chegar mais perto, provavelmente ela não o queria ali. Então ele reparou no pergaminho que a coruja provavelmente jogara ao lado dela. A curiosidade venceu a razão e ele pegou o pergaminho, abriu.
- Incêndio! – Dinah pronunciou.
O pergaminho se queimou por completo antes que ele pudesse ter lido.
- Por que você fez isso Dinah? – ele perguntou.
- Não quero que você leia isto! – Depois de dizer isso Dinah sentou na cama, mas puxou rapidamente o lençol para si quando percebeu que estava de camisola.
- Desculpe... Eu não devia mesmo. – disse constrangido.
- Não faz mal... – Houve um silêncio constrangedor, ambos não se encaravam.
- Eu... – ele pensou no que ia dizer. – Eu fiquei muito preocupado com você, pode me dizer o que aconteceu?
- Talvez, ultimamente esteja preocupada demais... – ela disse com os olhos no pé da cama.
- Quer me contar? – Ele olhou para ela.
- Papoula... – Ela disse num suspiro apontando para as cortinas. Logo depois, ouviram Madame Pomfrey pigarreando antes de passar pelas cortinas que envolviam o espaço onde Dinah estava.
- Dinah, acordou? Bom dia, Severo... Dinah, eu queria te examinar, você chegou aqui ontem suando frio, estava febril, mas Alvo não permitiu que eu a examinasse.
- Não precisa.
- Precisa sim, uma poção do sono não cura uma gripe de bruxos, por exemplo.
- Não é necessário... Já disse! – dizendo isso, saltou da cama assustando Snape e Madame Pomfrey, ficou em pé e girou nos calcanhares como se estivesse dançando. – Estou maravilhosamente bem!!! – E riu como uma criança.
Snape sorriu com a graça que ela fez, enquanto que Madame Pomfrey pulou em um susto.
- É Papoula, acho que ela está bem mesmo. – Disse num tom divertido.
- Não é verdade, ela só está dizendo isso para eu não examiná-la.
- Ah, deixa disso Papoula, eu estou ótima!
- Tudo bem, desta vez passa... – ela então olhou para Severo. – Dinah, suas roupas estão aqui... – disse ela entregando a Dinah algumas roupas dobradas.
Dinah, percebeu que ela olhava repreendendo Snape de estar ali e ela por pular da cama de camisola, deixando assim que ele a visse.
- Não se preocupe, ele não morde. – Disse ela. Madame Pomfrey se assustou com tal observação e saiu apressadamente. Dinah olhou para Snape que ainda sorria. Ao perceber que ele a admirava, sentiu o rosto arder. Provavelmente havia ficado corada.– Me dê licença que eu vou me trocar, depois a gente conversa.
Ele saiu dentre as cortinas e ela se trocou.
- Até mais Papoula... – Dinah acenou enquanto saia com Snape ao seu encalço.
- Cuidem-se, hein?! – Mas, nenhum dos dois fez menção de ter escutado.
- Se você quiser, podemos conversar lá nas masmorras... – Ele sugeriu no corredor.
- Melhor não... – Ela continuou a caminhar, evitando olhar pra ele.
- Tenho um monte de coisas pra fazer, e além do mais, não quero mais tomar o seu tempo. Não se preocupe, não aconteceu nada de mais, não é preciso uma longa conversa para isso.
- Você não pode. Até quando você vai continuar fugindo dos seus problemas? Eles sempre estarão com você, Dinah. Conte-me, eu posso te ajudar.
- Não tem nada demais... Eu sempre fugi, a minha vida toda... E isto... Isto está se tornando pessoal demais! – Ela findou a conversa, mas ele não se deu por satisfeito. Segurou-a pelo braço e a fez parar antes da escada.
- Escute aqui! – Sua voz se tornara autoritária. – Isto é pessoal, desde o dia em que nos beijamos, desde o dia em que eu não paro de pensar em você. – Ela prendeu a respiração não querendo ouvir o resto da conversa. A voz dele voltara ao normal. – Será que você ainda não entendeu? Eu não quero ser mais um de seus problemas, quero ajudá-la a resolvê-los. Eu... eu te amo, Dinah. – Ela aspirou o ar profundamente sem soltá-lo. – Eu quero estar junto de você. Quero te entender. Você muda de humor tão rápido, você às vezes parece que não gosta de ser bruxa. Mas, eu quero te entender, quero te ajudar. E nada, nada que você tente vai me afastar de você. Entendeu?
- Chega, agora, me solta. – Ela pediu olhando firmemente para os olhos dele.
- Pode me ferir o quanto quiser, eu não vou deixar de te amar. – Ele soltou o braço dela. – Vai, vai tomar café... Avise aos seus amiguinhos que está tudo bem.
Virou-se e saiu esvoaçando as vestes pelo corredor. Dinah desceu as escadas com grande pesar. “Será que ele pode ser tão teimoso assim?”, pensava. Tão volúvel, assim era sua personalidade e ele sabia disso. Ao mesmo tempo em que se sentia feliz, tinha uma imensa vontade de chorar. Nunca, ninguém fizera tal declaração à ela, ninguém que ela realmente gostasse ou amasse. Ao chegar no salão principal, observou a mesa da Grifinória.
Lugar onde ela sempre podia observar quem ela gostava.