Capítulo 5 – Brigas e Cartas
Depois de subirem dois lances de escadas, ele segurou em sua mão.
- Você não devia ficar sem comer.
- Pensei que você ia continuar com o seu jeito frio.
Subitamente ele parou para olhar em seus olhos e ela sentiu a cor lhe tomar novamente o rosto. Então sentiu frio, mas conhecia bem aquela sensação.
- Pirraça!!!! – Snape enfureceu-se.
- Tá namorando! Tá namorando! Tá namorando! – Ele saiu cantarolando.
Isto fez com que os dois ficassem subitamente calados. Dinah olhou para o resto das escadas e continuou a subi-las deixando Snape para trás, aquilo não podia continuar.
- Dinah... O que foi? Dinah?
Subiu os lances de escada atrás dela. Ela bateu a porta do quarto antes que ele a alcançasse.
- Você pensa que pode me deter? Não mesmo! – Num estalido ele estava dentro do quarto dela em frente à lareira apagada. – Isto é um bom motivo da barreira não ter sido refeita, eu posso aparatar aqui.
- E agora, o que você vai fazer? – Ela desafiou.
- Por que isto? O que aconteceu para você começar agir assim? – Ele não conseguia olhar para o rosto dela, o quarto estava escuro, somente iluminado pela fraca luz do poente que entrava pela janela. Mas, percebeu que ela mantinha-se afastada. – Olha, eu não sei expressar...
- Estou dando um basta em tudo, não quero fazer você sofrer. Somos diferentes e eu sei que você considera isto.
- Mas... não...eu...
- Se agora você acha que não tem importância, um dia irá achar. Você não sabe nada sobre mim...
Quando ela mencionou isto, ele pensou melhor, aquilo não era momento para se viver um romance. Ela poderia ser o próximo alvo de Voldemort se ele quisesse atingí-lo. Era bom aceitar aquilo, mesmo que não pudesse sentir o perfume dela, ela estaria segura.
- Eu acho que você e eu não estamos seguros quanto ao que sentimos... Então eu vou sair e deixar que você pense nisso. Mas, por favor, prometa-me que vai jantar.
- Eu não vou te prometer nada! – Ela cruzou os braços em desdém.
- Até o jantar então. – Ele fez que não escutou e saiu.
Depois da porta batida, ela não conteve o suspiro de desalento, como a vida dela mudava tão rapidamente. Talvez o seu destino estivesse mesmo traçado e ela não poderia lutar contra ele. Sua vida seria aquela estava destinada à dor e ao sofrimento.
Ele não acreditava em sua própria sorte, ora tinha um anjo que eximia o odor de rosas em seus braços e depois tudo era confuso, tudo era dolorido. Queria saber se tudo aquilo era um castigo e se toda sua vida seria um eterno sofrer. Isolou-se na masmorra como tão acostumado era. Não conseguiu descer para o jantar naquela noite, ficou ali lutando contra o seu ser, uma batalha inevitável mas necessária.
Dinah não jantou, mas foi até o corujal para alimentar Hator.
- Olá amiguinha, olhe, trouxe uns biscoitos para você. – A coruja parecia reconhecer o tom triste dela, pousou em seu ombro e deu umas bicadinhas em sua orelha como se quisesse animá-la. – Ora Hator, não se preocupe comigo, eu estou bem. Mas, você tem uma ótima vista daqui, não é mesmo? – Dinah disse se debruçando no parapeito. Mas, o que mais gostava mesmo era do vento noturno que assobiava em seus cabelos.
Dali, avistava um pedaço do roseiral, a orla da floresta e a cabana de Hagrid. Quando a luz da lua cheia demonstrou uma pequena mancha, de onde aos poucos notou ser uma coruja negra vindo em sua direção. Abriu o pequeno bilhete que ela trazia, leu e o incendiou com a fúria tomando conta de seus olhos. Hator assustou-se e voou de volta ao parapeito. Mas, Dinah parecia determinada, parecia que planejava algo. O brilho doce de seus olhos sumira, e no lugar deles era possível encontrar frieza.
Na manhã seguinte, desceu para tomar café, não importava mais nada. Ao chegar a mesa, notou a ausência de Severo Snape, mas isso não a impediu de acabar com o seu mingau de aveia. Ao terminar o correio coruja chegou. Edwiges voou em sua direção.
Dinah,
O que aconteceu ontem? Snape te fez alguma coisa? Nenhum dos dois apareceu no jantar. E aquele tumulto todo à tarde?
Estamos preocupados.
Harry
Rabiscou rápido no verso do papel, amarrou a Edwiges e saiu do salão. Edwiges voou até Harry, Rony e Hermione que esperavam ansiosamente a resposta.
Não importa o que aconteceu ontem, fiquei preparando aulas e não jantei.
Dinah
- Quê? Só isso? Vê do outro lado. – Rony não acreditava.
- Não Rony, não tem nada. – afirmou Harry.
- Nossa, ela está estranha, não é mesmo?
- Ah, Rony, acho que ela não pode falar o que aconteceu ontem... – Hermione disse um pouco chateada.
- Eu quero ir falar com ela! – Harry afirmou levantando-se. – E eu vou!
- Harry, a aula de DCAT é agora, é capaz da gente perder mais de 50 pontos cada um. – Hermione apressou-se.
- Vá para aula, eu vou falar com Dinah! – Harry ia saindo, mas percebeu que Rony e Hermione estavam em seu encalço.
- Não importa os pontos, estou preocupada demais... – Hermione justificou-se.
Harry sorriu agradecendo. Ao chegarem na sala de poções vazia, encontraram Dinah em sua mesa tomando algumas notas. Harry se aproximou e percebeu que o papel estava totalmente rabiscado e a concentração dela não era direcionada àqueles rabiscos.
- Dinah... – disse Harry com voz mansa.
- Agora não é aula do quinto ano de Grifinória Sr. Potter, não sei o que veio fazer aqui. – Dinah nunca tinha sido tão ríspida.
- Desculpe, Dinah, mas eu estou preocupado com você, já não é a mesma, muda freqüentemente de humor. – Harry ignorou o fato de ela não olhar para eles e fingir que havia algo para se fazer em seu armário, onde ela agora remexia ingredientes que sempre estavam bem guardados.
- Pra informação de você, vocês não me conhecem direito.
- A conhecemos o suficiente para achar que está estranha! – Rony concluiu. – Só estamos querendo ajudar.
Ouviu-se um soluço na sala.
- Mione... – Rony a abraçou.
- Não, não fique assim... – Dinah pediu.
- Eu...eu te conheço Dinah, melhor do que você pensa... – Hermione continuou com voz triste. Dinah a olhou com tristeza, não podia continuar maltratando as pessoas de que tanto gostava.
- Mione, não fique assim... – dizendo isto, ela a abraçou. – A vida nos põe à prova algumas vezes, e isto pode fazer com que a gente queira afastar as pessoas porque não quer que elas sofram com os nossos atos.
Mas depois que acabou de dizer isto se afastou assustada porque ouviu Hermione cochichar em seu ouvido: “Snape...”. Hermione esperava esta reação dela e sabia também que talvez os meninos não precisassem ficar sabendo, talvez ela não quisesse.
- Volúvel... Eu não te disse que eu te conheço. Viu, você continua a mesma Dinah de sempre. Os amigos jamais se separam, e eu arrisco tudo para ser sua amiga.
- Nem me fale o tanto que estes dois agüentam por minha causa... – Harry completou.
- É muito divertido. – Rony respondeu.
- Vocês... – Dinah disse com uma ponta de surpresa na fala, e sorriu. Ainda era um sorriso triste, mas ficou contente de ver que conquistara verdadeiras amizades. Surpreendera-se com Hermione, como ela sabia? – Ei, esperem aí, você não tem aulas agora?
- Er... sim... – Rony ficou sem jeito.
- Mas, acho que Snape não vai ficar nada feliz se entrarmos tão atrasados... – Harry disse virando os olhos em descaso.
- Snape, é... – Dinah pensou um pouco. – Tá, eu levo vocês.
Então eles seguiram para as masmorras, onde ficava a nova sala de DCAT. Ao chegarem lá notaram que a sala estava muito silenciosa, era como se não tivesse ninguém lá. Hermione respirou fundo e empurrou a porta.
- Srta. Granger suponho... – Snape nem levantara os olhos do livro que lia. – Dez pontos a menos para Grifinória e onde estão Weasley e Potter, preciso combinar a detenção de vocês. – A voz dele era calma, mas ao mesmo tempo fatal. Hermione pensou que em outros tempos ele se enfureceria e tiraria o máximo de pontos possível.
- Eles estão aqui. – Dinah entrou após Harry e Rony. – Peço que dispense a detenção, pedi à eles que me ajudassem...
- Esta é a minha aula Srta. Becker, não interessa o que você pediu, eles estão atrasados. – Ainda tinha o mesmo tom sereno na voz, mas não se atrevia a confrontar os olhos dela. – Agora saia, os alunos estão ocupados!
Dinah, não queria, mas saiu. Antes deu um sorriso triste tentando passar alguma confiança para os três. Mas ela não conseguiu sair da masmorra, antes disso foi alcançada novamente por uma coruja tão negra quanto a anterior. Ela segurou o pergaminho amassando-o na mão com força. Perguntava-se até quando conseguiria agir daquela maneira, até quando ela seria uma ameaça para aqueles que aprendera amar. Uma grande tristeza a invadiu, ela se encolheu contra a parede e escorregou até que pudesse sentar-se no chão para fazer o que lhe restara, chorar.
Snape mandara os alunos fazerem uma redação de dois metros sobre feitiços de escalpelação. Harry e Rony não se importaram com a detenção, já esperavam por isso, neste instante eles faziam caretas ao lerem os livros para poderem fazer a redação. Hermione porém não se conformara de Dinah não fazer nada, ela não se conformava dele a tratar daquele jeito. Abriu o pergaminho e rabiscou algo. Encaminhou-se até a mesa do professor como se tivesse alguma dúvida.
- O que foi...? – Snape ainda estava com os olhos no mesmo livro, ela chegou a perguntar-se o que tinha de tão interessante ali, mas tinha algo mais importante para fazer.
- Eu...eu estou com uma duvida aqui... – e apontou para o pergaminho.
- Ora... Srta. Sabe-Tudo Gran... – Então ele leu o que estava escrito.
Será que você precisa tratá-la tão mal?
- Então faça assim! – Ele pegou a pena de sua mão escreveu.
Menina intrometida, trato as pessoas do jeito que acho que elas merecem. Vá se sentar e não se atreva mais a tentar me intimidar.
- Entendi... – Hermione não desistira. Pegou a pena e escreveu.
Eu vi vocês ontem, quando o Pirraça chegou, sei o que está acontecendo, já percebi. Acho que quando nós gostamos de uma pessoa queremos ver ela feliz e não chorando pelos cantos.
Ele não disse nada, pegou a pena e escreveu.
Isto não te interessa, mas não está mais em minhas mãos, sou tão vítima quanto ela. Mas, por favor cuide dela... Não quero que sofra...
Hermione sorriu, aos alunos parecia satisfeita com um trabalho bem feito. Pegou o pergaminho e foi se sentar, percebeu que os meninos queriam lê-lo, então o queimou.
- Ficou maluca? – Rony perguntou.
- Não, não... Vou fazer de novo. – Disse disfarçando fazendo cara de concentração.
Snape ficou assustado, trancara-se nas masmorras para não encarar Dinah e percebeu que ela fez o mesmo, trancara-se em seu quarto. Percebeu que tudo aquilo era uma grande tolice, não entendeu o porquê de tanto sofrimento se os dois se gostavam, perdeu todo o medo. Queria correr até ela e contar-lhe que ele jamais desistiria dela, contaria todos os seus segredos e não se importava, porque a amava. Isto, a amava, chegara à essa conclusão, tudo o que sentia não era sofrimento, era amor. Amava Dinah, queria estar perto dela a todo o momento. Pensou que se aquilo era amor, era realmente inexplicável. Mas, tinha responsabilidades, com o término da aula iria atrás dela.
Os alunos do sexto ano da Grifinória, não entenderam o brilho estranho nos olhos sempre frios de Snape. Exceto talvez por Hermione que sorria.
- Você parece estar gostando muito desta redação Mione... – Rony comentou. – Escalpelação! Blah!
- Cuidado para não seguir o lado negro da força, Mione. – Harry riu.
- QUÊ? – Rony não entendia.
- Deixa Rony, você não sabe mesmo quem é George Lucas... – Hermione falou.
- Algum Bruxo das Trevas?! – Rony chutou.
- Aiaiai, lá vamos nós de novo... – Hermione virava os olhos e ela e Harry tiveram que explicar sobre cinema e alguns filmes, tarefa um tanto difícil na aula de DCAT. Mas, Snape nem ligava para o falatório que se instalara em sua sala, estava concentradíssimo tomando anotações. Na verdade escrevia uma carta, sua primeira carta de amor.
Terminada a aula, Rony, Harry e Hermione saíram na frente. Assustaram-se, pois ao chegar na saída das masmorras encontraram Dinah, no chão. Parecia dormir, mas ao mesmo tempo parecia chorar.
- Rony, rápido distraia os alunos, por um tempo, não vamos deixar que eles a vejam assim. – Hermione pediu e Rony mesmo não querendo, voltou para a porta da sala, tampando a porta não deixando ninguém sair. – Harry, você está com sua capa?
- O que é isto, Sr. Weasley, enlouqueceu? – Snape indagava à Rony, que se negava terminantemente a sair da porta.
- Problemas, professor, problemas acontecem todos os dias, e... – Rony tentava enrolar, mas os alunos estavam furiosos querendo sair. Mais furioso estava o professor, vendo a verdadeira balbúrdia que havia se tornado aquela sala.
- Saia da frente agora, Weasley!!! – Snape mais que bravo enfiara a mão nas vestes.
- Ca-Ca-Calma professor, se o senhor quer passar, tudo bem... Acho... Não é necessário o u...
Mas, ele já havia passado. Rony porém continuava a bloquear a porta, para que os alunos não passassem. Queria muito que Hermione não demorasse, no que quer que estivesse fazendo. Os alunos começavam a pensar em lançar-lhe feitiços.
- Exijo uma explicação! Imediatamente! – Snape encontrara Harry e Hermione no corredor. – Sr. Potter e Srta. Granger o que está acontecendo aqui?
- Como assim? – Perguntou Harry com a cara mais lavada do mundo.
- Eu sei muito bem que ambos adoram infringir regras, e sei que aqui algo cheira a infração! – Snape pôs-se a cheira, mas parou de súbito.
O cheiro de rosas, o cheiro de Dinah estava ali. Perguntava-se se era porque ela esteve ali, mas sabia que não, aquele cheiro Dinah levava com ela. Olhou para Hermione e ela entendeu de pronto.
- Harry, ele irá nos ajudar...
- Quê?! – Harry simplesmente não acreditara que ela retirava a capa de invisibilidade de Dinah.
- Profº Snape, precisamos da sua ajuda, os outros alunos não podem vê-la deste jeito. – Pediu Hermione muito séria.
- Claro, deixe que eu cuido dela. Vão, tirem o Weasley daquela porta... – Ele pegou Dinah no colo e praticamente sumiu no corredor.
- Rony, deixa de bancar o tonto e sai daí!!!
- Tonto, é Hermione!! – Rony esbravejou saindo da porta e passando por Harry e Hermione muito bravo.
- Mione, você pegou pesado! – Harry desabafou depois de um tempo.- Foi você que pediu pra ele ficar aí.
- É acho que exagerei... Mas, deixa pra lá daqui a pouco ele esquece.
- Não, Rony não esquece tão fácil...
- Vamos, Harry, vamos ver se a gente o encontra lá na sala comunal.
- E Dinah?
- Ela está em boas mãos... Vamos... – Hermione puxava Harry pela manga das vestes mas ele não cedia.
- Boas mãos! As de Snape!! Mione você tá maluca?!
- Tá, então vamos avisar Dumbledore, OK?
Mione, você está muito estranha... – Harry se conformou porque estava sendo praticamente arrastado para fora das masmorras.