Capítulo 4 – Café... 

Ela não havia descido para o café e Snape sentiu nojo de si mesmo. E depois pensou que ela estava preparando o seu café trouxa naquela pequena cozinha. A aula de poções daquele dia estava muito estranha, Dinah, se mostrava muito abatida, o que assustou alguns alunos do primeiro ano da Lufa-Lufa. 

- Professora, a Srta. está bem? – perguntou uma das alunas. 

- Estou, estou sim... Só não dormi muito bem esta noite. Não se preocupe! – Respondeu um pouco assustada com a pergunta. 

Ficou muito calada a aula toda. No fim da aula, depois dos alunos saírem, Hermione, Harry e Rony, apareceram para falar com ela. 

- Dinah.. – começou Hermione – Snape, ele, pegou o diskman... e... 

- Sim, Mione, eu sei. 

- Então o que ele fez? – Perguntou Harry 

- Me devolveu. – Abateu-se ao responder. 

- Pela sua cara, parece que não foi só isso. – Rony indagou. 

- Mas, foi! – respondeu prontamente. – Estou muito decepcionada com você Rony, pedi para não usar nas aulas, ainda mais na aula de... 

Neste momento ela parou de falar, Snape estava bem na porta da sala. Ela levantou-se e ambos ficaram se encarando. Harry correu e pôs-se na frente dela como se ele fosse atacar Dinah. Snape o encarou. 

- Então, “a celebridade” pensa que pode me enfrentar?! – Disse friamente. – Só espero que a Srta. Becker não devolva aquele aparelho... Se eu encontrá-lo novamente em minhas aulas, intercederei junto ao conselho da escola. Está entendido, Srta. Becker? 

Dinah não se moveu. Ele desviou os olhos, pensando no que estava fazendo. Por que eles tinham que ser rivais? Quando olhou novamente para Dinah, percebeu que os olhos dela estavam distantes. Arrependeu-se de magoá-la tanto e tomou o seu caminho para o salão, onde almoçaria. 

- Acho que esta é a melhor maneira de enfrentar Snape... – Rony tentou fazer algum comentário. 

Mas, eles havia visto que Dinah não estava muito bem. 

- Vamos andando Rony... – Harry puxou Rony e eles saíram da sala. 

- Aconteceu alguma coisa, Dinah? – Hermione perguntou preocupada. 

- Não, Mione. – Sorriu triste. – Não se preocupe... Anda, vai almoçar... 

- Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo... 

- Obrigada. 

Hermione saiu da sala. Não demorou tempo suficiente para ver a solitária lágrima que fugiu aos olhos de Dinah. 





Mais um almoço em que Dinah se ausentava e ele tinha certeza de que a afastava. Talvez fosse melhor assim. Sabia que não era só a vida trouxa dela que os afastava. Tinha que resolver tudo aquilo, de uma vez por todas. Comeu pouco, o suficiente, e subiu aos seus aposentos sem ver o sorriso tímido que Dumbledore deu. 

Ao chegar no corredor, parou diante da porta de Dinah. Surpreendeu-se quando ela se abriu. 

- Você...?! – Dinah exclamou. 

- Dinah... – Um silêncio frio seguido de olhares. Então Snape retomou. – Preciso falar com você. 

- Ainda tenho um tempo... – Ela ficou um tanto desconcertada ao ouvir ele pronunciar seu nome, já que sempre se recusara. – Entre. 

Ele entrou novamente naquele local que agora bem iluminado, parecia uma verdadeira casa de trouxa. Notou que sobre a lareira havia um porta-retratos com uma mulher e uma criança. 

- Sente-se. – Ela indicou uma poltrona. 

- Acho que lhe devo desculpas. – Falou em tom seco. – Por ontem. Agi precipitadamente. 

- Quer um café? Acabei de fazer... – Disfarçou. 

- Bebida trouxa?! Aceito! – Desviou os olhos dos dela. 

Enquanto ela foi buscar o café, ele ficou pensando naquela foto. Caminhou até a lareira e pegou a foto entre as mãos. Aquela criança, tinha os olhos tão azuis quanto os de Dinah. E estava tão feliz naquela foto. 

- Somos, eu e minha mãe... trouxa. – Disse Dinah, vindo da cozinha. – Aqui está o café. – Colocou sobre a mesinha de centro. – Minha mãe morreu há pouco tempo. Apesar de freqüentar Hogwarts, fui criada como uma criança trouxa. Meu pai, morreu logo que nasci, minha mãe sempre se recusara a falar dele, ela me criou. – Dinah sorriu triste. – Levei um susto quando recebi a carta de Hogwarts, mas ela já esperava por isso. Ela me explicou tudo sobre ser bruxo e saber usar a magia para o bem. Acho que seria uma ótima bruxa... Não havia nada que os chazinhos dela não curassem. 

Ele depositou a foto no lugar e virou-se para pegar o café. Pensou que Dinah não queria ouvir desculpas, já que se desviava tanto do assunto. Estava quase bebendo o café quando de súbito jogou a xícara no chão. 

- O que é isto? – Dinah assustou-se. 

- Veneno... oras! Queria me dar veneno! – Snape enfureceu-se. 

- Como um ser pode ser tão... – A expressão de susto no rosto de Dinah, tornou-se fúria. Seguiu até a mesinha de centro, pegou a outra xícara e ficou frente a frente com Snape. – Então você acha que e seria capaz de envenená-lo? Olhe bem... – Entornou o líquido. – Veja! Morri? – Seus olhos começaram a encher de lágrimas tal qual era sua fúria. – Limpitus! – A sujeita do chão se desfez num balançar de varinha. – Não acredito que você pensou que eu queria te matar! 

- Tem a mesma cor de veneno, tem... – Tentou explicar-se mas ainda com tom severo. 

- Pois é café! Bebida de trouxas! Vejo que mesmo sem ter razão, ainda continua com essa expressão de superioridade... 

- Eu vou embora não tenho nada pra fazer aqui! – Passou por ela que ainda tremia, parou diante a porta. 

Ele olhou pra ela, sentiu uma pontada de remorso em seu coração. Pensou que aquilo poderia acabar de outra forma se não fosse tão rude. Seu coração doía ao pensar que havia ferido novamente o coração dela. Sentiu-se um monstro. Mas, quando Dinah se virou, ele sentiu-se ainda pior pois uma lágrima corria no rosto dela e sua expressão era de angústia e confusão, algo que também sentia. Ela balançava a cabeça tentando negar coisas que murmurava e isto a fazia chorar ainda mais. Ele retornou o caminho até ela. Passou a mão em seu rosto enxugando as lágrimas que teimavam a sair. 

- Desculpe, Dinah... Parece que só consigo te ferir... Eu não sei o que está acontecendo, mas... – Ela o calou quando encostou os dedos em sua boca e seus olhos se encontraram . 

A mão dela correu o rosto dele, enquanto que ele passou as mãos por sua cintura. Os olhos, magnetizados como imãs. Então eles se beijaram, como tão desejavam. E Snape pode sentir o gosto daquela bebida amarga que pensou que fosse veneno. Depois ela deitou a cabeça no peito dele e eles ficaram abraçados por um tempo. Ambos tinham feito um pacto silencioso de não falarem nada. As palavras podiam levá-los à um caminho que eles não queriam ir, podiam brigar novamente. 

Ficaram assim por um bom tempo, então ela se soltou segurou na mão dele e o puxou até a janela do seu quarto. 

- Olhe... – Ela indicou para fora. – Pode ver isto da sua janela? 

Era um roseiral, que se seguia antes do lago. Mas, não era um roseiral comum, as rosas eram do tamanho de cálices de ponche, e eram de várias cores. Snape sentiu amargamente que nunca havia reparado, nunca parara para olhar tal coisa. 

- Não é lindo? – Dinah perguntou olhando em seus olhos. 

Ele a abraçou sem responder e sentiu um cheiro magnífico vindo dela, Dinah cheirava a rosas. Como era macio o toque de seus lábios, e de sua pele. 

- Acho melhor, nós irmos, somos professores aqui, lembra-se?! 

Ela afirmou com a cabeça. Os dois caminharam juntos até a porta. Antes de sair ele lhe beijou as pálpebras. Então ela fechou a porta e suspirou. Pensou que ele podia ser doce assim o tempo todo. Caminhou até seu quarto, vestiu seu casaco e desceu para a próxima aula. Enquanto Snape, em seu quarto, caminhou até a janela. Arrastou a cortina pesada e a abriu. Percebeu então que tinha a mesma vista que tivera no quarto de Dinah. 

Antes de entrar na aula de Transfigurações, Hermione encontrou com Dinah no corredor. 

- Você parece muito melhor agora. – Ela comentou. 

- Eu disse para você não se preocupar, não disse? É incrível o que um café pode fazer... 





Os alunos acharam muito estranho quando Dumbledore apareceu na porta da sala, afinal ele nunca havia feito isso. A Profª McGonagall dirigiu-se rapidamente até a porta para conversar com ele e voltou com uma cara nada boa. 

- Classe! – Fez para pedir silêncio. – Temos uma reunião de professores agora, portanto todos estão dispensados das aulas de hoje! – Houve um zumbido de comentários então ela completou. – Encaminhem-se aos seus dormitórios, em silêncio! Obrigada, estão dispensados... 

Na sala dos professores, depois que todos chegaram, Dumbledore começou a falar. 

- Acabei de ser informado e suspeito que Lord Voldemort voltou a atacar aqui muito perto... 

- Por favor, Alvo, não fale assim...– Concluiu Minerva. – Mas quem ele poderia manipular agora? O que ele quer desta vez? 

- O de sempre! – Snape disse pensativo. 

- Acredito que Vocês-Sabem-Quem não usaria o mesmo plano duas vezes. É bem provável que aja de outra maneira... – Ao dizer isso Dinah sentiu-se um pouco sem graça, ela era a professora nova e se alguém estivesse nos planos dele seria ela. Além, disso havia outros fatores. Snape percebeu esta sua angústia e recorreu rápido. 

- Nunca se sabe... Em todo caso, seria bom descobrirmos de qual maneira ele poderia voltar e o que busca. 

- Fiquem todos em alerta. – concluiu Dumbledore. – Os comensais da morte podem querer se aproximar de Hogwarts. A reunião acabou. 





Com o término daquela reunião, Dinah havia ficado muito angustiada. Pobre de Harry, que sempre era perseguido daquela maneira, quando isto iria terminar, se perguntou. Talvez ela poderia fazer uma coisa decisiva para que o Lord das trevas se afastasse da escola. Sacrificaria muitas coisas boas que estavam acontecendo, mas livraria as pessoas daquela escola dos males causados por ele. 

Sem que ela percebesse, estes pensamentos invadiram seus olhos em forma de lágrimas. Não chegou a chorar, mas ficou profundamente triste. Isto a deixou muito abatida. 

- Dinah, Dinah querida, por favor não fique assim ou então poderá passar mal. – Madame Pomfrey interviu, ela pode então perceber o quanto foi levada pelos seus planos. – É normal que algumas pessoas fiquem assim depois de uma notícia desta, não há nada que uma poção reanimadora não resolva... 

- Não se preocupe Papoula, provavelmente estou um tanto cansada. 

- Então, esta poção só vai te fazer bem. 

- Não, definitivamente, obrigada. – Dinah quis um ponto final naquela conversa. 

- Mas... 

- Deixe Papoula, nós sabemos muito bem que Dinah, odeia, tomar poções. – Minerva disse – Talvez, um chá ajude, aceita, Dinah? 

- Sim. – Dinah percebeu que não conseguiria fugir para o seu quarto, para pensar naquilo tudo. 

É bem provável que seja fome, ela não tomou café da manhã ou almoçou. – Snape observou. Dinah se assustou com os próprios pensamentos que foram desviados. Valeria a pena sacrificar tudo aquilo? – Daqui a pouco o jantar será servido, vamos, eu acompanho você até o seu quarto.

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