12. Tratamento Combinado e� por Etapas de Dependentes Qu�micos. Evolu��o Hist�rica e Resultados Conseguidos.   (excerto do capitulo)    

Domingos Neto e Nuno Torres
As doen�as aditivas (toxicodepend�ncias e alcoolismo) s�o diferentes das cl�ssicas, porque s�o doen�as de abuso e n�o de car�ncia.
De facto, a ci�ncia m�dica e as profiss�es associadas t�m-se baseado essencialmente no paradigma assistencial do dar, do prover assist�ncia medicamentosa e social a pessoas carenciadas.
Se � verdade que este paradigma funciona para a maioria das doen�as ps�quicas, falha lamentavelmente nas patologias de abuso, seja ele o abuso de �lcool e drogas, ou psicossocial (as chamadas personalidades anti-sociais).
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O conceito de alexitimia e a matriz gen�tica
Um dos erros mais graves de alguma psicologia � aplicar a toda a gente e a todas as formas de patologia o mesmo figurino etiol�gico e terap�utico: caricaturando, afirmar�amos que todas as pessoas com sofrimento ps�quico foram v�timas de traumatismos na inf�ncia e tratam-se todas com a mesma forma de terapia. Isto equivale a um certo totalitarismo ideol�gico sobre os pacientes, passando a defesa dos seus interesses a ser secund�ria em rela��o � pr�pria propaga��o de uma determinada ideologia terap�utica.
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Introdu��o de conceitos novos no tratamento
O paradigma de tratamento destes casos deve ser, portanto, radicalmente oposto ao das doen�as cl�ssicas. Implica retirar: retirar as subst�ncias de que a pessoa abusava anteriormente, em vez de dar; retirar liberdade excessiva fornecendo limites, retirar privil�gios imerecidos fomentando autocr�tica e humildade.
Implica a no��o de normatividade, de economia de meios, de resili�ncia e de subsidariedade: n�o avan�ar com terap�uticas complicadas quando as mais simples podem funcionar;
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Quando, em 1985, come��mos a tratar toxicodependentes, us�vamos uma orienta��o psicanal�tica, que tivemos de modificar e adaptar profundamente.
Para isso, import�mos, adopt�mos, cri�mos e combin�mos as seguintes metodologias de interven��o:
Dimens�o Efeito
- Possibilidade de interven��o psicoterap�utica em   doentes alexit�micos
Comunidades Terap�uticas estruturadas
- Modifica��o est�vel de tra�os patol�gicos das   suas personalidades
Psicoterapia emocional - Redu��o dos efeitos da alexitimia (Casriel, 1988)
- Supera��o da culpa inconsciente   (neur�tica)
Centragem na fam�lia e recurso a   medicamentos antagonistas/ - Prevenir faltas e atrasos nas consultas
- Obter informa��es de confian�a
- Conseguir uma matriz terap�utica familiar
/aversivos (TCE em ambulat�rio)
- Aumentar o poder terap�utico e diminuir as   reca�das
- Acelerar a matura��o do jovem
- Trabalhar com economia de meios (consultas   curtas e 1, ou no m�ximo 2 terapeutas)
- Conseguir uma matriz terap�utica onde possam   inserir-se tratamentos mais espec�ficos
12 passos - Autocr�tica e humildade saud�veis
- Espiritualidade
- descentra��o do egocentrismo
- Conseguir a interven��o de um grupo de   suporte
- Redu��o dos efeitos da   alexitimia
Desenvolvemos um conceito um pouco her�tico para a �poca: Combinar diversas formas de interven��o, de um modo adequado a cada caso e algumas feitas pelo mesmo terapeuta (por exemplo: fazer abordagem familiar, dar medica��o e ao mesmo tempo fazer uma psicoterapia-aconselhamento individual breve. Outro exemplo: aceitar reuni�es de tipo 12 passos em comunidades terap�uticas hierarquizadas).
Como paradigma medicamentoso recus�mo-nos a utilizar benzodiazepinas para controlar estados cr�nicos de ansiedade e tens�o e utiliz�mos frequentemente, entre outros, e sempre com o consentimento escrito do paciente, medicamentos antagonistas (naltrexone para o caso da hero�na, dissulfiram para o caso do �lcool e outros, diversos, contra a coca�na).
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Um outro passo que sempre fizemos quest�o de desenvolver foi a avalia��o dos resultados dos programas terap�uticos, porque pensamos que qualquer interven��o terap�utica est� incompleta sem uma adequada avalia��o dos resultados. Nesse sentido fizemos tamb�m diversas investiga��es cl�nicas sobre a efic�cia do TCE, que apresentamos a seguir.
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O TCE em programas de empresas
A pertin�ncia da interven��o preventiva da adi��o a drogas e �lcool nos locais de trabalho � ineg�vel em Portugal. Sobretudo tendo em conta que se trata do terceiro maior consumidor mundial de �lcool per capita (World Drink Trends, 2000). Em 1999 a m�dia anual de consumo foi de 11 litros de etanol (correspondente a 27 litros de aguardente a 50�.). Isto tem consequ�ncias a n�vel de sa�de p�blica e econ�micas.
Os princ�pios fundadores do TCE, nomeadamente o amor firme e o recurso � abordagem familiar, foram aplicados em empresas, tal como acontece nos CTT-Correios de Portugal, a trabalhadores com consumo excessivo de �lcool e depend�ncia de drogas.
Neste �mbito promovemos um projecto de redu��o do consumo de drogas e �lcool nessa empresa, denominado PAAT: Programa de Apoio e Assist�ncia a Trabalhadores. Este programa est� em curso desde 1997 e j� tem 257 trabalhadores referenciados e inscritos.
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