A preven��o do consumo de drogas: teoria, investiga��o e pr�tica (excerto do capitulo)
Jorge Negreiros
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No entanto, o dom�nio da preven��o do abuso de drogas parece viver, actualmente, uma situa��o algo paradoxal: por um lado, multiplicam-se as iniciativas e projectos que se reclamam da preven��o do abuso de drogas; por outro lado, s�o recorrentes as posi��es cr�ticas em rela��o � preven��o, baseadas na constata��o segundo a qual n�o est� inequivocamente demonstrado que a aplica��o de estrat�gias de preven��o tenha conduzido a uma diminui��o da incid�ncia e preval�ncia do uso de drogas.
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Embora os resultados da investiga��o neste dom�nio se caracterizem por alguma dispers�o e mesmo inconsist�ncia, diversas revis�es da literatura isolaram um conjunto de vari�veis que permitem identificar as crian�as ou adolescentes que se encontram em maior risco de desenvolver problemas relacionados com o uso de drogas.
Factores de risco e factores de protec��o
Com efeito, um aspecto que pode ajudar a compreender o tipo de interven��es que est�o habitualmente relacionadas com a preven��o do abuso de drogas baseia-se na distin��o entre factores de risco e factores de protec��o. S�o considerados factores de risco certas situa��es, circunst�ncias ou caracter�sticas individuais que est�o associadas a uma maior probabilidade de consumir drogas. Pelo contr�rio, os factores individuais e sociais que reduzem a probabilidade de consumo de drogas, designam-se "factores de protec��o".
Diversos estudos, conduzidos ao longo dos �ltimos 20 anos, permitiram identificar uma s�rie de factores de risco em rela��o ao abuso de drogas. Os factores de risco envolvem interrela��es entre dimens�es da personalidade e influ�ncias do contexto social.
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Estrat�gias universais, selectivas e indicadas
� tamb�m com base no reconhecimento de que os destinat�rios das ac��es de preven��o podem apresentar diferentes tipos e n�veis de risco de consumo de drogas que, recentemente (Institute of Medicine, 1994), se estabeleceu uma classifica��o das interven��es preventivas que toma como refer�ncia os diferentes grupos-alvo dessas interven��es. Tal classifica��o inclui descreve tr�s modalidades distintas de estrat�gias: a) estrat�gias universais; b) estrat�gias selectivas e; c) estrat�gias indicadas.
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Princ�pios da preven��o do abuso de drogas
Duas d�cadas de investiga��o sobre a preven��o do abuso de drogas tornaram poss�vel individualizar um conjunto de princ�pios b�sicos que caracterizam as "boas pr�ticas" nesta �rea. De facto, embora as interven��es preventivas tenham conduzido a resultados inconsistentes no que se refere � capacidade de modificar o abuso de drogas ou outros comportamentos desviantes, ao longo das �ltimas duas d�cadas, tem vindo a ser acumulado um vasto manancial de conhecimentos, origin�rios da investiga��o te�rica e emp�rica � esse conjunto de factores, suscept�veis de conferir �s interven��es preventivas uma maior efic�cia, que procuraremos enunciar de seguida.
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2. As abordagens baseadas no conceito de "compet�ncias de vida" e nos modelos de influ�ncia social parecem ser as mais promissoras
Uma das caracter�sticas do tem sido designado por "3� gera��o da investiga��o e pr�tica na preven��o" (Botvin e Rosenbury, 1989), traduz-se na elabora��o de programas complexos, compostos por unidades espec�ficas mas integradas. Esses programas incluem, assim, para al�m de uma componente de informa��o sobre drogas, um conjunto de outras unidades relativamente independentes �s quais est�o igualmente associadas t�cnicas e resultados espec�ficos.
Dum modo geral, as componentes dos programas de preven��o que se t�m revelado mais eficazes s�o as que est�o baseadas no conceito de "compet�ncias de vida" e nos modelos de influ�ncia social.
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