Neurofarmacologia das Adi��es (excerto do capitulo)
M�rio David
INTRODU��O
Todas as fun��es que ocorrem no c�rebro, tal como, o mecanismo aditivo a subst�ncias ex�genas (Adi��o), envolvem a comunica��o entre os neur�nios cerebrais. Cada neur�nio conecta com centenas ou milhares de neur�nios adjacentes, atrav�s de mensagens transportadas por subst�ncias qu�micas chamadas neurotransmissores que atravessam as sinapses interneuronais. J� se conhecem cerca de 100 diferentes neurotransmissores , dos quais, cada neur�nio liberta somente um ou alguns tipos.
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Alguns estudos laboratoriais recentes revelaram que as subst�ncias aditivas funcionam, como refor�os positivos, ao n�vel neuronal, nos mesmos sistemas cerebrais que normalmente medeiam as ac��es dos refor�os naturais, tais como: a comida, a �gua e a interac��o sexual.
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Quadro 1
EFEITOS de CURTO-PRAZO e de LONGO-PRAZO   (HERO�NA)
Efeitos de longo-prazo
Efeitos de curto prazo
  Adi��o com Depend�ncia   F�sica
Euforia ou "Rush"
Depress�o Respirat�ria Doen�as Infecciosas, por   exemplo, HIV/SIDA e hepatites B, C e Delta
Funcionamento Mental   alterado
Veias Colapsadas
N�useas e V�mitos
Infec��es Bacterianas
Analgesia ou Supress�o da   Dor
Abcessos
Aborto Espont�neo
Miocardites e Infec��es das   V�lvulas Card�acas
Artrites e outros problemas   Reumatol�gicos
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A Coca�na � uma subst�ncia que � extra�da das folhas da planta denominada Erythroxylum Coca, possuindo efeitos estimulantes e euforizantes no Sistema Nervoso Central, e cujo efeito psicol�gico principal � um estado de imediata euforia, com a desinibi��o psicol�gica e motora, a eleva��o da auto-estima e um aparente aumento das performances f�sicas e ps�quicas. Quando esta � aplicada topicamente, esta droga tem efeitos vasoconstritores e anest�sicos locais.
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Situa��es Especiais de Tratamento (Adi��es Mistas)
������� A) No tratamento de situa��es de duplo abuso de Opi�ceos-Coca�na (Adi��es Mistas), t�m sido referidos o uso de dois tipos de abordagem farmacol�gica:
1) o ajustamento da dose de metadona[1]..
�Um factor significativo na previs�o para a diminui��o do uso de coca�na em Heroin�manos � o tempo de perman�ncia nos programas de substitui��o, quanto maior, maior a redu��o nos consumos de ambas as subst�ncias.
2) autiliza��o de medica��o Opi�ide alternativa. Pelo que tem sido mencionada que a utiliza��o de Buprenorfina, um agonista parcial, em doses altas (12-16mg/di�rios), tamb�m reduz a frequ�ncia do uso de coca�na nos Heroin�manos (Schottenfeld et al.,1993).
������� B) Tamb�m se sabe que o Alcoolismo� um problema muito comum entre cocain�manos, tanto na comunidade, como nas popula��es em tratamento, com altas taxas de co-morbilidade que podem atingir valores at� 90% (Gorelick,1992). A sua evolu��o cl�nica � pior, devido a uma variedade de factores tais como a estimula��o do desejo de coca�na induzido pelo �lcool, a indu��o da produ��o do Cocaetileno, um metabolito t�xico e psicoactivo, e as altera��es do metabolismo dos medicamentos pelas altera��es da fun��o hep�tica (Gorelick,1992; Carroll et al.,1993)
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As anfetaminas, e em particular as metanfetaminas, t�m uma dura��o de ac��o maior pois a maioria daquelas substancias permanece no corpo, sem altera��es, pelo que originam maiores e mais prolongados efeitos estimulantes, ao contr�rio da coca�na que � rapidamente eliminada e quase totalmente metabolizada no corpo.
Elas d�o origem a uma sensa��o de euforia, ao fim de alguns minutos (3 a 5 minutos), se for utilizada por via inalada, e ao fim de 15 a 20 minutos, se usada por via oral.
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O Extasy ou MDMA
������� N�o irei descrev�-las em detalhe, mas talvez seja interessante fazer algumas refer�ncias ao MDMA ou Exctasy por ser a droga actualmente mais abusada deste grupo.
Ela foi sintetizada em 1912 e registada em 1914, como anorex�geno. Trata-se de uma subst�ncia com caracter�sticas anfetam�nicas e alucinog�nicas, em doses elevadas e com o seu uso prolongado, mas n�o produzindo alucina��es visuais, como a mescalina ou o LSD.
Em doses baixas, o MDMAprovoca um aumento da sensibilidade ao tacto e � audi��o, uma secura de boca, uma falta de apetite, uma sensa��o de calma e de serenidade, com uma aparente maior aproxima��o emocional. Os seus efeitos duram cerca de 2 ou mais horas, dependendo da dose, da personalidade do utilizador e do ambiente. N�o provoca depend�ncia f�sica, mas psicol�gica. Com o seu uso regular � necess�rio o aumento das doses para obten��o dos mesmos efeitos, por causa do efeito da toler�nciafarmacol�gica. Em doses elevadas, podem ent�o surgir ataques de p�nico, crises de ins�nia, confus�o mental, depress�o, n�useas, tonturas, crises hipertensivas e poss�veis paragens card�acas.
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Os tratamentos mais efectivos contra a adi��o �s anfetaminas/ metanfetaminas, s�o as interven��es cognitivas sobre o comportamento. Estes m�todos est�o desenhados para ajudar a modificar a forma de pensar, as expectativas e a conduta do paciente, a fim de aumentar a sua capacidade de fazer frente aos factores estressantes da vida. Os grupos de entre-ajuda, de apoio e de recupera��o psicol�gica, parecem funcionar com melhores resultados quando usados em conjunto, com as interven��es cognitivas (NIDA, Serie De Reports, 2000).
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[1]Num estudo controlado (Borg et al.,1995) observou-se que os consumos de coca�na tinham diminu�do de 80% para 20%, nos indiv�duos submetidos ao aumento das doses de metadona administrada. As doses superiores a 60 mg/dia est�o geralmente associadas n�o s� � baixa do uso de opi�ceos, como da coca�na, se bem que algumas excep��es t�m sido referidas (Grabowski et al.,1993).
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