Sobre a família Pavani

Consta que, no mesmo navio em que veio a família de Giuseppe e Teresa Buratto e filhos, veio também a família Pavani, constituída por Affonso e Eva Pavani, meus bisavós, pais da vovó Ignez. Eles vieram da cidade de Ferrara, também ao norte da Itália. De tamanho médio e muito bonita, Ferrara é considerada uma cidade-museu, toda cor-de-rosa, com um rico passado histórico, é grande produtora de frutas. Tal como a família Buratto, a família Pavani veio igualmente inteira. Além do casal, três filhos: Adélia, Lino e Alma. A nossa vovó Ignez ainda não era nascida. Sabemos que a nossa bisavó Eva era gêmea de um irmão que se chamava Adão, e é só o que soubemos deles.

Coincidência ou não, também a família Pavani estabeleceu-se inicialmente em Juiz de Fora, e, no mesmo ano de nascimento do vovô Mário, poucas semanas antes, nascia, no dia 29 de março de 1894, naquela cidade, Ignez Maria Tereza Pavani, a nossa vovó Ignez, para ser aquela que era, nos dizeres dela própria, “uma árvore boa e de muito bons frutos”.

Também a família Affonso e Eva Pavani tinha origem humilde. Na Itália, Affonso era sacristão. No Brasil, ele trabalhou inicialmente na lavoura do café e, depois, já em Barbacena, estabeleceu-se com sua família no bairro conhecido como “Pau de Barba”, junto ao bairro do campo, fazendo pão em casa. Affonso faleceu em 1921 e sua esposa Eva, pessoa muito religiosa, faleceu com 89 anos. Contam que ela ia todos os dias à reza na Igreja do S. Geraldo. Num desses dias, depois da reza, levou um tombo, logo que saiu da igreja e, em decorrência, teve quebrada a perna ou a bacia. Presa à cama, ela ficou muito entristecida e faleceu três anos mais tarde.

Se, pelo lado dos Boratto, a tradição era a marcenaria e o comércio, pelo lado dos Pavani, o forte foi a costura. A filha mais velha, Adélia, foi excelente costureira no Rio de Janeiro. Casou-se com Gustavo Erasmi, que dizia ter sangue azul, e tiveram onze filhos: Carlos, Stanislau, Indiana, Débora, Dalila (Lilita), Eugênio, Tomás (Zico), Edi, Nelson, João e Maria do Carmo (Carminha).

O Lino também estabeleceu-se no Rio de Janeiro. Era alfaiate e casou-se com Serafina Ferreira Guerra (filha de portugueses). Tiveram cinco filhos: Delfo, Afonso, Paulo, Maria e Therezinha. A Alma estabeleceu-se em Barbacena, era a melhor modista da cidade e fazia a alta costura da elite barbacenense. Ela casou-se com Francisco Bergamini e tiveram seis filhos: Alaíde, José, Maria de Lourdes, Antônio, Débora e Francisco. A nossa Ignez morou nos seus últimos anos de solteira junto com a irmã Alma e a ajudava nos arremates das costuras.

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