O encontro do vovô Mário e da vovó Ignez

Conforme já mencionamos acima, Mário e Ignez moravam em bairros vizinhos, portanto, estavam próximos um do outro, quando se conheceram. Dizem que se encontraram na saída da missa da Igreja de N. S. do Carmo, santa de devoção que Ignez freqüentava. Ela vinha a pé e ele passava de bicicleta. Trocaram olhares apaixonados, começaram a namorar e acabaram se casando, aos 22 anos, no dia 24 de maio de 1916, na Igreja de N. S. do Carmo, em Barbacena, no então bairro do “Pau de Barba”.

Vieram morar na rua do Campo, na av. Rodrigo Silva, n. 55. A casa era própria e junto dela, o vovô Mario estabeleceu um armazém de secos e molhados, chamado Casa Boratto. Logo, começaram a nascer os seus quinze filhos. Naquela casa, nasceram quatorze deles, apenas a filha Helena (nossa saudosa tia Ninita) não nasceu ali. Isso porque, não soubemos por que razão, após seis anos de casamento, a família se mudou para um sobrado junto do comércio de um tio do vovô Mario, com quem ele trabalhou como empregado, onde foi a “Casa Pimentel” e hoje é o “Pão.& Cia”. No sobrado, a família morou por dois anos e lá, nasceu a sétima filha deles e, depois, voltaram a morar na antiga casa e tiveram outros oito filhos.

O feijão e o sonho caracterizam perfeitamente a vovó Ignez e o vovô Mário, apesar de terem vivido bem e juntos até à morte. É que ela era uma mulher muito realista e ele, um homem muito idealista. Apesar de ter dado conta direitinho dos seus compromissos de marido honrado e pai responsável por numerosa prole, nunca teve muito jeito pro comércio. Ele tinha uma alma e porte nobres.

Vestia-se invariavelmente de forma impecável, sempre de terno, calça com suspensórios, camisa sempre muito limpa e bem passada, ele era muito elegante. Apreciador das artes, amava a música e a literatura. Tinha uma boa coleção de ópera italiana e música clássica, e uma razoável biblioteca onde predominavam os romances e literatura espiritualista. Gostava de criar passarinhos por causa do canto e sempre teve um cachorrinho. A gente se lembra bem do Totó, mas houve, antes do Totó, um Nero e um Danúbio. Ele era também apreciador da natureza, sobretudo das árvores. Tocava violino, colecionava selos e gostava de pescar.

Como não fosse materialmente ambicioso e tivesse compaixão pelos pobres, vendia fiado no armazém e tinha, por isso, muito prejuízo. Já a vovó Ignez, além de gerar quinze filhos, era quem cuidava da casa e da educação desses filhos, como era de praxe na época dela. Além disso, vigiava de perto os negócios no armazém. Ela tinha muito senso prático, era muito ágil e era também muito religiosa. O certo é que o seu Mário e a dona Ignez eram pessoas muito queridas e respeitadas em Barbacena, assim é que a família Boratto é muito conhecida e estimada na cidade por sua boa índole.

O vovô Mário faleceu em Barbacena, aos 76 anos de idade, no dia 22 de setembro de 1970, vítima de câncer. A vovó Ignez faleceu com 89 anos, como a mãe dela, no dia 26 de abril de 1983. Poucos dias antes de falecer, gozando excelente saúde e perfeita lucidez, ela foi vítima de uma fratura nas costelas, em decorrência de osteoporose. Como era muito ativa e tivesse pavor de hospital, encerrada na cama, ela ficou bastante deprimida e poucos dias depois, suspirou e faleceu de “senilidade”.

 

Retornar

Hosted by www.Geocities.ws

1